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cantinho da casa

cantinho da casa

coisas que me irritam nas pessoas

 

sejam  elas o presidente,o trolha, o jornalista, o médico: usarem a máscara na ponta do nariz e andarem sempre a puxá-la para cima.

sugiro que dêem um nó nas pontas e adaptem-nas às orelhas que nada disto acontece.

a semana passada, fui jantar a uma pizaria muito frequentada pela  família.

o jovem empregado tinha-a mal colocada, estava torta, e sempre que se aproximava dos cliente, ela ia para baixo do nariz.

apeteceu-me dizer-lhe que uma pessoa que serve à mesa não pode estar constantemente a mexer na máscara, que fosse à casa de banho e, em frente ao espelho, que a pussesse direita e desse os tais nós nas pontas de molde a ajustar-se ao rosto.

no jornal da noite da RTP3, uma jornalista estava numa zona da capital a relatar como estava a situação sobre a proibição de circulação entre concelhos da área metropolitana de Lisboa. cada palavra que dizia, a máscara descia para a boca, e ela puxava-a para cima.

um país a ver as notícias, não fica bem.

eu mudei de canal, porque me irrita.

 

 

 

 

europeu, hoje

Imaginável ver os cafés por onde passei, há minutos, apinhado de estudantes da escola secundária, uns com máscara,a maioria sem ela. 

Cheguei a casa, liguei o televisor.

Inimaginável, na minha cabeça, neste jogo Hungria-Portugal, ver o estádio Puskás Arena completamente  cheio.

Parece-me que lá não há Covid.... ou nós, portugueses, levamos tudo muito a sério.

 

andei pelo Porto

estranhamente habituada a ver as ruas cheias de turistas, hoje, no Porto, consegui tirar as fotografias que quis sem ter quem se metesse à minha frente.

depois de sair da consulta, na Avenida da Boavista, a Casa da Música sem os jovens que costumavam saltar as escadas e a lomba com o skate, as portas fechadas, a rotunda com pouco trânsito,  apenas o jardim tinha algumas pessoas que aproveitavam o sol, um pouco mais fraco.

na Baixa, na Rua de Santa Catarina, no Bolhão, não se vê a azáfama das pessoas que entram e saem das lojas, há lojas que fecharam de vez, outras que estão em obras, algumas abertas com atendimento à porta.

levei um sande para comer, sentei-me numa pequena fonte na Avenida dos Aliados, outras pessoas faziam o mesmo que eu, deixei-me ficar até à hora de ir para o comboio.

na estação de São Bento, praticamente vazia, também fotografei o que em tempos não conseguia.

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em Braga, as decorações da Páscoa vêem-se na entrada do Arco da Porta Nova.

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verifiquei que há mais pessoas nas ruas desta cidade do que no Porto.

 

 

 

 

 

 

estou preocupada

Tinha pensado ir pé até ao Bom Jesus, subir e descer os escadórios, preciso de exercício físico  que, à excepção do fim de semana,  não há oportunidade para  fazer as aulas que gosto.

A minha irmã mais nova e a filha vieram ter comigo ( chegaram tarde, desistimos do Bom Jesus), mantivemos a distância necessária, e quando as pessoas se cruzavam connosco, fazíamos uma fila para não haver aproximação.

Ora, quando chegamos à zona do Parque da Rodovia, ficamos estupefactas. Aliás,eu até já estava a contar com o que vimos: muita gente, famílias com os filhos, grupos enormes que passeavam por lá, que se cruzavam sem qualquer distância. Desistimos de atravessar o parque, metemos por zonas de vivendas que ninguém escolhe para caminhar.

E assim fomos descansadas. Quando chegamos à zona do Leroy Merlim, a coisa descambou, não pelo número de pessoas que por lá caminhava,  mas porque a circulação de viaturas era demais.

E no Leroy Merlim, que eu pensei que estava fechado, o parque estava cheio e havia fila para entrar.

Fizemos o caminho com segurança, eu conheço esta zona, cruzámo-nos com  poucas pessoas.

Há minutos, no Instagram do Sapo, que eu procuro para ver o quadro de infectados COVID19, fiquei de boca aberta:

há algum tempo que o Norte tinha um baixo número de infectados, Lisboa e Vale doTejo tinha substancialmente o dobro, hoje, inverteram-se os números.

Não são muitos, mas o suficiente para, com o que vi hoje nos arredores da cidade, os casos aumentarem.

Já perto de casa, passou o meu vizinho do andar de cima, que nesta pandemia vai fazer a sua corrida matinal, parou por segundos e disse: "Impossível andar nos arredores. Há gente a mais na rua".

Estou desolada.

Espero enganar-me, mas com estes comportamentos, tão cedo não desconfinamos.

 

 

Acabei de ler que vai haver Conselho de Ministros para aprovar as novas regras, mas as escolas só abrirão depois da Páscoa. Mas as lojas poderão abrir no dia 17.

Urge as crianças em idade pediátrica voltarem às creches.O meu sobrinho neto precisa muito de ir para o Colégio.

Aguardemos o que por aí vem.

depois, fui ver o pôr-do-sol

final de tarde estava a correr bem, segui para o Sameiro.

Faltavam cerca de quinze minutos para o sol se pôr, fui visitar a pequena capela , aberta aos fiéis, segui para os escadórios.

Aqui e ali, alguns casais de namorados conversavam descontraídos, mulheres sozinhas, ciclistas que descansavam por  alguns minutos depois de terem feito a subida íngreme de uma das duas estradas: a da Falperra ou do Bom Jesus, todos sentados e distantes a respirarem o ar fresco, saudável e relaxante.

Uma calma  muito agradável, num lugar de reflexão, em que a mente vai para além de tudo o que estamos viver.

A Lua, do lado oposto, fazia-nos companhia a este pôr-do-sol que nos quis mostrar no inverno também nos dá a cor laranja do fogo.

E se para mim o mar, que muito gosto, relaxa, a montanha é uma boa companheira, também.

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Tinha várias chamadas não atendidas, estafva ao telemóvel com uma amiga,quando a  campainha tocou perguntaram se era a Maria Araújo, tinha uma encomenda para entregar.

um jovem entregou-me um grande saco de papel,com o cartão da casa, trazia um lindo ramos de flores e folhas desidratadas.

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A sobrinha e afilhada, que está do outro lado do Atlântico, mandara entregar a casa este lindo presente. Tentara ligar-me, não conseguiu, nem eu, conversamos pelo whatsapp.

Fiquei tão feliz com este inesperado presente.

E ela feliz ficou por me ver feliz.

Ontem, passei na loja, tem flores lindíssimas de fazer perder a cabeça e a carteira.

 

 

 

 

 

domingo na cidade

omtem, fui almoçar a casa da mana.

depois do  almoço, fomos dar um abraço aos sobrinhos netos,  que vão para Lisboa, e  dentro de uma semana já estarão no Brasil  ( 4 meses em Portugal).

adoraram estar este tempo todo por cá.

mas a escola vai começar,o regresso é inevitável.

tirámos uma foto de família ( não estava a família toda)

passamos pela Sé de Braga. antes da pandemia, ao domingo,  todos os bares estavam fechados. estão, agora, as esplanadas cheias. há que recuperar o tempo e o dinheiro perdidos.

e há muitos espanhóis por cá.

gostei de ver a animação nestas ruas da minha cidade.

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imagem da net

 

 

 

continuo por casa

saio para ir às compras,ou para ir ver o meu sobrinho neto, que vive a  poucos metros de minha casa, percebo, nestes pequenos percursos, que  muitas pessoas arranjam pretexto para sair de casa,. 

pois hoje, queria ir ao mercado municipal, que ainda funciona provisoriamente perto da Câmara Municipal, estava indecisa, ainda não me sinto à vontade para enfrentar as pessoas. e não fui.

depois, pensei ir ao cemitério, a pé, mas com o vai, não vai ao mercado, já não era muito cedo, e tendo em vista que o horário do cemitério, com esta situação do coronavírus, fecha às 12h30, tinha de me despachar, resolvi ir de carro .

comprei flores, não havia círios, não tinha troco para pagar,  assim como a florista também estava sem moedas, fui  ver o que tinha, faltavam cinquenta cêntimos, deixei as moedas todas, e sendo cliente há anos, " paga para a próxima" disse.

saía do cemitério, em direcção ao meu carro, estava perto deste um homem, que supus ser imigrante de leste,  que mandava umas bocas às mulheres que passavam, tipo" boa mulher!". não dei importância. mas quando me aproximei para pôr as coisas na mala, diz ele:  "há muitas mulheres boas por aqui".

continuei na minha, e quando abri porta, diz ele" dê-me alguma coisa"

respondi que não tinha moedas,insistiu, disse-lhe que não tinha nada, que ficara a dever dinheiro na florista. ele deixou-me em paz.

mas neste entretanto, fui absorvida por uma voz feminina que falava muito alto, dizia palavrões, insultando quem estava com ela.

como é óbvio, a tendência é para olhar para a pessoa. a mulher estava acompanhada de dois homens, saíam do cemitério, os palavrões eram dirigidos ao homem mais novo. este, mais à frente. parecia querer fugir,com vergonha, dos olhares de quem a observava. 

pelo teor da conversa, presumi que algum familiar teria falecido, falariam de interesse/ herança?, porque ela dizia, com palavrões pelo meio, que ele só queria dinheiro, e ele resmungava com ela, que não. e ela dominava a conversa com insultos.

esta gente parecia ser pessoas de classe média baixa ( com um bom carro), mas a linguagem dela deixou muito a desejar, não só porque estava na rua e havia pessoas por perto, mas sobretudo porque estava a sair de um lugar sagrado, de culto, de respeito.

e eu não atino com estas discussões nestes lugares.

no percurso para casa, verifiquei que são muitas, mas muitas, as pessoas que andam na rua como se o coronavírus fosse algo que acontecesse lá longe... algumas com máscaras, outras não.

e eu continuo em casa. mas tenciono ir ver o meu sobrinho neto que esteve com os primos, na praia, chegou hoje de manhã.

 

 

 

 

coisas minhas, de hoje

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E como  se não chegasse o que  aconteceu ontem,  4ª feira é o dia que tenho mais livre de compromissos, pelo que vou sempre por volta das 17:30h  buscar o sobrinho neto ao colégio.

Chovia, seria melhor levar o carro. Meti a chave na  ignição, o carro não deu sinal de si (  há cerca de três semanas fui jantar fora, quando fui levar a minha amiga a casa, parámos a conversar dentro do carro, quando pus o carro a trabalhar, tivemos de o empurrar para que ele pegasse e eu pudesse chegar a casa. Como desde então a bateria sempre funcionou, e hoje de manhã ainda fui ao ginásio, não o levei à oficina, teria de acontecer ), agora de tarde, bateria, Zero!

Pensei  levar o carrinho dele, lembrei-me que o plástico ficou no carro do avô, impossível trazer o miúdo ao colo, são cerca de 15 minutos a pé. 

Liguei para a mãe, que não atendeu.

Tomei a decisão de ir a pé até ao colégio, pediria um táxi que nos traria a casa.

E assim foi.

Quando pedi ao taxista para parar o carro em frente ao portão que dá acesso às garagens do prédio, ele não o fez, deixou-se estar na via, depressa dei-lhe o dinheiro para pagar e no mometo que me entregava o troco, ouviram-se os carros atrás de nós a buzinar insistentemente.

O taxista disse: "Não se preocupe, eu não tenho pressa, deixe-os buzinar".

Os condutores insistiam nas buzinas, até que eu saí do carro com o menino, o guarda-chuva ( que estorvava demais) e a carteira.

 O taxista seguiu rua abaixo e quando passei à frente do primeiro carro e pedi calma, que tinha uma criança ( dois anos) ao colo.

O gajo (desculpem, mas é assim que merece ser  tratado) gesticulava para mim, mete a primeira e segue rua abaixo,  eis que no carro atrás daquele, uma mulher ( gaja)  manda uma buzinadela, baixa o vidro, olho para ela que e diz " Tenha calma, não! Há lugares para estacionar, por que é que ele não estacionou lá?"

Virei as costas, não lhe respondi, não valia a pena dar conversa a gente desesperada.

Isto aconteceu no máximo dois minutos.

Eles até tinham razão,não custava nada o taxista estacionar nos lugares vagos,mas quando me viram com a criança ao colo não deviam ter resmungado comigo. Mas também não fiquei muito incomodada, porque foi rápido.

Ora de manhã, a confusão de trânsito aqui na rua é demais. Há uma escola do primeiro ciclo, a rua é estreita, muitas vezes os pais deixam os carros em frente aos portões dos prédios, vão deixar os filhos na entrada da escola e, no meu caso, sou obrigada a esperar que venham tirar o carro para eu sair. E não resmungo.

Quando vou ao ginásio, levanto-me mais cedo para evitar este pára, arranca, na rua.

Estes chicos-espertos que resmungaram comigo, hoje, são pessoas que trabalham aqui na zona ( CTT, Finanças, Registo, Hospital, Escola Secundária) sabem que esta rua tem horas de trânsito lento na entrada e saída das crianças da escola, porque diabo foram protestar comigo.

Oh, gente impaciente!

 

 

os meus cinquenta

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(imagem da internet)

 

Aceitei o convite da Luísa  para participar no desafio que a imsilva lançou no seu blog, sobre os cinquenta ( a meia idade), no século passado era sinal de velhice, a verdade é que, quando  jovem, o conceito que tinha de uma mulher de quarenta anos era de velha, de modo que, quando lá cheguei, decidi que era um disparate, não me via nem sentia a idade, tive sempre uma vida rodeada de amigas e amigos, a maioria mais novas, os anos passaram depressa demais, cheguei aos sessenta com energia, à excepção de algumas mazelas que o raio do tempo se encarrega de me oferecer, e forma de estar, ser e pensar saudáveis.

Tive uma infância a brincar na rua, não gosto de bonecas porque não as tive, os poucos brinquedos que tive eram partilhados com a minha irmã mais velha, fui uma maria rapaz, mas bem comportada...e tímida.

Dediquei parte da minha adolescência aos meus dois irmãos mais novos, uma alegria, uma novidade, foi a fase da minha vida de quase mãe ( mal eu viria a imaginar que na adolescência destes seria eu a "mãe" deles), tinha  férias de um mês na praia, encontros com os amigos, anoiteceres de brincadeira, por isso, uma adolescência saudável.

Vieram os vinte. Ui os vinte! A fase mais louca: o querer e o não querer, a incógnita de saber se iria encontrar o homem da minha vida,  a loucura das noites de Verão nas discotecas, usava tudo o que a moda ditava, o meu 1,50cm não era problema, independente que era, e sou, fazia as férias de Verão com as amigas. 

Os trinta,  trabalhadora estudante que fui, foi a etapa mais difícil e mais crítica da vida, porém, com novas amigas de curso, que me ajudaram a ultrapassar muitas das minhas tristezas, tive momentos de cumplicidade, de desabafos e risos,  acabei o curso, mudei de emprego, deixei a paixão dos vinte, fiz-me uma mulher mais madura, mais sensata, mais feliz e orgulhosa com o que tinha alcançado.

Entrei nos quarenta, novos amigos e amigas de trabalho, alguns namoricos, férias fora do país, amizades mais sólidas, casa própria, carro, maior dedicação à família, mais sobrinhos, as primeiras rugas, os primeiros fios de cabelos brancos, ainda  as noites de discoteca, os dois irmãos mais novos casaram, tiveram filhos. E se a família tinha grande significado para mim, passou a ser o mais importante da minha vida.

Costumava comentar com as amigas que, contrariamente ao estilo de mulher do século passado, os cinquenta são os novos cinquenta:  as mulheres deste século, mais independentes, mais experientes, mais selectivas nas suas escolhas, não dão tanta importância ao que os outros pensam de si, frequentam o ginásio, cuidam de si, são mais sexy.

E foram os cinquenta os melhores da minha vida.

Positiva que sou, mais confiante e segura dos meus actos ( e cometi muitos erros), entrei no mundo da internet, conheci pessoalmente pessoas fantásticas, fiz boas amizades virtuais, fiz viagens que nunca esperei fazer, vivi aventuras que pensava não serem para a minha idade, passei a viver intensamente os encontros, os jantares com os amigos,  dediquei mais tempo à leitura, abri o blog.

Deixei de dar valor a coisas supérfluas, a pessoas negativas, egoístas, mesquinhas,  às conversas e amizades de circunstância.

O meu corpo mudou, ganhei um pneu que me custou aguentá-lo ( já não existe), eu, mulher baixa e elegante, cujos amigos elogiavam o corpo e a idade, não tive a crise de menopausa ( que sortuda, confesso), eis que um dia, depois de uma cirurgia, observava as rugas de expressão que desde jovem me habituei a elas, assustei-me com as que, de repente, faziam-se notar nos cantos da boca. A sensação que tive foi de que os meus olhos não quiseram ver que elas estavam lá há tempos.

Aprendi a aceitar cada faixa etária com gratidão pelo que vivi, já não sou a pessoa que fica obcecada  com as marcas que o tempo se encarrega de dar, quero ter saúde física e mental para viver os momentos mais pequenos e simples, com serenidade, até aos noventa (que duvido) quero ser uma velha gaiteira, se lá chegar, quero ver os sobrinhos netos crescidos e como vai ser o seu futuro. 

Fico grata por acordar de manhã sempre bem disposta, fazer o que gosto, tratar dos meus compromissos, ler, fazer o que me apetece e à noite deitar-me tranquila e feliz porque o dia até correu bem.