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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

média final, 20

Maria Araújo, 19.07.17

Há uma jovem estudante do 12º ano que vai ao ginásio e faz as aulas de antigravity à 4ª feira.

Um grupo com idade entre os 17 e talvez os 65 ( não sei as idades dos mais velhos), esta miúda falava pouco, ria-se de quando em vez, tem uma particular destreza com  o hammock.

Quando a conheci, nas suas primeiras aulas, e enquanto a professora tirava os hammocks e media estes de acordo com a altura da pessoa que está à sua frente ( hammock) , estava já o dela pronto a usar, eu achava que exagerava nas brincadeiras/ piruetas que fazia com o tecido e que poderiam resultar em alguma queda, logo uma responsabilidade para a professora.

O tempo foi passando, sempre e a cada início da aula, a miúda fazia as acrobacias. Por vezes, elogiava-a, mas sempre com receio de alguma queda, pensava para mim que ela não devia fazê-las sem que a professora dissesse alguma coisa, até que soube que faz parte de um grupo de ginastas de Braga ( que eu não sabia haver) daí a sua flexibilidade e à vontade com o hammock.

À medida que o tempo passava, falavamos com ela, por vezes, num exercício mais difícil para os mais velhos, eu ou outra colega dizíamos,  em tom de brincadeira, que não éramos a M,  esta foi perdendo um pouquinho da sua timidez, soubemos que, além de uma boa ginasta, é uma excelente aluna.

Um dia perguntei-lhe qual a área de esudo (Ciências e Tecnologia) e a partir de então, a M falava mais.

Entre Maio e Junho a M faltou às aulas de 4ª feira, estava a preparar-se para os exames.

A semana passada, soube que tivera 20 a todas as disciplinas de 12º ano.

Fiquei admirada e muito contente. Não é comum os alunos terem 20 a todas as diciplinas (a má da fita é Educação Física).

Depois dos exames a M voltou ao ginásio, às 4ªs feiras. Lá estava a elegante malabarista a dominar o hammock. 

Hoje, vi-a sentada no chão no corredor que dá acesso ao estúdio, aproximei-me, perguntei-lhe como foram os resultados dos exames.

Uma das colegas, reformada, que estava a seu lado disse-me logo: " A M teve 20  nos exames, ficou com média de 20."

Parabenizei-a pela notas, e também por ser das poucas alunas no país que têm média de 20 ( nem sei se há mais alunos com esta média).

Se eu acho que a Sofia, com média de 19, entra onde quiser e no curso que quiser, que dizer desta jovem? Não tem de se preocupar com nada. 

 

 

 

 

Um diálogo muito actual...

Maria Araújo, 20.03.14

(recebido por e-mail)

 

DIÁLOGO QUE OCORREU ENTRE 1643 E 1715, REALIDADE NO BRASIL DE 2003 a …..…?

 

AO LER ESTE DIÁLOGO ME LEMBREI DE NÓS, DA FALECIDA CLASSE MÉDIA!!! OLHA COMO ESTAMOS DESTINADOS A TRABALHAR SEMPRE MAIS E TER CADA VEZ MENOS.

 

ACONTECEU ENTRE 1643 E 1715 e REPETE-SE NO BRASIL ATUAL… e em PORTUGAL.

 

 

 


Diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV, na peça teatral Le Diable Rouge, de Antoine Rault:


Colbert:- Para arranjar dinheiro, há um momento em que enganar o contribuinte já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é possível continuar a gastar quando já se está endividado até o pescoço…


Mazarino:- Um simples mortal, claro, quando está coberto de dívidas, vai parar à prisão. Mas o Estado é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se… Todos os Estados o fazem!


Colbert:- Ah, sim? Mas como faremos isso, se já criamos todos os impostos imagináveis?


Mazarino:- Criando outros.


Colbert:- Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.


Mazarino:- Sim, é impossível.


Colbert:- E sobre os ricos?


Mazarino: - Os ricos também não. Eles parariam de gastar. E um rico que gasta faz viver centenas de pobres.


Colbert: - Então, como faremos?


Mazarino:
- Colbert! Tu pensas como um queijo, um penico de doente! Há uma quantidade enorme de pessoas entre os ricos e os pobres: as que trabalham sonhando enriquecer e temendo empobrecer. É sobre essas que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Quanto mais lhes tirarmos, mais elas trabalharão para compensar o que lhes tiramos. Formam um reservatório inesgotável. É a classe média!