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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

o cão da Beatriz

Maria Araújo, 18.02.18

Estava a chegar a casa, desciam a rua a Beatriz, 6 anos, a mãe e o avô, que moram no prédio ao lado.

A Beatriz chorava. Páro e pergunto:

- Que tens Beatriz?

- O meu cão morreu.

Um baque no meu coração, pois  vejo o cão nos braços da mãe da Beatriz,  mais parecia um bebé que dormia tranquilamente. As lágrimas vieram-me aos olhos.

A mãe da Beatriz chorava também, o avô, olhos no chão, não falava.

- O que aconteceu? - perguntei.

- Foi atropoledo quando atravessava a rua.

A mãe da Beatriz é muito cuidadosa. Nunca vi o cão sem a trela, não percebi o porquê de o cão ter sido atropelado, nem fiz perguntas de tão infelizes que estavam os três.

Seguiram para casa.

Lembrei-me que o pai da Susana deixou de ter carro desde que se reformou, há alguns anos, chamei-a e ofereci-me para qualquer apoio que precise.

O cão ( que não me recordo o seu nome), era lindo, lindo. Fora um presente da mãe da Beatriz quando esta fez 4 anos.

 

cocker-spaniel-m.jpg

(imagem da internet)

Uma manifestação

Maria Araújo, 01.02.14

Dia frio este sábado 1º dia de fevereiro, o mês de meu aniversário,mais um, brevemente, saí para comprar uma prenda para a minha irmã mais nova que completou ontem 47 anos (passas tempo, demasiado rápido).

Fui à loja Viva, que tem umas peças interessantes para a casa. Já perto da loja, deparo com uma manifestação. E era bem longa.

Aproximei-me. A maioria dos manifestante teria idades entre os 45 e 65 anos, muitos destes seriam mais novos mas os rostos não o mostravam.

Eram muitos os olhares curiosos, encostados aos edifícios.Subi os poucos metros que faltavam para chegar à loja, com eles.
Entretanto, páram.  Passo pelo meio, avanço o passo e entro na loja. 

Decidi voltar atrás, pego no telemóvel e tiro algumas fotos ao mesmo tempo que as lágrimas me caem dos olhos, ao verem aqueles rostos desanimados e sem vida. As últimas pessoas que compunham a manifestação eram mulheres e homens mais jovens.

Sinto o desânimo destas pessoas porque sinto que perdi, também, qualidade de vida nestes últimos 4 anos.

Quem me lê  sabe que pedi a reforma antecipada. Fiz as contas, ponderei o que poderia ser a minha vida com menos dinheiro tendo os mesmos compromissos todos os meses (nunca falhei um).

Estes dias tive uma "surpresa" do banco. Nem queria acreditar no que estava a ler e fui lá.

Resolvi a questão, negociando.

E é isto que preocupa as pessoas. Menos dinheiro, desemprego, contas para pagar, aumento do custo de vida, aumento da tristeza ,aumento da desolação, aumento de um estado precoce:  VELHICE.