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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

e a prioridade aos idosos?!

Maria Araújo, 19.03.20

Agora que estamos em casa, ligo a televisão para estar a par das notícias.

De  manhã, na SIC Notícias, no Opinião Pública, uma senhora de 80 anos falava ao telefone.Vive sozinha, vive num prédio onde não tem ajuda de ninguém, o seu vizinho fechou-se em casa, usa canadianas para se movimentar.

Um dia destes, foi ao Pingo Doce, em frente a sua casa, a fila era grande, e pensando que teria prioridade, e tendo recorrido ao facto de ser idosa, foi-lhe rejeitada ( não foi dito se foi alguém do supermercado que não lhe deu prioridade ou quem estava à frente na fila)  tinha de ir para o fim da fila.

Com as dificuldades que tem de estar de pé,  à espera da vez, decidiu ir para casa.

O seu telefonema para a SIC era no sentido de pedir auxílio.

Fiquei zangada com o que ouvi.

Fosse eu que estivesse na fila,  e nem que tivesse de discutir com as pessoas ou com quem estivesse a controlar a entrada, tenho a certeza que a senhora entraria, e pediria à primeira pessoa da fila que ajudasse a senhora a fazer as compras.

E à saída,eu iria ajudá-la levá-las a casa.

Tanta solidariedade e na hora de aflição, as pessoas tornam-se egoístas.

Que tristeza.

 

 

À beira de um ataque de nervos

Maria Araújo, 08.08.14

 

Agosto, dia quente e abafado, mas de chuva, férias, emigrantes, famílas completas com filhos no centro comercial deixam-nos "à beira de um ataque de nervos".

A minha sobrinha precisava de ultimar alguns assuntos pendentes, antes de ir para o Porto, e que podia resolvê-los no shopping.

Fui ter com ela. Precisava de quem tomasse conta do António (o meu sobrinho neto carioca), que, já o disse aqui neste cantinho, é uma criança educada e porta-se muito bem.

Óbvio que mudou de ambiente, anda à vontade, está mais traquinas, mas cede ao que nós dizemos.

Já passava da hora do almoço dele e resolvemos almoçar lá.

Filas extensas, a minha sobrinha foi comprar picanha e feijão preto (o miúdo adora) e trouxe uma sopa para ele.

Fui procurar uma cadeira de bebé, consegui com alguma facilidade, mas as pessoas não enxergam nada. São egoístas, ocupam as mesas com jornais para que ninguém se sente nos lugares ao lado.

Quatro adolescentes, que já tinham almoçado ( perceberam que eu estava a atenta às mesas que ficavam vagas), brincavam com os copos da coca-cola e observavam-me e ao bebé, sentado na cadeira, que dizia"qué sopinha".

A minha sobrinha, já estava a ficar descontrolada.

Com o tabuleiro na mão, procurava uma mesa. Ninguém lhe dava o lugar, isto é, mesmo que o lugar ao lado estivesse vago, diziam que não, até que lá conseguiu na mesa ao lado duas jovens que foram simpáticas e disseram que podiamos ocupá-la.

Ninguém quer o lugar de ninguém, mas caramba, quando vejo alguém que procura um lugar, sou a primeira a dizer para se sentar ao meu lado.

E já agora, ó MEO, nas vossas lojas não há filas prioritárias?

A minha sobrinha, grávida de cinco meses,  esteve ontem e hoje mais de 30 minutos para ser atendida. Nenhum funcionário a chamou, nem sequer as pessoas que aguardavam nas filas lhe deram prioridade. E ontem, ela estava com o bebé.

Haja humanidade!

Sei que no Brasil (porque a minha amiga Lia me contou, aquele(a) que não der prioridade a um(a) idoso(a)e/ou grávida, está sujeito a pagar uma multa. São rigorosos.E a minha sobrinha confirmou-o,hoje).

Almoçamos naquele barulho característico dos shoppings. Antes de seguir para o Porto, o miúdo ainda foi ao nodi dizer um adeus (quem diria que vinha a Portugal e gostar tanto do nódi, ahahaha!).

Mais uns dias de férias com os avós paternos e o pai, que chega hoje ao Porto, e voltarei a vê-los na segunda quinzena, antes de regressarem ao Rio.

É assim o mês de agosto, cheio de emigrantes, confusão nos parques, nos shoppings, em todo o lado.

Aguardo setembro e a serenidade dos dias quentinhos na praia a que este mês já nos habituou.