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a barba do trolha

por Maria Araújo, em 06.03.18

Bolas - Postagem Etnica.png

 

 

Finalmente, quase um ano depois de acordar com o trolha patrão para fazer a obra na garagem, chegou, ontem, o dia, mas depois de muitos telefonemas ao longo de 2017, com interrupção entre Novembro e Fevereio, porque  já não adiantava insistir, a resposta  era sempre a mesma " tenha paciência, espere mais um mês, tenho serviços fora."

Há uma semana, liguei, foi a última tentativa: "ou pega na obra, ou entrego a outra pessoa".

Garantiu-me que vinha esta semana, e por cá andam.

Ontem, vieram dois homens, jovens, na casa do 20,30 anos.

À tarde, só estava um.

Quando desci, a meio da tarde para ver o andamento das coisas, reparei no que me chamara a atenção de manhã.

Um homem alto, elegantérrimo, trazia umas calças de ganga, uma sweat, coberto de pó, claro, o trabalho não perdoa.

Tinha tirado o colete azul escuro acolchoado ( o trabalho aquece, pois).

Uma pequena conversa sobre a obra, o trabalho que agora abunda, mas que há anos tivera de ir para Espanha, onde "as obras metiam medo", dizia, porque havia todo o tipo de pessoas: marroquinos, paquistaneses, romenos, ucranianos.

Agora, está bem por cá, "trabalho não falta, embora a vida esteja cara", dizia, "mas vive-se".

Não fiz perguntas de nada, não sei se é solterio, casado, divorciado. 

E porque escrevo sobre o trolha? 

Porque tem um rosto bonito, um olhos pequenos de um castanho claro que combinam com a cor do cabelo, também claro, porém de branco do pó da parede, e uma barba perfeita, bem escanhoada, muito bem tratada.

Não entendo nada de barbas, embora cá em casa os sobrinhos a usem, uns mais curta, outros menos, cuidam bem dela, senão a tia azucrina-lhes a cabeça, a do trolha  não fica nada a dever à dos meus queridos.

Um homem apresentável, ágil na forma  como coloca a massa na parede, pergunto-me como é possível uma coisa destas não ter a oportunidade de muitos outros e lançar o charme nas passerelles da moda. Mas não duvido nada que o lance ao fim de semana nas discotecas e bares da cidade.

Este jovem, com idade para ser meu filho, foi das melhores "coisinhas" que vi nos últimos tempos.

E foi a barba que me chamou a atenção.

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estás no tapete

por Maria Araújo, em 19.01.18

no ginásio, queres fazer o aquecimento antes de ires para uma aula de grupo quando, de repente,  vês o homem que está do outro lado, em frente a ti, também no tapete, a escabichar os dentes.

Depois, com os dedos húmidos da saliva, passa-os na máquina.

Volta ao mesmo.Abre a bocarra, enfia os dedos nos dentes, escabicha, escabicha. Tira-os da boca e lambe-os.

Felizmente, chegou a hora da minha aula. Já estava a ficar enojada com a cena.

Bolas! Parava a máquina e ia escabichá-los para a casa de banho, ali perto,  junto ao bar.

 

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" E esta, hein?!"

por Maria Araújo, em 18.01.18

Fernando Pessa, conhecido por relatar situações caricatas do nosso país acabava o relato com a expressão " e esta,hein?!", veio-me à memória por algo que se passou aqui à porta da minha casa.

A minha rua tem parquímetros, poucas são as pessoas que tiram o bilhete de estacionamento. É habitual estacionarem os carros, vão à vida e depois não querem ver a multa nos seus carros. O ano passado um carro esteve estacionado 4 dias, teve direito a 4 multas.

Ora, hoje, estava eu de saída para ir à estreia do filme " As Lamas do Mississipi", reparei que um carro branco tinha uma multa no pára-brisas. Ao lado deste carro, um jipe, de onde vejo sair um homem de cerca de 50 anos que, sem olhar para lado nenhum, tira a multa do carro branco e põe no seu jipe.

Quando estava a fazê-lo, reparou que eu observava a cena, mas não alterou nada o seu gesto. Vai à porta de trás, abre-a, sai um miúda. Atravessam a rua e seguem o seu caminho.

Fiquei sem palavras. Apetecia-me tirar a matrícula e avisar a ESSE.

A sessão de cinema era às 17h20m, o filme não acabaria antes das 19h30m teria de andar 20 minutos a pé, decidi levar o carro. Voltei a casa para pegar a chave. 

Quando desci, estava o funcionário da ESSE a imprimir uma multa, que põe no jipe.  Reparei que o carro branco estava com a multa que lhe pertencia.

Fui tirar o meu carro da garagem e quando saí do portão o jipe já não estava estacionado.

O que pensei?  O chico esperto foi levar a miúda algures e para não tirar um bilhete de 25 cêntimos, o mínimo que tem de pagar, que deve ser por um período de 10 minutos, viu a multa no carro branco e pôs no seu, convicto que o funcionário da ESSE não passasse tão cedo.

Se alguém viu o que eu vi e fez queixa ao funcionário que estaria por perto,  não sei, o que sei foi que tudo aconteceu num curto espaço de tempo que não foi mais de 7 minutos.

O chico esperto pensou que teria sido eu fazer a queixa, e bem merecia que tivesse sido. Não fui, mas gozei com  a situação porque a espertície dele saiu-lhe cara. 

No meu carro, falava eu sozinha e alto: " É preciso ter lata.! Que vergonha fazer uma coisa destas! Nunca vi nada assim!"

E foi quando me lembrei do nosso saudoso Fernando Pessa que, se visse isto, diria :" E esta, hein?!"

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ainda o artista de rua

por Maria Araújo, em 01.08.17

A propósito deste post, e porque estou sem carro por dois dias ( emprestei-o à minha irmã para se deslocar para o trabalho, a cerca de 35km cá do burgo) fui a pé resolver um pedido que ela me fez.

Saí por volta das 11h, o percurso era precisamente pelas ruas em que tinha de passar os cruzamentos que faço de carro.

Aproximando-me do primeiro (1), com cerca de seis carros parados à espera que o sinal verde abrisse, o jovem acabara de fazer a sua exibição.

Quando passava mais perto, ouvi ele dizer:

- Obrigada. Bom-dia, bom-dia. Hoje é terça-feira. Sorriam. O dia já começou, haja boa disposição.

E agradecia a moeda a cada um dos condutores que, entretanto, a deixavam no chapéu e arrancavam porque o sinal passara a verde.

Garanto que, desses seis condutores, todos deram a moeda. 

A próxima que o apanhe, vou tirar uma fotografia.

Sem Título.png

 

Descia eu a rua em direcção ao segundo cruzamento (2), vislumbrei ao longe o pedinte do costume.

Agasalhado até à cabeça, hoje com duas muletas, em vez de uma, as calças dobradas acima do tornozelo, deixavam ver as habituais ligaduras brancas.

Nenhum carro parado nos semáforos.

A meio da rua, dois carros pararam. O homem preparava-se para descer o passeio para o peditório. Mas viu-me.

Quando passei, sorriu e disse: " dê-me uma moeda".

Sinto uma imensa falsidade no homem. Anda há anos neste teatro da vida, e eu não gosto disto.

Segui o meu caminho sem lhe responder.

 

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artista de rua

por Maria Araújo, em 28.07.17

 GAIA MALABARES

 

O homem terá trinta e poucos anos, encontra-se durante parte da manhã e/ou da tarde nos semáforos de um dos cruzamentos da Avenida 31 de Janeiro.

Tem cerca de 60 segundos para fazer os malabarismos e manipular os 4 a 6 pinos que tem na mão.

É muito expressivo, se algum pino lhe cai, leva para a brincadeira, faz um gesto de surpresa, rapidamente o apanha, continua a execução, acabando-a uns segundos, com uma mímica ou um posar característicos, antes de o sinal verde abrir para os condutores.

Pega no chapéu e, sorridente, percorre os carros agradecendo com gestos simpáticos, quer tenha ou não a moeda, que por vezes nem dá tempo a que seja colocada no chapéu.

Sem que alguma vez levasse a mal não receber nada, com palavras simpáticas e cheias de vida diz, mais ou menos, o seguinte " bom dia, haja alegria, haja saúde, a vida é bela, viva-a com algeria."

Hoje, às 10h da manhã, lá estava ele. Vários carros aguardavam o sinal verde.

Tinha a minha carteira no banco de trás, consegui puxá-la, tirei 30 cêntimos, as moedas que tinha e pensei: " pela simpatia deste rapaz, vou dar-lhe o que tenho". 

Várias vezes deixei a moeda no chapéu, outras alturas digo-lhe que fica para a próxima, ele agradece sempre.

Quando se aproximou do carro ( ele já me conhece porque passo todos os dias ali quando vou para o ginásio), pousei a moeda dentro do chapéu e disse-lhe: " A sua simpatia conquista toda a gente"

Sorriu e agradeceu.

Todos os condutores deixaram a moeda dentro do chapéu.

Penso que estes pensam o mesmo que eu: " este homem põe uma pessoa bem disposta logo de manhã".

É que há outros  jovens que vão para lá fazer o mesmo, mas não têm a mesma simpatia deste.

Logo a seguir, noutros semáforos, o pedinte ( de quando em quando desaparece, deve ir bater o coro para outras cidades vizinhas) que costuma vir também e há anos para este cruzamento, a quem dei muitas vezes a moeda,  com ar de sofrimento, que não tem, com um aspecto de pessoa que é bem tratada, que usa a perna como pretexto para pedir, leva a mão à boca a querer dizer que quer uma esmola para comer que, e por que ninguém acredita nele pelos comentários incomuns que em tempos fazia, ninguém lhe dá nada.

E fica com ar de troça, de chateado, o que piora as coisas.

Lucra o artista de rua com a sua simpatia.

 

 

 

 

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13:05h

por Maria Araújo, em 21.03.17

Escuto a campainha da porta do prédio.

Pelo intercomunicador pergunto "sim?" ( meu jeito de perguntar quem é).

Percebi que era o carteiro, abri a porta. 

Fui para a cozinha, estava a fazer o almoço.

Dois minutos depois, a campainha da porta cá de cima, que tem um toque diferente, levou-me a pensar que o carteiro teria alguma coisa para entregar em mãos. E abri a porta.

Surge-me um homem com cerca de 30 anos. Trazia uma identificação presa ao bolso do casaco que vestia, mas não consegui ler o nome.

Estende-me a mão para cumprimentar.

Não estendi a minha, não as tinha lavado ( estava a fazer panados que a Sofia adora).

- Desculpe, não posso atendê-lo, são horas do almoço. 

Resposta de um modo parvo:

- Porquê?

- Porque é hora do almoço, as pessoas estão a chegar, não posso falar consigo.

- Não pode, porquê? - repete.

- Já lhe disse que são horas do almoço, não posso.

E com ar arrogante, respondeu-me: " Extradordinário". 

E foi embora.

Será que o meu karma é "atrair" jovens mal educados?

 

 

falda-06.jpg

 

 

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mas eu nunca tive um filho!

por Maria Araújo, em 16.03.17

Tenho uma aula de Pilates, paga à parte da mensalidade, com um número muito pequeno de pessoas. 

Éramos quatro, passamos a ser três porque uma das colegas teve de desisitir devido ao horário da escola.

Uma das colegas, também professora, não tem ido há quinze dias.

E nestes quinze dias, entrou um elemento novo. um homem nos seus 50.

Nestas aulas, usamos a bola Suíça ( Pilates), as bandas, o magic ring, o esparguete (usado na natação), materiais que não são possíveis aplicar nas aulas de grande grupo, com cerca de  trinta pessoas.

Ora hoje, a aula foi com a bola Suíça.

A maioria dos exercícios exigem abdominal forte que nos deixam a tremer e com dor. 

ponte-reversa.jpg

 

Quando chegamos  ao exercício "ponte reversa" os pés ficam em cima da bola, os joelhos e as pernas dobradas (conforme imagem).Este consta em: levantamos as costas mantendo a coluna alinhada e vamos fazendo subidas e descidas do corpo , sempre com os pés pressionando a bola.

Depois, procurando o equilíbrio, levantamos alternadamente as pernas.

Um exercício que já havíamos feito, mas ele não.

No final de cada exercício a professora, uma profissional muito competente ( faz-se fila para conseguir senha para as aulas dela) pergunta-nos: " Como estamos?"

E há sempre uma queixa de dor, e depois o meu: " Bem!"

Mas custa! Custa muito!

Ora o senhor anda há pouco nisto, nem sempre aguenta. E quando a coisa complica solta um "aaaaaa" forte e alto. E deixa-se estender no colchão. 

Sai-nos algumas expressões de dor, alguns comentários, que dão para rir.

Ora na ponte reversa, o "aaaaaaaaaaaaa" dele foi tão dorido e alto que me saiu isto: " É pior que as dores de parto!"

A outra senhora, que é mãe, diz " É, é!"

E responde ele: " Deve ser, mas eu nunca tive um filho, nem posso ter, não sei como são."

Retroco eu: " Por isso mesmo. É que eu não fui mãe, também, não sei o que são as dores de parto! Mas estas sei."

A senhora responde-lhe: " Os homens não têm flexibilidade."

Comento: " Mas têm força."

A risota foi geral quando ele nos diz: " Agora estou assim, mas esperai mais dois ou três meses e ides ver como vou ter a vossa flexibilidade."

Sem Título.png

 

O final da aula foi na barra para fazermos os alongamentos: coluna, braços e pernas.

Diz a professora: " Aproveitem que vos faz bem. Quando chegarem aos 80 vão agradecer o que sofreram."

É um facto. Há dor, há sofrimento.

Os resultados? São bons.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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no multibanco

por Maria Araújo, em 06.03.17

Domingo, uma manhã cinzenta, a chuva era miúda. Apeteceu-me sair.

Passei no multibanco.

Quando estava a tirar o cartão, senti algo que me tocava. Assustei-me.

Uma voz perguntou-me se era ali a caixa multibanco.

Olhei o homem. Era cego.

Respondi que sim, que já ia sair.

Depois de receber o cartão e o dinheiro, disse-lhe que podia fazer a operação.

Desviei-me e ouço a voz dele. Pedia-me que esperasse um pouco, podia precisar de ajuda.

Respondi que sim, que esperava.

O meu receio era que pressentisse que eu estava a seu lado e olhava para o que fazia. Eu estava de costas para a máquina.

Ouviu-se uma voz que saía da caixa. Eu não percebi o que dizia. E ele diz-me que se enganara.

Perguntei se queria que o ajudasse, depois de marcar o código.

Comentei com ele que as teclas deviam ser braille, tmbém, ao que me respondeu que há uma voz gravada que lhe diz o que tem de fazer caso haja algum engano. Depois de marcar o código pessoal no teclado, acrescenta o número 5.

Comentei que desconhecia esse sistema.

Voltou a meter o cartão, marcou o código. O dinheiro saiu. Mas não saiu o talão que ele pensara ter pedido.

Quando perguntei se não precisava de mais nada, respondeu-me para esperar um pouco porque queria pedir o saldo.

Voltou à operação, o talão saiu da máquina.

Quando estava a guardá-lo, diz-me: " Por favor, já agora diga quanto tenho no saldo".

Ele pedira os últimos movimentos. Não vi nada, nem sequer quanto levantara. Apenas olhei para o saldo e disse-lhe o valor.

Comenta comigo: " Está bem.Obrigada.Preciso de pagar a luz, a água, essas coisas".

Tudo feito, agradeceu-me e segui o meu caminho. Várias vezes segui-o com o meu olhar.

Impressiona-me como estas pessoas são desenrascadas Não vêem problema em nada. Estava eu mais preocupada que ele.

Mas senti que ele sentiu que podia confiar em mim. E fiquei feliz com isso.

 

benetton.png

 

Ao domingo há lojas abertas no centro da cidade.

Comprara uma  uma camisola às riscas. Gosto dos modelos em V e das cores de primavera. Vestem bem com jeans e saias.

E comprei mais uma, bege, branco e azul.

E tirei a fotografia para o desafio desta semana. 

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  1. o que capricornio espera na mulher de escopião - 1

 

Resultado de imagem para homem capricornio

 

E dizem que eles não dão importância aos signos.

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no bar do ginásio

por Maria Araújo, em 26.09.16

No ginásio, enquanto espero a aula das 18:15h, porque me esqueci das sapatilhas de ginásio ( não uso as da rua para o treino), dirigi-me ao bar para tomar algo leve. Comer é impossível não vá sentir-me mal quando estiver na posição de spider man ( pendurada de cabeça para baixo), dirigi-me ao bar. Os meus olhos ficaram em extâse. Deparo-me com um pedaço de homem. Lindo demais.

Dono do bar (já alguém havia falado neste espécimen mas nunca o vira), os lindos olhos azuis trespassam estes meus castanhos que me deixam estática.

Não fosse o menos giraço mas interessante homem do SPA quebrar este meu momentâneo estado pedindo-me para adiar a massagem que tinha marcado para amanhã, acho que ficaria petrificada por largos minutos.

Alto, elegantérrimo, calça cinza ligeiramente rasgada nos joelhos, a camisa azul que vem por fora das calças realça ainda mais os seus olhos azuis cor de céu e de mar e de infinito. O cabelo castanho claro, ligeiramente ondulado, barba muito bem escanhoada, uma repa discreta que teimosamente cai sobre o lado esquerdo da testa.  

Simpaticamente e bem disposto, perguntou-me o que queria tomar.

Fiz o meu pedido e, discretamente, sentei-me a observar esta coisa perfeita que é a tentação, dizem, de muitas mulheres cá do sítio.

Um lindo rapagão, sem dúvida!

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