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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

no meio da multidão...

Maria Araújo, 14.05.17

Cinco mulheres de mochilas às costas, os banquitos que haviam comprado há 4 anos a acompanhá-las,  chegaram a Fátima ao início da tarde.

Contrariamente ao que esperavam, a entrada em Fátima foi calma. O trânsito sereno, muitas pessoas na rua e nas esplanadas dos cafés, gente bem disposta.

Depois de tomarem o ansioso café, dirigiram-se para o recinto do santuário. 

Mais de metade deste estava cheio, decidiram ficar cá em cima, a "dois passos" daquele tão falado terço, que só à noite mostraria o seu esplendor.

Pessoas bonitas, pessoas bem dispostas, de  todos os estratos sociais, todos iam ocupando um bocadito do espaço que, sem se ficar apertado, era o ideal para si.

Uma das amigas, que conhece meio mundo, ouve alguém de um grupo de senhoras e um senhor, todos entre os 70 e 80 anos, que acabava de chegar e assentar  as cadeiras e bancos, ali ao lado, comentar algo com uma das suas amigas.  Reconhecendo a voz de uma das senhoras, virou-se e,  abraços e beijos . " Olá, .... Não é possível...".

Uma amiga da mãe, uma vizinha de rua de outros tempos, que já não via há bastante tempo.

E ali se formou um belo grupo de pessoas de várias idades.

O Papa chegou, a oração do silêncio seguido pela multidão, a sua saída do recinto para descansar e preparar-se para a noite mais mágica de Fátima, muitas pessoas começaram a movimentar-se para jantar.

O grupo das cinco mulheres, com as mochilas no chão a fazerem de mesa, tira-se tudo o que se levara para as refeições: bola de carne, rissóis de camarão e carne, bolinhos de bacalhau, panados de frango, pão e maçãs.

Convidados para este repasto, o grupo mais velho agradeceu o convite, tinham outros planos. 
De repente, forma-se mesmo ali ao lado um corredor pelo qual as pessoas passavam junto ao grupo das cinco, que petiscavam.

Ouve-se uma voz que diz mais ou menos isto: " Olha muito bem que aqui se  comi".

As cinco riem-se, vêem as pessoas que pararam a observarem-nas: um casal acompanhado de um jovem (este andaria pelos 20s). 

"Sirva-se", diz uma delas ao mesmo tempo que levanta o tupperware.

Ele serve-se de um rissol. O filho não quis rissóis mas gostaria de provar "aquela coisa além", a bola de carne.

A esposa teria ficado envergonhada, não quis nada.

E o marido serviu-se de mais um ou dois rissóis, agradeceram e seguiram o seu caminho.

Mais alguém passou que achou piada e também se serviu.

Uns breves minutos passaram quando a amiga organizadora da visita a Fátima, de frente para o corredor, diz: " A esta temos de oferecer".

Todas voltaram-se para ver quem era a "esta". 

A blogger deste cantinho riu-se. As outras riram-se, também.

Junto a "esta" o marido  com o filho mais novo sentado sobre os seus ombros. Muito simpático, diga-se.

Uma delas pergunta: " São servidos?"

Resposta da "esta": " Muito obrigada. Vamos dar de comer ao menino, os outros não quiseram vir,  ficaram lá em baixo"

De casaco comprido cinza, respondeu-nos com muita simpatia, agradeceu o gesto. Ele agradeceu também. E não se serviram.

Quando o casal estava fora de alcance, eis que uma das amigas do grupo comenta: " Não suporto esta mulher..." E conta às outras o motivo de...

Logo a seguir, telefona ao marido a contar a cena....E o marido ainda lhe respondeu que ela há-de mudar...

O mundo é pequeno, e, no meio da multidão passou junto ao grupo a mui conhecida e popular ex-ministra da Agricultura e Mar, agora presidente do CDS-PP e candidata à Câmara de Lisboa, Drª Assunção Cristas.

 

 

 

Fátima, o meu/nosso dilema

Maria Araújo, 06.05.17

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Vou a Fátima no dia 12. Até aqui, tudo bem.

Mas estou/estamos com um dilema que é: como vai ser a noite/ casas de banho?

Sem alojamento, com os agasalhos necessários para a noite, depois de ter enviado um e-mail a comunicar a meteorologia para os dias 12 e 13, com chuva,  a "organizadora"  diz isto :

 

"Segundo a H , não se dorme nessa noite (há muitas cerimónias a decorrer), vamos andando de capelinha em capelinha. Fátima é fria, logo tempos que levar roupa quentinha para a noite. No caso de chover, levar um impermeável........  xixi,..... há muitas casas de banho públicas e cafés, e..."

 

Ontem, num jantar de amigos, e em conversa com uma das amigas que faz parte do grupo de Fátima, habituada a longas caminhadas em peregrinação ( mas a idade também já pesa) e a cerimónias deste género, comentou comigo:

"Sempre pensei que participaríamos nas cerimónias da noite de 12 e no dia 13, de manhã cedo, regressaríamos a casa.

Não estava à espera de ficarmos para o dia 13 até porque não temos alojamento, vai ser muito complicado aguentarmos a noite toda no recinto. E se chover, o melhor será levarmos calçado impermeável, que é muito caro. Vou tentar arranjar emprestado."

Ora, a vai a pé, como sempre o faz, há anos, encontra-se connosco, sei lá bem onde, no recinto.

A C, a "organizadora", que é amigas delas, acha que nós aguentamos a noite e o dia. Decidiu-se, ficou decidido.  

Os bilhetes de autocarro, ida e volta, estão comprados.

Comentei com a A, no jantar, que quem não aguentar as 24h o melhor será não ficarmos para as cerimónias do dia 13.

Comentário dela:

" Se não aguentarmos, e a P diz o mesmo, manhã cedo metemo-nos num autocarro até à Batalha, ou Coimbra e seguimos para Braga. Que se lixe o dinheiro do bilhete."

Inteiramente de acordo. Tenho a certeza que não vou conseguir ficar 24h num recinto com uma multidão de pessoas, imagino com longas filas para as casas de banho, seguido das horas em pé durante a noite.... É este o meu/nosso dilema.