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os chicos espertos

por Maria Araújo, em 20.10.17

Na recepção da clínica de fisioterapia estão afixados dois avisos, no balcão e na entrada da porta que dá acesso ao espaço de tratamento, que pede as pessoas para não entrarem na sala e aguardarem na recepção que os chamem.

Sempre cumpri o que o aviso lá diz, por vezes as técnicas demoram a vir à recepção, estão a trabalhar, temos de esperar pela nossa vez, mesmo que passe da hora marcada.

Com a crise  e os cortes, a clínica despediu pessoal. Entretanto abriu o Hospital Privado no centro da cidade, muitos doentes deixaram de lá ir, ficaram apenas duas técnicas e uma fisoterapeuta, logo, elas tentam coordenar o trabalho de modo a que ninguém esteja muito tempo na recepção à espera do tratamento.

Há cerca de 15 dias cheguei dois minutos depois da hora marcada para mim, 14h, as técnicas estavam a tratar quem chegara primeiro, sentei-me à espera que uma delas viesse ao balcão ver se havia alguém à espera.

Cinco minutos depois, entra um senhor, e logo a seguir uma senhora.

Viram-me sentada, sabiam que eu estava à espera de entrar. Reparei que ele vacilou entrar  para a sala, visto que percebeu que eu esperava a minha vez e chegara primeiro.

Não passou um minuto, vai ao corrredor e pergunta se pode entrar.

As técnicas responderam que sim, a senhora não tem mais nada, faz o mesmo... e fiquei sozinha na recepção.

Estes dois não tiveram a gentileza de dizer que estava uma pessoa na recepção à espera.

Passados cinco minutos, uma das técnicas veio ao balcão, como sempre vem para certificar-se se há pessoas à espera e se tem lugar disponível.

Levantei-me de imediato e comentei:

" Há aqui dois avisos, acho que  as pessoas não sabem ler. Cheguei há cerca de 10 minutos os senhores que entraram chegaram depois de mim. Ouvi que lhes perguntou se podiam entrar. Viram-me aqui, sabiam que eu estou para tratamento. Pelo menos respeitavam-me, não entravam e esperavam que uma das senhoras viesse ver quem estava".

A técnica, que me conhece há muitos anos, concordou comigo.

Convidou-me a entrar e, atrás de mim, e propositadamente e para que os chicos espertos ouvissem, comentava que as pessoas não são correctas, que deviam respeitar o aviso, que não foi simpático o que fizeram, e tal. E pediu-me desculpa.

Hoje, cheguei lá um pouco mais tarde, não tinha ninguém na recepção.

Uns minutos depois, entra a  mesma senhora da cena anterior.

Viu-me sentada, comentou baixinho, " não sei se é para entrar".

A seguir entra um senhor, aproxima-se corredor, pergunta se pode entrar, ela vai atrás dele e faz o mesmo.

A técnica ( tenho a certeza que ele pensou em mim) diz:  " não sei se está mais alguém na recepção que tivesse chegado primeiro."

E estes meus ouvidos ouviram um " não, não está ninguém".

Apeteceu-me entrar sem pedir autorização e dizer: "desculpe, estou eu e cheguei primeiro que vocês dois".

Mas não fiz nada, deixei-me estar.

No momento que a técnica vem ao balcão, entra um senhor. Não deu tempo que eu lhe contasse mais esta cena dos dois chicos espertos que me viram e disseram-lhe que não havia ninguém na recepção. Ela mandou-nos entrar, cada um para o número da divisão que nos indicou.

E hoje não foi possivel contar mais esta cena. Excepcionalmente, a pessoa que me fez o tratamento foi a fisioterapeuta e não tenho à vontade para fazer estes comentários.

Quando os chicos espertos querem ser os primeiros em tudo não respeitam pessoas e lugares.

Hoje, foi o meu último tratamento.

 

 

 

 

 

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O respeito

por Maria Araújo, em 29.10.14
 

Fui ao cemitério limpar a urna dos meus familiares (não é só em vésperas de finados que o faço) fui comprar círios e flores, pedi um balde emprestado (consegui fazer tudo com a mão esquerda) e no momento que estava a fazer o pagamento, a florista (cerca de 62 anos) levanta a voz "porque a senhora quer estes fetos, mas estes não lhos dou porque são caros, dou-lhe dos outros".

Viro-me para trás e vejo uma senhora idosa, forte, vestida de preto que,com ar arrogante, reclamava o quê?

Segundo a florista me contou, a filha da idosa andara por todas as bancadas à procura de umas flores (não conheço, nem sei o nome) de cor verde, lindas, por sinal, mas muitos caras. Como nesta bancada encontrou as mais bonitas e arranjadas, comprou-as.

A idosa achava que a florista devia oferecer-lhe os fetos "x" e que ela era cliente, e que a florista tinha obrigação de lhe oferecer o que ela queria. 

A florista dizia-lhe que não lhe dava esses, mas outros mais baratos, porque também  tinha de pagar ao fornecedor e a vida dela não é fácil, por isso, dava-lhe os outros.

A senhora não tem mais nada: tira o dinheiro, paga as flores ao mesmo tempo que diz para a florista: "A senhora é uma ladra!"

Palavra que esta disse, e espanto meu que nem queria acreditar no que ouvira: "Ladra, eu? A filha da senhora andou aqui e acolá a ver as flores, veio à minha banca porque disse que as minhas eram as mais bonitos e chama-me ladra só porque não lhe ofereço os fetos mais caros? Se a senhora quer os fetos leva os que lhe ofereço, ou então não lhe dou nada!"

E a idosa continuava a reclamar e volta à carga: "a senhora é sim, uma ladra".

A filha da idosa aproxima-se, conversa com a mãe, baixinho, vira-se para a florista e diz "então a senhora não dá os fetos à minha mãe?"

A florista contou o que acontecera e que a mãe a insultara de ladra. E a filha em defesa da mãe, responde: "a senhora é uma ladra, sim!"

E foi então que a filha da florista, que fazia os ramos e mantivera-se calada, reagiu também. Vai em defesa da mãe e atiram-se às outras duas...

E eu nem queria acreditar no que ouvia e via.

Tentei acalmar os ânimos, disse à florista para não lhe responder, não se sabe o que estas pessoas podem fazer, "deixe lá", dizia eu, ao mesmo tempo que a filha desta dizia aos berros,e para arrumar com a discussão: "Mãe, esquece. Acaba com a conversa. Deixa-as ir. Cliente destas não queremos aqui. Mãe, pára de barafustar"

E a florista reclamava "Olhe que isto é um caso de políca. Chamar-me ladra! A senhora não entende que não posso dar-lhe o que quer? Ladra, eu?"

E a idosa, de bengala, e ajudada pela filha, vão para o carro. Entretanto, dois homens também de idade avançada,sentados num banco em frente à bancada, levantam-se, acompanham a senhora e a filha, entram no carro e vão embora.

Os dois homens assistiram a tudo e não intervieram. Provavelmente, já conhecem as peças (coisas minhas).

No final, comentei com a florista: "Há idosos que pensam que porque são mais velhos têm direito a benesses e abusam dos mais novos. Neste caso, não teve respeito por si. Não se incomode, está um dia bonito, esqueça o assunto".

E fui à minha vida. Quando regressei para lhes entregar o balde, elas estavam mais calmas.

É um facto que constato: os idosos merecem todo o respeito, mas muitos não têm o direito de fazerem o que lhes apetece, só porque são idosos.

 

 

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Há mais coisas que me tiram do sério

por Maria Araújo, em 30.08.13

3 meses sem receber as faturas (junho,julho e agosto) por via eletrónica  EDP.

Contacto por telefone, e-mail e, depois de vários dias de espera, ao balcão , já a prever o óbvio, recebo  as 2 faturas com pagamento por débito direto nos dias 28 e 30 de agosto.

Regresso ao balcão e, resoluta,  digo que não pago as faturas, com a possível 3ª, do mês de agosto, a receber. O funcionário disse que, de facto, estava já em pagamento esta 3ª, mas não tinha sido enviada para o e-mail.

Perante a minha recusa em pagar as 2 faturas, foi-me proposto fazer o débito em 2 vezes.  Entretanto, entraria a de agosto.

Como já passaram 15 dias achei estranho não receber a fatura deste mês.

Entrei no netbanco e verifico que foi debitado a 1ª parcela das 2 faturas, conforme combinado, e hoje foi debitado o valor de 33 euros do mês de agosto.

Ora, presumo, e é de bom tom, que a EDP proceda ao envio da fatura para que o cliente fique a saber quanto vai pagar e quando vai ser efectuado o débito.

Fiquei possessa!

Sem resposta a nenhuma das minhas reclamações anteriores, enviam faturas atrasadas a pagar no espaço de 2 dias?

E agora, sem qualquer respeito pelo cliente, no caso, eu, vejo um débito de outra fatura que não recebi?

E já agora, senhores da EDP, por que razão ainda não me devolveram o valor que paguei aquando, e na minha ausência,  da subsituição do contador  do gás, ficando sem gás  num fim de semana de setembro de 2012?

Por que razão não respondem às minhas cartas e e-mails?

Quando é o cliente a dever/pagar não há direito a reclamação/justificação. Agem de acordo com as vossas leis.

Quando o cliente tem razão, as reclamações caem no esquecimento, passa o tempo e o dinheiro, zero!

Uma falta de respeito.

Acho que este verão as coisas não têm corrido bem para o meu lado. Merda!

 

 

 

 

 

 

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Comentário

por Maria Araújo, em 06.07.09

Edito este comentário que recebi sobre o meu post «e-mail»

Estou de acordo com o que foi escrito. Desde sempre entendi  que as crianças educam-se desde o berço.

A minha mãe teve sempre essa preocupação.

O respeito e a humilddade foram sempre valores que cresceram na minha família.

ObrigadoEmília pelo que escreveu.

 

 «Eu acho que , se continuarmos assim, não teremos de facto pessoas dignas de viver no planeta que estamos a tentar salvar. É urgente que pensemos em formar as nossas crianças fazendo delas verdadeiros cidadãos e isso começa por ensinar-lhes desde pequeninas o sentido de responsabilidade. Parece que não, mas na realidade isso começa ainda no berço, com os horários de dormir de tomar banho, de brincar, de arrumar os brinquedos etc. Ela tem que saber desde bem pequenininha que tem deveres e se isso acontecer, vai sabê-lo sempre. Infelizmente, há pais que acham que isso só se ensina quando forem grandes, porque antes disso eles não entendem; estão enganados.., eles percebem e muito bem e se esperarmos até serem grandes, de certeza que não iremos a tempo. Serão já crianças sem limites, inseguras e irresponsáveis e será muito difícil que se transformem em adultos conscientes das suas obrigações , seguros e confiantes nas suas possibilidades. Mas eu sou optimista...., acho que vamos acordar a tempo de salvar o planeta e de salvar as nossas crianças. Ambos estão há muito a pedir socorro.Emília Pinto»

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