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cantinho da casa

cantinho da casa

da fisioterapia

Já ouvi dizer que os cursos de fisioterapia são muito procurados aqui na cidade. Penso que a única escola que existe  fica no concelho de Amares.

Os estagiários que falei aqui, acabaram o estágio.

Esta semana, entraram outros.

Ouvi a terapeuta-mor dizer que desta vez é um grupo de jovens franceses que vieram estudar fisioterapia para o nosso país.

Das poucas palavras que trocamos, percebi que a jovem estagiária percebe e fala bem português. E fez-me uma massagem que nunca nenhum terapeuta me fizera desde sempre.

Hoje, foi um jovem. Perguntou-me qual o lado da cervical que precisava que insistisse na massagem. 

No final falou comigo sobre alongamentos, mas não percebi o que ele quis dizer.

Na dúvida de não ter entendido o que eu também não entendi, disse-lhe que a massagem era a etapa final, ficava completo o tratamento.

Ele saiu. Dei tempo para que voltasse caso tivesse alguma coisa a dizer-me, mas não apareceu.

Quando me vestia, ele falava com a terapeuta-mor, percebi que para ele os alongamentos são as massagens.

Quando saí,  vi o seu rosto. Tem ar de adolescente.

 

 

 

 

 

o regresso

fiquei feliz porque o desconfinamento a conta-gotas vai acontecer já a partir de segunda-feira.

eu concordo, sobretudo porque  começa pelas crianças.

hoje, recebi um vídeo da minha sobrinha, em que a educadora do filho cantava aos meninos a dar os bons dias e o regresso ao colégio.

fiquei emocionda.

o menino estava comigo, a mãe pediu-me para lhe mostrar o vídeo.

primeiro ficou a olhar, percebeu que era a educadora, achou estranho,virou a cara.

depois, riu-se.

quando eu lhe disse que ia para o colégio brincar com os meninos e fazer trabalhinhos com a educadora, os olhos dele brilharam.

e disse-lhe: atira um beijinho à L

e com a carinha linda que ele tem, aqueles olhos azuis que encantam qualquer pessoa,  fez o gesto com a boca, chegou a mão a ela e enviou o beijo.

fiquei emocionada.

e agora, devagar, continuemos a cumprir as regras, sem pressas, porque quem aguentou dois meses aguenta mais um, para que em Maio estejamos todos  a comemorar, sem ajuntamentos, a nossa liberdade.

eu cumpro.

já sinto  a felicidade de ver as crianças nas creches e escolas.

 

o regresso

Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos

 

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Seria com este verso da canção de Carlos do Carmo que poderia começar este post sobre o regresso às aulas,e em tempos "normais" para todos nós.

Abri o estore da janela do quarto e vi  as crianças, no pátio da escola, não a correr como índios ou bandos de pardais à solta, ou numa algazarra no campo de futebol a chutar à bola, ou a abraçarem-se porque vêem os amigos, porque é o primeiro dia de escola.

Há duas entradas para a escola:uma para as crianças dos primeiro e segundo anos, a outra, do lado oposto,para os terceiro e quarto anos.

Fiquei emocionada.

Separadas, em duas filas, e aos pares, as crianças com as máscaras no rosto, carregadas da lancheira,das mochilas e  grande parte com caixas que seriam dos materiais a usarem durante o ano lectivo,estavam acompanhadas dos seus professores.

Uns largos minutos depois de as filas estarem completas e ordenadas, à vez, as crianças seguiam o professor que os levava para as salas, seguindo as setas amarelas no chão.

Do lado de fora, os pais esperavam ver os filhos entrarem na escola.

Quando já não hava crianças no pátio,os pais deixaram a rua tranquila.

Veio o intervalo. Antes seria de trinta minutos, é agora de dez,  não estão as turmas todas ao mesmo tempo.

O pátio está separado por fitas, e as crianças brincam, acompanhados dos professores.

As crianças precisam da escola, precisam de conviver, precisam de voltar a ser pardais à solta.

Na escola secundária,do outro lado da rua, os alunos estão aos pares ou em pequenos grupos, à porta, a conversar.

O café, que antes estava cheio de alunos, não tem ninguém.

 para que tudo corra bem, que a anormalidade depressa passe.

 

"Eu gostaria de fazer um alertar para um tema controverso..."

Sou pouco facebookiana, continuo a manter a minha página porque tenho lá alguns bons amigos,e porque o contacto deste desafio ( ainda activo)  é feito por lá.

Hoje, fui informar que o livro  do mês foi enviado para o correio,encontrei nesta página ,este texto que despertou a minha atenção.

Costumo acompanhar um familiar à terapia numa clínica de fisioterapia,na Maia, clínica essa frequentada por crianças com síndromes,sem síndromes, jovens, idosos, qualquer pessoa que precise de recuperação.Pessoas que vêm  dos vários cantos do país, e do outro lado da fronteira.

E é neste lugar especial que dou conta das muitas crianças com necessidades físicas ( cognitivas) especiais. Entendo o quanto é importante integrá-las e serem aceites pelos outros, nomeadamente pelos adultos.

Muitas foram as vezes que lá entrei e apeteceu-me fugir por ver o sofrimento das crianças E o que leva os pais a procurarem este tipo de fisioterapia, e digam e/ou pensem o que quiserem mas  estas alternativas são fundamentais para estas crianças. Falo porque sei. Ando lá há dois anos.

Então, decidi partilhar este texto convosco, para vos dizer que a minha experiência nestas idas à Maia têm sido fundamentais para perceber o quanto é urgente e importante integrar as crianças com necessidades especiais com as outras crianças,quer seja na escola,quer no parque infantil,nas actividades de fim de semana com os  pais, nas festas dos amigos da escola, nos tempos livres.

E todos sabemos que estas crianças, no que se refere à brincadeira, à música, à natação,são mais extrovertidas,são únicas. 

Cabe a nós,adultos, aos pais, aos educadores, a missão de  explicarem aos seus filhos, sobrinhos, netos, sobrinhos netos,que estas crianças têm algumas diferenças e que precisam de conviver,de brincar,de serem aceites por todos.

Ah! E são crianças que dão muito amor aos outros.

da página do FB deste senhor, o texto:

Eu gostaria de fazer um alertar para um tema controverso...
Se os teus filhos não convivem com crianças com necessidades especiais na escola e nunca os ensinaram que nem todos são iguais, talvez devas investir 10 minutos hoje à noite para lhes explicar isso, porque, embora eles possam não conviver atualmente com essas crianças na escola, eles certamente vão encontrá-los nas suas vidas no futuro.
À luz dos eventos frequentes sobre a exclusão de crianças com autismo de participar em viagens escolares e de crianças com Síndrome de Down serem expulsas das aulas de dança porque não conseguiam acompanhar o ritmo, sinto a necessidade de compartilhar isto. Há meninos e meninas que ninguém convida para festas de aniversário. Existem crianças que querem pertencer a uma equipe, mas não são selecionadas porque é mais importante vencer do que incluir essas crianças. Crianças com necessidades especiais não são esquisitas ou estranhas, elas só querem o que todos os outros querem: serem aceites!
Estás disposto a copiar e colar este post no teu mural sem compartilhá-la, como eu fiz, por todas as crianças especiais por aí?
❤️💜🧡💛💚💙🖤
Por favor, ensinem os vossos filhos a tratarem de igual forma todas as crianças! Todos precisamos de amor e bondade...
 

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Quem me ler e quiser partilhar na vossa página do FB ou nos vossos blogues, fico grata.

 

coisas minhas, de hoje

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E como  se não chegasse o que  aconteceu ontem,  4ª feira é o dia que tenho mais livre de compromissos, pelo que vou sempre por volta das 17:30h  buscar o sobrinho neto ao colégio.

Chovia, seria melhor levar o carro. Meti a chave na  ignição, o carro não deu sinal de si (  há cerca de três semanas fui jantar fora, quando fui levar a minha amiga a casa, parámos a conversar dentro do carro, quando pus o carro a trabalhar, tivemos de o empurrar para que ele pegasse e eu pudesse chegar a casa. Como desde então a bateria sempre funcionou, e hoje de manhã ainda fui ao ginásio, não o levei à oficina, teria de acontecer ), agora de tarde, bateria, Zero!

Pensei  levar o carrinho dele, lembrei-me que o plástico ficou no carro do avô, impossível trazer o miúdo ao colo, são cerca de 15 minutos a pé. 

Liguei para a mãe, que não atendeu.

Tomei a decisão de ir a pé até ao colégio, pediria um táxi que nos traria a casa.

E assim foi.

Quando pedi ao taxista para parar o carro em frente ao portão que dá acesso às garagens do prédio, ele não o fez, deixou-se estar na via, depressa dei-lhe o dinheiro para pagar e no mometo que me entregava o troco, ouviram-se os carros atrás de nós a buzinar insistentemente.

O taxista disse: "Não se preocupe, eu não tenho pressa, deixe-os buzinar".

Os condutores insistiam nas buzinas, até que eu saí do carro com o menino, o guarda-chuva ( que estorvava demais) e a carteira.

 O taxista seguiu rua abaixo e quando passei à frente do primeiro carro e pedi calma, que tinha uma criança ( dois anos) ao colo.

O gajo (desculpem, mas é assim que merece ser  tratado) gesticulava para mim, mete a primeira e segue rua abaixo,  eis que no carro atrás daquele, uma mulher ( gaja)  manda uma buzinadela, baixa o vidro, olho para ela que e diz " Tenha calma, não! Há lugares para estacionar, por que é que ele não estacionou lá?"

Virei as costas, não lhe respondi, não valia a pena dar conversa a gente desesperada.

Isto aconteceu no máximo dois minutos.

Eles até tinham razão,não custava nada o taxista estacionar nos lugares vagos,mas quando me viram com a criança ao colo não deviam ter resmungado comigo. Mas também não fiquei muito incomodada, porque foi rápido.

Ora de manhã, a confusão de trânsito aqui na rua é demais. Há uma escola do primeiro ciclo, a rua é estreita, muitas vezes os pais deixam os carros em frente aos portões dos prédios, vão deixar os filhos na entrada da escola e, no meu caso, sou obrigada a esperar que venham tirar o carro para eu sair. E não resmungo.

Quando vou ao ginásio, levanto-me mais cedo para evitar este pára, arranca, na rua.

Estes chicos-espertos que resmungaram comigo, hoje, são pessoas que trabalham aqui na zona ( CTT, Finanças, Registo, Hospital, Escola Secundária) sabem que esta rua tem horas de trânsito lento na entrada e saída das crianças da escola, porque diabo foram protestar comigo.

Oh, gente impaciente!

 

 

imaginem uma linha que passa a meio da sala

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Este dia começou logo de manhã com um carro estacionado em frente ao portão que dá acesso às garagens.

Os pais têm de deixar os filhos à porta da escola, esquecem-se que o dia também começa de manhã para quem vive nesta rua. 

Verifiquei se alguém subia a rua, que fosse o dono(a) da viatura, e a  tirasse dali. Mas não. E buzinei, uma, duas vezes.

E no passeio, a meio da rua, vi um grupo de mulheres que conversava. Pensei se não seria uma delas a dona da viatura. 

Esperei cerca de três minutos, já estava a prever chegar tarde ao ginásio (apanho trânsito dos papás que deixam os filhos à porta das várias escolas da zona) e perder a senha da aula de Pilates com Bola.

Sem paciência, espreitei, de novo, para o fundo da rua. Vejo uma das mulheres do grupo aproximar-se.

Ninguém, aqui na rua, fica chateado que deixem os carros estacionados, por breves minutos, em frente às entradas para as garagens, levem os filhos à porta da escola, sobretudo se estes são pequenos, e há funcionários a supervisionar, mas venham de imediato tirá-las e não fiquem a conversar como se não houvesse dia para os utentes desta rua. 

Mas esta teve um desplante!

Propositadamente, e para que o meu carro fosse visto, deixei-me ficar a ocupar o passeio. Ela aproximou-se, dirigiu-se para o seu carro e diz: " desculpa!"

O quê?!  Desculpa?! Mas a fulana conhece-me de algum lado?! Olha-me esta!", comentei para o meu decote.

Os carros faziam fila na rua e eu fervia com o pára, arranca, até que segui para o ginásio por um caminho diferente, consegui chegar a horas.

Já na aula, e hoje com menos pessoas que o habitual, com muito ou pouco espaço, as senhoras não têm a noção deste, senti-me claustrofóbica porque estavam quase em cima de mim, peguei no meu tapete e na bola, fui para o fundo da sala.

A aula seguiu o seu ritmo, até que num dos exercício o professor pediu que todas ficassemos de frente para o meio da sala, e como há quem não entenda,  explicou: "Imaginem uma linha que passa a meio, quero que todas se virem de frente para ela".

No estrado, e para que todas percebamos o que vamos fazer, ele coloca-se de lado quando quer exemplificar um exercício.

Mas há a totó.

A totó ficou de frente para mim, isto é, fez o contrário  do que o professor pediu. Fiz-lhe o gesto que tinha de se virar para o meio da sala. 

Perguntou ao professor por que tem de se virar. Este, ao mesmo tempo lhe dá a resposta, acrescenta ela: "Ah! Mas eu prefiro fazer na mesma posição que  o professor toma para explicar " .

E ele acrescentou  que era mais conveninente seguir o que pedira, mas que fizesse como entendesse.

E ela fez como entendeu para si.

Quando tal, a totó estava fora do seu tapete, os seus pés tocavam os meus, ajeitei-me para que não esbarrássemos com as bolas e continuou até ao exercíco seguinte que era executado deitadas em cima do tapete. E a totó só percebeu que estava a fazer tudo mal quando se viu no chão e fora do tapete. E foi então que se desviou de mim.

A senhora tem falta de neurónios. Diz coisas fora de contexto, o/a professor (a) diz uma coisa, a maioria da vezes ela faz ao contrário, porque não ouve as instruções, não tem destreza motora.

Ontem, na aula de antigravity , e já se percebeu que ela não tem capacidade para fazer uma aula destas, além de não conseguir acompanhar os exercícios, a maioria são de equilíbrio, e porque não entende as instruções, põe-se em risco e compromete o trabalho da professora, que orienta.

Não sou contra ela tentar  desafiar-se, mas o senão é que ela não consegue perceber o que a professora diz.

Depois, ouve-se um " socorro!" e lá vai a professora ajudá-la a sair da confusão que se mete.

Todos temos mais agilidade para umas coisas, menos para outras, e eu sou péssima a cortar um papel ou a desenhar uma boneco, fazer um risco. 

Mas no que se trata de actividades físicas, vou para as que acho que sou capaz de fazer, não me faço de esperta e desafio o que sei ser impensável arriscar.

 

 

 

 

 

 

quando a criançada reage à provocação dos jovens

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Intervalo de almoço na escola  do 1º ciclo aqui da rua.

Junto ao pátio há uma passagem que vai dar a uma rua com acesso ao centro da cidade.

Os alunos da escola secundária passam por este caminho.

Estava eu nas minha tarefas, enquanto fazia o almoço, ouvi uma voz masculina, forte, proclamava qualquer coisa e as crianças gritavam de alegria.

Fui à varanda.

Nesse caminho, três rapazes negros e duas raparigas brancas, observavam os miúdos que jogavam à bola.

 O rapaz mais alto, gritava: "Bragaaaaaaaaaaa!"

Os miúdos saltavam e gritavam: Bragaaaaaaaaaaa!

Seguia-se a voz do rapaz: Benficaaaaaaaaaa!

E os miúdos gritavam mais alto : Benficaaaaaaaaaaaa!

Depois era a vez do rapaz:

Sportiiiiiiiiiiiing!

E elas: Uhhhhhhhhh!

E eu ria-me às gargalhadas com a cena.

Voltava a voz forte: Poooooooooooorto!
E deu-se o êxtase da criançada que saltava e batia palmas: Poooooooooooooooooooooooooooooorto!

Repetiu-se a cena para cada um dos clubes, com mais vigor e alegria da pequenada.

Acabou a cena, o grupo segui o seu caminho, as crianças regressaram ao jogo de futebol.

 

 

uns anos depois

Há algum tempo  que deixei de escrever sobre o aniversário dos meus sobrinhos ( onze) e sobrinhos netos ( cinco), mas hoje, e porque este mês é o que mais gosto para ir à praia, lembro-me muitas vezes destes primeiros dias do mês, quando levava os meus sobrinhos Diogo e Sofia, por lá brincávamos os três, nessa praia que  tem, agora, mais pedra que areia. Foram dias muito bem passados.

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 Sofia e Diogo

As aulas começavam por esta altura, frequentavam a escola do outro lado da minha rua, certos dias eu dava-lhes de almoçar, conforme as minhas horas de trabalho, também.

Por vezes, o Diogo não vinha directo para casa, ia para o campo de jogos da escola jogar à bola. Demorava, chamava-o, não me ouvia, descia as escadas, atravessava a rua e quase gritava para que me ouvisse e viesse almoçar.

Acabado o 1º ciclo, foi para uma escola fora da cidade, até que voltou para  fazer o secundário na escola do outro lado, no quarteirão  oposto à minha rua ( não faltam escolas aqui na zona).

Nos três anos do secundário, a maioria dos dias almoçava cá em casa. O pai  trazia a refeição, para não ter de ir a casa quando tinha aulas de tarde, ou eu cozinhava  e almoçávamos os três  ( eu, ele e Sofia).

Passaram mais três anos.

A Sofia, que sempre andou por aqui, tinha a chave de casa que, ora abria a porta e almoçavam juntos, ora eu deixava a minha chave no café, ele a procuraria no final das aulas da manhã.

Passaram mais 4 anos.

O Diogo formou-se.

Raramente o vejo. É um jovem muito ocupado, disse-mo ele.

O Diogo faz hoje 22 anos.

Deu-me imensas saudades pensar naqueles dias de Setembro que íamos à praia.

E as conversas de rir que, contava do irmão, o Nuno.

Foram belos momentos, que nunca mais se repetem aqui em casa,  à mesa, à hora do almoço.

Feliz Aniversário, Diogo.

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 Diogo, 22 anos

escola nova

Escola fechada para obras desde 2016,  em Janeiro a azáfama das obras acordava a vizinhança, ora eram os camiões que entravam e saíam gerando alguma confusão na rua, ora os chicos espertos não respeitavam a fita que vedava o estacionamento para que os camiões pudessem fazer a curva no início da rua estreita e com um sentido, deitando-a abaixo e estacionando as suas viaturas e, habitualmente, também na curva no final da rua, mas aqui a culpa era dos responsáveis da obra que nunca a vedaram, os camiões não tinham espaço para manobras, era ver e ouvir a confusão que se instalava até que aparecesse o dono da viatura, a tirasse e o trânsito voltasse à normalidade.

As obras nunca pararam, sábados e feriados, havia sempre alguém a trabalhar.

Estamos em Setembro,  as aulas começam dentro de uma semana, a escola tem de ficar pronta. E se os trabalhadores eram de mais, esta semana parece que triplicaram.

Às 8:00h os ruídos são muitos, não nos deixam dormir. Os camiões que chegam, o som incomodativo quando fazem marcha atrás, as máquinas que furam os muros  para colocarem as redes

São os homens que cimentam o pátio da escola, que berram ou lançam um "ei, olha o fio!", a engenheira que anda de um lado para o outro a coordenar o trabalho, o homem que se baixa e mostra as cuecas e o reguinho, o que trata da limpeza exterior dos vidros das janelas, os electricistas que entram e saem, o camião que descarrega as placas brancas, os moradores que querem estacionar os carros (aconteceu comigo, ontem) nas suas garagens e têm as entradas impedidas pelas carrinhas das obras.

Hoje, mais um dia que tive de sair da cama de tanto ruído que se ouve.

Fui à janela, vi,no meio desta confusão toda, dois  pássaros que voavam entre as duas árvores que ficam  deste lado do passeio em frente ao prédio, alheios ao ruído e azáfama das obras.

Dentro de uma semana, se tudo ficar operacional, os ruídos vão ser outros.

Serão os chilreares da criançada que vem para uma escola bonita e grande, mas que para isso lhes tirou as frondosas árvores que lhes davam a sombra nos dias solarengos de calor.

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a operária

neste post, falei da engenheira civil, uma profissão rara em mulheres, que orienta as obras da escola aqui da zona.

As obras avançam rumo ao final, a escola aumentou em largura e altura em parte do edifício, tratam, agora, do telhado, da pintura, do arranjo do terreno do recreio.

Ora, na segunda-feira, vi o que nunca vira. Uma mulher "trolha" que usava umas luvas de látex brancas, fazia par com um colega e, em cima do telhado, era vê-la cortar tijolo, ou seria outra coisa qualquer  que punha em cima daquele para acertar medidas, ora pegava numas placas compridas que ambos encaixavam em todo o comprimento da beira do telhado. 

Por vezes parava, pegava numa garrafa de água, matava a sede. A mulher não parava, parava ele para falar ao telemóvel.

Ontem, lá estavam os dois, noutra parte do telhado, na mesma azáfama em sintonia com o trabalho que tinham em mãos.

Gostei do que vi, jamais me passara pela cabeça ver uma operária civil em cima do telhado a trabalhar tão bem quanto um homem.

Isto só vem provar que hoje não há profissões distintas para homens e mulheres.

 

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