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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

quando a criançada reage à provocação dos jovens

Maria Araújo, 25.01.19

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Intervalo de almoço na escola  do 1º ciclo aqui da rua.

Junto ao pátio há uma passagem que vai dar a uma rua com acesso ao centro da cidade.

Os alunos da escola secundária passam por este caminho.

Estava eu nas minha tarefas, enquanto fazia o almoço, ouvi uma voz masculina, forte, proclamava qualquer coisa e as crianças gritavam de alegria.

Fui à varanda.

Nesse caminho, três rapazes negros e duas raparigas brancas, observavam os miúdos que jogavam à bola.

 O rapaz mais alto, gritava: "Bragaaaaaaaaaaa!"

Os miúdos saltavam e gritavam: Bragaaaaaaaaaaa!

Seguia-se a voz do rapaz: Benficaaaaaaaaaa!

E os miúdos gritavam mais alto : Benficaaaaaaaaaaaa!

Depois era a vez do rapaz:

Sportiiiiiiiiiiiing!

E elas: Uhhhhhhhhh!

E eu ria-me às gargalhadas com a cena.

Voltava a voz forte: Poooooooooooorto!
E deu-se o êxtase da criançada que saltava e batia palmas: Poooooooooooooooooooooooooooooorto!

Repetiu-se a cena para cada um dos clubes, com mais vigor e alegria da pequenada.

Acabou a cena, o grupo segui o seu caminho, as crianças regressaram ao jogo de futebol.

 

 

foi um dia e tanto

Maria Araújo, 08.04.18

Quinta-feira, depois da cena do jovem  "o ruivo",  já na descida da rua 31 de Janeiro, o telemóvel tocou.

Era a minha amiga M a responder-me  à SMS que enviara (em conversa, no café, no dia anterior, dissera-me  que tinha intenção de ir ao Bom Jesus do Monte, no dia seguinte, supus que iria sozinha).

Estava um dia muito agradável, depois desta caminhada, e porque há muito tempo que não vou ao Bom Jesus a pé, far-lhe-ia companhia se ela assim o entendesse.

Os filhos fora de casa, era o dia ideal. Ia, sim, sozinha. Eu sentia-me com forças para mais uns quilómetros, ofereci-me para fazer companhia, combinamos  sair por volta do meio-dia.

Pés a caminho, rodovia fora, subimos por Tenões. Eram inúmeros os jovens que desciam aquela estrada.

Chegamos aos escadórios lá estavam os autocarros que aguardavam os turistas que subiam o monte pelo velhinho ascensor movido a água, e desciam pelos escadórios.

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Subimos, e parámos no belo largo para as fotografias, continuámos a subida.

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Corpo quente da caminhada e da subida, não convinha entrar no frio Santuário, fizemos uma pequena paragem no miradouro para vermos a cidade.

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Após uns minutos de reflexão, e como adoro fotografar tectos e nunca me lembrara deste, chegou a sua vez.

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Orações cumpridas, fomos comprar gelados, ouço a minha amiga dizer "one hundred and forty", virei-me,  traduzia para  um estrangeiro o valor que a senhora lhe dissera em português. Uns segundos depois vejo-a  falar com outro senhor, a quem pediu desculpa pensando ser estrangeiro, que era, mas brasileiro.

Encetou-se uma conversa sobre o ascensor que queria saber onde era, a explicação de como funcionava a subida e a descida, que o Santuário é dos mais bonitos da Europa, nem o de Notre Dame é tão belo, que temos uma paisagem lindíssima...

Eu pouco falava, e nem precisei, limitei-me a observar o senhor. Uma simpatia de homem, cabelos grisalhos a tender para o branco, olhos castanhos, barba de 2/3 dias, vestuário desportivo mas elegante, fazia perguntas sobre Braga e comentava se há casas para alugar, que somos um povo tranquilo, que a polícia trata bem as pessoas, que no Brasil as balas perdidas matam muita gente, que é impossível lá viver, que é do Recife, que tem intenção de viver em Portugal, que pensou viver em Cascais ou Oeiras..

Chamou a esposa que, mais à frente, observava a vista da cidade, para ouvir a nossa conversa.

Ela aproximou-se e cumprimentou-nos.

Os óculos escuros não deixavam ver o seu rosto moreno, mas pareceu-me ser uma bela mulher.

À minha pergunta se estavam de carro, e  à resposta afirmativa, reparando  no calçado prático que traziam, aconselhei-os a descer os escadórios, "a descer todos os santos ajudam", disse, e fazer a subida de ascensor;  que o parque era grande, havia o lago na parte superior, muito para ver neste espaço.

Despediram-se de nós, dirigiram-se à loja de recordações.

Subimos ao lago, vimo-los caminhar na direcção da gruta, cá em baixo.

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Gosto de tirar fotografias dos mesmos locais, e este, em particular, onde se vê a cidade ao fundo. 

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Pais e filhos passeavam de barco. Do outro lado do parque  as crianças divertiam-se no renovado "parquinho" infantil.

E as numerosas árvores carregadas de camélias dão vida e cor ao espaço.

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Muitos eram os turistas que tiravam a fotografia da praxe, consegui um pequeno espaço para fotografar a minha amiga.

Decidimos fazer o regresso a casa a pé, passamos pela antiga bracalândia que deu lugar ao Instituto de Nano Tecnologia, lembrei-me da "anedota" com imagem  que alguém me enviara e que diz mais ou menos isto: 

Bracarense que é bracarense dirá sempre que foi ao Feira Nova (Braga Parque), que estacionou o carro na Bracalândia ( Instituto de Nano Tecnologia)  e meteu gasolina na Mobil ( BP).

5 km de manhã, mais estes 9,5 km, comentei com a minha amiga que as pernas estavam a dar os mesmos sinais de cansaço da nossa longa caminhada em Barcelona, naquele domingo de Março de 2015.

E por falar em Barcelona, comentei, também,  que "conheço" um blogger que viveu nesta bela cidade, que escreve belos textos dos lugares menos frequentados pelos turistas, e que, quem os lê, apetece meter-se no avião e conhecer o que passa ao lado.

Metemos pelos campos de jogos da Rodovia, em reconstrução, vê-se algum betão (espero que não deja demais), um parque radical já pronto, barras paralelas para os atletas de rua,  novas vias pedonais a alcatroar.

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A M é uma boa companhia ( ela diz que sou a sua mana) tem o tempo muito ocupado com a família e o trabalho, já nem os nossos passeios à noite, pelas ruas da cidade, fazemos.

Gostaria de repetir as nossas caminhadas, as conversas, os desabafos, as gargalhadas.

Foi um dia e tanto, esta quinta-feira.

 

 

cena entre casal

Maria Araújo, 10.07.15

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Dia encoberto e fresco, por cá, fui ao ginásio a pé.

Por detrás de um prédio, tem uma zona de relvado que vai dar a uma escola do ensino básico, por onde corto caminho.

Hoje, mal piso o caminho, vejo um casal jovem, ambos nos vinte e poucos anos, que, encostados ao prédio, discutiam. Ela batia e dava punhos no rapaz e gritava "não, não".

Ele, de telemóvel na mão, de frente para mim, sem lhe tocar, dizia "vaza daqui, vai embora! que queres tu?"

Ela continuava a bater-lhe fortemente, até que quando passo perto deles, ele pede-me "minha senhora, ajude-me a tirá-la daqui".

Apontei o dedo para mim, fiz o gesto negativo com a cabeça e continuei o meu caminho.

Aos gritos ela reclamava com ele, mal percebia o que dizia, mas ele ouvia-se bem " vaza daqui, dou-te tudo o que temos, vai embora, vai para a tua mãe!"

Segui o meu caminho, ouviam-se gritos, mais ninguém passava por perto.

Se fossem crianças ou adolescentes, iria, de certeza, separá-los, como já fiz muitas vezes, uma verdade.

Com jovens adultos, não. Ainda levava dela.

 

 

A minha sobrinha

Maria Araújo, 01.06.15

e afilhada, a bebé que eu ia buscar ao infantário, a menina que  ficou sem o pai aos 4 anos, aos 6 foi para a escola, aqui em frente à minha casa, a menina que raramente pedia ajuda para os trabalhos de casa e que os fazia na mesa da sala de estar ao mesmo tempo que via o "Doraemon",  "As Navegantes da Lua" (são os que me lembro) e eu reclamava porque achava que a televisão não devia estar ligada para não desviar a atenção, interrompia-os, por vezes, quando tinha uma dúvida, e sentada no banco de pele que comprei para ela, virava-se para trás e perguntava: "Ó tia Lola, o que  quer dizer...?" Se a resposta agradava, continuava o trabalho, se não agradava, reclamava comigo, dizendo: "mas a professora disse ...".

Foi para a escola básica do 2º e 3º ciclos. Sentada, junto ao portão da escola, esperava que eu chegasse, quase sempre por volta das 14h, para almoçarmos juntas. Se não almoçava comigo, ia a casa da tia que mora aqui na rua, também.

Se tinha aulas de tarde, ia levá-la à escola e buscá-la no final do dia. Se tinha futebol, levava-a ao treino. Ia buscá-la, ficava cá em casa até que a mãe viesse do trabalho, muitas vezes, e como ainda hoje acontece, por volta das 21:30h.

Dormiu muitas vezes comigo quando era miúda. Hummmm! Sentir aquele calorzinho de criança que eu queria agarrada a mim.

Os anos passaram, mudou-se para o basquete, acabou o ensino básico com o diploma de Excelência, passou para o secundário.

Fez o 10º ano com média de 18,3,  recebeu o diploma de Excelência deste ano, acaba esta semana o 11º ano, presumo, com média idêntica.

O que me orgulha nela é que nunca teve ajuda de ninguém, não tem explicações a nenhuma disciplina, a nota mais baixa que tem é a Português ( 14 final do 2º período, e ela questiona-se das notas que tira e diz que tem de dar a volta a isto ), tirou 20 a Matemática no teste de final de ano, está no Clube de Astronomia da Escola, empenhou-se imenso no projeto que foi apresentar na IX Mostra Nacional de Ciência, no Museu de Eletricidade de Lisboa.

A Sofia foi e é a única rapariga da turma de Ciências e Tecnologia, e será, certamente, no 12º ano.  Vários alunos da turma estão metidos em projetos diferentes e um dos colegas da turma, o Ivo, foi premiado com uma visita ao Arizona.

Parabéns ao Ivo e ao grupo pois mostraram que o esforço e o empenho são recompensados. Receber um prémio destes não é para todos.

Os vossos pais estão muitos orgulhosos de vós.

E agora a notícia do jornal Correio do Minho.

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O Agrupamento de Escolas D. Maria II, de Braga, conseguiu, este fim-de-semana, no Concurso Jovens Cientistas e Investigadores 2015, um prémio que lhe permitirá representar Portugal no maior e mais prestigiado concurso mundial de ciência que se realiza nos Estados Unidos.

O prémio nacional vale um cheque de 600 euros, atribuído à equipa de jovens investigadores bracarenses e consequente apuramento para o evento internacional. O projecto denominado ‘Modelação Astrofísica: Estrelas Wolf-Rayet com espectroscópios de baixa resolução’ foi executado pelos alunos Ivo Gonçalves, Daniel Diaz e Mauro Franqueira.


Os alunos terão agora a possibilidade de representar Portugal no INTEL ISEF que se realiza em Phoenix - Arizona ,em Maio de 2016, nos Estados Unidos, e que é a mais importante mostra mundial de ciência que reúne anualmente cerca de 1700 alunos de 75 países e onde são atribuídos prémios no valor de 4 milhões de dólares.

O projecto vencedor foi coordenado pelo professor João Paulo Vieira e esteve a ser avaliado pelo júri durante três dias, na IX Mostra Nacional de Ciência, em conjunto com mais 99 projectos de escolas de todo o território nacional em diversas áreas de ciência, tecnologia e engenharias.

O objectivo principal do projecto realizado pelos jovens do D. Maria II, foi a modelação Astrofísica de Estrelas Wolf-Rayet usando telescópios de pequena abertura, detectores CCD para fins astronómicos e espectroscópios de baixo custo. A equipa do agrupamento D.Maria II realizou ao longo do seu trabalho 16 detecções de espectros estelares tendo determinado com eles vários parâmetros estelares, velocidades radiais e ainda a composição química dessas estrelas peculiares.

O trabalho teve o apoio de Mário Rui Pereira da Universidade do Minho e Daniel Folha do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto na revisão dos dados científicos obtidos e também da ORION — Sociedade Científica de Astronomia do Minho na cedência de instalações e equipamentos.

Para além deste projecto o Agrupamento teve mais 3 projectos a concurso: RC Athena3D v 1.0: Um Kit Robótico Cartesiano, replicável, de impressão tridimensional, na área científica Engenharias, de Manuel Domingues Brandão, Ana Rita dos Santos Gomes e Alexandre Dinis Devesa e Brito; Blind Education: legos for kids - Um Kit Braille para ensino de leitura, na área científica Ciências Sociais , da autoria de Mariana Diaz da Costa, Ana Simão Oliveira Roriz Marques e Diogo Daniel Fernandes Luis; e Astronomy on your fingertips - Astronomia para o ensino de crianças invisuais, na área científica Ciências Sociais, de Sofia de Araújo Lajes, André Teixeira Viana

O professor coordenador, João Paulo Vieira, mostrou enorme orgulho nos 11 alunos que representaram o agrupamento na IX mostra nacional de ciência e fez ainda questão de destacar a enorme qualidade dos projectos que o agrupamento levou a concurso. Realçou o orgulho no trabalho realizado pelos jovens e destacou o enorme empenho e a grande dedicação que os 11 alunos demonstraram ao longo dos mais de 8 meses de trabalho.

Os putos têm visão

Maria Araújo, 29.03.15

Gosto de ver o Shark Tank.

Os Tubarões põem qualquer um nervoso, mas são directos e vêem a hipótese de negócio.

 E ontem, como no primeiro programa, gostei  da atitude dos miúdos, do seu desempenho.

São jovens que prometem. Dêem-lhes oportunidades e apoio.

 

Adorei a colecção da miúda. Precisava de uma oportunidade e o tubarão Tim Vieira realizou-a.