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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

tive uma ideia !

Maria Araújo, 28.03.20

Há quatro dias que não vejo o meu sobrinho neto,aquele menino fofo de 29 meses que vou buscar diariamente à creche,e que deixei de ver porque assumi definitivamente, embora a sobrinha more numa rua a cerca de 200m da minha casa, e lamentavelmente não deixar de prestar apoio enquanto ela teletrabalhava ( a partir da próxima semana tem férias forçadas) mas compreendeu a minha posição, ficar por casa até que esta pandemia passe.

Já estou com saudades do menino.

Tenho dois sobrinhos  netos irlandeses, dois luso-brasileiros. E tenho outro, com seis meses, que só o vi duas vezes, vive nos arredores desta cidade.

E tive uma ideia.

Temos o grupo da família no whatsapp.

Vou combinar com a minha sobrinha que vive no Rio, são três horas de diferença ( a partir de amanhã passamos a duas,com a mudança para a hora de verão) e combinamos a melhor hora de nos vermos e falarmos via skype.

Eu não sei como se faz a conexão, há anos que não uso o skype, mas eles, os sobrinhos, sabem, e pelo menos uma ou duas vezes por semana tentaremos "estar juntos".

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Até porque TODOS ESTAMOS   em casa,  mesmo a família do Brasil.

 

 

 

eles embarcam hoje

Maria Araújo, 19.12.19

cá no norte as rajadas de vento e a chuva fizeram-me ficar a tarde em casa, porque quis( nem fui buscar o meu sobrinho neto ao Colégio, foi a mãe), o tempo está terrível.

Fico ansiosa, já sei que a noite vai ser curta, os " meus"  meninos embarcam dentro de uma hora.

Se eu estou assim, imagino eles.

Espero que o tempo serene, a chegada seja tranquila. 

Os meus sobrinhos e seus filhotes não falham um Natal.

Logo, vou abraçá-los.

 

para mais tarde recordar # 1

Maria Araújo, 03.04.19

Todos os dias vou buscar o meu sobrinho neto bebé ao infantário.

Costumo perguntar se comeu ( ele come bem) ou dormiu a sesta ( estas costumam ser curtas), a educadora ou as auxiliares respondem às minhas perguntas e/ou transmitem alguma informação que comunico, depois, à minha sobrinha.

Ele é um bebé simpático, risonho, tem uns olhos azuis lindos, que são muito elogiados, e, como a maioria dos bebés, é muito malandro.

Raramente usa babete, nem gosta de ver os amiguinhos com ela, era hábito seu gatinhar atrás deles e tirá-las.

Desde o fim de semana que tem andado aborrecido, não dorme a sesta, ou se dorme são pouco minutos, ontem fui buscá-lo, fiz a pergunta de sempre.

A auxiliar que o vestia contou-me quaquer coisa como risos, mas não entendi bem, trouxe o bebé, que adormeceu no carrinho durante o percurso colégio-casa.

Há pouco a minha irmã ( que o adora) ligou-me. Contei-lhe que, hoje, quando a mãe chegou do trabalho, brincamos muito com ele, cá em casa.

E de repente, perguntou-me se eu sabia o que acontecera, ontem, no colégio.

E foi então que soube a história completa.

Os bebés estavam deitados nas suas camas para dormir a sesta depois do almoço. Todos sossegados, o meu sobrinho neto não adormecia. De repente, dá-lhe  um ataque de riso (e ele tem um riso contagiante, até nós rimos com ele) que todos os outros bebés soltavam risadas, foi uma paródia naquele dormitório.

Quando sossegaram, e o bebé não dormia, levaram-o para a sala de brincar.

Ontem, quando a mãe escovava os dentinhos antes de ir dormir, descobriu que vêm dois a caminho.

E são estes, certamente, que o põe agitado e não o deixam dormir a sesta.

Há pouco, a minha irmã comentou comigo que aconselhou a nossa sobrinha a registar estes episódios do bebé, para um dia mais tarde recordar.

Ela tem pouquíssimo tempo para isto, decidi registar aqui no meu cantinho, sempre que houver alguma coisa a contar deste meu sobrinho neto bebé, e também dos outros quatro sobrinhos netos que são a alegria da família ( o sexto está para nascer).

Ajudei a criar os sobrinhos, chegou a vez dos meus fofos sobrinhos netos.

Pena que quatro estejam fora do país.

 

* para mais tarde recordar:

aqui, aqui

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

coisas das "minhas" crianças

Maria Araújo, 02.01.19

Último dia do ano, os meus sobrinhos netos luso-brasileiros vieram cá para casa, precisava de fazer umas pequenas compras, foram comigo ao Continente aqui da zona.

Já na saída, no parque de estacionamento, pedi ao mais velho que desse a mão ao mais novo, e eu do outro lado dava-lhe a mão, também.

Na passadeira do recinto, os três de mãos dadas, diz o pequenote no seu brasileiro carioca puro ( o mais velho  fala português de Portugal) :

- Nós parecemos A Garota do Ipanema.

- Como assim, F, A Garota do Ipanema?!

Repete a frase ao mesmo tempo que  trauteia um pouco a música.

Acompanhei-o na canção, até que ele diz:

- Você não entendeu, tia L. Não é a canção.

- Como assim, F, não é a canção?!

- Nós parecemos os meninos do teatro A Garota do Ipanema.

O mais velho tenta explicar, e foi então que me lembrei das fotografias que recebera na altura.

Na festa do colégio que frequenta, na  dança de A Garota do Ipanema, duas meninas davam as mãos ao menino, faziam a coreografia e dançavam ao som da canção.

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 E foi assim, que o F nos comparou às meninas que dançavam com ele. 

Contrariamente ao irmão, que não fala brasileiro e não dança, o F é malandro, adora dançar e está sempre a falar em " bunda".

Mais à frente, e já perto de casa, o F trauteia a música de uma canção que eu só tive conhecimento desta quando eles chegarem do Brasil. 

Cantava, então, " Explosão", ao mesmo tempo que erguia as mãos e arrebitava o rabo para trás e saracoteava-o : " olha a explosão, quando ela bate com a bunda no chão".

Volta a trautear, eu e o irmão ríamos com a brincadeira, passa por nós um homem que, quando o F repete: " olha a explosão", ele acaba o verso a cantar, " ela bate com a bunda no chão". O F desata a rir, vira-se para trás, e digo eu: " olha que o senhor é brasileiro".

E ria-se. Mas não repetiu a dose, contra minha vontade pois estava a preparar o telemóvel para gravar o seu espectáculo.

Tão malandro e feliz, este meu sobrinho neto.