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raspadinhas de volta

por Maria Araújo, em 06.09.17

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É hábito meu registar o  euromilhões numa casa de lotarias no centro da cidade ou no café ao lado da padaria onde costumo comprar o pão.

Desde sempre, na casa de lotarias, uma  pequena multidão formava  uma mal formada fila única ( certamente desconhecem o termo "fila única") para as três caixas de registo no balcão daquele espaço pequeno que por vezes as pessoas se confundiam se era ou não a sua vez. 

Nas minhas idas às compras costumo passar perto. Uma certa altura, pareceu-me que a casa estava às moscas. 

Num início de semana que tinha de registar o euromilhões, fui lá. Não tinha ninguém. 

Depois de o registar, pedi uma raspadinha de 1 euro para acerto de contas dos poucos prémios que tivemos em 2016.

A resposta do funcionário foi esta, que relatei neste post:

 - Não temos raspadinhas porque o patrão não quer. Olhe não faltam raspadinhas por aí, troque num qualquer ponto de venda.

 

Há cerca de dois meses, voltei para registar o euromilhões e reparei que alguém pagava uma que tinha na mão.

E vi-as penduradas na parede, por trás do balcão.

Nada comentei com o funcionário, o mesmo que me dera aquela antipática resposta.

No mês de Agosto, o café fechara para férias e estava em obras, voltei ao centro da cidade.

A casa estava cheia.

Na fila, enquanto não chegava a minha vez, observava as pessoas que, moeda na mão, raspavam o papel  da sorte: do pouco, do tudo, ou do nada.

"Elas voltaram", pensei.

Durante o tempo que a casa deixou de ter as raspadinhas a venda de jogo teria descido o suficiente para, ele, patrão voltar com a palavra atrás.  

Chamar  ao estaminé as pessoas que fazem a mal formada fila e se vender é função da sua casa, trazê-las de volta seria, com certeza, a conclusão que teria chegado.

 

 

Cantinho da Casa

coisas do meu dia

por Maria Araújo, em 23.04.17

Desde que comecei a marcar as minhas aulas no ginásio pela aplicação do telemóvel, levo-o para o quarto, ponho-o a despertar precisamente dois minutos antes da hora que tenho de fazer a marcação. 

Esta madrugada segui a rotina.

De manhã, por volta das 9h00, e a pensar ir à praia, acordei antes de ele me despertar. Peguei nele para ver as horas.

Aparecia no ecrã um fundo preto e as letras a branco, a marca do telemóvel. Deduzi que algo não estava bem.

Tentei desligá-lo, mas não cedeu. Pensei que a bateria poderia estar descarregada, liguei-o à tomada. Nada se alterou.

E a hora para marcar a aula estava a chegar. Desconfiada,  aguardei que o despertador desse sinal. Mas não deu.

Tantava desligá-lo, continuava igual.

Levantei-me, decidida a ir à loja. Esqueci a praia. 

E encontrar a garantia? 

Costumo guardar a factura na pasta do e-factura. Tinha outras mais antigas, e a do telemóvel, que nem um ano tem, não aparecia.

Estava à toa, as pastas são muitas, tinha a certeza que era nesta que a guardara.

Fui ver as pastas mais antigas, não encontrei, até que peguei numa pasta de lombada estreita. Lá estava ela.

O tempo está a favor para caminhar, aproveitei para ir a pé, o que me leva cerca de 35 minutos.

No Media Markt, expliquei o que se passava ( e já não era a primeira nem a segunda vez que isto acontecia, embora desligando e ligando, ele voltava a funcionar).

O telemóvel ficou na loja. 

Sendo um desbloqueado, vi um a 20 euros, serve para o meu dia-a-dia, mas só o compro se não conseguir  um emprestado. A Sofia tem vários, vamos ver se algum serve para desenrascar.

Saí da loja, fui na direcção do centro comercial onde tem uma loja de registo do euromilhões, queria registar o meu caso amanhã decida ir à praia, e na terça, que é feriado, a possibilidade de o registar aqui no centro da cidade é menor.

Da loja, uma fila vinha até à entrada. 

Reparei que predominavam as mulheres, deduzi que estavam ali para comprar raspadinhas.

Ao lado da fila, de costas para mim, uma delas segurava as raspadinhas com uma mão e a outra raspava-as.

Às tantas, vira-se. Reconheço-a, e ela a mim.

Fez-me uma grande festa, há anos que não me via, como estou, e tal.

Eu cumprimentei-a. Não me lembrava do nome, mas também não lhe perguntei ( lembrei-me dele, Rosa, no caminho para casa), perguntei-lhe pelos filhos, se ela continuava lá ( na empresa, não me lembrava que ela tinha emigrado há anos), respondeu-me que já não estava lá, na Suíça, que regressara em 2010 mas os filhos continuavam no país e que vai vê-los várias vezes no ano.

Quando me vê de euromilhões na mão, diz-me que nunca joga, que só joga nas raspadinhas. 

Comento que raramente as compro, que é um vício...

"Ai, nem me diga nada!", comentou, " Se soubesse o quanto eu gasto nelas! Estou sempre a jogar".

Baixinho, digo-lhe eu: " Raramente as compro, jogo no euromilhões com uma amiga, senão nem jogava. Sabe o que faço em vez de gastar o dinheiro nisso? Meto-o num mealheiro. Quando estiver cheio, abro-o e uso-o para alguma viagem que queira fazer."

Respondeu-me ela: " Uma boa ideia, sim senhora, pelo menos não gasta nisto. Usa-o para si. Eu não me controlo."

As senhoras que estavam à minha frente riram-se...Elas também as compravam.

Às tantas, a Rosa, para não ir para o fim de fila, aproveita-se da minha vez e,  junto ao balcão(eu deixei, claro), entrega as rapadinhas sem prémio e pede mais umas quantas de vários valores.

Despediu-se de mim e foi embora.

A Rosa era ajudante de cozinheira na empresa do meu pai, onde eu também trabalhei 15 anos. O marido era trolha, tinha uma pancada, era um inconstante, ela queixava-se dele, mas adorava-o. E acho que ele a ela. 

Acabei o curso, saí da empresa. Ela  ficou mais uns anos, até emigrar.

Passaram 26 anos.Ela está uma lady. Unhas compridas, de gel, bom aspecto, com certeza. Uma chave grande na mão, só podia ser de um carrão. Gasta um dinheirão nas raspadinhas, mas ela sempre teve um bom coração.

Oxalá a vida lhe sorria por muitos anos e que o dinheiro que gasta em raspadinhas não venha a fazer-lhe falta.

Gostei de ver a Rosa.

 

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