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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

coisas minhas, de hoje

Maria Araújo, 29.01.20

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E como  se não chegasse o que  aconteceu ontem,  4ª feira é o dia que tenho mais livre de compromissos, pelo que vou sempre por volta das 17:30h  buscar o sobrinho neto ao colégio.

Chovia, seria melhor levar o carro. Meti a chave na  ignição, o carro não deu sinal de si (  há cerca de três semanas fui jantar fora, quando fui levar a minha amiga a casa, parámos a conversar dentro do carro, quando pus o carro a trabalhar, tivemos de o empurrar para que ele pegasse e eu pudesse chegar a casa. Como desde então a bateria sempre funcionou, e hoje de manhã ainda fui ao ginásio, não o levei à oficina, teria de acontecer ), agora de tarde, bateria, Zero!

Pensei  levar o carrinho dele, lembrei-me que o plástico ficou no carro do avô, impossível trazer o miúdo ao colo, são cerca de 15 minutos a pé. 

Liguei para a mãe, que não atendeu.

Tomei a decisão de ir a pé até ao colégio, pediria um táxi que nos traria a casa.

E assim foi.

Quando pedi ao taxista para parar o carro em frente ao portão que dá acesso às garagens do prédio, ele não o fez, deixou-se estar na via, depressa dei-lhe o dinheiro para pagar e no mometo que me entregava o troco, ouviram-se os carros atrás de nós a buzinar insistentemente.

O taxista disse: "Não se preocupe, eu não tenho pressa, deixe-os buzinar".

Os condutores insistiam nas buzinas, até que eu saí do carro com o menino, o guarda-chuva ( que estorvava demais) e a carteira.

 O taxista seguiu rua abaixo e quando passei à frente do primeiro carro e pedi calma, que tinha uma criança ( dois anos) ao colo.

O gajo (desculpem, mas é assim que merece ser  tratado) gesticulava para mim, mete a primeira e segue rua abaixo,  eis que no carro atrás daquele, uma mulher ( gaja)  manda uma buzinadela, baixa o vidro, olho para ela que e diz " Tenha calma, não! Há lugares para estacionar, por que é que ele não estacionou lá?"

Virei as costas, não lhe respondi, não valia a pena dar conversa a gente desesperada.

Isto aconteceu no máximo dois minutos.

Eles até tinham razão,não custava nada o taxista estacionar nos lugares vagos,mas quando me viram com a criança ao colo não deviam ter resmungado comigo. Mas também não fiquei muito incomodada, porque foi rápido.

Ora de manhã, a confusão de trânsito aqui na rua é demais. Há uma escola do primeiro ciclo, a rua é estreita, muitas vezes os pais deixam os carros em frente aos portões dos prédios, vão deixar os filhos na entrada da escola e, no meu caso, sou obrigada a esperar que venham tirar o carro para eu sair. E não resmungo.

Quando vou ao ginásio, levanto-me mais cedo para evitar este pára, arranca, na rua.

Estes chicos-espertos que resmungaram comigo, hoje, são pessoas que trabalham aqui na zona ( CTT, Finanças, Registo, Hospital, Escola Secundária) sabem que esta rua tem horas de trânsito lento na entrada e saída das crianças da escola, porque diabo foram protestar comigo.

Oh, gente impaciente!

 

 

chamadas "sem nome"

Maria Araújo, 05.12.19

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Ontem, fui buscar o sobrinho neto ao colégio, e como o tempo é de sol, levei o carro de bebé. Também queria levá-lo a ver a iluminação de Natal.

Seguia tranquilamente o meu caminho, uma senhora pôs-se ao meu lado, acompanhando o meu passo, comentou comigo:

- Chamadas sem nome, que nervos!

Olhei para ela, não disse nada. Não era comigo, estaria a resmungar alto e para si própria.

E continuou:

- Chamadas sem nome, apetece deitar o telemóvel para o chão. Havia de ser proibido fazer chamadas sem nome.

Sorri sem nada dizer. Acho que esperava um comentário meu, que não aconteceu.

- Porque fazem chamadas sem nome? Devia ser proibido. 

Estuguei o passo, não era nada comigo, atravessei a rua, não fiz qualquer comentário.

Ficou para trás.

Ouvi-a resmungar.

 

foram quatro os chicos-espertos

Maria Araújo, 16.05.19

e esta cena é para contar com pormenor.

Ontem, foi um dia não no que se refere a trânsito. 

Estamos na semana académica, o dia foi do desfile do Enterro da Gata e se o trânsito nesta zona onde vivo é complicado, pois conta com quatro escolas, imagine-se a confusão que esteve neste final de tarde. 

Portugal é o país dos chicos-espertos, e hoje tive o azar de apanhar quatro deles.

o primeiro: 

subia a rua 25 de Abril, vejo alguém aproximar-se, era um amigo do meu irmão mais novo, perguntou-me de quem era o bebé, caminhávamos à medida que conversávamos até que na curva que dá acesso à minha rua vemos um chico-esperto, que tinha idade para ter juízo, andaria nos 70, faz marcha atrás, sobe a rampa de uma garagem do prédio e estaciona o carro em cima do passeio, ao lado do portão dessa garagem.

Aproximamo-nos, o carrinho de bebé não passava, tinhamos de descer o passeio e seguir pelo meio da rua.

Meu protesto: " Então, isto é assim?! O senhor estaciona em cima do passeio, não vê que os peões não podem passar?"

Ao mesmo tempo que o chamo à atenção, o amigo do meu irmão de um lado, eu do outro, pegamos no carrinho, e diz este: " O passeio é seu? Como é? Temos de pegar no carrinho e descer o passeio, é?"

E responde chico-esperto ohlando o espaço entre o carro e o muro: " Ai, não consegue passar?"

"Claro que não! O senhor não vê que ninguém consegue passar? Temos aqui um bebé. Além de que é um passeio não pode estacionar aqui", respondi.

Resposta dele: "Desculpe".

Deixou o carro no passeio, e desapareceu.

Uns minutos depois a minha sobrinha chegou, pega no filho, comento o que se passou ( o carro continuava lá).

Pensando que seria de alguém de um escritório que há neste prédio, a minha sobrinha foi perguntar e pedir que tirasse o carro do passeio.

Mas não. Não era de ninguém dali.

E tirei um fotografia.

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o segundo

a caminho do Hospital Braga Centro, a poucos metros daqui, deparámos com um carro em cima do passeio, não deixou espaço suficiente para o peão passar.

Perguntamos na clínica dentária se seria de algum utente,não era de ninguém, resolveu a minha sobrinha deixar um aviso.

Não tinhamos papel onde escrever, ela repara  num senhor que está dentro do carro (devidamente estacionado) foi ter com ele, perguntou se tinha papel e caneta.

Tinha.

E escreveu este aviso.

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E tirei mais uma fotografia.

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Copiei o texto no sentido de voltar a trás e pôr no pára-brisas do primeiro carro mas quando cheguei já não estava. 

Safou-se.

 

o terceiro

Saía eu do hospital privado, ia dar um passeio com o bebé enquanto a mãe ia à consulta, desço a rua, o trânsito era intenso, ninguém andava.

Do  estacionamento do hospital, em cima da passadeira, estava um carro azul, o condutor queria infrigir a regra de trânsito, seguir  pela rua com sentido proibido.

Aproximando-me do carro, e tive de me meter à frente porque a passadeira estava ocupada por ele e atrás tinha outro carro, comentei que não podia ir por aquela rua porque tem o sinal de sentido proibido, ao mesmo tempo que apontava para o sinal.

Ele olhou para mim, eu repito que não pode infringir o sinal, respondeu-me ele:
" Mas eu quero ir por ali porque se não estou fodido".

Ao mesmo tempo que o diz, eu sorrio.

E ele reconheceu-me.

Segui o meu caminho e uns poucos metros percorridos,  olhei para trás. Alguém lhe teria dado lugar, meteu-se na fila. Não infrigira a regra.

Imagino a cara dele quando percebeu que era eu, a utente que tinha estado com ele há cerca de dois meses no centro de saúde ecom  quem tinha recordado algumas passagens do passado, aqui na rua.

O senhor doutor por quem eu até tinha alguma consideração e porque o conheço desde a adolescência estalou, naquele momentou, o verniz.

 

o quarto

Fui dar um passeio pelo centro da cidade, quando regressei, exactamente no mesmo passeio onde estacionara o primeiro carro, entre a parede do prédio e a árvore, estava um carrinha estacionada, mas este chico-esperto, estacionou de modo a que os transeuntes passassem. E o carrinho de bebé passou, também.

Esperava a minha sobrinha, junto ao carro, queria ver quem era ele, ou ela, o dono(a) da viatura.

Quando tal, vejo um casal meia idade, aproximar-se da viatura. O chico-esperto entrou no carro, ela também.

Eu não disse nada. Mas no momento que entravam para o carro, fotografei-o.

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O meu sobrinho, condutor e ciclista, sempre atento aos chicos-espertos desta cidade, vai fazer o obséquio de publicar aqui.

Há uns meses, estava prestes a começar a aula de Pilates, alguém falou sobre estacionamentos e a má educação dos cidadãos desta cidade.

A professora, natural de Lisboa, a viver cá há alguns anos, disse exactamente o mesmo que diz a minha sobrinha que viveu em Lisboa 9 anos: Em Lisboa não se vê disto a polícia anda atenta. Cá em Braga o pessoal não respeita ninguém.

Faço minhas as suas palavras, agora que estou mais atenta às infracções e condução: não há piscas nos carros, não dão prioridade a quem a tem, estacionam os carros em segunda fila, em frente às garagens, junto aos contentores do lixo e/ou reciclagem, é a lei da selva, por cá, e se alguém reclama manda o outro para o c@*@*&#.

 

 

 

 

"a Liberdade está a passar por aqui"

Maria Araújo, 25.04.19

Estava eu na escola quando a notícia saiu à rua, mandaram-nos para casa. Inacreditavelmente o povo receou que as notícias fossem falsas. 
E veio a Liberdade.

Nestes 45 Anos de 25 de Abril, o jornal O Minho publicou mais de cem fotografias do falecido e mais conhecido fotógrafo desta cidade de Braga, e que eu trouxe para aqui, em sua homenagem, também.

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