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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

estacionamentos à moda de Braga

Maria Araújo, 03.03.20

Aqui em BRAGA é o texas por causa dos estacionamentos.

Paga-se estacionamento nas ruas principais, o povo não quer pagar, arrisca. Uns têm sorte, a multa não aparece nos vidros dos seus carros, outros, estacionados mais abaixo, já a têm.

Andam aos pares, os funcionários da TUB, a  actual concessionária dos parquímetros.

Mas é o safe-se quem puder.

Fui mais tarde para a fisioterapia, habitualmente vou a pé, não me custa nada andar, mesmo com chuva, excepcionalmente hoje, decidi levar o carro.

Sorte que encontrei um lugar junto à clínica. Fui tirar o bilhete.

Mesmo em frente à máquina, um carro estava estacionado indevidamente, pensei que fosse algum utente da clínica que arrisca deixar o carro como entende, acha que por uma hora até pode ter sorte.

Inseri uma moeda de um euro, tinha uma hora e vinte minutos, estava à vontade, sabia que saíria antes do tempo para tirar o carro.

Por volta das 11h50m saí da clínica, uma das técnicas pediu-me boleia, quando saímos, comentei com ela sobre o carro que continuava estacionado.

Passando junto ao mesmo, reparei que o bilhete marcava 9:55h, o que significava que o carro estava estacionado há duas horas.

A técnica comentou comigo que a viatura não devia estar ali, e de repente veio-me à mente que o carro seria da terapeuta da clínica ( sei que tem um carro da mesma cor e marca daquele). Mas não disse nada.

De tarde, tive que tratar de um assunto, tinha de tirar um bilhete, a rua estava cheia de carros, uns em cima do passeio, outros nos lugares de estacionamento, uns com bilhete, outros sem ele, até que reparei que junto ao contentor do lixo, duas viaturas estavam estacionadas em diagonal, uma delas ocupava metade do lugar de estacionamento  paralelo, pago.

"É preciso ter lata! Qualquer buraco serve para estacionar, o que interessa é não pagar!" comentei.

Sem alternativa, e já disposta a estacionar no parque, fiz inversão de marcha, tentei mais uma vez, ver se alguém saíra, eis que ao dar a volta à pequena rotunda que lá existe, percebi que uma senhora abria a porta do carro, perguntei se ia sair.

Tive sorte, estacionei o carro.

Quando saí, ouvi pessoas a discutir.

Um carro parado atrás do meu, no meio da via, o condutor discutia com outro homem que se aproximava dizendo que estava a fazer-se à filha, que bem viu, que não tinha nada que fazer isso. Olho para trás e vejo uma mulher que se juntou a este e começou a discutir com ele, também, tipo, o que é que o senhor queria, o lugar não era seu, o lugar era meu.

Eu segui o meu caminho.

Porque  onde eu ia tinha uma espera de uma hora, avisei que ia tirar o bilhete e voltava de imediato.

Quando estava na máquina, ouço a mulher atrás de mim a dizer que ele era um mal educado. Não dei importância, quando o meu bilhete saiu e fui pô-lo no carro, vi que o homem estacionava o carro num lugar que entretanto ficara vago, ouvi ela comentar: " ele até já tem ali um lugar, e maior que o meu".

Conclui que a discussão era a disputa de um lugar que provavelmemte ficara vago, mas a mulher ocupara-o porque chegou primeiro e certamente que não viu o homem que estava atrás do meu carro, e este achava que o lugar era seu.

E é isto. As pessoas discutem por nada.

Não há paciência e respeito. E por vezes não sabemos o que pode surgir destas discussões.

Eu fujo.

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foi o caos em todo o lado

Maria Araújo, 19.12.19

e aqui na cidade, fecharam alguns tuneis, estive presa no trânsito quando fui buscar o meu sobrinho neto ao colégio.

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Os sobrinhos netos chegaram bem, a turbulência foi muita, estão em casa,  decidimos ir dar-lhes um beijinho de boas-vindas. 

O acesso à zona do hospital público estava completamente entupido, as ambulâncias passavam por entre os carros e,  contrariamente ao normal, o trânsito ia na direcção da UM, conseguimos chegar mas com muiito tempo de espera.

Quando regressava a casa, percebi porque o trânsito era intenso, e continuava:  o túnel que dá acesso ao Braga Parque, também estava interdito, fui obrigada a seguir pela via que vai dar à estação de comboios, que estava mais calma, andei mais mas cheguei rápido a casa..

E porque nos dias de chuva intensa, quando vou ao Braga Parque, receio estacionar no parque, porque imagino uma inundação, se fosse lá hoje, ficaria assim:

 

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fotos daqui

 

 

 

foram quatro os chicos-espertos

Maria Araújo, 16.05.19

e esta cena é para contar com pormenor.

Ontem, foi um dia não no que se refere a trânsito. 

Estamos na semana académica, o dia foi do desfile do Enterro da Gata e se o trânsito nesta zona onde vivo é complicado, pois conta com quatro escolas, imagine-se a confusão que esteve neste final de tarde. 

Portugal é o país dos chicos-espertos, e hoje tive o azar de apanhar quatro deles.

o primeiro: 

subia a rua 25 de Abril, vejo alguém aproximar-se, era um amigo do meu irmão mais novo, perguntou-me de quem era o bebé, caminhávamos à medida que conversávamos até que na curva que dá acesso à minha rua vemos um chico-esperto, que tinha idade para ter juízo, andaria nos 70, faz marcha atrás, sobe a rampa de uma garagem do prédio e estaciona o carro em cima do passeio, ao lado do portão dessa garagem.

Aproximamo-nos, o carrinho de bebé não passava, tinhamos de descer o passeio e seguir pelo meio da rua.

Meu protesto: " Então, isto é assim?! O senhor estaciona em cima do passeio, não vê que os peões não podem passar?"

Ao mesmo tempo que o chamo à atenção, o amigo do meu irmão de um lado, eu do outro, pegamos no carrinho, e diz este: " O passeio é seu? Como é? Temos de pegar no carrinho e descer o passeio, é?"

E responde chico-esperto ohlando o espaço entre o carro e o muro: " Ai, não consegue passar?"

"Claro que não! O senhor não vê que ninguém consegue passar? Temos aqui um bebé. Além de que é um passeio não pode estacionar aqui", respondi.

Resposta dele: "Desculpe".

Deixou o carro no passeio, e desapareceu.

Uns minutos depois a minha sobrinha chegou, pega no filho, comento o que se passou ( o carro continuava lá).

Pensando que seria de alguém de um escritório que há neste prédio, a minha sobrinha foi perguntar e pedir que tirasse o carro do passeio.

Mas não. Não era de ninguém dali.

E tirei um fotografia.

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o segundo

a caminho do Hospital Braga Centro, a poucos metros daqui, deparámos com um carro em cima do passeio, não deixou espaço suficiente para o peão passar.

Perguntamos na clínica dentária se seria de algum utente,não era de ninguém, resolveu a minha sobrinha deixar um aviso.

Não tinhamos papel onde escrever, ela repara  num senhor que está dentro do carro (devidamente estacionado) foi ter com ele, perguntou se tinha papel e caneta.

Tinha.

E escreveu este aviso.

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E tirei mais uma fotografia.

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Copiei o texto no sentido de voltar a trás e pôr no pára-brisas do primeiro carro mas quando cheguei já não estava. 

Safou-se.

 

o terceiro

Saía eu do hospital privado, ia dar um passeio com o bebé enquanto a mãe ia à consulta, desço a rua, o trânsito era intenso, ninguém andava.

Do  estacionamento do hospital, em cima da passadeira, estava um carro azul, o condutor queria infrigir a regra de trânsito, seguir  pela rua com sentido proibido.

Aproximando-me do carro, e tive de me meter à frente porque a passadeira estava ocupada por ele e atrás tinha outro carro, comentei que não podia ir por aquela rua porque tem o sinal de sentido proibido, ao mesmo tempo que apontava para o sinal.

Ele olhou para mim, eu repito que não pode infringir o sinal, respondeu-me ele:
" Mas eu quero ir por ali porque se não estou fodido".

Ao mesmo tempo que o diz, eu sorrio.

E ele reconheceu-me.

Segui o meu caminho e uns poucos metros percorridos,  olhei para trás. Alguém lhe teria dado lugar, meteu-se na fila. Não infrigira a regra.

Imagino a cara dele quando percebeu que era eu, a utente que tinha estado com ele há cerca de dois meses no centro de saúde ecom  quem tinha recordado algumas passagens do passado, aqui na rua.

O senhor doutor por quem eu até tinha alguma consideração e porque o conheço desde a adolescência estalou, naquele momentou, o verniz.

 

o quarto

Fui dar um passeio pelo centro da cidade, quando regressei, exactamente no mesmo passeio onde estacionara o primeiro carro, entre a parede do prédio e a árvore, estava um carrinha estacionada, mas este chico-esperto, estacionou de modo a que os transeuntes passassem. E o carrinho de bebé passou, também.

Esperava a minha sobrinha, junto ao carro, queria ver quem era ele, ou ela, o dono(a) da viatura.

Quando tal, vejo um casal meia idade, aproximar-se da viatura. O chico-esperto entrou no carro, ela também.

Eu não disse nada. Mas no momento que entravam para o carro, fotografei-o.

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O meu sobrinho, condutor e ciclista, sempre atento aos chicos-espertos desta cidade, vai fazer o obséquio de publicar aqui.

Há uns meses, estava prestes a começar a aula de Pilates, alguém falou sobre estacionamentos e a má educação dos cidadãos desta cidade.

A professora, natural de Lisboa, a viver cá há alguns anos, disse exactamente o mesmo que diz a minha sobrinha que viveu em Lisboa 9 anos: Em Lisboa não se vê disto a polícia anda atenta. Cá em Braga o pessoal não respeita ninguém.

Faço minhas as suas palavras, agora que estou mais atenta às infracções e condução: não há piscas nos carros, não dão prioridade a quem a tem, estacionam os carros em segunda fila, em frente às garagens, junto aos contentores do lixo e/ou reciclagem, é a lei da selva, por cá, e se alguém reclama manda o outro para o c@*@*&#.

 

 

 

 

o parquímetro

Maria Araújo, 23.01.19

Fui buscar o sobrinho neto ao berçário ( felizmente não chovia, levei o carrinho do bebé) vinha para casa, vi e ouvi uma mulher, que tinha uma nota de 5 euros na mão, aproximar-se de um homem que passava perto e perguntar-lhe se tinha moedas e as trocava pela nota, precisava de pagar o estacionamento.

O homem respondeu que não tinha, seguiu caminho.

Ela virou-se, viu-me, fez-me a mesma pergunta. 
Sabia que tinha algumas moedas, mas que chegassem aos cinco euros não.

Abri o porta-moedas, tinha cerca de 4,30 euros , não dava para trocar.

A cem metros da rua há vários cafés, estive para lhe dizer que fosse lá trocar o dinheiro, mas quiçá naquele espaço de tempo a polícia passasse por ali e multasse a senhora?

Peguei em 0,50 euros e dei-lhos.

Não queria, que tinha algumas moedas pequenas mas que não chegavam para o tempo que precisava, que dá-me, então, as moedas que tem..."

Respondi que não queria nenhuma moeda, que as juntasse à que lhe dei e tirasse o papel, certamente que chegaria para o tempo que precisava.

Agradeceu-me muito, e eu segui o meu caminho.

Tinha razão a minha mãe quando dizia que eu jamais seria rica.

E eu não me importo nada.

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