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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

Um tipo de homens que detesto

27.05.15, Maria Araújo

 

 

Fui à praia.

Antes de sair de casa, besuntei-me com o protector solar factor 30 para corpo e 50 para o rosto.

Cheguei lá, o vento fraco fez-me deixar o tapa-vento no carro.

Já se vêem famílias e pequenos grupos de jovens a gozar este belo tempo de finais de maio. Fui para perto dos rochedos. Não gosto de ficar perto do paredão a esturricar ao sol, procuro sempre ficar à beira-mar.

Entretida debaixo do guarda-sol, de barriga para baixo a ler o livro do momento, apercebo-me de um homem que vem na minha direcção... Voltei ao  meu livro.

De repente, ouço a voz :" Minha senhora, posso deixar aqui o meu saco enquanto vou ao mar e a senhora toma conta dele?"

O que havia eu de dizer? Respondi: "Está bem",  e voltei à minha leitura.

O homem deixou o saco a dois metros de mim, em cima de um rochedo.

De vez em quando virava-me para ver se o saco estava lá e via o gajo no mar  sempre a olhar para o lado onde estavamos: eu e o seu saco.

Dentro do saco, o telemóvel tocou.

Cerca de meia hora depois, sem dar pela sua aproximação, ouço, quase em cima das minhas costas, o vozeirão dele ao telemóvel:

- Liguei-te para saber se querias vir à praia, mas não atendeste.

- (...)

- Estou em Ofir (mentira, estava em Apúlia). Olha, sabes que aquela coisa dos terrenos em O...., aquilo vai ter campo de golf e já sabes o valor vai disparar. Temos de ver isso já.

- (...)

- Queres um Porsche? Ainda ontem vendi um Renault. De que ano queres o Porsche?

-(...)

-  2000? Vou ver o que posso arranjar.

- (...)

- Ok. Até logo, e um beijinho.

O gajo desligou, deixei-me estar na mesma posição até que ouvi, "Obrigada minha senhora por tomar conta do saco."

Virei-me e disse, "de nada!" e voltei ao meu livro.

Convicta que o gajo pegara no saco e fora embora, olhei para o lado da estrada e nada.  Foi quando olhei para o meu lado esquerdo e lá estava ele, mais abaixo, nas rochas junto ao mar a "micar-me".

Peguei no telemóvel. 13:30h.

Levantei-me, vesti-me, sempre de costas para o gajo e saí dali, não fosse o gajo meter conversa. E fui na direcção de Ofir para almoçar.

Bolas! Está uma pessoa tranquila  e vêm estes gajos interromper o nosso sossego.

E não é a primeira vez que sou "perturbada". Há imensos gajos destes, nas praias!

 

 

 

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