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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

no multibanco

Maria Araújo, 06.03.17

Domingo, uma manhã cinzenta, a chuva era miúda. Apeteceu-me sair.

Passei no multibanco.

Quando estava a tirar o cartão, senti algo que me tocava. Assustei-me.

Uma voz perguntou-me se era ali a caixa multibanco.

Olhei o homem. Era cego.

Respondi que sim, que já ia sair.

Depois de receber o cartão e o dinheiro, disse-lhe que podia fazer a operação.

Desviei-me e ouço a voz dele. Pedia-me que esperasse um pouco, podia precisar de ajuda.

Respondi que sim, que esperava.

O meu receio era que pressentisse que eu estava a seu lado e olhava para o que fazia. Eu estava de costas para a máquina.

Ouviu-se uma voz que saía da caixa. Eu não percebi o que dizia. E ele diz-me que se enganara.

Perguntei se queria que o ajudasse, depois de marcar o código.

Comentei com ele que as teclas deviam ser braille, tmbém, ao que me respondeu que há uma voz gravada que lhe diz o que tem de fazer caso haja algum engano. Depois de marcar o código pessoal no teclado, acrescenta o número 5.

Comentei que desconhecia esse sistema.

Voltou a meter o cartão, marcou o código. O dinheiro saiu. Mas não saiu o talão que ele pensara ter pedido.

Quando perguntei se não precisava de mais nada, respondeu-me para esperar um pouco porque queria pedir o saldo.

Voltou à operação, o talão saiu da máquina.

Quando estava a guardá-lo, diz-me: " Por favor, já agora diga quanto tenho no saldo".

Ele pedira os últimos movimentos. Não vi nada, nem sequer quanto levantara. Apenas olhei para o saldo e disse-lhe o valor.

Comenta comigo: " Está bem.Obrigada.Preciso de pagar a luz, a água, essas coisas".

Tudo feito, agradeceu-me e segui o meu caminho. Várias vezes segui-o com o meu olhar.

Impressiona-me como estas pessoas são desenrascadas Não vêem problema em nada. Estava eu mais preocupada que ele.

Mas senti que ele sentiu que podia confiar em mim. E fiquei feliz com isso.

 

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Ao domingo há lojas abertas no centro da cidade.

Comprara uma  uma camisola às riscas. Gosto dos modelos em V e das cores de primavera. Vestem bem com jeans e saias.

E comprei mais uma, bege, branco e azul.

E tirei a fotografia para o desafio desta semana. 

...

Maria Araújo, 02.09.15

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Sendo hoje o 30º aniversário do Multibanco, e porque muito se fala, e por todo o lado, sobre esta máquina que veio revolucionar os hábitos dos portugueses, lembrei-me que as primeiras duas ou três máquinas que abriram cá na cidade  foram uma surpresa para as pessoas, ninguém queria acreditar que uma máquina pudesse "dar" dinheiro. 

Eu tive direito, porque já trabalhava, a um cartão do então Banco Totta & Açores, onde era depositado o meu vencimento.

A primeira vez que vi o cartão e o experimentei na máquina, fez-me alguma confusão. Introduzir o código não foi  o  problema, mas receei que o dinheiro não saísse. Acho que fiz figura de palerma, pois na altura estava acompanhado de alguém que me orientava nas operações, e eu perguntava "e agora?".

Prático e acessível, com o decorrer do tempo, habituei-me de tal forma ao cartão e à máquina que nunca mais andei com dinheiro de mais na carteira.

A seguir, foram os pagamentos das faturas da água, luz, e telefone.Que alívio não ter de me deslocar aos balcões! Era uma perda de tempo incrível ( a maioria das vezes tinha quem fizesse por mim).

Mais tarde, as transferências bancárias e os depósitos de dinheiro, depois o levantamento de dinheiro no estrangeiro.

Por fim, a Via Verde, e  rapidamente a vida tornou-se mais fácil.

E agora, a última novidade.