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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

não há paciência!

Maria Araújo, 05.12.19

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Estamos vários utentes na sala de espera do hospital, para exames, uma mulher fala muito alto ao telemóvel com o alta voz ligado.

Ouve-se a pessoa do outro lado que  até um f°&@ -se ouvimos.

Porque o  vestido fica bem com os sapatos, porque isto e aquilo, sempre a repetir as mesma coisas, até que diz:

"Olha estou aqui no hospital à espera de entrar para fazer o exame. Estão muitas pessoas à espera.

Olha perdi uma nota de cinco euros. Não sei onde caiu. Já viste, perder uma nota? Uma vez perdi dinheiro, andamos eu (...) por toda a cidade à procura do dinheiro."

Uma jovem que estava a meu lado, viu-me estender a cabeça para ver quem era a pessoinha que falava tão alto.

E sorriu.

Apeteceu-me chamar a mulher a atenção que devia falar mais baixo, estava num hospital, onde devemos falar num tom de voz baixo.

Mas poderia receber uma resposta mal educada, fiquei na minha a escrever este post. 

Incomodava-me, e penso que a quem estava ali. 

Volta à carga com os cinco euros:

" Já viste, perder cinco euros?! Eu paguei os exames, tinha o dinheiro. Estava embrulhado com umas notas de dez,   deve ter caído quando o guardei no porta-moedas. Olha, pelo menos que fosse um pobre a encontrar o dinheiro"

E repetia " que fosse um pobre a encontrar o dinheiro".

Fui chamada para fazer o exame, não ouvi mais nada.

 

 

coisas do meu dia

Maria Araújo, 21.11.17

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Fui as Finanças pagar o Imposto Automóvel, tirei a senha, aguardei a minha vez.

Ao meu lado, sentada, estava uma mulher jovem, com três crianças,  duas delas sentadas a seu lado. Mal reparei nelas. De repente, vejo que as cadeiras estavam vagas, sentei-me numa. 
O rapaz andava para um lado e para o outro, ria-se, não falava. Percebi que fungava muito, que estaria constipado.

Estava demorada a chamada da minha senha, embora só tivesse dois números à minha frente, sentei-me ao lado da jovem mulher.

O rapaz continuava na sua agitação mas não incomodava ninguém.

De quando em vez, ela chamava o miúdo que ora vinha junto dela, ora se afastava e parava em frente à porta. Olhava para fora.

Às tantas, diz-me ela:

" Ele não pára, mas não se incomode. Ele é autista".

Olhei para ela, fiquei entalada de emoção, mas disfarcei, respondendo que a criança não estava a incomodar ninguém, e eu nem reparara nesse pormenor e se ela não o dissesse não dava por nada.

" Ele é muito meigo, mas não pára e não fala. Quer ver?"

Chamava  o miúdo e pedia-lhe um beijo. Ele aproximava-se dela e fugia para junto da porta.

Imigrantes, perguntei se estavam há muito tempo em Braga. Contou que chegaram há um mês do Rio de Janeiro, vieram viver para Braga porque lá está impossível ter uma vida tranquila, sobretudo para as crianças, andam a tratar da documentação, estava difícil encontrar uma escola para as filhas e para o menino...  " São trigémeos", diz.

Comentei que nesta altura do ano é difícil porque as aulas começaram há dois meses, mas com a ajuda da Segurança Social certamente que a encontrará e para o menino também, porque sei que existe em Braga uma instituição que dá apoio a estas crianças.

"Elas são crianças normais. Adoro este meu filho. Eu sou portuguesa,o meu marido é italiano, vivíamos lá no Rio, decidimos vir para Portugal. Está tudo a correr bem, estou feliz por estar aqui, sei que vamos conseguir ..."

As duas raparigas, que estavam junto do pai, que estava a ser atendido, viram-nos a conversar e vieram ter connosco. Muito bonitas e simpáticas, dei-lhes as boas vindas.

Uns minutos depois, o marido aproxima-se, sorridente, cumprimentou-me.

Desejei-lhes muita sorte, comentei que as meninas de certeza que vão ter uma escola que as vai receber.

Perguntei-lhe a idade. 8 anos, estão no 2º ano.

Fiquei com a imagem desta jovem mulher na mente e acho que ainda nos vamos cruzar. Ela vive numa zona da cidade onde passo muitas vezes, acho que vou ter a alegria de saber que as crianças têm escola.

Os brasileiros estão de novo a procurar viver uma vida mais tranquila em Portugal. Há muitos aqui na cidade. Verifico isso nas lojas e no ginásio.

Quem me dera que os meus sobrinhos deixem o Rio e venham para Portugal ou outro país da Europa.

Para o ano, o meu sobrinho neto faz  6 anos entra para a escola. Cá seria o ideal.

Gostaria de tê-los por perto.

 

uma semana depois

Maria Araújo, 11.11.17

de visitar a exposição " Do Outro Lado do Espelho", na Gulbenkian, só hoje consegui ter um tempinho para publicar as fotografias que tirei.

Já na sala de exposição, verifiquei que os visitantes levavam um guião, que penso ser fornecido no momento da aquisição do bilhete. Não me foi dado nada, ajudar-me-ia a identificar os temas e os autores dos trabalhos. 

Uma exposição que vale a pena visitar.

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(um quadro de Almada Negreiros)

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(este pôs-me a cabeça às voltas)  ao lado, o quadro original

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Paula Rego

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o meu dia em imagens

Maria Araújo, 08.03.17

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Hoje comecei o dia com uma aula de Pilates, seguida de um workshop de Pilates Clínico. 

Recebi um voucher, oferta PT Duo ou Consulta Anti-aging.

Um dia de sol agradável. Era o dia de a empregada vir limpar. Prefiro não estar em casa quando ela vem. Decidi ir almoçar à praia.

No café-bar do costume, pedi uma sande americana e um fino.

Maré a descer não havia perigo  ir pelo paredão de rochas ver as aulas de surf.

Saí de Ofir segui em direcção a Apúlia.

Nas Pedrinhas, decidi  passear pela praia, estacionei. Voltaria ao carro pela estrada. 

À saída, perto da entrada da autoestrada, vi um lindo campo de flores. Parei e cliquei.

Cheguei a Braga, decidi dar um salto ao Ikea.

Não consigo ler com a luz do candeeiro da mesa de cabeceira, não tenho posição, canso-me, fico com dores no corpo. 

Vira neste blog de decoração uns apliques para o quarto, o ideal para  receber a luz directa nas minhas leituras, à noite.

Pena haver nas cores preto e branco. Esperava encontrar castanho ou cinza metalizado. Mas comprei.

No regresso a casa, à saída do Ikea, o pôr-do-sol fez-me encostar o carro. Sem sair, cliquei "já está!".

Mal entrei em casa, a Kat veio esperar-me. E miava. Queria  jantar.