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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

visita às praias de Monsaraz

Maria Araújo, 29.02.20

Monsaraz deu-nos um final de dia tranquilo e com um pôr-do sol realmente belo. Não é só na praia que temos lindos pores-do-sol.

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Quem tem uma criança com rotinas, cedo desperta todas as manhãs e às sete horas de Domingo estávamos  acordadas, brincávamos um pouco com ela até chegar a hora de tomar o pequeno-almoço ( adoro os pequenos-almoços de hoteis e estalagens), saímos cedo, fomos ver  o  Convento de Nossa Senhora da Orada e mais à frente, o Cromeleque do Xerez.

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por toda a zona vêem-se campos verdejantes que alimentam grande número de gado caprino.

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O cheiro delicioso das flores silvestres que embelezam a paisagem, o miúdo corria naquele grande espaço, colhia florzinhas para dar à mãe, as fotografias enchiam os nossos olhos e as nossas máquinas.

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Seguimos em direcção à Praia Fluvial de Monsaraz. Que linda!

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Aquela água azul e fresca, onde o miúdo adoraria por os pés, contentou-se em molhar as mãozinhas, sentar-se no barco, andar no escorrega do parque infantil, todo o tempo foi para ele enquanto eu tirava fotografias daquele belo lugar.

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Decidimos visitar a Herdade do Esporão, antes do almoço.

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Com uma criança era imposssível fazer a visita à herdade, uma hora e trinta minutos, assim como participarmos na prova de vinhos, estava fora de questão, era muito cedo, ficará para outra oportunidade, e sem crianças.

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Demos um pequeno passeio pelo espaço, compramos azeites e compotas ( vinho, não! )

Neste Alentejo procurado por portugueses e estrangeiros, se não telefonarmos para  reservar mesa naquele restaurante conhecido e recomendado, quando lá chegarmos não temos hipótese de a conseguir .

Aconteceu neste Domingo, dois dos que nos recomendaram estavam esgotados, almoçámos num retaurante no centro de Reguengos, a comida estava boa, mas não gostamos do atendimento. Saímos sem comer sobremesa e tomar café.

A tarde estava destinada a visitarmos Vila Viçosa.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                            

 

 

 

 

# idosa

Maria Araújo, 20.05.19

Publiquei no meu Instagram umas fotografias dos ramos de flores que comprei a uma senhora de 82 anos que, por esta altura, costuma estar sentada num muro que separa o passeio da entrada de um banco, a vendê-los.

Escrevi este texto:

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Ontem, arrumava as roupas de inverno, lembrei-me da senhora, dos raminhos de flores espalhados em cima daquele muro, algo me dizia que, no ano passado, tinha escrito um post sobre ela.

Procurei. E foi em 2017 que o escrevi...

 

# idosa

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do fim de semana # 1

Maria Araújo, 28.04.19

Sábado, pela primeira vez,  fomos à actividade "Sessões Pais & Bebé" nesta biblioteca, assistir ao conto " A Carochinha e o João Ratão",  para crianças dos 12 aos 36 meses de idade.

Além da história,  pretendia-se que as crianças tomassem  contacto  sensorial com os objectos que faziam parte da história.

A história demorou o tempo suficiente para as crianças a ouvirem, a maioria portou-se muito bem contrariamente a alguns pais que falavam muito alto e perturbavam a actividade.

No final, os miúdos brincavam com legos, pequenas garrafas de plástico com areia, brinquedos, enquanto outros sentavam-se à volta de uma pequena mesa para a sessão de pintura.

Eu e a minha sobrinha não estávamos à espera que o bebé ( meu sobrinho neto) tivesse um comportamento exemplar. Sempre atento à história, era a canção que captava a atenção dos miúdos, na interacção com os outros bebés, na brincadeira com os materiais que, pelo tacto, visam promover o desenvolvimento da criança.

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Depois da sessão, fomosao lanche numa esplanada, e um passeio pelo centro da cidade. O bebé, que adora empurrar o carrinho, lá foi de mão dada com a mãe, a outra tia avó empurrava o carrinho e eu fotograva a cena.

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Combináramos passar o domingo na praia, passaríamos por Fão, almoçaríamos por lá, queríamos ver o tapete de flores feitos de pétalas de camélias, pampilos, cravos e cardos, para a festa do Bom Jesus de Fão, estando o tempo com sol, aproveitaríamos, também, para levar o bebé à praia e deixá-lo sentir a areia nos pés.

Deixámos o carro no parque do aldeamento, fomos pelo paredão junto ao rio Cávado em direcção a Fão.

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Chegamos à praça, não vi o tapete de flores na rua.

Aproximamo-nos da igreja, lá estava ele aos pés do altar, lindo e cheio de luz.

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Um espelho permitia que víssemos o outro lado do tapete.

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Subi as escadas que me levaram atrás do altar para tirar uma fotografia de outro ângulo quando escuto um homem que, sentado junto a uma mesa, presumo que guardava o crucifixo do Senhor onde tinha a seus pés uma bandeja com dinheiro, me disse que teria uma perspectiva mais bonita de todo o tapete se subisse as escadas que  dão acesso ao coro, estas do lado direito da igreja.

Comentei que esperava ver o tapete na rua,a resposta foi que há um tapete que é feito na rua, sim, de quatro em quatro anos e quando a imagem do Senhor dos Passos vai no cortejo da procissão. 

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E assim o fiz...

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a chica-esperta

Maria Araújo, 19.07.18

Das cinco bancadas de flores que há no largo junto ao cemitério há anos que compro na senhora Helena, a florista nos seus 70 anos, que tem a filha a ajudá-la, e  actualmente o companheiro desta.

A minha mãe faria ontem 89 anos, a minha irmã mais velha faria amanhã 67 anos, fui hoje ao cemitério pôr flores e  círios, que faço habitualmente de 15 em 15 dias ou sempre que posso.

Quando cheguei à bancada das flores, uma cadeira com uma caixa de fósforos em cima vedava a passagem para o interior, nenhum dos vendedores por ali, vejo uma senhora  com muito boa aparência, também na casa dos 70, que se aproximou e disse que não estava ninguém mas que tinha flores para vender.

Convicta que estaria a guardar a bancada enquanto os donos não chegavam, apontei para as flores brancas que  queria, perguntei-lhe o preço, ao que me respondeu que não sabia, que estava ali para vender as suas flores, e apontava para um balde, que estava ali sem ninguém saber, que não mexera em nada, e insistia na compra das suas flores.

Respondi que gostava das suas flores para as jarras de casa, não as queria para o cemitério.

Volto à carga pergunto se sabia onde tinha ido a florista, ela pega no seu balde de flores e põe junto às flores brancas repetia que tinha aquelas para vender, pedia-me que comprasse as suas, até que eu digo-lhe exactamente isto:

- Vou levar círios e flores brancas, por favor, quando a senhora chegar diga-lhe que uma cliente serviu-se do que queria e vem pagar quando sair do cemitério. Ela já sabe, sempre me disse que levasse o que quisesse quando não estivesse aqui, ela confia  mim.

E foi então que ela me respondeu:

- E eu sei lá bem dizer quem é a senhora! Ela não me conhece, eu estou aqui para vender as minhas flores. Vá lá, compre, cada ramo custa 1 euro.

Farta de a ouvir, comprei dois ramos de orquídeas.

Insistia para levar um ramo de flores azuis, respondi que não,  que queria as brancas da florista e quando me dirijo ao balcão para pegar nos círios, atrás de mim ouço uma  voz muito indignada que perguntava o que estava ela a fazer ali.

Virei-me e vejo a filha da senhora Helena, e o companheiro, que teriam ido tomar  pequeno-almoço no café que fica do outro lado da praça, com certeza com os olhos postos no estaminé, ter-se-iam apercebido da cena, vieram em defesa do que lhes pertence.

Eu pedi desculpa, disse que pensava que a senhora estaria ali a tomar conta da bancada, que ela insistira comigo para comprar as suas flores, que não sabia quem era aquela senhora.

Educadamente a florista mandou a senhora sair dali, que não tinha nada que invadir um espaço que não lhe pertence, que se queria vender as suas flores que o fizesse longe da sua bancada, que a senhora era uma atrevida.

E a senhora das flores justificava-se que não estava ali para tirar nada, que vira que não estava ninguém, decidira vender as suas flores  a quem se aproximasse, e que não fez nada de mais.

A estas palavras, a florista exalta-se, repete que ela é uma atrevida, que invadiu o seu espaço, que saia dali para fora,  que não volte a aparecer à sua frente.

Fiquei palerma com tudo isto que nem a vi pegar nas suas coisas e desaparecer.

Comentei com a florista que se ela não tivesse aparecido ia servir-me, a mãe sempre me pusera à vontade, que sabia que eu pagaria na volta. Comprei as flores brancas e os círios.

A cena acabou, mas fiquei com aquela imagem da senhora, nos seus 70 anos, de boa aparência, uma atrevida que não respeitou o lugar de quem ali trabalha, e que mostrou ser mais uma chica-esperta das muitas e muitos que proliferam neste país.