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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

Pilates funcional

Maria Araújo, 04.04.19

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As aulas de Pilates de segunda e quarta-feira são muito procuradas, as senhoras mais velhas costumam ir muito cedo para o ginásio para conseguirem a senha, que é entregue trinta minutos antes da aula.

Há um número pequeno de aulas para reservas na APP, feitas com 24h de antecedência.

Se consigo reservar, óptimo, não quero ir para a fila, tenho até dez minutos antes da aula para a levantar, caso contrário, um mintuo de atraso, a senha vai para alguém que esteja à espera de uma vaga.

Há muitos e variados exercícios nesta modalidade, a professora, muito competente, profissional, simpática, e bonita, varia de aula para aula os exercícios, ontem, os últimos vinte minutos foram em dupla, o que me deu enorme prazer, sinto-me mais capaz de competir que se o fizer sozinha.

E há senhoras que se recusam ficar em determinados lugares do estúdio, outras acham que o espaço  que habitualmente ocupam é seu, ficam com ar de zangadas se alguém ( eu, por xemplo) arranjo um bocado e ali estendo o tapete e a toalha, e fico na minha, uma vez que lugares cativos são pagos e ali não existem.

Ora, quando a professora pediu para fazermos uma dupla com a companheira mais próxima, naquele espaço à minha volta as mulheres tinham par, eu não.

Procurei quem fizesse dupla comigo, vi uma senhora sem ninguém, fiz o gesto para me juntar a ela, mas ela fez uma cara de indignação, comentou qualquer coisa, pareceu-me que queria uma senhora da sua idade para se juntar a ela, talvez uma das "amigas" de café.

Olhei para a professora, que perguntou a uma jovem nos seus quarentas se não se importava de ir para o fundo da sala, havia uma senhora que não tinha par e eu ocupava o seu lugar.

Tinha comigo uma jovem brasileira, seria das primeiras brasileiras do ginásio com quem falei, numa altura que fizemos a aula de Antigravity, alta, um corpo bem estruturado; eu, baixa e magra, quão franzina, juntamos as mãos, os pés, fazíamos os exercícios bem coordenados, estavamos em sintonia, na respiração, nos movimentos, nos agachamentos, até que, num deles, as nossas mãos agarravam-se, ela puxava por mim eu fazia  flexão do corpo enquanto ela inclinava o seu para trás. De quando em vez, e porque sou mais velha, perguntava-me: " estou a magoá-la? por favor, se estou a exagerar, diga-me." E eu pedia que fosse um pouco mais longe...

Invertíamos a tarefa, eu dava o meu máximo de molde a puxá-la para que ela sentisse o exercício, não queria dar sinal de fraca, sem força.

Foram alguns minutos bem aplicados neste treino funcional, gerou-se naquele espaço, motivação, inter-ajuda, socialização.

No final, toda a malta saiu mais alegre. Eu fui fazer outra aula, o aquecimento estava feito. 

Na próxima, se conseguir reservar a aula, não posso esquecer de levar uma bola de ténis.

Fiquei curiosa, vou fazer o possível para fazer a aula.

totofobia?

Maria Araújo, 18.03.19

Parece-me que isto não acaba, esta mulher é uma pérola da natureza.

Conseguira reservar pela APP, a aula de Pilates de hoje, não preciso de ir para a grande fila desde que levante a senha até dez minutos antes da aula. Um minuto mais tarde que chegue, a senha já foi entregue a alguém que tem esperança numa vaga ( já aconteceu ficar sem a minha senha...).

Começa a aula, a professora dá instrução para nos posicionarmos no setup básico, fecharmos os olhos...

Todas de olhos fechados, seguíamos a palavras da professora, eis que fomos interrompidas por  uma voz, quase esganiçada, que vinha do fundo da sala. Ninguém percebeu o que dizia.

Todas abrem os olhos, viram-se para trás, dizem que não entenderam o que disse. A professora pára a aula, pergunta o que se passa. 

A voz repete o que acabara de dizer e que foi mais ou menos isto:

" Professora, as pessoas fazem fila para levantarem a senha mas há sempre uma pessoa que fura a fila, põe-se ao lado, e recebe a senha, e depois há outra que espera pela sua vez e não há senha e só não digo o nome porque ela sabe quem é..."

Incrédulas, as mulheres, uma a uma,  diziam: " não estou a perceber".

Como na aula da semana,e enquanto a professora tratava do material, eu estava perto da voz e dissera exactamente o mesmo, mas só eu escutara, virei-me para trás e: " A professora não tem de ouvir isto. Se a senhora tem alguma queixa a fazer é  na recepção".

Quase ninguém ouviu o que eu disse devido ao burburinho que se gerou.

Boquiaberta, e sem nada entender, a professora perguntou, de novo, o que se passava.

A voz repete a sua questão, os olhos das mulheres em cima dela, a professora responde que não pode fazer nada, está ali para dar aula, esses assuntos são resolvidos na recepção.

E todas viram costas à voz e a aula recomeça.

Depois da aula, uma das senhoras pergunta-me:"O que queria a "socorro"? Ela é doida! Ela não sabe que a professora não resolve estas coisas? Se tem alguma reclamação a fazer que vá à recepção."

Fiz o sinal que deve ter um parafuso a menos. E a voz que interrompeu a aula era a a pessoa que chamo de totó, conhecida no ginásio pela "socorro".

Acho que ando com fobia a esta senhora, ainda vou ter muitas peripécias para contar aqui.

 

 

 

o corpo é que paga

Maria Araújo, 04.10.18

 

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Este mês de Outubro,  as aulas de Pilates aumentaram  no ginásio e agora, também, com a modalidade de novos aparelhos, como a bola suíça ou de Pilates.

Sempre desejei experimentar a bola ( tenho uma que me ofereceram, mas preciso de a encher), fui à primeira aula na terça-feira. 

Completamente diferente, já fiquei fã

Três, quatro dias por semana, tenho ido ao final da tarde ao Porto.

Ontem, decidi que iria à aula se acordasse, não liguei  o despertador.

Ando extremamente cansada, não durmo horas suficientes. E quando acordo cedo e o sono não quer vir, levanto-me e vou ao ginásio.

Ora, hoje, às 7h já estava acordada. Tentei adormecer, mas  nada.

Fui fazer a aula.

Vim a casa deixar o carro, fui a pé à estação de comboios (vinte minutos) comprar o bilhete para a minha viagem a Lisboa da  próxima semana.

Almocei tarde. Durante o almoço os meus olhos queriam descanso.

Mas não há tempo.

Tenho a tarde com compromissos e depois destes, fazer a mala para o fim de semana em Lisboa

Sabe bem o exercício fisico, saio bem do ginásio,  mas com as noites de pouco dormir, o  meu corpo é que paga.

 

Holmes Place e a Refood

Maria Araújo, 07.06.17

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A semana passada, depois de uma aula de Pilates, a professora alertou-nos para a caminhada que o Holmes Place e a Refood, "uma organização de actuação micro-local, criada para re-aproveitar excedentes alimentares e re-alimentar quem mais precisa", vão fazer no próximo dia dez, ao Bom-Jesus, e uma aula de Pilates, à chegada. 

Há uma lista de inscrições, colaboramos com 3 euros.  Não tinha levado dinheiro suficiente, fiz a inscrição ( paguei ontem).

No sábado fui à farmácia comprar a medicação habitual, a doutora que me atendeu levou-me à prateleira dos cosméticos e ofereceu-me umas amostras de cremes de rosto.

Informei-a dos cremes que uso de alguns tratamentos que faço no HP,  diz-me:
"  Frequenta o HP? No próximo dia 10 vou lá estar. O HP vai colaborar com a Refood numa caminhada ao Bom-Jesus. Eu faço parte da organização Refood, vou acompanhá-las na caminhada".

Fiquei satisfeita claro, é uma mulher jovem, muito simpática e simples, não imaginava que se interessasse  por estas coisas.

Como me engano!

Com alguma disponibilidade que tenho e se a Refood quiser voluntários, ainda me meto nisto.

 

 

 

 

 

 

mas eu nunca tive um filho!

Maria Araújo, 16.03.17

Tenho uma aula de Pilates, paga à parte da mensalidade, com um número muito pequeno de pessoas. 

Éramos quatro, passamos a ser três porque uma das colegas teve de desisitir devido ao horário da escola.

Uma das colegas, também professora, não tem ido há quinze dias.

E nestes quinze dias, entrou um elemento novo. um homem nos seus 50.

Nestas aulas, usamos a bola Suíça ( Pilates), as bandas, o magic ring, o esparguete (usado na natação), materiais que não são possíveis aplicar nas aulas de grande grupo, com cerca de  trinta pessoas.

Ora hoje, a aula foi com a bola Suíça.

A maioria dos exercícios exigem abdominal forte que nos deixam a tremer e com dor. 

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Quando chegamos  ao exercício "ponte reversa" os pés ficam em cima da bola, os joelhos e as pernas dobradas (conforme imagem).Este consta em: levantamos as costas mantendo a coluna alinhada e vamos fazendo subidas e descidas do corpo , sempre com os pés pressionando a bola.

Depois, procurando o equilíbrio, levantamos alternadamente as pernas.

Um exercício que já havíamos feito, mas ele não.

No final de cada exercício a professora, uma profissional muito competente ( faz-se fila para conseguir senha para as aulas dela) pergunta-nos: " Como estamos?"

E há sempre uma queixa de dor, e depois o meu: " Bem!"

Mas custa! Custa muito!

Ora o senhor anda há pouco nisto, nem sempre aguenta. E quando a coisa complica solta um "aaaaaa" forte e alto. E deixa-se estender no colchão. 

Sai-nos algumas expressões de dor, alguns comentários, que dão para rir.

Ora na ponte reversa, o "aaaaaaaaaaaaa" dele foi tão dorido e alto que me saiu isto: " É pior que as dores de parto!"

A outra senhora, que é mãe, diz " É, é!"

E responde ele: " Deve ser, mas eu nunca tive um filho, nem posso ter, não sei como são."

Retroco eu: " Por isso mesmo. É que eu não fui mãe, também, não sei o que são as dores de parto! Mas estas sei."

A senhora responde-lhe: " Os homens não têm flexibilidade."

Comento: " Mas têm força."

A risota foi geral quando ele nos diz: " Agora estou assim, mas esperai mais dois ou três meses e ides ver como vou ter a vossa flexibilidade."

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O final da aula foi na barra para fazermos os alongamentos: coluna, braços e pernas.

Diz a professora: " Aproveitem que vos faz bem. Quando chegarem aos 80 vão agradecer o que sofreram."

É um facto. Há dor, há sofrimento.

Os resultados? São bons.