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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

leituras

Maria Araújo, 20.02.20

Tenho uma admiração especial por Rodrigo Guedes de Carvalho.

No ano passado, na Feira do Livro de Lisboa, comprei um livro de sua autoria.

Gosto da história, cria algum suspense.

Mas habituada que estou a ver as notícias deste simpático homem, ler palavrões deixa-me surpresa.

Óbvio que na sua obra temos o escritor, não o jornalista.                                             

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a operária

Maria Araújo, 25.07.18

neste post, falei da engenheira civil, uma profissão rara em mulheres, que orienta as obras da escola aqui da zona.

As obras avançam rumo ao final, a escola aumentou em largura e altura em parte do edifício, tratam, agora, do telhado, da pintura, do arranjo do terreno do recreio.

Ora, na segunda-feira, vi o que nunca vira. Uma mulher "trolha" que usava umas luvas de látex brancas, fazia par com um colega e, em cima do telhado, era vê-la cortar tijolo, ou seria outra coisa qualquer  que punha em cima daquele para acertar medidas, ora pegava numas placas compridas que ambos encaixavam em todo o comprimento da beira do telhado. 

Por vezes parava, pegava numa garrafa de água, matava a sede. A mulher não parava, parava ele para falar ao telemóvel.

Ontem, lá estavam os dois, noutra parte do telhado, na mesma azáfama em sintonia com o trabalho que tinham em mãos.

Gostei do que vi, jamais me passara pela cabeça ver uma operária civil em cima do telhado a trabalhar tão bem quanto um homem.

Isto só vem provar que hoje não há profissões distintas para homens e mulheres.

 

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a barba do trolha

Maria Araújo, 06.03.18

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Finalmente, quase um ano depois de acordar com o trolha patrão para fazer a obra na garagem, chegou, ontem, o dia, mas depois de muitos telefonemas ao longo de 2017, com interrupção entre Novembro e Fevereio, porque  já não adiantava insistir, a resposta  era sempre a mesma " tenha paciência, espere mais um mês, tenho serviços fora."

Há uma semana, liguei, foi a última tentativa: "ou pega na obra, ou entrego a outra pessoa".

Garantiu-me que vinha esta semana, e por cá andam.

Ontem, vieram dois homens, jovens, na casa do 20,30 anos.

À tarde, só estava um.

Quando desci, a meio da tarde para ver o andamento das coisas, reparei no que me chamara a atenção de manhã.

Um homem alto, elegantérrimo, trazia umas calças de ganga, uma sweat, coberto de pó, claro, o trabalho não perdoa.

Tinha tirado o colete azul escuro acolchoado ( o trabalho aquece, pois).

Uma pequena conversa sobre a obra, o trabalho que agora abunda, mas que há anos tivera de ir para Espanha, onde "as obras metiam medo", dizia, porque havia todo o tipo de pessoas: marroquinos, paquistaneses, romenos, ucranianos.

Agora, está bem por cá, "trabalho não falta, embora a vida esteja cara", dizia, "mas vive-se".

Não fiz perguntas de nada, não sei se é solterio, casado, divorciado. 

E porque escrevo sobre o trolha? 

Porque tem um rosto bonito, um olhos pequenos de um castanho claro que combinam com a cor do cabelo, também claro, porém de branco do pó da parede, e uma barba perfeita, bem escanhoada, muito bem tratada.

Não entendo nada de barbas, embora cá em casa os sobrinhos a usem, uns mais curta, outros menos, cuidam bem dela, senão a tia azucrina-lhes a cabeça, a do trolha  não fica nada a dever à dos meus queridos.

Um homem apresentável, ágil na forma  como coloca a massa na parede, pergunto-me como é possível uma coisa destas não ter a oportunidade de muitos outros e lançar o charme nas passerelles da moda. Mas não duvido nada que o lance ao fim de semana nas discotecas e bares da cidade.

Este jovem, com idade para ser meu filho, foi das melhores "coisinhas" que vi nos últimos tempos.

E foi a barba que me chamou a atenção.

1º de Maio, o dia que...

Maria Araújo, 01.05.17

não é de todos.

E eu repito a mesma coisa todos os anos: salvo os serviços mínimos, era o dia de todos os trabalhadores.

A sociedade de consumo mudou as regras, este 1º de Maio devia ser respeitado.

Fui caminhar. As grandes e pequenas superfícies estavam abertas. Passei no Supermercado do El Corte Inglês, o único que respeitou o1º de Maio, estava fechado.

Mas nas obras, aquelas que os grandes senhores têm pressa em acabar, os trabalhadores estão lá a despachá-la, para a  abrir breve, breve.

Não dou 15 dias para que o Continente Bom Dia da Rua 25 de Abril ( a poucos metros de casa), a conflituosa obra que levou ao debate dos moradores, e não só, fique prontinha.

1º de Maio, o Dia que já foi do Trabalhador.

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