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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

domingo de Ramos

Maria Araújo, 05.04.20

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seria o dia de passar por uma igreja desta cidade e trazer para casa  o ramo de oliveira e, se  o tempo ajudasse, ver a procissão  dos Passos

 

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o mundo está  em confinamento, nunca a expressão" um dia de cada vez" disse  tanto,pelo menos para mim.

Bons dias virão.Tenhamos esperança, força e muita vontade de ficar em casa.
Vai valer a pena este sacríficio.

 

 

 

quinta-feira fria e de muita chuva

Maria Araújo, 29.03.18

A polícia espanhola anda por cá colaborando com a nossa polícia nos festejos da Semana Santa com mais tradição no país.

Muitos espanhois e italianos, e outros turistas, que andam na cidade, a chuva não tem dado tréguas.

Ontem, a noite esteve serena, a lua ia espreitando o que se passava por cá, a Procissão da Senhora da burrinha saiu à rua.

Hoje, é o dia da Procissão do Senhor «Ecce Homo»  ou dos «Fogaréus», espero que a chuva páre, porque o frio aguenta-se,  e se realize a mais bela procissão  da Semana Santa:

«Abre o cortejo o exótico grupo dos farricocos com grosseiras vestes de penitência, descalços e encapuçados, de cordas à cinta, como outrora os penitentes públicos, uns empunhando matracas e outros alçando fogaréus (taças com pinhas a arder). Daí chamar-se também «Procissão dos Fogaréus». Integrados na procissão, os fogaréus evocam os guardas que, munidos de archotes, foram, de noite, prender Jesus.»

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(imagem da internet)

 

 

 

 

 

um dia de sol

Maria Araújo, 27.03.18

Agasalhos mais quentes ficaram em casa, vestiram-se outros mais práticos e leves. Já se viam os casacos nos braços, algumas mangas curtas, nas mais jovens, senti algum calor, hoje.

O céu limpo, o sol brilhante, uma temperatura agradável, uma noite fresca mas limpa, nada indica, como dizem as previsões, que a chuva está de volta nesta Semana Santa.

Gosto de mais de ouvir o som ruidoso das matracas dos farricocos. Amanhã, não posso perder a Animação de Rua por um Grupo de "Farricocos" :

«Alunos do Agrupamento de Escolas Sá de Miranda, com matracas e instrumentos de percussão tradicionais que percorre as principais ruas do centro histórico de Braga.

 - Organização do Agrupamento de Escolas Sá de Miranda »

28 de março, quarta-feira Santa, durante a tarde  |  Centro Histórico de Braga

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(imagem da internet)

 

 

Está aberta a porta para a Semana Santa de Braga, amanhã à noite, com  a Procissão de Nossa Senhora da «burrinha».

 

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Espero que o São Pedro não se lembre de abrir as comportas do céu durante as procissões. Não é que vá ver, mas elas atraem milhares de pessoas dos arredores, e turistas, torna-se desagradável. Basta o frio da noite. Quando a chuva é intensa, a procissão não sai.

depois da procissão

Maria Araújo, 15.04.17

 

 

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Ontem foi dia de procissão.

Não tinha intenção de ir, mas combinei com uma amiga bebermos um copo, precisávamos de conversar.

Encontrei o meu mano mais novo e a mulher, fomos juntos ao bar, a procissão ainda estava a decorrer, tivémos de dar uma volta porque era impensável furar a multidão.

No passeio, junto ao bar, sentamo-nos numa mesa, pedimos as bebida, conversámos.

A junta de freguesia da Sé fica em frente ao bar onde nos encontrávamos.

Acabada a procissão, os figurantes passavam junto a nós, iam deixar as vestes alegóricos na junta.

De repente, uma senhora de cerca 70 anos pára à nossa beira e diz:

- Estou cansada de andar na procissão. Doem-me os pés, já não aguento mais.

Levanta a veste e mostra os pés, sem meias, numas sandálias.

- Os meus netos andavam devagar, estavam cansados, uma delas, a mulatinha, anda depressa demais, tinha de a chamar para não avançar e não sairmos do passo. Ai, doem-me os pés.

Comentámos:  - Vimos passar, sim, uma miúda bem gira. É então a sua neta?  

- Sim - respondeu. 

Sabem, eu participo em todas as procissões, por isso, desde quarta- feira que não páro.

De quando em vez, fazíamos um ou outra pergunta, mas o discurso dela era todo seguido.

- Há quatro anos, foi-me diagnosticado um cancro. Fui ao cabeleireiro, rapei o cabelo. Quando fui à médica, ela perguntou-me por que cortara o cabelo. Disse-lhe que queria participar nas procissões. Punha uma peruca e resolvia o assunto.

Ela aconselhou-me a não o fazer. Eu respondi que quem mandava era eu, queria ir, não podia proibir-me. Se tivesse de morrer tanto fazia morrer de cancro como de outra coisa, Deus estava com ela, e ia.

Estavamos muito atentos a ouvir a conversa.

- Sabe, eu paguei 50 euros pelas vestes. Na procissão da burrinha não pagámos nada. Tudo é suportado pela junta de freguesia da São Victor - dizia.

Ficamos admirados. Supuséramos que os fato eram emprestados.

E continuou:

- Para o ano quero ir na procissão da burrinha mas não quero ir a pé, quero ir como o romano, o finório,  que vai deitado, pernas à mostra, e nós fartámo-nos de andar.

Às tantas, ouve-se alguém chamar pela mãe. Era a filha que já despira as vestes, andava à procura dela. As filhas, também. Reclamava que estava na hora de irem para o autocarro.

E a senhora estava tão satisfeita a contar as histórias das procissões que se esquecera das dores nos pés e da hora do autocarro.

Despediu-se de nós.

Eu disse-lhe: 

- Uma Santa Páscoa para a senhora. E não imagina o prazer que nos deu ouvi-la. Adoro escutar histórias.

E a senhora seguiu o seu caminho.

Comentei ao grupo: - Isto é o que gosto. Ouvir histórias de vida de mulheres simples.

Fosse mais cedo,e vivesse perto, convidava-a a sentar-se e beber um copo connosco.

Foi um bom momento.

Uma Santa Páscoa. 

 

 

A procissão Ecce Homo

Maria Araújo, 25.03.16

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Saí de casa cedo para encontrar um espaço, se possível à frente, onde pudesse ver a procissão que há anos não via.

Fui para o Largo de Santa Cruz, já se viam as pessoas na berma dos passeios, vi um espaço vazio onde podia acomodar-me.

Mal cheguei, posicionei-me ao lado de um casal que marcava posição cerrada para que ninguém furasse o lugar e se metesse à sua frente. 

As pessoas foram chegando, encostavam-se (detesto!) a quem estava à frente, de vez em quando encolhia-me (é aqui que exercito o meu abdominal)  praticamente não me mexia para marcar o meu lugar. 

Mas as pessoas que desciam a rua e queriam passar para outro lado, viam sempre no lugar onde eu estava, a porta para saírem. E isto gerou comentários parvos de quem estava ao meu lado. 

Lera na programa das celebrações que procissão saía às 22h. Até chegar ao local onde estava, demoraria pelo menos trinta minutos. Mas quem estava ao meu lado insistia que a procissão saía às nove e meia. Não se calavam. Eu calada estava.

Atrás de  mim, encostou-se uma senhora acompanhada de um casal jovem. Ele, ora falava alemão, ora falava inglês ora falava algo parecido com árabe.

A senhora, pior que as matracas dos farricocos (fui à procissão porque gostava de os ver e ouvir o som das matracas e as chamas dos fugaréus), não se calava.

Em frente a nós, num grande letreiro de uma loja de recordações, lê-se esta palavra em inglês, espanhol, italiano e alemão. Dizia ela: "Braga está uma cidade poliglota. Já viste o letreiro... Que fino!", e lia cada uma das palavras. E ia aproximando-se mais um pouco de quem estava à sua frente. Mais baixa que eu, provavelmente, esperava que alguém se oferecesse para ela passar para a frente.

De quando em vez, o jovem lembrava-se de falar para a esposa em alemão, ou árabe, ou inglês.

Uma dada altura, diz a senhora: " Há tantos espanhois por cá. Nem sei por que vêm. Podiam ir para Sevilha. Fazem uma Semana Santa mais bonita , a procissão é muito mais completa. Esta aqui não presta."

Apeteceu-me virar para trás e dizer-lhe: "Se não presta, por que está aqui?"

O cortejo mostra-se ao fundo da rua, um casal estrangeiro tenta passar para a lado de trás onde nos encontrávamos, mais uma vez protestam por quererem passar entre nós, a senhora baixa-se para tentar tirar fotografias, uma delas bate-lhe no ombro e a outra diz , misturando francês, inglês e português : "ici, não, back!."

A estrangeira levanta-se, dou-lhe lugar para ela passar e digo às "companheiras do lado";  - mas a senhora só quer tirar umas fotografias, ela baixou-se, não sei por que não a deixaram.

"Que tire lá atrás! Era o que faltava, já estamos aqui há imenso tempo, vem ela meter-se à frente". 

Calei-me, olhei para trás e vi a estrangeira com um tablet a tentar apanhar o início do cortejo.

A GNR , a cavalo, anuncia que vem a procissão. Atrás destes,os representantes de várias Misericórdias do país. Às tantas, aproxima-se a de Cascais e diz a matraca: "Olha, vem aí a Misericórdia das tias".

Fiquei possessa. Estava farta de ouvir a fulana. 

A procissão ia a meio, um dos casais da frente, sai e diz-lhe: "Pode ficar com o lugar, vamos embora".

Apoderou-se do lugar, sem perguntar-me se eu queria ocupar, também, visto que estava ali desde cedo, passou para a frente, acompanhada de uma outra jovem que eu não reparara, e ali ficou, numa posição que me impedia de ver.

Não disse nada. Deixei-me esta quieta e calada porque se dissesse alguma coisa, ela iria reagir, não queria interromper o "quase" silêncio do cortejo.

Às tantas, ouve-se um homem, um dos muitos chicos espertos deste país, ao meu lado direito, dizer: "Anda!"

Olhei e vi que piscava o olho para alguém que indicava que queria que fosse para o seu lado.

O casal da frente diz "O senhor não empurre!"

"Mas eu não empurrei! Nem  sequer me encostei a si. Sou gordo, mas nem tanto que me fizesse senti-lo"

A conversa ficou por ali, o chico esperto conseguiu ver melhor que eu o resto da procissão.

Passaram muitos anos que não fui às procissões. Lembrava-me dos muitos empurrões que sempre levei. 

Depois decidi voltar, quase sempre ia para a rua da Sé, onde termina o cortejo, tem menos pessoas, vê-se melhor.

Este ano fiquei perto de casa, mas não tenciono repetir porque percebi que pouco ou nada mudou.

As pessoas são broncas, não respeitam ninguém, não sabem ver em silêncio.