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uma história

por Maria Araújo, em 25.09.17

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Feito o "check-in" na organização do Passeio da Memória, e enquanto não chegavam as pessoas, estava eu a conversar com a minha irmã sobre a doença, e da nossa amiga Alice, quando, ao meu lado, vejo uma ex-colega de trabalho, que faz parte do grupo "Café Memória", na Brasileira, entra na conversa e aponta-nos algumas senhoras doentes de Alzheimer que, com os familiares, participavam na caminhada.

Contou, então, a história de uns vizinhos seus: um casal com filhos, a mãe de um dos conjuges e um cão.

Tendo a mãe Alzheimer, a minha colega visitava a senhora, dava-lhe algum apoio, e à família. O cão, já velhinho, e sem que a doente lhe desse mais atenção, levou-o para sua casa e cuidaria dele.

O tempo  foi passando, a minha colega visitava-a quase diariamente, até que um dia, com a autorização da família, decidiu levar o cão e verem  a reacção de ambos.

O cão saltou, brincou no seu colo, farejou a casa como se nunca tivesse saído de lá, mas a senhora não o reconheceu.

Levou-o de novo para casa. Nesse mesmo dia, à noite, estava tudo sossegado, não se ouvia o cão. Foram dar com ele morto debaixo da mesa da sala.

O cão morrera de paixão.

E as lágrimas da minha colega foram as nossas lágrimas, também.

 

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Antes de a caminhada iniciar, fez-se o aquecimento com algumas coreografias de Zumba, partimos, então devidamente equipadas, para o nosso passeio pelas ruas da cidade.

 

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Um gesto que me emocionou foi quando soube por uma das participantes que alguns turistas que passavam pelo local do encontro, quiseram participar neste Passeio da Memória. Vi e fotografei duas senhoras, mas haviam mais.

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O final foi junto à Brasileira, o local de encontro do grupo "Café Memória"  cuja missão consiste em:

A missão do CAFÉ MEMÓRIA consiste em reduzir o isolamento social em que muitas das pessoas com demência e os seus familiares e cuidadores se encontram, contribuindo para a melhoria da sua qualidade de vida. Pretende ainda sensibilizar  a comunidade para a relevância crescente do tema das demências, diminuindo, assim, o estigma que lhe está associado.

 

Acabou a caminhada, junto à Brasileira, com o rufar dos tambores executado por um grupo de jovens que também já nos habituou à sua encantadora exibição.

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17 comentários

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De marrocoseodestino a 30.09.2017 às 23:29

Oh doença lixada. Faz sofrer tantos os familiares e cuidadores.
Um beijinnho
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De Maria Araújo a 01.10.2017 às 00:22


Doenças que são complicadas de entender.
Haja paciência e bondade.
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De naomedeemouvidos a 27.09.2017 às 09:26

Não conhecia a iniciativa. Obrigada por divulgares.

Quanto à "história" do fiel cãozinho, espanto-me sempre com a capacidade de amar que os animais podem ter. É absolutamente impressionante.
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De Maria Araújo a 27.09.2017 às 12:48


As cadelinhas das minhas sobrinhas, e sempre que elas vão a casa é uma alegria.
A mãe morreu, ficou a filha.
Hoje, continua a saga, e sempre que vê as malas para irem embora, fica triste anda de um lado para o outro a chamar a atenção.
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De Anita a 26.09.2017 às 11:53

Que hostória tão triste e ao mesmo tempo tão bela, a do cão.
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De Maria Araújo a 26.09.2017 às 16:28

Os animais são os companheiros mais fieis do ser humano, acredite.
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De Anita a 26.09.2017 às 16:33

Mas são mesmo
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De O ultimo fecha a porta a 25.09.2017 às 22:52

que história tão emocionante.
uma excelente iniciativa para uma doença que ainda é tratada de forma muito leviana e pior com algum escárnio.
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De Maria Araújo a 26.09.2017 às 10:23

Infelizmente as famílias não estão preparadas para isto e vêem na demência velhice e ela surge mais cedo do que pensamos.
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De Robinson Kanes a 25.09.2017 às 22:19

História triste e boa iniciativa, embora a título pessoal, considere que correr ou caminhar por uma causa seja algo sem sentido... Todavia, considero que se é bom e faz com que alguém possa ser ajudado e não faz mal a ninguém, porque não...
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De Maria Araújo a 25.09.2017 às 22:33

O objectivo é ajudar.
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De José da Xã a 25.09.2017 às 21:27

Maria,
estas vossas iniciativas são de louvar. Todavia...

Convivo todos os dias com alguém que está senil. Mistura comidas impensáveis, leva canecas de loiça ao lume para aquecer, púcaros em aço inoxidável ao microondas.
Mas o pior é viver na casa que construiu e dizer que aquela não é a casa dela, não se lembrar do nome dos netos e finalmente nunca querer sair de casa.
Há umas semanas fez uma fita para sair de casa que mais parecia uma criança com birra.
Dói-me ver isto...
É a minha sogra, tem 86 anos e o maior problema dela é ter saúde, não obstante estar sempre a dizer que vai morrer...
Uma noite descansada.
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De Maria Araújo a 25.09.2017 às 22:39


Esta iniciativa acontece em várias cidades do país, e se de um modo simbólico posso ajudar, porque não?
Há imensas mulheres e homens com problemas de demência, acredito que é muito difícil cuidar destas pessoas e as organizações precisam, também do nosso apoio.
E tenho a Alice, com 56 anos, a minha amiga que está numa casa de saúde que merece a visita das amigas que eu acho que poucas lá vão vê-la.
E eu prometi a mim mesma que ia durante esta semana.
Beijinho

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De Rui a 25.09.2017 às 21:15

Muito curiosa essa estória do cão !!! ... Pena não podermos ter a certeza da causa da sua morte ! :(

Muito meritória a causa do Passeio da Memória !

Bjs
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De Maria Araújo a 25.09.2017 às 22:41


Pois!
Os animais têm uma dedicação muito especial pelos seus donos, estava velhinho decidiu morrer depois de ver a sua dona.
Beijinho
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De A Desconhecida a 25.09.2017 às 18:42

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