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estendem os braços como se implorassem

por Maria Araújo, em 22.07.19
e ninguém (os animais são outra coisa...vão à vida como se nada fosse), e o verão chegou um pouco atrasado, neste país à beira-mar plantado, de fumo e destruição, se compadece:  e elas ficam sós, sempre sós.
 

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As árvores crescem sós. E a sós florescem.
 
Começam por ser nada. Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.
 
Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.
 
Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,
e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam novas árvores.
 
E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.
Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.
Sós.
De dia e de noite.
Sempre sós.
 
Os animais são outra coisa.
Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,
fazem amor e ódio, e vão à vida
como se nada fosse.
 
As árvores não.
Solitárias, as árvores,
exauram terra e sol silenciosamente.
Não pensam, não suspiram, não se queixam.
 
Estendem os braços como se implorassem;
com o vento soltam ais como se suspirassem;
e gemem, mas a queixa não é sua.
 
Sós, sempre sós.
Nas planícies, nos montes, nas florestas,
a crescer e a florir sem consciência.
 
Virtude vegetal viver a sós
e entretanto dar flores.

António Gedeão

 

 

 

Cantinho da Casa

fui colher as Maias

por Maria Araújo, em 30.04.18

Diz a lenda que colhendo estas flores da urze na véspera do 1º de maio e pendurando-as, à noite, na porta, muma janela ou varanda, significa que durante o ano não vai faltar o pão em casa.

As histórias são diferentes de região para região, é uma  tradição que nem sempre cumpro, mas hoje, quando fui meter gasolina, e de propósito fora da cidade, encontrei-as num terreno do lado de trás da bomba.

As minhas Maias...

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Um poema de José Régio

 

Canção de Primavera

Eu, dar flor, já não dou. Mas vós, ó flores, 
Pois que Maio chegou, 
Revesti-o de clâmides de cores! 
Que eu, dar, flor, já não dou. 

Eu, cantar, já não canto. Mas vós, aves, 
Acordai desse azul, calado há tanto, 
As infinitas naves! 
Que eu, cantar, já não canto. 

Eu, Invernos e Outonos recalcados 
Regelaram meu ser neste arrepio… 
Aquece tu, ó sol, jardins e prados! 
Que eu, é de mim o frio. 

Eu, Maio, já não tenho. Mas tu, Maio, 
Vem com tua paixão, 
Prostrar a terra em cálido desmaio! 
Que eu, ter Maio, já não. 

Que eu, dar flor, já não dou; cantar, não canto; 
Ter sol, não tenho; e amar… 
Mas, se não amo, 
Como é que, Maio em flor, te chamo tanto, 
E não por mim assim te chamo?

 

 

Uma canção de Maio

 

 

Cantinho da Casa

Um piema a Pi

por Maria Araújo, em 14.03.16

pies.png

 

Ora entrei nas notícias Sapo e vejo a grande notícia da descoberta de um navio da armada Portuguesa na Índia, e mais abaixo, encontro este título " Hoje é o dia do Pi. Que tal escrever um piema?"

Recordações da Matemática o uso do pi  (π), 3,14, para os estudantes, o número vai muito além destes dígitos, como aqui refere o artigo.

Quando começou?

"O dia do Pi começou a ser comemorado em 1988. Foi escolhida a data de 14 de março porque na convenção dos EUA essa data se escreve… 3.14. E porque é, por coincidência, a data do aniversário de Albert Einstein.

 

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O interessante de aplicarmos o símbolo  Pi em várias áreas ou contextos :

nos bordados (este é para o blog ponto aqui, ponto acolá).

Sem Título.png

 

 

na NASA

nasa.png

Nas competições matemáticas em sala de aula 

 

 

Em 2015 o fenómeno do relógio digital. um dia, a cada 100 anos, os primeiros dez digitos do número Pi coincidem no mês, dia, ano, hora, minuto e segundo.

The Pi Day Clock - 3.14.15 9:26:53

 

Na música:

"2014, Greg Ristow publicou a sua “Fuga em Pi”, uma pequena peça musical criada traduzindo os números de pi em graus duma escala."

 

Na literatura, um romance escrito em piês...

 

   3    1  4    1   5            9         2     6         5       3     5
Now I fall, a tired suburbian in liquid under the trees,
Drifting alongside forests simmering red in the twilight over Europe.
      8              9            7            9           3   2    3        8         4        6

 

 E um poema em Pi

Sem Título.png

 

 Em nossa casa, porque não?

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Cantinho da Casa

Um músico

por Maria Araújo, em 19.01.14

um poeta, um cantor, uma canção.

Porque hoje escutei-a na rádio, apetece-me, aqui.

 

"abre as portas do jardim

deita-me na tua cama

e diz que sim

e diz que sim"

 

 

 

Cantinho da Casa

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha

por Maria Araújo, em 06.04.13

 

 

 

 

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,

A essa hora dos mágicos  cansaços,

Quando a noite de manso se avizinha,

E me prendesses toda nos  teus braços...

 

Quando me lembra: esse sabor que tinha

A tua boca... o eco dos teus passos...

O teu riso de fonte... os teus abraços...

Os teus beijos... a  tua mão na minha...

 

Se tu viesse quando linda e louca

Traça as  linhas dulcíssimas dum beijo

E é de seda vermelha e canta e ri

 

E é como um cravo ao sol a minha boca...

Quando os olhos se me cerram de desejo...

E os meus braços se estendem para ti...

 

 

Florbela Espanca

 

 

 

 

Cantinho da Casa

E os comentários continuam

por Maria Araújo, em 08.04.12

Quando escrevi este post , e porque ia e vendo as notícias da tarde nos diferentes canais, estava longe de imaginar que iria ter mais de 30 comentários, alguns em forma de poema.

Fico grata a todos, li-vos, e gostaria de deixar aqui um dos poemas e este, acabado de chegar de Espanha.

 

 

"Hola, soy una española que adora Portugal, solía ir a menudo, sobre todo a Sesimbra, ahora iba más a Sao Martinho do Porto y Nazaré, ya que Sesimbra ya es como estar en España, y también precios abusivos en restaurantes y mercado,  pero viendo todo lo que está pasando con los peajes, la subida excesiva de la gasolina y la inseguridad ciudadana que está creciendo de forma alarmante, no me planteo volver a Portugal en una buena temporada. Y mira que lo siento profundamente, porque adoro Portugal y su gente. Espero que el gobierno, tome nota , ya que es una imagen tercermundista la que se ha dado del Algarve y sus peajes."

 

 

 

 

Poema

 

Herois do mal a 8 de Abril de 2012 às 10:47
Adeus A vinte e dois
digo-te adeus até depois
podes esperar por mim sentada
não passas de uma simples via
mas agora tens a mania
que já és uma auto-estrada

conhecida pela via do Infante
que o Cavaco gostava tanto
era primeiro Ministro de Portugal
para passarem jipes e Mercedes
e muito dinheiro por entre os dedos
num tempo que tudo era normal

tu que foste concebida
para seres livre toda a vida
e agora deixas-te aprisionar
e nós ficamos sem alternativa
com vinte três por cento de IVA
já não chegamos nenhum lugar

vou pela cento e vinte cinco
mesmo que não passo dos vinte
ao meu destino hei-de chegar
aqui pelo meu pobre país
tudo o que tinha a fazer já fiz
e nada eu posso alterar

deixas-me cheio de tristeza
por seres a estrada portuguesa
onde eu transitei um dia inteiro
vejo que afinal és uma vadia
e que a partir deste dia
começas a cobrar dinheiro

desde Lagos a Vila-Real
entre a Serra e o litoral
e de negro estás vestida
com curvas mal torneadas
és a pior das auto-estradas
que eu já vi na minha vida

és uma estrada do Sul
agora arranjas-te um chulo
és uma desenvergonhada
ele quer é chupar na teta
que já começa a ficar seca
de tanto ser sugada

na tua vizinha espanhola
ainda passamos lá de borla
e está mesmo pegada a ti
mas a Espanha é Espanha
não é a pouca vergonha
como esta que se passa aqui

as auto dominadas scuts
foram árvores que deram frutos
agora todos corrompidos
cada vez a viagem é mais curta
num país com alguns filhos na luta
e outros tantos mal paridos

 

 

 

Cantinho da Casa

Quem

por Maria Araújo, em 20.09.11

Tenho uma colecção de textos escritos por AL(guém), um amigo.

O tempo em que era frequente receber os seus escritos,quase quinzenalmente, passou.

O tempo não permite, agora, que se escreva com frequência.

Separados  por alguns quilómetros, são raros os conta(c)tos que temos,  mas a amizade é eterna.

E quando menos espero, recebo um mimo, como este:

 

 

QUEM ESPERA NUNCA ALCANÇA

 

Admiro os jovens que se amam,

 

E que fazem juras eternas desse amor.

 

Como aliás admiro todos os outros.

 

Incansáveis buscadores de quimeras!

 

Os utópicos e os distópicos,

 

Os furiosos de barbas longas e chinelas

 

Que anunciam o fim do mundo.

 

Enganados estão, julgando que há mundo

 

Para se acabar em data fixa.

 

O mundo somos nós todos,

 

Criaturas acéfalas que vagueamos por aí.

 

Enganados na esperança,

 

No futuro, nos dias de amanhã.

 

Cegos não entendemos

 

Que aquilo que é o mundo

 

É mais um solipsismo em que nos meteram.

 

E nós, tão audazes,

 

Queremos sair dele a toda a força.

 

Por isso prometemos, esperamos,

 

Louvamos a Deuses que nunca vimos,

 

Dos quais só ouvimos falar por palavras emprestadas.

 

Mas isso satisfaz-nos!

 

Ficamos saciados de amor e paixão.

 

E nesta fraternidade universal,

 

Onde apenas somos rebanho sem pastor,

 

Esperamos com Godot:

 

Que o dia de amanhã nasça com sol,

 

E que o de hoje se ponha sem chuva,

 

Que as juras de amor se concretizem,

 

Que as cartas tenham respostas,

 

Que D. Sebastião, mesmo cansado, regresse.

 

Esperamos sempre,

 

Sentados à mesa.

 

Olhando por uma janela de vidros sujos.

 

Que as nossa lágrimas não conseguem limpar.

 

 

 

 

Cantinho da Casa

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858 - Lia

por Maria Araújo, em 21.12.10

Ontem recebi uma missiva de uma amiga virtual, residente em São Paulo, mas da Figueira da Foz. Uma amiga de coração que conheci há cerca de 3 anos. Sim, porque aqui na internet também se fazem bons amigos.

Aqui está o e-mail:

 

  Para você com todo carinho que eu possa ter,

por tudo de bom que você me representa,

pelos nossos risos,

pela nossa amizade,

por eu te gostar tanto...

Estas flores é para você não esquecer

de uma pessoa que nunca

se esquece de você,

mesmo longe,

mesmo não se falando sempre,

mesmo sem te conhecer o bastante.

Que estas flores,

possam traduzir o meu carinho

e a minha admiração por você!

Beijos, lhe desejo tudo de bom nesta vida...

  

E.C (LIA)

  

  

 

(as flores que me enviou)

 

 

 

A verdade é que tenho tido pouco tempo para "conversar" com ela, no messenger.

Tempo em que desabafava as suas tristezas, tempo em que nos ríamos, tempo em que partilhávamos, simplesmente.

Neste simples poema, transmitiu esta nossa ausência e falta de tempo.

Mas eu vou voltar. Prometo.

 

Cantinho da Casa

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"A imaginação ao sabor do prazer"

por Maria Araújo, em 26.03.09

No blog da Treta, cujo debate de ontem foi sobre o tema "A imaginação ao sabor do prazer", o amigo carapaucarapau, comentou este debate com dois poemas.

 

Copiei este de Natália Correia.

 

Estas palavras são a explosão real do prazer de uma mulher.


COSMOCÓPULA

Membro a pino
dia é macho
submarino
é entre coxas
teu mergulho
vício de ostras

II

O corpo é praia a boca é a nascente
e é na vulva que a areia é mais sedenta
poro a poro vou sendo o curso de água
da tua língua demasiada e lenta
dentes e unhas rebentam como pinhas
de carnívoras plantas te é meu ventre
abro-te as coxas e deixo-te crescer
duro e cheiroso como o aloendro.
 

djani-celija2

 

 

Cantinho da Casa

da Si, para si, aqui no cantinhodacasa

por Maria Araújo, em 23.01.09

O que encontrei no blog da Si

 

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