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"hoje não! - estórias de outros cantos

por Maria Araújo, em 19.06.15

para partilhar convosco.

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Sei que não estou sozinha: faço parte de uma geração que não mede esforços pra atender a todas as necessidades dos filhos. Existem por aí histórias de todo tipo, mas muitos de nós, especificamente, nos preparamos para recebê-los com “tudo o que têm direito”, incluindo na lista, aliás, um monte de itens cuja necessidade é questionável. Algumas famílias, inclusive, optam por ter menos filhos exatamente com este argumento: dar a ele tudo “do bom e do melhor”. Justo. Muito justo. Tem gente que vai além: repensa suas próprias necessidades na intenção de atender ao filho. O perigo, nesses casos, é quando as necessidades se confundem com as vontades. Algumas famílias, no afã de ver os pequenos felizes, os deixam conduzir a rotina de casa. Tudo pelo sim! Tudo em nome do sorriso, do contentamento. 

Esse esforço independe do poder aquisitivo - com orçamentos e padrões de consumo diferentes, as famílias se assemelham na vontade de prover. Essa semana, envolvido pela novidade do momento na escola, o menino veio nos dizer que quer fazer capoeira. Nada contra a capoeira, pelo contrário, mas decidimos que não. Existe a questão financeira - a capoeira custa! -, mas a razão principal aqui é o exercício, que tomamos o cuidado de praticar de tempo em tempo. Obviamente, diante do não, a primeira reação é a careta, que até tenta se fazer passar por choro. Depois, vem o mais poderoso dos argumentos: 

- “Mas eu quero!”
- “Eu sei que você quer. Mas você também quis o futebol e a música, não quis?”
- “Quis…”
- “Então, amor, é preciso escolher!”

Depois da minha frase, o “eu quero” apareceu mais algumas vezes, e tivemos a rica oportunidade de conversar sobre escolhas, sobre limites, sobre responsabilidades. Claro que a decisão de não se juntar aos colegas da capoeira não é definitiva. Se quiser muito, de fato, ele aprenderá a compensar, e nós estaremos aqui pra lhe comprar uma calça branca. Mas sabemos, tanto eu quanto você, que mais da metade das vontades deles passa tão rápido quanto o por do sol. 

O não pode soar rígido, ríspido ou até desnecessário. Mas, contanto que praticado com carinho e cuidado, traz um pacote de benefícios, que inclui a saúde financeira da família, a chance de reviver e redescobrir alegrias no que já temos em casa - ou na escola - e uma boa oportunidade de se deparar com o limite. A criança tem voz, precisa e deve participar, mas isso implica em entender, também, que, a cada escolha, há que se fazer uma renúncia, não é? Trata-se de uma eficiente medida do que virá por aí. Porque, é claro, ninguém tem tudo o que quer. E quanto antes isso ficar evidente, melhor. 

 

créditos  equilibrosa

Cantinho da Casa

Poema ao não protesto

por Maria Araújo, em 02.12.13

De alguém que comentou este post:

 

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Primeiro vieram pelos funcionários públicos, 

e não protestei porque ganhavam muito e eram malandros,

Depois vieram pelos reformados,  

e não protestei porque ganhavam muito e não trabalham,

Depois vieram privatizar as empresas públicas e o ensino,  

e não protestei porque gastavam muito e eram ineficientes,

Depois vieram aumentar os impostos e tinha de pagar aos privados a saúde, segurança e educação, 

e não havia ninguém para protestar por mim.

 

 

Cantinho da Casa

Limite

por Maria Araújo, em 18.05.12

Os poucos momentos em que me sinto triste, sem motivo aparente, penso nas famílias (pais e filhos) e o que os levam a chegar ao limite da relação : incompreensão, desespero, falta de diálogo, falta de tempo,  trabalho.

Sinto-me irritada, desanimada e impotente.

Não sei como me aproximar.

 

Filho(a) é para sempre.

 

 

 

   (estes dias vi este filme, Grbavica, um exemplo das muitas relações conflituosas,neste caso, mãe e filha)

 

 

 

 

Cantinho da Casa


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