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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

outono de chuva

Maria Araújo, 30.10.19

Bebaixo de muita chuva, protegida por uma capa que comprei em SanXenxo há cerca de 25 anos, botas de pele até ao joelho, calças de malha dentro das botas, cumpri a missão de todos os anos, e porque amanhã o cemitério estará cheio de pessoas a fazerem o que eu fiz, hoje, sem ninguém, tinha a água por minha conta, lavei as campas dos meus familiares, pus as flores.

Apesar de a temperatura ambiente estar agradável, o frio que a capa provocava na nuca causava algum desconforto, fez-me falta um lenço para o agasalhar,nque eu pensara levar mas achara desnecessário ( por que diabo não escutei a voz do meu coração que me dizia para o levar?) .

Marcara cabeleireiro para amanhã, vou de mini-férias para a capital, nos planos está uma visita a Évora, que não conheço, cheguei a casa tomei um banho quente, lavei o cabelo, desmarquei o cabeleireiro, fui ao Porto, cheguei a casa às 21h.

Vou estar ausente da net e do blog para ler os textos do Desafio dos Pássaros, espero que este fim de semana prolongado seja em grande, apesar de se prever chuva para todo o país....Chuva bendita, que tanta falta faz.

Bom feriado.

 

 

 

 

ponte de Agosto

Maria Araújo, 14.08.17

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Fui ao ginásio.

As ruas estavam desertas, mais parecia um domingo.

O percurso entre casa e o ginásio é de cerca de 12 minutos, de carro. Hoje, levei cerca de sete minutos.

O parque de estacionamento do ginásio tinha apenas cinco carros, com o meu.

Na aula de Pilates, a mais concorrida à segunda e quarta-feira, estavamos apenas 10 pessoas

Fui à padaria comprar pão, passo junto ao salão de cabeleireiro que frequento. Fechado.

Queria registar o euromilhões, mesmo ao lado da padaria. "Fechado para férias".

Foi então que me lembrei que amanhã é feriado. Uma boa  ponte deste mês de Agosto

Mas nem todos têm este mimo. O meu sobrinho, que trabalha para uma empresa de telecomunicações, trabalha amanhã.

 

Santo António já cá anda

Maria Araújo, 10.06.14

nas ruas da minha cidade

as tendinhas estão a montar

Santo António já cá anda

ao São João dá lugar

 

nós por cá também temos

as marchas de Santo António

os arraias, as sardinhas

as tendinhas de farturas

no largo da sé dançam eles,

os balões divertidos

 

dizem que Santo António

é bom casamenteiro

vira-o de cabeça pra baixo

pra dar marido à gente

 

estou para aqui a versejar

aos nossos santos populares

a festa não é do povo

se o manjerico faltar

 

ó meu rico Santo António

contigo quero festejar

o manjerico já tenho

dá-me o homem pra bailar.

 

 

 

 

 

com muitos cortes nos feriados mas com um junho rico em festas populares, deixo-vos com esta linda canção do saudoso e excelente Carlos Paião.

um bom Santo António.

 

 

 

 

 

 

 

1º de maio

Maria Araújo, 01.05.14

não é justo

o dia que já foi feriado para todos, o dia em que os trabalhadores se manifestavam,  comemoravam com alegria o trabalho, a dignidade de ser trabalhador, de ter um trabalho... "deixou de o ser".

hoje, poucos têm direito a este dia

hoje, vai-se ao supermercado, à padaria, às lojas comerciais e todos estes trabalhadores estão lá, para nos servir, a nós, os que  temos o  privilégio de gozar o 1º dia de maio, o feriado que devia ser de todos e para todos.

não é justo.

 

 

 

Significado e dimensão históricas do 1º de maio...

 

 

O 1.º DE MAIO EM PORTUGAL

 

Desde o primeiro ano das comemorações do 1.º de Maio, em 1890, até aos dias de hoje, passando pela monarquia, pela 1.ª República e durante a ditadura fascista, o operariado português sempre comemorou activamente o Dia Internacional do Trabalhador, em unidade e luta e com solidariedade internacionalista, reclamando junto do patronato e das autoridades portuguesas o estabelecimento das 8 horas de trabalho diário e a melhoria das suas condições de vida e de trabalho.

                

Neste percurso histórico, os ecos da Revolução de Outubro de 1917, na Rússia, chegam a Portugal e suscitam um grande entusiasmo nos trabalhadores portugueses. 

 

Em 1919, após um 1.º de Maio grandioso, é conquistada e consagrada, em Lei, a jornada das 8 horas diárias e 6 dias de trabalho por semana, ainda que só para os trabalhadores da indústria e do comércio.             

 

A 6 de Março de 1921, forma-se o Partido Comunista Português e a classe operária inicia a construção da sua vanguarda revolucionária.               

 

Na ditadura fascista - que suprimiu as liberdades fundamentais, fascizou os sindicatos e oprimiu o nosso povo durante 48 anos – o regime, desde cedo, procurou impedir as comemorações do 1.º de Maio. Em vão, porque, de acordo com a situação concreta em cada momento, o proletariado português, sob a orientação do PCP, soube sempre encontrar as formas mais apropriadas à sua comemoração, não obstante a repressão de que era alvo.

                 

As lutas do 1.º de Maio de 1962, nas quais se empenham mais de 150 mil trabalhadores agrícolas do Sul, do Ribatejo e do Alentejo, acabam por impor o reconhecimento das 8 horas de trabalho diário, pondo termo ao feudal sol a sol.

          

Assinalam-se, ainda, importantes manifestações nos 1.º de Maio que se seguiram até 1973 e que, em articulação com as inúmeras lutas que se travavam ao nível das empresas e dos locais de trabalho e na frente sindical, forjaram as condições que viriam a tornar possível a vitoriosa madrugada libertadora do 25 de Abril, desencadeada pelo glorioso Movimento das Forças Armadas.

 

       

Apenas 6 dias após a manhã da liberdade, o povo português comemorou o mais espantoso 1.ºde Maio, organizado pela Intersindical, criada em 1970. Era a alegria incontida de um povo que enterrava 48 anos de terror, de miséria, de obscurantismo. Era a consagração popular do 25 de Abril.

Pela primeira vez, dando satisfação a uma reivindicação da Intersindical, o 1.º de Maio era consagrado feriado nacional.

 

A arrancada do 1.º de Maio de 1974 vai dar início a uma série de conquistas que correspondem a prementes reivindicações e anseios das classes trabalhadoras e das massas populares. A determinação e a energia criadora das massas populares em movimento impulsionam a evolução do processo de democratização da vida e da sociedade portuguesa. Conseguem-se profundas transformações económicas e sociais com as nacionalizações, a reforma agrária e o controlo operário. Conquistam-se liberdades e direitos fundamentais.

 

É em 1996, na sequência da luta travada e de várias iniciativas parlamentares do PCP, nomeadamente a apresentação de um projecto de Lei, em 17 de Janeiro deste ano, que o governo de Guterres é forçado a consagrar, na lei, as 40 horas semanais com dois dias de descanso semanal.

 

A IMPORTÂNCIA E ACTUALIDADE  DA LUTA

 

Como se comprova, ainda que de forma muito sintética, o movimento operário e sindical, através da luta, dura, difícil e perseverante que desenvolveu, escreveu algumas das páginas mais exaltantes da sua história contra a exploração capitalista, o que permitiu alcançar conquistas e avanços civilizacionais que em muito contribuíram para a melhoria das condições de vida e de trabalho dos trabalhadores e das suas famílias.

 

Contudo, o capital não dorme nem desarma. A partir de 1976, com as políticas de direita seguidas pelos sucessivos governos, a contra-revolução desencadeia-se e de novo se abate sobre os trabalhadores a exploração, a repressão e a tentativa de destruição das conquistas alcançadas.

 

A prová-lo está a ofensiva neoliberal em curso de que é exemplo a postura do governo PS/Sócrates, que, ao rever para pior o já negativo Código do Trabalho do PSD/CDS, deu alento à ofensiva patronal, no sentido de o desregular e de impor como jornada de trabalho “normal” as 10, 12 ou mesmo 14 horas por dia, sem o pagamento de qualquer compensação pelo trabalho extraordinário, o que constitui um regresso ao século XIX e às condições de trabalho que estiveram na origem do 1.º de Maio e da sua internacionalização.

 

É em honra da memória dos “mártires de Chicago”e da luta de gerações e gerações de revolucionários, muitos deles com o sacrifício da própria vida, e contra a exploração capitalista que temos o dever e a obrigação de tudo fazer para que se desenvolva e intensifique a luta de massas por uma ruptura com as políticas de direita e para que as comemorações do 1.º de Maio, constituam uma imponente jornada internacionalista de unidade e luta por uma sociedade mais justa, fraterna e solidária, sem exploradores nem explorados.