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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

Calendário do Advento - 10

Maria Araújo, 10.12.20

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"O menino das línguas de gato"

Terça-feira passada, passei na para ver o Presépio, começava a Missa, só era possível vê-lo no fim, e como havia lugares fiquei atrás para assitir à celebração da Eucaristia da Imaculada Conceição de Maria.

Viam-se alguns casais com crianças, uma  mãe teve de sair da igreja porque a filha gritava.

Uma jovem mãe, seguida pela criança que teria cerca de três anos, ocupou o lugar no canto oposto ao banco que estava à minha frente, estavam um pai com um rapazito no outro canto.

A criança, que trazia na mão um pequeno e redondo tupperware  com línguas de gato, sentou-se ao lado da mãe e, uma a uma, levava à boca as deliciosas ( adoro!)  biscoito, ora se levantava e pousava o tupperware no banco para com os pés trepar a coluna da parede, ora deixava-se estar de pé a comer.

Estava na dele, não fazia qualquer ruído. De quando em vez, olhava para mim, eu sorria com os olhos.

Do meu lado direito, junto à coluna da ala central,  estava um pai com uma uma menina que não teria dois anos. 

Uma dada altura, o senhor pôs a garota no chão.Ela viu o menino a comer, aproximou-se dele, não falou, e ele deu-lhe uma língua de gato para a mão.

A menina virou costas, foi por trás das pessoas, deu uma volta, o pai sempre atento a olhar para onde ela ia, foi ter com o pai.

Depois de comida a primeira língua de gato, ela voltou a aproximar-se do menino, que lhe ofereceu outra. E a menina deu-lhe um abraço.

E repetiu-se isto umas quantas vezes.E a garota ia dar o seu passeio.

Eu olhava para trás, seguia a menina, percebi que quem estava junto à entrada principal da catedral, estava atento,também, para que ela não se afastasse demais do pai. Mas o pai não deixava passar dez segundos, ia buscá-la.

E foi então que reparei na família.

Ocupava um banco. Contei dois rapazes e uma rapariga,e a mãe. Pela altura das crianças, a filha mais velha teria dezasseis anos, os dois rapazes teriam treze e dez anos, e a menina de colo. Portanto, um casal com quatro filhos que assistiam à missa sem que qualquer um deles desse sinal de não querer estar ali. Só a menina não paráva.

Voltou ao menino. Tentou sentar-se no banco.A  mãe dele pegou nela e sentou-a ao seu lado. Mas foi por segundos. A garota desceu do banco, estendeu a mão ao menino para lhe dar outra língua de gato, que caiu no chão. ...E elas estavam a chegar ao fim.

A mãe do garoto, apanhou-a  e guardou-a no bolso do casaco. O filho deu outra à menina,  ela voltou ao passeio( tenho a certeza que atrás de mim todos estavam a achar piada às duas crianças).

As línguas de gato acabaram, a mãe do menino virou-se para trás fez um sinal ao marido que se aproximou e lhe deu a tampa do tupperware.

Acabadas as línguas de gato, o menino foi à carteira da mãe e tirou dois carrinhos.

Em pontas de pés, tentava pô-los a andar na coluna, ou colocava-os em cima da caixa das esmolas fixa na parede.

A menina voltava ao menino, mas não queria os carrinhos. Não havia mais línguas de gato, foi embora e não voltou mais.

Toda a família da menina foi à sagrada comunhão ( fiquei emocionada ).

Acabada a Missa, o menino e a mãe ainda ficaram algum tempo no banco.

Do outro lado, a família da menina também. Estariam à espera, como eu, que saíssem as pessoas para irem ver o Presépio.

Em toda esta cena das duas crianças, não ouvi as vozes delas.

Geralmente, as crianças não têm paciência para ficar tanto tempo dentro da igreja sem fazer nada. 

Os meus sobrinhos netos não conseguem estar quietos ou calados.

E sou das que pensa que os mais pequenos não deviam ir para a igreja com os pais. Todos sabemos que elas não páram e a tendência é para fazer ruído.

Mas estas duas, tiveram um comportamento exemplar. Nenhuma falou, entenderam-se com as línguas de gato, o menino mostrou saber partilhar o que tem.

Por sua vez, ela, sossegada no colo do pai, só deu nas vistas quando foi para o chão e andava de um lado para o outro, estendia a mão ao menino para receber a língua de gato e seguia o seu caminho sem um ruído.

Pensei nesta grande família cristã, que me pareceu ser cheia dos valores que a sociedade de hoje carece: educação, humildade, simplicidade.

A menina foi um bom exemplo disso.

Nunca vi nada igual.

 

Woodstock, 50 anos depois

Maria Araújo, 18.08.19

A vida traz-nos surpresas lindas sobretudo quando alguém quer alguma coisa que faz parte do seu passado.

Vi a reportagem do 50° aniversário do Festival Woodstock, o louco ano de 1969  (era eu adolescente) em que tudo aconteceu.

Li aqui que dois jovens que se conheceram na estrada, a caminho do local do festival, desde esse dia nunca mais se separaram: casaram, tiveram filhos.

Contavam aos filhos e netos como se conheceram, nesse dia de muita chuva, estavam eles abraçados, partilhavam o  cobertor (toda a história aqui), quando foram fotografados. 

50 anos depois, contactados por alguém que sabia da reportagem sobre Woodstock que passaria no canal norte americano PBS, que vira a foto dos dois, daquele belo momento, o casal viu a reportagem, lá estava ela, a prova.

A revista People deu a conhecer a histótia e homenageou o casal  recriando a fotografia de 1969 e na actualidade.

Duas fotografias que se distanciam 50 anos, mas belíssimas as  suas expressões neste "reencontro".

Há sempre uma oportunidade na nossa vida de rever ou encontrar o que mais nos fez e faz feliz.

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Dia Mundial dos Avós

Maria Araújo, 26.07.19

eles, que têm um papel muito importante na ajuda aos filhos.

Não sou a única que vai buscar os netos aos colégio, levá-los ao parque infantil, dar um passeio pelas ruas da cidade, dar-lhes o lanchinho ou o jantar, porque as crianças têm rotinas, e esta hora é sagrada, cantar as nossas e velhas canções, aprender novas, é tudo uma questão de participar no crescimento das crianças que são a nossa felicidade.

Não tenho filhos, tenho cinco sobrinhos netos, o sexto chegará em Setembro.

O V é único sobrinho neto que está mais próximo da família. Os outros quatro vivem fora do país, só nas férias de  Verão. Hoje, vou para a casa da praia ficar com os dois sobrinhos netos brasileiros. 

Deixo uma fotografia do meu sobrinho neto mais novo, da nossa brincadeira no parque ( desculpem não mostrar o rosto, respeito a decisão dos pais de não publicar fotografias dos filhos).

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Feliz Dia dos Avós

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 E aqui a história deste dia.

 

 

as minhas arrumações

Maria Araújo, 03.03.18

no escritório, continuaram hoje com a limpeza dos livros.

" Belezas de Portugal 1915", junto aos antigos dicionários, o livro que nunca lhe dera a atenção devida, ponho-o de lado para o ver com mais pormenor, continuei as minhas arrumações.

Um livro que abrange muitos temas do início século XX, não só do país, mas também da Europa e do mundo, consta  de relatos de factos históricos e religiosos, crónicas, poesia, contos, escritores, páginas de ilustrações católicas, estas com  fotografias de pessoas comuns, reis, rainhas, pinturas, guerra, arte, escultura, anedotas históricas, publicadas na Revista Literária de Informação Gráfica  da época.

Não me recordo de o meu pai ter contado se o comprara ou trouxera juntamente com a mesa antiga que herdara da mãe. A capa teria sido substituída, está como nova.

Passarei  a transcrever alguns textos que li, antigos mas interessantes, assim como fotografias de muitas aldeias e cidades de Portugal da época.

 

Anedotas Históricas - Ditos e Pensamentos

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Jefferson

 

Franklin, quer pela grandeza do seu talento, quer pela inteireza do seu carácter, representou, em França, os Estados Unidos  duma maneira brilhante. Sudeceu-lhe Jefferson .

Quando este eminente estadista chegou a Paris, o ministro francês  disse-lhe:, seguidamente a um afectuoso acolhimento:

- Vindes substituir Mr . Franklin...

Jefferson apressou-se em interromper:

- Franklin é insubstituível, eu apenas lhe sucedo.

Estas palavras grangearam-lhe a consideração pública  e acreditaram-no mais firmemente que todas as credenciais.

 

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uma história

Maria Araújo, 25.09.17

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Feito o "check-in" na organização do Passeio da Memória, e enquanto não chegavam as pessoas, estava eu a conversar com a minha irmã sobre a doença, e da nossa amiga Alice, quando, ao meu lado, vejo uma ex-colega de trabalho, que faz parte do grupo "Café Memória", na Brasileira, entra na conversa e aponta-nos algumas senhoras doentes de Alzheimer que, com os familiares, participavam na caminhada.

Contou, então, a história de uns vizinhos seus: um casal com filhos, a mãe de um dos conjuges e um cão.

Tendo a mãe Alzheimer, a minha colega visitava a senhora, dava-lhe algum apoio, e à família. O cão, já velhinho, e sem que a doente lhe desse mais atenção, levou-o para sua casa e cuidaria dele.

O tempo  foi passando, a minha colega visitava-a quase diariamente, até que um dia, com a autorização da família, decidiu levar o cão e verem  a reacção de ambos.

O cão saltou, brincou no seu colo, farejou a casa como se nunca tivesse saído de lá, mas a senhora não o reconheceu.

Levou-o de novo para casa. Nesse mesmo dia, à noite, estava tudo sossegado, não se ouvia o cão. Foram dar com ele morto debaixo da mesa da sala.

O cão morrera de paixão.

E as lágrimas da minha colega foram as nossas lágrimas, também.

 

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Antes de a caminhada iniciar, fez-se o aquecimento com algumas coreografias de Zumba, partimos, então devidamente equipadas, para o nosso passeio pelas ruas da cidade.

 

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Um gesto que me emocionou foi quando soube por uma das participantes que alguns turistas que passavam pelo local do encontro, quiseram participar neste Passeio da Memória. Vi e fotografei duas senhoras, mas haviam mais.

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O final foi junto à Brasileira, o local de encontro do grupo "Café Memória"  cuja missão consiste em:

A missão do CAFÉ MEMÓRIA consiste em reduzir o isolamento social em que muitas das pessoas com demência e os seus familiares e cuidadores se encontram, contribuindo para a melhoria da sua qualidade de vida. Pretende ainda sensibilizar  a comunidade para a relevância crescente do tema das demências, diminuindo, assim, o estigma que lhe está associado.

 

Acabou a caminhada, junto à Brasileira, com o rufar dos tambores executado por um grupo de jovens que também já nos habituou à sua encantadora exibição.

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