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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

ai, as obras!

Maria Araújo, 07.03.18

O inquilino do 3º andar aproveitou os trolhas por cá, tratou da obra na sua garagem, também.

De tarde, com a empregada em casa, não me apetecia conversa, saí para ir ao cinema ( que não fui), carro estacionado junto à garagem, diz-me  o trolha patrão:

- Por que não põe o piso da garagem com tijoleira?

- Tijoleira?! Mas  para isso teríamos de alcatroar o caminho até às garagens. Os carros trazem terra nas rodas, não se justifica. 

- O senhor A também vai pôr. Fica o serviço bem feito e completo. Paga-me a tijoleira quando quiser. Dinheiro não me preocupa.

- Mas senhor J, acredite, se este piso fosse alcatroado, justificava-se, mas em paralelo...

- Em minha casa é igual, e olhe, mesmo que traga alguma terra, uma mangueirada de água limpa tudo. Este piso está inclinado, ponho-o impecável. 

Eu contrapunha dizendo que não tenho dinheiro, que não sei se valha a pena o investimento, até que... "dou-lhe o meu consentimento, ponha, faça o que quiser".

E desta forma vou pagar o dobro do que estava orçamentado. 

 

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a barba do trolha

Maria Araújo, 06.03.18

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Finalmente, quase um ano depois de acordar com o trolha patrão para fazer a obra na garagem, chegou, ontem, o dia, mas depois de muitos telefonemas ao longo de 2017, com interrupção entre Novembro e Fevereio, porque  já não adiantava insistir, a resposta  era sempre a mesma " tenha paciência, espere mais um mês, tenho serviços fora."

Há uma semana, liguei, foi a última tentativa: "ou pega na obra, ou entrego a outra pessoa".

Garantiu-me que vinha esta semana, e por cá andam.

Ontem, vieram dois homens, jovens, na casa do 20,30 anos.

À tarde, só estava um.

Quando desci, a meio da tarde para ver o andamento das coisas, reparei no que me chamara a atenção de manhã.

Um homem alto, elegantérrimo, trazia umas calças de ganga, uma sweat, coberto de pó, claro, o trabalho não perdoa.

Tinha tirado o colete azul escuro acolchoado ( o trabalho aquece, pois).

Uma pequena conversa sobre a obra, o trabalho que agora abunda, mas que há anos tivera de ir para Espanha, onde "as obras metiam medo", dizia, porque havia todo o tipo de pessoas: marroquinos, paquistaneses, romenos, ucranianos.

Agora, está bem por cá, "trabalho não falta, embora a vida esteja cara", dizia, "mas vive-se".

Não fiz perguntas de nada, não sei se é solterio, casado, divorciado. 

E porque escrevo sobre o trolha? 

Porque tem um rosto bonito, um olhos pequenos de um castanho claro que combinam com a cor do cabelo, também claro, porém de branco do pó da parede, e uma barba perfeita, bem escanhoada, muito bem tratada.

Não entendo nada de barbas, embora cá em casa os sobrinhos a usem, uns mais curta, outros menos, cuidam bem dela, senão a tia azucrina-lhes a cabeça, a do trolha  não fica nada a dever à dos meus queridos.

Um homem apresentável, ágil na forma  como coloca a massa na parede, pergunto-me como é possível uma coisa destas não ter a oportunidade de muitos outros e lançar o charme nas passerelles da moda. Mas não duvido nada que o lance ao fim de semana nas discotecas e bares da cidade.

Este jovem, com idade para ser meu filho, foi das melhores "coisinhas" que vi nos últimos tempos.

E foi a barba que me chamou a atenção.

finalmente!

Maria Araújo, 03.11.15

 

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a obra fica pronta hoje.

Depois de lhe ligar ontem, decidiu vir cá depois do almoço e pintar o tecto (deve estar a precisar do dinheiro, também, início do mês, pagamento do salário aos operários... que os tem).

Nem sequer sei quanto vou pagar.

Mal ele saia da porta, vou enfiar-me no escritório, aspirar, colocar as estantes e a secretária nos seus lugares e depois, arrumar os imensos livros espalhados pelo quarto, sala e closet.

Finalmente!

e a obra está parada

Maria Araújo, 30.10.15

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o trolha não vem pintar o tecto, amanhã não pode, e eu fico completamente desmotivada para arrumar a casa. a hora mudou, as vezes que veio cá foi ao fim da tarde e comentei como seria agora ao que me respondeu: " não há problema, trabalho à luz do candeeiro". 

e estou farta de ver os livros espalhados pela sala, pelo meu quarto, pelo closet, nem tenho vontade de estar em casa, não fosse o tempo impedir de sair (hoje está melhor).

 

 

e o trolha veio

Maria Araújo, 21.10.15

 

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Segunda-feira liguei-lhe:

- Ah, e tal, hoje não posso, tenho uma consulta. Amanhã, no final da tarde, vou sem falta.

Ontem, por volta das 18h liguei, mas o telemóvel estava desligado. E pensei "sacana, às tantas, não vem!"

Meia hora depois, a campainha tocou. Era ele.

- Ah, e tal, eu liguei-lhe para o lembrar que prometera vir hoje, mas o senhor tem o telemóvel desligado,- comentei.

- Mas eu não ouvi!- respondeu. - Está desligado!- acrescentou, depois de tirá-lo do bolso das calças.

Uma hora depois, diz que está terminado e vinha cá hoje.

E hoje, veio. Trabalho de mais 1 hora.

- Sexta-feira, por favor ligue-me pelo meio-dia, dou cá um salto e vejo se a massa está seca. Se estiver, venho no final da tarde pintar o tecto. Lembre-me, por favor! - pediu-me.

- Espero bem que sim, senhor J. Preciso de pôr as minhas coisas nos lugares e vai para 15 dias que a obra começou.

A questão é que, mais uma vez, não tive coragem de pedir à empregada para não vir hoje e limpar a casa com os livros, revistas, computador velho, candeeiro, mesinhas, espalhados pelo meu quarto e closet, fazem-me mal aos nervos, caramba!