Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

" isto não é sobre mim, é sobre eles"

Maria Araújo, 29.06.20

Foi no meu Instagram que cheguei a este jovem médico.

Tem um livro publicado, " O Mundo Precisa de Saber" sobre o seu trabalho  nos vários países de África e Ásia, realizou, agora, o sonho de ver  traduzido para inglês, precisa da nossa ajuda. Citando o autor: " ...  pronto para viajar pelo planeta, e por isso  preciso de contactos, ideias, sugestões sobre como entrar em diferentes países com os meus sonhos  humanitários colocados num livro.

Se você acredita  que as histórias ao vivo  do Congo, Afeganistão, República  Centro-Africana, Síria, Sudão, do Sul, Iêmen, etc..., devem ser contadas ao mundo, por favor ajudem-me  sobre como atravessar  diferentes  fronteiras com o meu livro! Nunca vamos parar de sonhar.!

Por favor, ajudem-me! Por favor partilhem!

( Se para este  propósito gostar de receber uma cópia digital, por favor envia-me uma mensagem).

E para que o livro chegue longe, vejam estes links, leiam as suas histórias, e partilhem-nas também. O altruísmo é um sentimento que  faz falta neste mundo vulnerável e cheio de incertezas.

https://www.gustavocarona.com/  ou no Instagram,  https://www.instagram.com/gustavocarona/

 

Entretanto, deixo um vídeo, de 2018, que vale a pena ver e ouvir:

e a sua presença  no Telejornal, em Janeiro passado.

 

as carpideiras

Maria Araújo, 07.06.17

Balneário do ginásio, três senhoras já prontas para sair, falavam das carpideiras.

Uma delas contava  que estas mulheres iam às igrejas chorar o morto, que não conheciam.

Ora numa altura, foram a um velório sem que fossem "contratadas" , chorar o homem da aldeia.

A esposa, sentada a um canto, não falava, não chorava.

Aproximaram-se, iniciaram a choradeira do costume:
"Ai coitadinho, tão boa pessoa, ai, ai".

A viúva, não dizia nada, até que uma delas perguntou-lhe porque não chorava, ao que respondeu: " Já devia ter morrido há muito tempo".

A choradeira, o pranto das outras continuava. A viúva, no seu canto, não mostrava sinal de dor, de desgosto pela morte do marido.

Voltou a ser interrogada até que diz: " Este homem já devia ter ido embora há muito tempo. Batia-me, maltratava-me, como posso eu chorar um homem que me fazia tão mal?"

Ora esta conversa trouxe-me à recordação as idas, algumas obrigatórias, aos funerais de pessoas amigas dos meus pais.

Na altura, não sabia que essas mulheres  não pertenciam à família do morto nem sequer que eram pagas para esse teatro. Destestava ouvir berros e choros disfarçados. Sempre me incomodaram. Como nunca gostei de ir a funerais. Dispenso. E se puder, fujo deles. 

Felizmente nunca mais presenciei estas cenas. E se alguma vez, num velório, me lembrei delas, com certeza que pensei que já não existiam.

Fui à procura de informação, encontrei este precioso site com documentários, filmes e livros do etnomusicólogo, que os mais velhos devem lembrar-se, ( não me lembrava de nada) era um programa da RTP, "O Povo que Canta" de  MICHEL GIACOMETTI.

 

«Choram-se» os seus próprios mortos ou manda-se «chorar» uma carpideira, que fará o serviço em troca de um alqueire de trigo ou coisa parecida.

 

"Choraste mulher, choraste...e recebeste o salário das tuas lágrimas...
Agora foges por entre os Espigueiros que guardam o pouco daqueles que tão pouco tem..."

O vídeo do youtube, no programa "Povo que canta" o choro de uma carpideira..

 

 

Enquanto o jogo acontece, trabalho e lanço os olhos à TV

Maria Araújo, 11.09.12

De tarde andei pelas ruas centrais da cidade.

A conversa do homens, alto e bom som, era sobre a Troika e o governo.

As pessoas andam preocupadas.

O que está a valer, neste momento, e para que o povo descarregue toda a energia negativa que tem assolado o país, só o excelente jogo da seleção para amenizar os ânimos.

E as bolas não querem entrar.

Enquanto o jogo acontece, trabalho e lanço os olhos à TV.