Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

o regresso

Maria Araújo, 17.09.20

Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos

 

escola-650x427.jpg

 

Seria com este verso da canção de Carlos do Carmo que poderia começar este post sobre o regresso às aulas,e em tempos "normais" para todos nós.

Abri o estore da janela do quarto e vi  as crianças, no pátio da escola, não a correr como índios ou bandos de pardais à solta, ou numa algazarra no campo de futebol a chutar à bola, ou a abraçarem-se porque vêem os amigos, porque é o primeiro dia de escola.

Há duas entradas para a escola:uma para as crianças dos primeiro e segundo anos, a outra, do lado oposto,para os terceiro e quarto anos.

Fiquei emocionada.

Separadas, em duas filas, e aos pares, as crianças com as máscaras no rosto, carregadas da lancheira,das mochilas e  grande parte com caixas que seriam dos materiais a usarem durante o ano lectivo,estavam acompanhadas dos seus professores.

Uns largos minutos depois de as filas estarem completas e ordenadas, à vez, as crianças seguiam o professor que os levava para as salas, seguindo as setas amarelas no chão.

Do lado de fora, os pais esperavam ver os filhos entrarem na escola.

Quando já não hava crianças no pátio,os pais deixaram a rua tranquila.

Veio o intervalo. Antes seria de trinta minutos, é agora de dez,  não estão as turmas todas ao mesmo tempo.

O pátio está separado por fitas, e as crianças brincam, acompanhados dos professores.

As crianças precisam da escola, precisam de conviver, precisam de voltar a ser pardais à solta.

Na escola secundária,do outro lado da rua, os alunos estão aos pares ou em pequenos grupos, à porta, a conversar.

O café, que antes estava cheio de alunos, não tem ninguém.

 para que tudo corra bem, que a anormalidade depressa passe.

 

regressei ao ginásio

Maria Araújo, 07.06.20

sexta-feira, fui à pedicure ( no ginásio)  deixei o carro fora do edifício, não me apeteceu deixá-lo no parque, que pago anualmente, entrei por este, estavam apenas dois carros estacionados.

"ginásio vazio",comentei.

pés tratados, passei pela recepção para saber o que se passava com a APP, visto que no meu telemóvel não abria o calendário das aulas.

e afinal a aplicação é, agora,outra.

explicaram-me como funcionava. em casa andei a explorá-la, decidi reservar a aula de Yoga de sábado.

ontem, fui à Maia, de manhã cedo, quando chegasse só teria de tirar o meu carro da garagem,nele deixara a mochila com a roupa.

desta vez, estacionei o carro no parque. ficaram apenas o meu e outro que já lá estava.

entramos no edifício com a máscara, medem-nos a temperatura, passamos o nosso cartão no aparelho que o lê, já não nos dão a senha para a aula.

o estúdio pequeno, com capacidade para cerca de 20 pessoas, passou a ter 10. o tapete que cada um de nós usa deve ficar no lugar assinalado no chão com um "x", há, também, uma fita que marca a distância entre cada pessoa.

eu entrei no estúdio com a minha máscara, desconhecia que a aula pode ser feita sem ela. tirei-a, dobrei-a e deixei-a no canto da minha toalha. 

mulher-pratica-ioga-1486145076469_v2_450x337.jpg

(ainda não me sinto segura fazer este exercício)

 

acho que todos tinhamos saudades do ginásio.

à tarde, em casa, lembrei-me de ver se havia a aula habitual de Pilates, ao domingo.

e lá estava ela, consegui reservar.

quando cheguei a aula começara, só estava uma pessoa e a professora.

comentei que no calendário de aulas esta aparecia às 11:45h.

foram chegando mais pessoas que confirmaram o que eu dissera,  foi então que a professora foi ver o mapa de aulas da semana, e lá estava a hora. parece que, por enquanto, fica assim

o estúdio ficou composto, fizemos uma boa aula.

soube-me bem.

amanhã, volto a nova aula de Pilates, no horário de sempre: 9:30h.

como-praticar-pilates-sem-se-machucar.jpg

 

quando menos esperava ( não era já que prevera ir), regressei ao ginásio.

 

 

 

 

voar em Executiva

Maria Araújo, 16.01.20

Tempo de regressar a casa, à rotina da escola, fui despedir-me dos meus sobrinhos netos, diz-me a mãe: " Hoje vamos viajar em Executiva, vai ser uma viagem mais confortável ".

Comento com o filho mais velho: " que bom, vais poder..."

Interrompe-me e diz: " que fixe, tia L,  vou poder escolher o que quiser para jantar!" ( ele come muito bem contrariamente ao irmão que não come nada).

Na viagem para Portugal o miúdo dormiu mal, chegou cansado, cheio de olheiras e dores de cabeça, disse eu: " vais poder dormir confortavelmente, a viagem é longa".

Como sempre, e desde há 9 anos, vêm duas vezes a Portugal. 

Voltam nas férias de verão.

 

 

 

 

 

volto a Lisboa

Maria Araújo, 08.05.18

1525699903211.jpg

 

E não, não vou ao Festival da Eurovisão, cuja cidade passei no sábado passado mas não entrei, estava a chegar a hora de regressar à minha cidade.

Volto a Lisboa porque o pai do meu sobrinho neto vai viajar, o bebé, a mãe e o cão não vão ficar sozinhos.

Então, nestes dias que o bebé está no colégio e a mãe a trabalhar, andarei a visitar o que ainda não conheço e ao fim da tarde encontramo-nos para o descanso devido.

Quem tem uma tia disponível, tem tudo.

À hora deste post, estarei a caminho.

Até já, Lisboa.

 

o médico

Maria Araújo, 12.12.17

Imagem relacionada

 

Há 4 anos que não ia à consulta de otorrinolaringologia no hospital onde fui operada há 15 anos.

O médico esteve ausente, por doença, cerca de 2 anos, procurei um especialista aqui na cidade para as consultas de rotina.

Soube, no ano passado, que o médico recuperara, que regressara ao trabalho.

Há dias, lembrei-me de marcar consulta para ele, visto que me acompanhou ao longo destes anos todos e sempre tive confiança nele, estava na hora de voltar.

Fui hoje. Quando lhe disse que não ia à consulta há 4 anos, ele dizia 2, até que foi ver a minha ficha e confirmou que sim, 2013 foi o último ano que lá estive. 

Óbvio que não referi que o motivo da minha ausência fora o seu estado de saúde. Não me competia tocar no assunto. Disse-lhe que neste período de tempo tinha consultado um médico cá da cidade quando tivera um zumbido no ouvido esquerdo; que fizera audiograma, que estava normal, que ultimamente não tenho tido zumbidos nem dores.

Depois de examiná-los, comentou que não tenho pólipos no nariz, a garganta está bem. 

Ora, ao longo deste 16 anos de consultas, este médico sempre mostrou ser uma pessoa serena e pouco faladora. Por vezes sentia-me pouco à vontade com o silêncio que se gerava no consultório, dava-me a sensação que estava de mal com a vida.

Colegas minhas mudaram de médico, achavam-no antipático. Eu sempre afirmara que gostava dele, era feitio seu falar pouco com o paciente, que apesar de ser um homem de poucas falas, confiava nele.

Na estrada, pensava como iria encontrá-lo. Mais frágil? Mais calado?

Uma hora de espera, como sempre, para esta consulta, mal entrei, sorri. Contrariamente ao que pensara, está com bom ar, um pouco mais velho, como é natural, mas com uma postura dinâmica, simpática, comunicativa.Teria sido uma grande luta, com certeza.  

E na despedida, comentou que gostou muito de me ver.

E eu fiquei muito  contente de ver que ele está bem.

Para o ano, volto.

 

Há amizades

Maria Araújo, 22.10.15

que conquistam(os) e ficam para sempre no nosso coração.

Há cerca de 20 anos, conheci a Márcia. Amiga de amigas minhas, engenheira de profissão, uma mulher que conquistava as pessoas, tinha amiga (o)s cá em Braga, no Porto, em Guimarães..

Vivia sozinha, tinha um apartamento a dois passos do centro da cidade,  moderno, muito prático. De vez em quando fazíamos jantares, convivíamos, falavamos das nossas vidas. Eramos um grupo divertido.

Penso que viveu cá cerca de 10 anos. 

Entretanto, um dia, em Santiago de Compostela, conheceu aquele que viria a ser o seu marido, brasileiro, também, ambos da mesma cidade (uma história engraçada, a deles).

Em 1999, os pais vieram cá passar o Natal. Um ano depois, o pai adoeceu, ela decidiu regressar ao Brasil. O namorado por lá, queriam casar, foi uma decisão ponderada.

Contactávamos por e-mail, telefonávamos. Entretanto, mudei de número de telefone e de mail, o tempo foi passando, sabia dela por uma das nossas amigas a quem, de quando em vez, ligava.

Nasceu a primeira filha, agora com 11 anos.

Soube que vivera entre África e o Brasil, perguntava por ela, mas as notícias eram parcas.

Em setembro, encontrei uma das amigas do grupo, que não via há algum tempo, perguntei pela Márcia... E foi então que soube que ela estava com intenção de voltar para Braga.

Fiquei estupefacta.  E o marido e a filha (duas, pois, entretanto, nascera outra menina, agora com 5 anos)? Como assim? O que os levou a virem para Portugal ?.

Hoje, fui ao centro da cidade, estava alguma confusão com os adeptos do Marselha que provocaram alguns distúrbios com bombas e a polícia em peso a controlar a situação, decidi deixar para amanhã o que queria fazer, vinha a descer a avenida e ouço alguém chamar-me.

Olho para o lado de onde vinha a voz e vejo-a. 
"Márcia! Nem acredito!"

E um longo abraço trocamos. E voltamos a abraçar-nos.

A seu lado uma criança, a filha mais nova. Loirinha, cabelo comprido, e muito impaciente para ir brincar para o parquinho (que saudades ouvir o meu sobrinho neto carioca pedir-me para o levar ao parquinho).

Vinham do jardim de infância, que por coincidência ( e dizem que não há coincidências) é o da escola EB 1º ciclo em frente à minha casa. 

Um relatório pormenorizado da sua vinda para cá.

A ideia era viverem numa cidade perto de Lisboa, o marido viaja muito pela Europa e África, mas arranjar emprego por lá era mais complicado. Em Braga seria possível voltar ao que ela muito gostara de fazer. E com os contactos certos, ficara aberta a hipótese de recuperar o seu lugar.

Depressa tratou de tudo.

Há cerca de três semanas que está cá ( as filhas e o marido vieram mais tarde), uma amiga ofereceu-lhe estadia, contactou imobiliárias, alugou um apartamento a cinco minutos do centro.

Conhece as pessoas certas, conseguiu escolas para as filhas, foi rever os colegas de trabalho, não tem parado de pôr tudo em ordem para começar a trabalhar, já dentro de 15 dias.

Disposta a comprar móveis novos, os amigos providenciaram camas para as filhas e para o casal, têm mobiliário à disposição para a casa.

Convidou-me para conhecer o marido e a filha mais velha, que parece ter-se adaptado muito bem à escola. Ficou combinado quando tudo estivesse em ordem lá por casa, ia conhecer a família.

Trocámos os números de telemóvel, mostrei a minha disponibilidade para ir buscar a menina ao jardim de infância, quando, por algum motivo, tiver de sair mais tarde do trabalho.

E em quase 2h que estivemos juntas, falamos de nós, das amizades, do quanto este regresso a faz feliz, sobretudo perceber que nenhum amigo a esqueceu... " Foi como se tivesse ido de férias por algum tempo e tudo regressasse ao normal", comentou.

E passaram 14 anos!

Ah!  E eu ganhei mais duas sobrinhas. Ela diz à filha que sou a tia L, ahahahahahah!