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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

coisas do meu dia

Maria Araújo, 23.04.17

Desde que comecei a marcar as minhas aulas no ginásio pela aplicação do telemóvel, levo-o para o quarto, ponho-o a despertar precisamente dois minutos antes da hora que tenho de fazer a marcação. 

Esta madrugada segui a rotina.

De manhã, por volta das 9h00, e a pensar ir à praia, acordei antes de ele me despertar. Peguei nele para ver as horas.

Aparecia no ecrã um fundo preto e as letras a branco, a marca do telemóvel. Deduzi que algo não estava bem.

Tentei desligá-lo, mas não cedeu. Pensei que a bateria poderia estar descarregada, liguei-o à tomada. Nada se alterou.

E a hora para marcar a aula estava a chegar. Desconfiada,  aguardei que o despertador desse sinal. Mas não deu.

Tantava desligá-lo, continuava igual.

Levantei-me, decidida a ir à loja. Esqueci a praia. 

E encontrar a garantia? 

Costumo guardar a factura na pasta do e-factura. Tinha outras mais antigas, e a do telemóvel, que nem um ano tem, não aparecia.

Estava à toa, as pastas são muitas, tinha a certeza que era nesta que a guardara.

Fui ver as pastas mais antigas, não encontrei, até que peguei numa pasta de lombada estreita. Lá estava ela.

O tempo está a favor para caminhar, aproveitei para ir a pé, o que me leva cerca de 35 minutos.

No Media Markt, expliquei o que se passava ( e já não era a primeira nem a segunda vez que isto acontecia, embora desligando e ligando, ele voltava a funcionar).

O telemóvel ficou na loja. 

Sendo um desbloqueado, vi um a 20 euros, serve para o meu dia-a-dia, mas só o compro se não conseguir  um emprestado. A Sofia tem vários, vamos ver se algum serve para desenrascar.

Saí da loja, fui na direcção do centro comercial onde tem uma loja de registo do euromilhões, queria registar o meu caso amanhã decida ir à praia, e na terça, que é feriado, a possibilidade de o registar aqui no centro da cidade é menor.

Da loja, uma fila vinha até à entrada. 

Reparei que predominavam as mulheres, deduzi que estavam ali para comprar raspadinhas.

Ao lado da fila, de costas para mim, uma delas segurava as raspadinhas com uma mão e a outra raspava-as.

Às tantas, vira-se. Reconheço-a, e ela a mim.

Fez-me uma grande festa, há anos que não me via, como estou, e tal.

Eu cumprimentei-a. Não me lembrava do nome, mas também não lhe perguntei ( lembrei-me dele, Rosa, no caminho para casa), perguntei-lhe pelos filhos, se ela continuava lá ( na empresa, não me lembrava que ela tinha emigrado há anos), respondeu-me que já não estava lá, na Suíça, que regressara em 2010 mas os filhos continuavam no país e que vai vê-los várias vezes no ano.

Quando me vê de euromilhões na mão, diz-me que nunca joga, que só joga nas raspadinhas. 

Comento que raramente as compro, que é um vício...

"Ai, nem me diga nada!", comentou, " Se soubesse o quanto eu gasto nelas! Estou sempre a jogar".

Baixinho, digo-lhe eu: " Raramente as compro, jogo no euromilhões com uma amiga, senão nem jogava. Sabe o que faço em vez de gastar o dinheiro nisso? Meto-o num mealheiro. Quando estiver cheio, abro-o e uso-o para alguma viagem que queira fazer."

Respondeu-me ela: " Uma boa ideia, sim senhora, pelo menos não gasta nisto. Usa-o para si. Eu não me controlo."

As senhoras que estavam à minha frente riram-se...Elas também as compravam.

Às tantas, a Rosa, para não ir para o fim de fila, aproveita-se da minha vez e,  junto ao balcão(eu deixei, claro), entrega as rapadinhas sem prémio e pede mais umas quantas de vários valores.

Despediu-se de mim e foi embora.

A Rosa era ajudante de cozinheira na empresa do meu pai, onde eu também trabalhei 15 anos. O marido era trolha, tinha uma pancada, era um inconstante, ela queixava-se dele, mas adorava-o. E acho que ele a ela. 

Acabei o curso, saí da empresa. Ela  ficou mais uns anos, até emigrar.

Passaram 26 anos.Ela está uma lady. Unhas compridas, de gel, bom aspecto, com certeza. Uma chave grande na mão, só podia ser de um carrão. Gasta um dinheirão nas raspadinhas, mas ela sempre teve um bom coração.

Oxalá a vida lhe sorria por muitos anos e que o dinheiro que gasta em raspadinhas não venha a fazer-lhe falta.

Gostei de ver a Rosa.

 

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raspadinhas

Maria Araújo, 09.02.17

Jogo o euromilhões há cerca de oito anos com uma grande amiga.

Registo, semanalmente, o boletim, faço as contas, envio-as por e-mail.

As contas estão em ordem, nada falha. Ela confia em mim, só vê se me deve dinheiro ou não.

Dos poucos prémios que temos ao longo do ano, que não vão além de 8 euros, uso-os à medida que o dinheiro de cada uma de nós acaba.

Quando não há dinheiro em caixa, pago e depois acertámos as contas.

Ora no início de Janeiro fechei as contas de 2016.

Para começarmos 2017 do zero, em caixa ficara 1 euro, decidi comprar uma raspadinha nesse valor.

Da raspadinha que comprei, tivemos um prémio muito bom: 1 euro!

As últimas semanas tenho ido registar o euromilhões a uma das casas de jogo do centro da cidade, reparara que as filas que habitualmente se formavam, sobretudo pessoas idosas que compravam rapasdinhas, não haviam.
Segunda-feira, fui registar o euromilhões, levava a raspadinha premiada para trocar por outra de igual valor.

Reparei que a casa estava vazia.

Dirigi-me ao balcão onde estavam os três funcionários do costume, entreguei os talões do euromilhões ( sem prémio) e quando lhe mostrei a raspadinha, diz-me que não tem.

Achei estranho, apeteceu-me perguntar porquê.

Respondeu-me com ar indignado com a mesma pergunta " porquê?!, ao que eu insisti que gostava de saber porquê.

Foi então que, antipático (felizmente os outros são bem mais sorridentes) disse:

- Não temos raspadinhas porque o patrão não quer. Olhe não faltam raspadinhas por aí, troque num qualquer ponto de venda.

Raramente compro raspadinhas, saí da loja a pensar onde poderia trocar a que trazia até que me lembrei que, perto de lá, tem um ponto de venda com todo o tipo de raspadinhas.

No balcão, mostro-a à jovem funcionária (ou filha de patrão, provavelmente) que  me respondeu isto: " Não temos raspadinhas de um euro".
Fiquei a olhar para ela, via tantas raspadinhas à minha frente, ao que, mais clara, disse: " Só vendemos raspadinhas de dois euros para cima".

E saí da casa a falar para o meu decote: " Caramba. Num lado, o patrão acabou com a venda das raspadinhas, está a casa às moscas com três funcionários ao balcão a olhar a porta para ver quem entra. Noutro, são finos demais, só vendem raspadinhas superiores a dois euros. Desta forma, os cliente não vão lá."

À tarde, fui ao centro comercial onde tem um ponto de venda ( deve ser o que mais jogo vende na cidade), e troquei-a.

E é isto. Eu que raramente compro raspadinhas,  não fazia a mínima ideia que uma Casa da Sorte ou Casa Campião podem não querer vender um determinado produto, no caso, as raspadinhas.

 

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"os milhões que nunca mais acabam"

Maria Araújo, 26.09.16

e que já está a levar muitos apostadores a gastarem mais 50 cêntimos em cada jogo.

Há anos que jogo com uma amiga os dois sorteios do euromilhões, exceto o jóker.

Hoje, fui registar o desta semana.

Não estava ainda a par das novas regras do jogo (sabia que há um novo jogo e que pagaria mais cinquenta cêntimos por cada um) foi-me explicado que este MILHÃO é exclusivo para Portugal e é garantido sair a uma pessoa.

Ri-me.

Vinha para casa a pensar no quanto a Santa Casa da Misericórdia  poderá arrecadar com este novo sorteio, não tivesse ele o nome de MILHÃO.

Se o vício das raspadinhas entrou no quotidiano das pessoas sobretudo nos idosos reformados,  sem dúvida alguma que vai aumentar o número de pessoas que vão tentar a sua sorte jogando o euromilhões ( que pelos vistos estava em queda)  e terem na mão o jogo do MILHÃO.

Quando escuto a publicidade do euromilhões que acaba com a frase " Jogos Santa Casa, sempre a apoiar boas causas", penso ( em vão, eu sei) que seria muito bom, também, esta instituição apoiar as Associações de Animais que lutam dia-a-dia para cuidarem  dos animais, têm imensas dificuldades financeiras e de logística, vivem da bondade e da sensibilidade das pessoas e dos voluntários, gratos ficam com o pouco que recebem e bem-vindo, claro. Mas não chega.

Se no folheto que tenho comigo, diz " Agora, o euromilhões tem mais novidades e mais milhões para dar, MILHÕES que nunca mais acabam", porque não um pouco da receita ser dirigida para os animais?

É que hoje, também, a Sofia, voluntária na ABRA há poucos dias, que tem levado sacos de ração que a mãe compra, pediu-me para arranjar (comprar) mantas e ração, porque o tempo frio e de chuva aproximam-se e os animais precisam de agasalho.

E foram as suas palavras que me lembraram a Santa Casa "sempre a apoiar boas causas".