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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

#fique em casa 6 - sábado de poesia ... e de recordações

Maria Araújo, 21.03.20

 O Sapo desafiou-nos.

Eu não sei escrever poesia. Fui à estante, escolhi um dos livros do tempo de estudante, peguei numa antologia editada em 1965, e adoptado no estudo do Português no então Liceu que a minha irmã frequentou.

Abri o livro numa qualquer página. Nessa página tinha uma folha de papel dobrada em quatro.

Abri-a.

Era uma carta para a minha irmã que, na altura, estudava em Londres.

Não me recordo de nada disto. Até estranhei a caligrafia, mais perfeita, mas só podia ser a minha( e tem um erro de ortografia).

A carta foi junto com uma encomenda.  Quando a minha irmã regressou teria guardado neste livro.

O poema  da página é de Gomes Leal, " O VelhoPalácio"

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a carta:

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Perguntei-me como é que só agora descobri isto.

Há doze anos que ela nos deixou, mas vou ter o prazer de a mostrar às filhas.

 

Ser Poeta

Maria Araújo, 21.03.19

Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior

Do que os homens! Morder como quem beija!

É ser mendigo e dar como quem seja

Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

 

É ter de mil desejos o esplendor

E não saber sequer que se deseja!

É ter cá dentro um astro que flameja,

É ter garras e asas de condor!

 

É ter fome, é ter sede de Infinito!

Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...

É condensar o mundo num só grito!

 

E é amar-te, assim, perdidamente...

É seres alma e sangue e vida em mim

E dizê-lo cantando a toda gente!

para mim, só podia ser este belíssimo poema de Florbela Espanca, e na canção interpretada por Luís Represas, para comemorar este dia 21 de Março, Dia Mundial da Poesia... e da Árvore.

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imagem, daqui

 

 

Uma ROSA

Maria Araújo, 02.02.10

 

 

 


E de novo a armadilha dos abraços.
E de novo o enredo das delícias.
O rouco da garganta, os pés descalços
a pele alucinada de carícias.
As preces, os segredos, as risadas
no altar esplendoroso das ofertas.
De novo beijo a beijo as madrugadas
de novo seio a seio as descobertas.
Alcandorada no teu corpo imenso
teço um colar de gritos e silêncios
a ecoar no som dos precipícios.
E tudo o que me dás eu te devolvo.
E fazemos de novo, sempre novo
o amor total dos deuses e dos bichos.

Rosa Lobato Faria (Actriz, escritora, autora e poetisa portuguesa)