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acaba-se a tarde à beira de um ataque de choro

por Maria Araújo, em 24.06.15

a tarde estava a correr muito bem, os meninos já estavam a dar sinal de sono e o mais pequeno precisava de comer, quando fomos buscar o carro ao parque perto de minha casa, a minha sobrinha não precisava de me trazer, atravessava a rua e mais 150 metros estava em casa.

Fui pagar. A minha sobrinha guardava na mala os carrinhos dos miúdos. Como tinha o bilhete para passar na máquina, entrei no carro para sair na rampa que dava acesso à rua que teria de atravessar.

Estava a preparar-me para pôr o cinto quando, de repente, vejo uns faróis do lado direito e surgir um carro. O condutor, para não ter de dar a volta para a saída, decidiu cortar num espaço livre de carros.

E eu só disse: "cuidado!" e a minha sobrinha travou e eu bati com a testa no parabrisas, que partiu.

Saí do carro descontrolada, a minha sobrinha também, o senhor sai, a esposa deixa-se estar dentro, os meninos choramingavam.

A minha sobrinha só me perguntava "estás bem?" e eu resmungava "e agora?", o senhor não sabia o que dizer, eu voltava a sair de mim e dizia à minha sobrinha "isto não pode ficar assim" ela dizia que não sabia o que fazer e voltava a perguntar-me "estás bem?", eu respondia, "estou" , os carros atrás buzinavam porque queriam passar, a esposa sai do carro e começa, com ar arrogante, a meter-se e a querer deitar a culpa para a minha sobrinha.

Eu continuava a dizer que tinhamos de resolver isto, a minha sobrinha dizia que ia encostar o carro e precisava de resolver as coisas rapidamente porque os meninos choravam e queria ir para casa.

De repente, sem nunca nenhum deles perguntar se eu precisava de alguma coisa, ou se estava bem, diz ela, a esposa: "a senhora não trazia cinto".

Se é verdade que eu não estava com o cinto porque acabaramos de arrancar e eu estava com ele para o prender, fiquei tão fora de mim com o jeito com que ela se dirige a mim, que entrei no carro e disse: "ela disse que não tinha o cinto, não vamos resolver isto de modo algum, vamos embora, eu pago o vidro".

A minha sobrinha arranca, protestando comigo porque achou, e com razão, que eu tinha perdido a razão ao entrar no carro e as coisas estavam para ser resolvidas e o senhor parecia estar disposto a assumir alguma culpa.

E eu dizia que ficara possessa com a atitude da senhora, porque ela percebera a minha fragilidade e mandou aquela boca.

Eu tentei manter a calma mas a minha cabeça explodiu quando bati com a testa no vidro que partira, não quisera saber de mim, não estava mal disposta, doía-me um pouco essa parte, somente. Não fui, em qualquer momento, mal educada ou arrogante, que não sou.

Se há situações que me tiram do sério são as pessoas não assumirem o que fazem e quando a fulana me diz aquilo, com alguma razão, eu prefiro arcar com as consequências.

Fomos prejudicados, é certo, o senhor tinha consciência de que não devia ter feito aquilo e que vinha depressa demais para parar e ver se vinha alguém, mas eu, estúpida que sou, tenho a mania da dar sinal antes do tempo, avisei a minha sobrinha e acabamos por nos lixar.

Se ele tivesse batido a coisa ia ser pior porque não resolveríamos aquilo na hora e eu só pensava nos meninos e na hora de eles estarem em casa tranquilos.

Estou em casa, estou bem, quase à beira de um ataque de choro quando a minha sobrinha, já em casa, me ligou a perguntar se estou bem e para lá ir jantar.

Jantar não, quero é descanso e chorar porque eu não devia ter-me precipitado e deixar perder a razão que tínhamos.

Quero pagar o vidro, a minha sobrinha diz que não, que o seguro paga, quer que eu esteja bem.

E a minha cabeça não imagina qual o valor de um vidro de um Mercedes.

Mas estou bem, acho que não há mazelas, só a sensação do impacto quando bati no vidro, nada mais.

 

 

 

 

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