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no cemitério

por Maria Araújo, em 31.10.18

Não chovia quando saí de casa para ir ao cemitério fazer aquelas limpezas mais profundas às campas dos meus familiares.

No cemitério há armários em todos os sectores, com regadores azuis e vassouras para as pessoas servirem-se e colocá-los no lugar depois de os usarem, o que faço  sempre que lá vou.

Ora,  hoje, calculei que estariam muitas pessoas nas limpezas, levei um balde azul e uma vassoura. 

Lavada a dos meus avós ( onde está o meu irmão mais velho, muito querido que foi deles) fui para a dos meus pais e irmã mais velha.

Numa das vezes que fui buscar água, estavam duas senhoras junto à torneira, apontando para o meu balde diz-me uma delas:

- Dê-me esse.

Respondi que era meu e que no cemitério não há baldes, mas regadores, e que estava a precisar dele.

- Ah, tem razão.

Uns minutos depois, estava eu a lavar a campa, aproximam-se uma mãe e filha, páram na campa em frente e diz a mãe para mim, tratando-me por tu:

- Olha, quando acabares dá-me esse balde.

Fiquei parva a olhar para as duas, primeiro porque me tratou por tu e não a conheço, nem ela a mim, tanto quanto eu saiba, de lado nenhum, e porque também ela sabe que no cemitério há regadores e não baldes.

Respondi  que o balde era meu, que se quisesse dava-lhe a vassoura porque tenho várias na garagem, que estava a acabar a limpeza e ia embora, não podia deixar-lhe o balde.

- Ah, desculpa. Vou ver se encontro alguém que me empreste um regador.

Voltei à torneira, enchi o balde, reparei que no armário tinha um regador.

Peguei nele e levei-o para ela.

Numas campas mais à frente, na tentativa de que alguém lhe passasse o regador,  e tratando-a por "senhora", disse-lhe que tinha um para ela e que deixava a vassoura.

Agradeceu e comentou comigo, agora retribuindo a forma de tratamentoque a campa está escura, que mandara aplicar um verniz para proteger da humidade, mas não resultara.

Não suporto esta forma de tratamento de  "tu" que a sociedade  moderna usa como se todos fossemos familiares, colegas, amigos (as).

Sou uma pessoa simples e informal, mas por incrível que pareça, tenho amigas e colegas de trabalho mais jovens que não consigo tratá-las por " tu".

E nada tem a ver com  idade. 

 

Cantinho da Casa

" quanta gentileza!"

por Maria Araújo, em 29.06.17

Quinta-feira à tarde, tenho curso (  aula de Pilates em pequeno grupo e paga) às 17h30.

Estive todo o dia em casa a fazer aqueles limpezas mais profundas, que as empregadas não fazem, e que tanto me irritam. Nem o que está à frente dos olhos limpam bem.

Por volta das 16h30 parei as limpezas, não queria faltar.

Ainda passei na lavandaria para deixar o edredão de inverno.

Estacionei o carro no parque do ginásio, entrei para o elevador. 

Mal entrei, e já tinha carregado no botão " recepção" , entra um homem nos seus 30 e poucos anos, saco ao ombro. Carrega no botão das setas de fechar porta. 

Pensei para o meu decote: " Se já carreguei no botão para a recepção, porque carregou ele no das setas? A porta fecha-se por si própria...".

O elevador tem duas portas: a que dá para o parque e a da recepção.  Entrei primeiro, encostei-me perto da porta da recepção para ser mais fácil a saída, pois costumo levar uma mala com as minhas roupas. A subida é rápida.

De telemóvel na mão, quando o elevador estava a prestes a parar, percebi que ele não iria deixar-me sair primeiro.

E assim aconteceu. Mal a porta do elevador se abre, ele passa à minha frente, sai do elevador e dirige-se ao balcão.

" Quanta gentieza! Que falta de educação! ",  murmurei baixinho.

E eu até tenho idade para ser mãe dele.

Presumo que será um daqueles jovens executivos que pensa que é melhor que todos os outros. Mas um pouco de educação ficava-lhe muito bem.

 

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Cantinho da Casa

Senhores da Golden Energy

por Maria Araújo, em 13.10.16

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Façam-me o favor de contratarem pessoas, quer sejam jovens, ou menos jovens, com modos e perfil para lidarem com os clientes e de modo a que, quando tocarem à campainha de uma residência, se identifiquem como sendo funcionários da vossa empresa, e não da EDP que vêm para ver o contador da luz e gás. 

Depois, que tratem o dono da casa como uma pessoa de respeito e não como se fosse um qualquer da sua laia, tá?  

E antes de os enviarem para a rua angariar clientes, dêem-lhes formação sobretudo de regras de tratamento de pessoas, certo?

E não enviem os seus colaboradores para pedirem faturas com a treta que está a pagar a mais x de eletricidade, y de gás e z de contador deste, tá?

Passo a explicar.

14:30h tocam à campainha. Pelo intercomunicador faço a pergunta habitual:

- Sim?

- Boa tarde, somos da EDP, queremos ver o contador da luz e gás.

Abri a porta. Aparecem-me dois rapazes com idades entre os 23 e 30. Vestiam coletes em tom cinzento.

Tiro o quadro que esconde o contador da luz quando passa cá o funcionário da EDP.

- Tenha calma, não é já que vamos ao contador - respondeu o mais novo, mostrando uma simpatia invulgar.

- A senhora tem gás natural?

- Sim - respondi.

- Podemos ver uma fatura?

- Sim, mas as faturas são eletrónicas, tenho-as numa pasta no computador.

O pc estava ligado, abri a pasta, procurei uma fatura recente.

Enquanto o colega foi ao andar de cima, este, com o maior à vontade,senta-se na cadeira ( eu, parva, esperei para ver e ouvir) e de repente vê a fatura em meu nome e pergunta:

- Você vive sozinha?

- Como? O que é que isso lhe interessa ?, - perguntei

- Ah, não fique chateada, só perguntei. Olhe, você não tem desconto na luz, tem no gás, está a pagar aluguer de contador do gás...

- Desculpe, mas vocês são da EDP?

Desta vez não sei o que me respondeu mas foi de forma abusiva, porque eu reagi tratando-o por senhor:

- O senhor veja como fala para mim. Está em minha casa, e além disso eu tenho idade para ser sua mãe.

Ficou um pouco atrapalhado e respondeu:

- É a minha maneira de falar com as pessoas.

- É sua maneira, mas é falta de educação falar assim para as pessoas - já estava a passar-me, não pensava em mais nada senão neste à vontade e abuso de confiança.

Entretanto, o colega desce, a porta estava aberta e pergunta:

- Posso?

- Podes - respondeu ele imediatamente, e sem que eu tivesse tempo para dizer nada.

Eu já estava a prever o que vinha a seguir,  já fervia, até que reparei que o colete tinha umas letras, vejo um G que me pareceu Galp.

- Afinal vocês são da Galp?! O que é que querem? 

- Ó mulher- responde - nós não somos da Galp.

Alterada que fiquei com o "ó mulher", com o dedo apontei para porta e digo:

- Ponham-se imediatamente daqui para fora! Não admito que me tratem desta forma dentro da minha casa.

Resposta dele:

- Tantas casas que vamos, falo desta maneira porque é o meu jeito de falar, nunca ninguém reclamou, vem você reclamar agora.

- Fora da porta, já disse. Se os outros admitem, eu não admito. Não o conheço de lado nenhum nem andamos juntos na escola para falar comigo dessa maneira, entendido? 

Saíram. Quando fechava a porta, abro-a num ápice, e antes que desaparecessem, perguntei:

- Digam-me, qual é a vossa empresa?

Responde alto e com ar desafiador e descarado:

- Somos da Golden Energy, a melhor empresa do mundo.

- Pois pode ter a certeza que vou enviar um e-mail a participar o vosso comportamento.

- Mande. Quero lá saber!

Fechei a porta, fiquei incomodada e alterada.

Esta coisa do tratamento por tu, só gera conflitos. 

Tinha duas aulas de Pilates, valeram-me estas para tentar esquecer o assunto.

 

 

Cantinho da Casa

é preciso ter lata!

por Maria Araújo, em 09.07.16

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ontem, quando cheguei do passeio ao Gerês, antes de entrar no gaveto que dá acesso à minha garagem, por cortesia, deixei entrar os três familiares, um deles conheço, o cunhado da vizinha do r/c, a madame do batom vermelho. 

Ora eles passaram, não agradeceram, pararam à entrada do portão da rua, a conversar. Eu, com o carro a trabalhar, esperava que suas excelências se  desviassem. Bastava encostarem-se ao muro e deixavam-me passar.

Calmamente, em passo de caracol, continuaram a sua "caminhada" até às traseiras do prédio. 

Devagar, atrás deles, resmungava comigo própria a passividade propositada dos gajos . Mereciam que acelerasse e os assustasse para se desviarem.

Quando, finalmente virei, para estacionar o carro em frente à garagem, a minha, pararam a conversar... E foi então que vi uma moto  estacionada  mesmo em frente à porta.

Aguardei que subissem as escadas de acesso à casa da madame.

Como não tinha intenção de guardar o carro porque saíria hoje de manhã cedo para o ginásio, estacionei o meu carro bem colado à moto.

Como se nada nem ninguém estivessem ali, subiram as escadas da casa e entraram.

Se tivessse de meter o carro na garagem, teria de lhes pedir para tirarem a moto que obstruía a entrada.

Outros familiares da madame  viram a cena, sabiam que o veículo não devia estar ali. Ignoraram-me.

Saí do carro, fechei-o e vim para casa.

Havia festa em casa da madame do batom vermelho.

Quando tudo estava sossegado, fui à janela e vi que a tinham tirado do lugar, estava encostada  ao portão da minúscula garagem de arrumações do vizinho da cave.

De manhã, continuava lá.

O sol é de mais nas traseiras do prédio, o carro fica muito quente.  De manhã fui ao ginásio, quando cheguei estacionei-o dentro garagem.

Dia de aniversário da Mafalda, à tarde, fui beber um copo com as minhas amigas. E saí de carro.

Ao final da tarde tinha compras de supermercado para fazer, cheguei a casa por volta das 20h.

Decidida a guardar o carro na garagem, deparo-me, novamente, com a moto em frente à portão.

Saí, abri o ruidoso portão e meti-me no carro esperando que alguém enxergasse e a tirasse dali.

Ninguém do r/c veio à janela. Fosse eu a vizinha do prédio ao lado, faria alarido, caíam o Carmo e a Trindade, mas como não quero confiança com esta gente, buzinei.

Das escadas surgiu o rosto da madame do batom vermelho que disse qualquer coisa a alguém que, imediatamente, também das escadas, levantou-se um dos três homens da cena de ontem, que as desceu, desviou a mota, virou-me as costas e subiu de novo.

Guardei o carro na garagem, fechei o ruidoso portão, vim para casa.

Nenhum deles pediu desculpa por ter o veículo a obstruir a entrada.

A madame não tem carro, não tem garagem, não tem direito a qualquer pedaço de gaveto de acesso às garagens. Se tivesse carro, 

teria de pedir autorização a todos os inquilinos, donos dos apartamentos, para estacionar o carro junto ao prédio.

Sabe disso, mas abusa.

Quando vai acompanhada do marido, passa por mim, não me cumprimenta. Fá-lo, sim, quando  sozinha e se não puder evitar.

Retribuo-lhe com a mesma moeda. Não quero conversa, não quero confiança. Detesto esta mulher. 

 

Cantinho da Casa

A Mafalda tem sempre razão

por Maria Araújo, em 18.05.15

 

 

 

 

 

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Cantinho da Casa

Um aviso interessante

por Maria Araújo, em 17.05.15

 

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Cantinho da Casa

Pessoas grosseiras

por Maria Araújo, em 10.03.15

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Quando vais às finanças e esperas tranquilamente a tua vez, ouves do teu lado as críticas ao número de funcionários, três, ao balcão para atenderem os contibuintes que entregam as suas declarações em papel, tu dizes "temos de ter paciência" e quando ouves um idoso contar, num tom de voz alto demais, toda história da sua vida à funcionária que está a tratar do seus papeis e precisa de se concentrar e lhe diz "vá passemos à frente, tenho muitas pessoas à espera" e  ele interrompe-a para mais um acontecimento que viveu na tropa, inclusive que teve 19 em educação física e blá,blá,blá, de repente, o senhor que está sentado ao teu lado diz "chega de conversa, vá para o tasco contar as suas historiais, f&"*@-se", tu murmuras baixinho para ter calma, e ele te responde "f&*@-se, há aqui muita gente para atender, e ela que o despache", calas-te e não dizes mais nada,não vá armar a confusão num lugar público onde se vê todo o tipo de pessoas e não sabes o que te pode esperar e vês o idoso a olhar sorridente para todos e dizer "desta já estou livre" .

Cantinho da Casa

Como?!

por Maria Araújo, em 23.02.15

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O chumbo provoca "problemas emocionais"...

 

"A retenção sanciona, penaliza, não se reconhecendo o seu carácter pedagógico", sublinha um relatório deste órgão consultivo do Ministério da Educação, hoje divulgado."Potencia comportamentos indisciplinados, fruto de uma baixa auto-estima e desenquadramento em relação à turma de acolhimento, o que dificulta ainda mais a aprendizagem", adianta o CNE, frisando a "manifesta ineficiência e ineficácia" do chumbo


Quando os pais ensinarem os filhos quais os valores que fazem deste país uma nação valente e imortal, quando houver respeito pelo trabalho dos professores, quando o Estado reconhecer o imensurável trabalho destes, quando não se punir quem provoca o mal estar nas escolas e enquanto as direções meterem a cabeça na areia com receio de retaliações, o comportamento indisciplinado e a baixa auto-estima dos alunos desenquadrados prevalecerá.

A punição sempre existiu, a retenção existe para quem se balda e não quer nada da escola.

Acabar com os chumbos é premiar os alunos baldas e uma penalização para os  alunos trabalhadores, para os assíduos, para os educados, sejam estes médios ou bons alunos.

Nenhum professor chumba por prazer.

Não é justo.

 

Cantinho da Casa

Educadoras ou auxiliares de educação

por Maria Araújo, em 16.12.14

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que levam os meninos, dois a dois, de mãos dadas, pequenos, pequenos, e lindos, lindos, ao Braga Parque (presumo que para o cinema), não deviam organizar-se e ir uma à frente do grupo, outra a meio e por fim a terceira atrás?

Ora, duas das mulheres atravessam a passadeira com um grupo e a terceira, que tentava organizar o grupo dela, que ficou para trás, um carro pára e espera que todos atravessem, mas ela não atravessou, porque os miúdos, pequenos, pequenos, e lindos, lindos, não estavam em fila.

E o carro passou.

Uma das colegas do grupo que estava do outro lado, diz " atravessa agora, não vêm carros".

E ela atravessou, à frente do grupo, ficando uns seis miúdos para trás. Sobe o passeio, repara neles e em vez de voltar e os ajudar a atravessar, diz: "venham meninos !".

E eles eram tão pequenos. 4 anos, no máximo.

Desceram as escadas que dá acesso a um pequeno túnel (que eu não imaginava existir) e um último "casalinho" atrasou-se. Percebi que esse túnel dá acesso à paragem onde estavam os autocarros que as esperavam.
Quem por ali passava, como eu, estava atento e observava as crianças.

A educadora ou auxiliar de educação reparou, então, nas duas crianças e diz: "meninos venham!".

Fiquei boquiaberta! E comentei alto: "Esta senhora devia estar cá atrás, na fila. Álias, uma deve ir à frente, outra a meio e a terceira atrás para que as crianças não se percam ou se distraiam"

E ouvi alguém comentar ao meu lado:" É isso mesmo! Elas são tão pequenas!"

Eu estava atenta. Se alguma delas se desviasse do grupo e/ou largasse a mão do companheiro, eu ajudava a atravessar a via, que até é estreita, e só não o fiz por que quis ver até que ponto ia a responsabilidade das educadoras ou auxiliares de educação.

Elas eram pequenas demais para atravessarem a rua sem ajuda.

E pensam os pais que os filhos estão bem entregues.

 

 

Cantinho da Casa

Telefono amanhã

por Maria Araújo, em 23.10.14

do Café da Manhã da  RFM.

Ahahhahah!

E a senhora não enxergou...

 

 

Cantinho da Casa


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