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os farricocos

por Maria Araújo, em 19.04.19

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Todos os anos, na quinta-feira Santa, procuro os farricocos e o som ruídoso das matracas a chamar os transeuntes para a procissão Ecce Homo da noite.... Mas nunca as encontro.

Ontem, fui dar um passeio com o sobrinho neto, ouvi as matracas ao longe.

Aproximei-me e finalmente, uns quantos anos depois, vejo-os.

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Depois da fotos, iam executar mais um chamamento, saí dali não fossem assutar o bebé.

A história dos farricocos, aqui

 

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quinta-feira fria e de muita chuva

por Maria Araújo, em 29.03.18

A polícia espanhola anda por cá colaborando com a nossa polícia nos festejos da Semana Santa com mais tradição no país.

Muitos espanhois e italianos, e outros turistas, que andam na cidade, a chuva não tem dado tréguas.

Ontem, a noite esteve serena, a lua ia espreitando o que se passava por cá, a Procissão da Senhora da burrinha saiu à rua.

Hoje, é o dia da Procissão do Senhor «Ecce Homo»  ou dos «Fogaréus», espero que a chuva páre, porque o frio aguenta-se,  e se realize a mais bela procissão  da Semana Santa:

«Abre o cortejo o exótico grupo dos farricocos com grosseiras vestes de penitência, descalços e encapuçados, de cordas à cinta, como outrora os penitentes públicos, uns empunhando matracas e outros alçando fogaréus (taças com pinhas a arder). Daí chamar-se também «Procissão dos Fogaréus». Integrados na procissão, os fogaréus evocam os guardas que, munidos de archotes, foram, de noite, prender Jesus.»

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(imagem da internet)

 

 

 

 

 

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A procissão Ecce Homo

por Maria Araújo, em 25.03.16

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Saí de casa cedo para encontrar um espaço, se possível à frente, onde pudesse ver a procissão que há anos não via.

Fui para o Largo de Santa Cruz, já se viam as pessoas na berma dos passeios, vi um espaço vazio onde podia acomodar-me.

Mal cheguei, posicionei-me ao lado de um casal que marcava posição cerrada para que ninguém furasse o lugar e se metesse à sua frente. 

As pessoas foram chegando, encostavam-se (detesto!) a quem estava à frente, de vez em quando encolhia-me (é aqui que exercito o meu abdominal)  praticamente não me mexia para marcar o meu lugar. 

Mas as pessoas que desciam a rua e queriam passar para outro lado, viam sempre no lugar onde eu estava, a porta para saírem. E isto gerou comentários parvos de quem estava ao meu lado. 

Lera na programa das celebrações que procissão saía às 22h. Até chegar ao local onde estava, demoraria pelo menos trinta minutos. Mas quem estava ao meu lado insistia que a procissão saía às nove e meia. Não se calavam. Eu calada estava.

Atrás de  mim, encostou-se uma senhora acompanhada de um casal jovem. Ele, ora falava alemão, ora falava inglês ora falava algo parecido com árabe.

A senhora, pior que as matracas dos farricocos (fui à procissão porque gostava de os ver e ouvir o som das matracas e as chamas dos fugaréus), não se calava.

Em frente a nós, num grande letreiro de uma loja de recordações, lê-se esta palavra em inglês, espanhol, italiano e alemão. Dizia ela: "Braga está uma cidade poliglota. Já viste o letreiro... Que fino!", e lia cada uma das palavras. E ia aproximando-se mais um pouco de quem estava à sua frente. Mais baixa que eu, provavelmente, esperava que alguém se oferecesse para ela passar para a frente.

De quando em vez, o jovem lembrava-se de falar para a esposa em alemão, ou árabe, ou inglês.

Uma dada altura, diz a senhora: " Há tantos espanhois por cá. Nem sei por que vêm. Podiam ir para Sevilha. Fazem uma Semana Santa mais bonita , a procissão é muito mais completa. Esta aqui não presta."

Apeteceu-me virar para trás e dizer-lhe: "Se não presta, por que está aqui?"

O cortejo mostra-se ao fundo da rua, um casal estrangeiro tenta passar para a lado de trás onde nos encontrávamos, mais uma vez protestam por quererem passar entre nós, a senhora baixa-se para tentar tirar fotografias, uma delas bate-lhe no ombro e a outra diz , misturando francês, inglês e português : "ici, não, back!."

A estrangeira levanta-se, dou-lhe lugar para ela passar e digo às "companheiras do lado";  - mas a senhora só quer tirar umas fotografias, ela baixou-se, não sei por que não a deixaram.

"Que tire lá atrás! Era o que faltava, já estamos aqui há imenso tempo, vem ela meter-se à frente". 

Calei-me, olhei para trás e vi a estrangeira com um tablet a tentar apanhar o início do cortejo.

A GNR , a cavalo, anuncia que vem a procissão. Atrás destes,os representantes de várias Misericórdias do país. Às tantas, aproxima-se a de Cascais e diz a matraca: "Olha, vem aí a Misericórdia das tias".

Fiquei possessa. Estava farta de ouvir a fulana. 

A procissão ia a meio, um dos casais da frente, sai e diz-lhe: "Pode ficar com o lugar, vamos embora".

Apoderou-se do lugar, sem perguntar-me se eu queria ocupar, também, visto que estava ali desde cedo, passou para a frente, acompanhada de uma outra jovem que eu não reparara, e ali ficou, numa posição que me impedia de ver.

Não disse nada. Deixei-me esta quieta e calada porque se dissesse alguma coisa, ela iria reagir, não queria interromper o "quase" silêncio do cortejo.

Às tantas, ouve-se um homem, um dos muitos chicos espertos deste país, ao meu lado direito, dizer: "Anda!"

Olhei e vi que piscava o olho para alguém que indicava que queria que fosse para o seu lado.

O casal da frente diz "O senhor não empurre!"

"Mas eu não empurrei! Nem  sequer me encostei a si. Sou gordo, mas nem tanto que me fizesse senti-lo"

A conversa ficou por ali, o chico esperto conseguiu ver melhor que eu o resto da procissão.

Passaram muitos anos que não fui às procissões. Lembrava-me dos muitos empurrões que sempre levei. 

Depois decidi voltar, quase sempre ia para a rua da Sé, onde termina o cortejo, tem menos pessoas, vê-se melhor.

Este ano fiquei perto de casa, mas não tenciono repetir porque percebi que pouco ou nada mudou.

As pessoas são broncas, não respeitam ninguém, não sabem ver em silêncio.

 

 

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fui à procura dos farricocos

por Maria Araújo, em 24.03.16

mas não os encontrei.

Em tempos, neste dia, quinta-feira santa, andavam descalços pelas ruas da cidade a agitar as matracas. Dava-me gozo ouvir aquele ruidoso som.

Passei pela Sé, os padres em fila, seguido em último pelo arcebispo, entravam na catedral cheia de pessoas para verem a cerimónia do lava-pés.

Hoje vou à procissão "Ecce Homo" ver os farricocos com os fogaréus e as matracas, já que não os vi durante a tarde.

Mas andaram por aqui, hoje de manhã. 

O tempo está de sol a noite vai ser fresca, mas sabe bem ver o centro da cidade cheio de gente. 
Gosto da cidade durante a Semana Santa.

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O farricoco era, no passado, uma forma dos fiéis cristãos bracarenses se penitenciarem dos seus pecados, propondo-se caminhar descalços e incógnitos nas procissões que percorriam a cidade. O confessor dava a penitência durante a confissão e os fiéis cumpriam à risca tal preceito. Ajudavam a iluminar as ruas durante os préstitos e a chamar os fiéis às celebrações com o auxílio das matracas, dado que os tilintar dos sinos era proibido durante este tempo especial. O som estridente das matracas, com o seu ruge-ruge era também sinal de penitência...
Entretanto, os farricocos foram-se aproveitando do seu anonimato para denunciar publicamente os pecados daqueles que não faziam penitência. O ambiente era, por isso, temeroso, e algumas pessoas recusavam vir às janelas, não fosse cair-lhes em cima alguma acusação.
Hoje, as procissões já quase não servem para penitências, mas o farricoco mantém-se como figurante primordial.
Dada a sua originalidade, é um símbolo da cidade e o artesanato cada vez mais explora esta figura e ainda bem! 

 

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