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cantinho da casa

cantinho da casa

Uma mulher

Fui ao mercado comprar frutas e flores. Depois fui ao cemitério pôr flores nas campas dos meus familiares.

Costuma estar por perto uma mulher (parece-me que não pede nada a ninguém, as pessoas dão-lhe, porque querem, pequenas coisas de supermercado), que já falei dela aqui, procurei-a para lhe dar umas peças de roupa (todas elas de marca) em muito bom estado. Aliás, eu não as dava porque cada verão que chegava, pensava que as vestiria, mas o verão passava e elas ficavam no roupeiro.

Se por um lado lamentei ter de dar peças que eu gostava de mais, por outro detesto ter o guarda-roupa cheio e acabo por não vestir.

Há dois anos comprei uma camisa túnica, que nunca vesti. Penso sempre que a vou vestir nas meias estações, primavera e outono, mas o tempo é tão imprevisto que acaba por ficar no cabide. E continua (quem sabe se chegar aos 70tas vá desfrutar de passeios pelo nosso país e estas peças mais clássicas são as ideais para isso).

Ora procurei a mulher, sem dentes, magra, suponho eu, ex-drogada (nunca lhe perguntei nem quero saber) com aspeto limpo, é viúva e tem uma filha. Encontrei-a e dei-lhe o saco de roupa e um par de botins em pele, de salto alto, e disse-lhe que se não usasse as botas para dar ou vender. O que fizesse com as botas era com ela.

No regresso do cemitério, fui ao DeBorla comprar uma caixa para a areia da minha gata, e vi-a.

Aproximou-se de mim e diz ela "gosta da blusa?".

Eu não repara que ela trazia a minha blusa preferida, da MD. Foi das peças que me custou dar. Adorava a blusa, mas como estava um pouco apertada (pois! o corpo muda...) decidi-me deixar de ter amor pelas coisas e dar a quem precisa. A blusa estava amarrotada de estar arrumada no roupeiro, mas ficava-lhe muito bem. Ela é magra, ficava ligeiramente com o umbigo à mostra: "fica-me bem, não fica?"

Entrei no DeBorla, comprei o que precisava e quando saí, estava ela à sombra a falar com uma senhora. Perguntei-lhe: "posso tirar-lhe uma fotografia?"

Tirei uma foto de frente e diz ela: " a parte de trás é tão bonita. Tire-me uma fotografia" ao mesmo tempo que se virou de costas e eu "click".

"Gosto tanto da blusa! Deixe-me ver as fotografias", pediu.

Mostrei e diz ela "Estão bem. Obrigada."

Em setembro, mais uma volta às roupas de inverno. Tenho uns casacões de malha quentinhos para lhe dar.

 

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Banalidades

O meu blog é banal, logo, fala das coisas  banais e simples do dia-a-dia.

Hoje de tarde, finalmente, o tempo melhorou um pouco, saí para fazer umas compras banais.

E  vi dois casamentos, um na igreja de São João de Souto e outro na Sé Catedral (é chique os casamentos ao dia da semana)

A primeira noiva estava vestida de branco, a  segunda de bege e o noivo desta vestido à oficial .Seria?!

Dei uma volta pelo centro e verifiquei que as mulheres vestem roupa quente demais: Kispos e parkas. Já?! Fico com a sensação que anseiam o vestuário de outono. 

E eu com uma malha fina e de sandálias, que bem me sentia.

Botas e roupa quente, tenho tempo, e ainda há-de vir o verão de S. Martinho ...espero que sim.