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cantinho da casa

cantinho da casa

não sei o que pense, ou diga

A semana passada, descia a Avenida da Liberdade, uma senhora nos seus setenta, talvez menos,  aproximou-se de mim( presumo que teria feito o mesmo com muitas outras pessoas que subiam ou desciam a avenida) e disse qualquer coisa que não entendi.

Parei, e  perguntei o que queria.
Aproximou-se um pouco mais, disse que precisava de dinheiro, que tinha gasto noutras coisas, e pediu-me que lhe desse  2  € (entendi este valor).

Fiquei a olhar para ela, respondi que não tinha, e segui o meu caminho.

Hoje,dei um salto à feira semanal, e no regresso, subia a mesma avenida, uma senhora, que me pareceu ser a mesma, aproximou-se e diz:

- Preciso de um favor. A senhora pode dar-me 10 € para fazer umas compras?

Olhei para ela, disse que não tinha esse  valor, o que era verdade, e segui o meu caminho.

Dei uns passos, olhei para trás, deduzi que era a mesma pessoa que me abordara na semana passada. E fiquei a pensar que, nesse dia, ter-me-ia pedido dez euros e eu teria percebido dois.

De vez em quando, ajudo instituições e o mínimo que dou são 10 €. É com muito gosto que o faço.

Se esta senhora precisava de algum dinheiro e me perguntasse se podia dar o que eu quisesse, com certeza que lhe dava.

Assim, não!

 

coisas minhas

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Um final de tarde atribulado, ontem, com a chuva que caía ( e hoje ainda não parou) sem lugares ( a pagar) na rua, estacionei o carro num parque que tem elevador de acesso à rua, não nos molhávamos porque os gabinetes( imobiliárias, cabeleireiros, e outros) ficam debaixo do edíficio. 

Era dia de ir à Maia, às 18:00h costumamos sair de Braga,  eram 17: 20h quando fui buscar o carro. Introduzi o bilhete na máquina para pagar o estacionamento, meti duas moedas de 1 euro. O miúdo estava encostado às minhas pernas, e bem junto à máquina, não fosse ele escarpar-se, o lugar é de garagens, também, poderia vir algum carro. 

Tê-lo no colo não era possível, além de ser pesado também tinha várias coisas nas mãos, estava tudo controlado.

Mas o bilhete não saía da máquina. Ainda me virei para o guichê onde estava o segurança, para pedir ajuda, mas ele não me ouviu, aguardei que a máquina me devolvesse o bilhete, o que aconteceu, assim como o troco.

Cheguei ao carro, atirei com as moedas para o tablier, sentei o menino na cadeira.

Quando me aproximei da máquina para meter o bilhete e a barra subir para eu passar, a máquina não lia o bilhete.

O segurança, que estava na cabine, percebeu que a barra não levantava, veio ter comigo.

Pediu-me o bilhete, perguntou-me se tinha pago. Respondi que sim.

Olhou para mim, viu o menino atrás na cadeira, foi à cabine, voltou e, manualmente,  fez com que a barra subisse.

Agradeci e passei.

Fui à Maia, com esta chuva que não nos larga, regressei a casa, jantei, fui para o sofá. E adormeci.

Quando acordei, pensando eu que seria 00:40h, hora que habitualmente me deito e se não tiver ginásio de manhã cedo, fui deitar-me... Olhei o relógio da cozinha, eram 11:40h ( é mecânico estes 40), mas de tão cansada que estava, fui dormir. E hoje tinha ginásio.

Como é normal, também, quando me levanto do sofá depois de ter passado pelo sono, e vou dormir, nem sempre ele volta logo.

Foi então que se fez luz na minha mente: quando tirei o troco do tablier, reparei que não correspondia ao troco que devia receber, pois a máquina marcava 1,55€ de parque ( devia ter recebido 0,45 €) pensei  que afinal a máquina demorou a devolver o bilhete porque faltava dinheiro. 

E lembrei-me que lera qualquer coisa na máquina de 35 cêntimos, mas como estava preocupada com o menino, não reaciocinei, e como a máquina devolveu o bilhete e o dinheiro, 1,20€, que só à noite tirei do tablier,  para mim estava tudo normal. 

Hoje está um dia muito cinzento e de chuva, vou buscar o menino ao colégio, não passo lá, mas amanhã de manhã, vou falar com o senhor ( se for a mesma pessoa, senão, explico o que aconteceu).

Cheguei a casa, subi as escadas com o menino, já estava a fazer-se tarde, quando fui à carteira para tirar a chave de casa, lembrei-me que a tinha metido na gaveta do tablier ( faço isto sempre que vou ao ginásio, para depois chegar e estacionar na garagem). Com dúvida de que teria deixado no carro, remexi a carteira. Nada!

Que nervos!

Peguei no menino ao colo, desci as escadas, fui buscar a chave.

Toda eu tremia. Transpirava de nervos.

O tempo estava a passar, a sobrinha a chegar.
Quando chegou, eu estava mais calma, mas disse-lhe : "que final de tarde stressante".

Contei a cena da chave.

Faltou a do parque.

 

 

 

 

coisas do meu dia

 

 

Estou farta de ouvir falar francês.

Hoje, fui levantar dinheiro.

Aproximei-me da caixa multibanco, quando um senhor passou à frente. Este era mesmo francês, deixei-o ir.

De repente, verifico que atrás de mim está uma família.

O "chefe" aproxima-se da caixa multibanco e fala em francês com o senhor que tenta levantar dinheiro. 

Percebi que a família portuguesa trouxe a família francesa.

Demorou algum tempo a fazer operação.

Quando o francês acabou a operação, eis que o chico esperto do tuga, que se deixou ficar ao lado daquele, rapa do seu cartão e trata de levantar dinheiro. As filhas adolescentes olhavam  para mim.

Não disse nada. Mas fiquei zangada.

Três vezes meteu o cartão, três vezes ele fez  operação, presumo para levantar dinheiro suficiente, a terceira para ver o saldo.

Contrariamente ao que costumo fazer, e porque detesto vê-los parados e resmungo comigo mesma, parei meu carro em segunda fila convicta que não demoraria mais de dois minutos.

Esperei muito mais.

Não tenho nada de nada contra os emigrantes, mas estou farta de os ouvir em todo o lado que vou.

 

 

 

de volta às poupanças

Mais uma vez no início de cada ano, é o que se lê e ouve pela blogosfera.

Se uns cumprem, outros ficam a meio, outros há que desistem.

Comecei, sem compromisso, há cerca de um ano e meio, com dois mealheiros: um pequeno para moedas de ,050 ‎€ e 1 ‎€, outro para notas.

O objectivo era uma viagem aos Açores, em 2016.

Uma das amigas tinha férias programadas com a família, tinha de poupar para a viagem.

A outra queria ir, mas por que combináramos viajarmos as três, não fomos. Desistimos.

A minha amiga foi uns dias para a praia, cá no norte, eu fiquei por aqui.

Mas sempre que me lembrava de pôr umas moedas e/ou notas, lá ia eu.

Não faço a mínima ideia quanto tenho em cada um deles, mas continuo a enchê-los.

Quem sabe se é desta vez que decido ir ao Rio de Janeiro ( já podia ter ido, mas a vontade de fazer uma viagem tão longa, é pouca), abro-os e talvez tenha uma surpresa.

Até lá, repito, sem compromisso, continurei a meter a moeda ou a nota.

 

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o balcão que não existe

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No Jornal da Noite da SIC passou a notícia do fecho de, penso que 200, balcões do Santander Totta.

A propósito disto, na segunda-feira, fui tratar de uns assuntos, quis fazer o pagamento das despesas, que tinha de ser em dinheiro.  

Feitas as contas informei que ia levantar dinheiro na caixa multibanco. Deixei a mala e os documentos na mesa da senhora, saio muito contente porque ao lado do gabinete tem um balcão, isto é, eu pensava que tinha, porque fiquei parva a olhar para o que é agora uma loja de óptica.

Entrei no gabinete e comentei: " O  balcão já não existe! Passo aqui com frequência e não reparei nisso"

Bom, lá tive que percorrer um túnel para peões ( que detesto) para levantar noutro balcão num rua perpendicular à avenida.

Cheguei lá meti o cartão, digitei o código, o valor. Esperei o dinheiro, que não saiu.  O cartão volta, no ecrã dizia qualquer coisa como " operação indisponível ". Fiquei parva a olhar, porque na verdade nada indicava que não tinha dinheiro.

Voltei a repetir a operação, aconteceu a mesma coisa.

Abri a porta do balcão para me certificar que lá dentro teria outra caixa multibanco. Não tinha. Apenas duas da instituição bancária.

Chateada porque já estava a perder muito tempo e tinha um compromisso para o meio-dia, lembrei-me que na mesma rua, a cerca de cem metros há dois balcões juntos, de bancos diferentes.

Levantei o dinheiro, voltei ao gabinete e comentei: " Passo aqui tantas vezes, não dei por nada que o balcão aqui ao lado fechou, e do outro lado, que tinha dois bancos agora só tem um e não consegui levantar o dinheiro. Tive de voltar para trás, porque me lembrei dos outros dois junto do hotel."

Resposta dela: " O daqui do lado fechou. O utro só tem as máquinas a funcionar. Não reparou que o balcão está lá mas não tem funcionários?"

"Como? Há tantos anos ali, fecharam este também?", perguntei estupefacta.

" O balcão existe, mas não tem funcionários."

Há pouco, entrei no netbanco e quando dei uma olhada  ao extrato, quase me deu um colapso.

O dinheiro que não saiu na caixa multibanco aparecia nos movimentos.

Mas depois serenei.

A correcção foi feita de imediato.

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fiquei tão zangada!

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para não dizer f*^#"@, porque nunca, mas nunca, levantei e levanto dinheiro ao balcão do banco, e o meu conhecimento sobre isto era zero.

Ora, no dia 12 precisava de levantar uma encomenda cujo valor andaria entre os 300 e os 400‎€. Como não uso cheques desde 2007 e como no multibanco o máximo que se pode levantar são 400 ‎€ , não fosse a encomenda ter um valor superior, pelo sim, pelo não, e perto do local não há banco, decidi ir ao balcão levantar 500 €.

Fui levantar a encomenda que afinal ficou por 200‎€ , desp‎achei-a para Lisboa, assunto resolvido.

Costumo ir ao netbanco duas, três vezes por semana.

Hoje, não sei o que me levou a ver os movimentos desde o início do mês e de repente, vejo isto:

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 "Quê?! 5,20€, porra!"

Fiquei possessa, pois claro.

Não custava nada informarem que este processo tinha um custo. 

Porra, pá! Pagamos tudo, carago! A funcionária não faz mais nada senão meter a nota de levantamento na máquina, a máquina dá o dinheiro, já nem é como antigamente que tinha de contar com os dedinhos, nota a nota , uma duas vezes, não fosse estar dinheiro a mais, ou a menos.

Porra, que trabalho dá?
Não é justo.

Uma pessoa trabalha uma vida inteira, tem um dinheirito a render, quando vê os juros fica escandalizada. Uma merda!  

Comissão de gestão de conta, pimba, todos os meses são 3,50€, mais o imposto.

Apetece mandá-los à merda, levantar o carago do dinheiro e guardá-lo dentro do colchão.

Me aguardem que mais um ou dois meses acabo com os jurinhos, porra!

Estou tão zangada! 

 

alguém me dizia

 

 

 

"emprestas dinheiro, perdes um amigo" e eu comentava "não, és tola, o dinheiro não destrói a amizade, sei a quem empresto", e tal. Mas a verdade é que passaram nove meses, este assunto continua exactamente igual.

E o que mais me magoa é o silêncio, a falta de resposta à minha longa mensagem.

Agora sei que a amizade que nos une, ou unia, nunca mais vai ser a mesma.

E eu nem sou nada amiga do dinheiro. 

 

tens uma amiga

 

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Essa amiga pediu-te várias vezes dinheiro emprestado, mas sempre o pagou.

Volta a pedir, desta vez uma razoável quantia, que te faz falta, que seria devolvido no final do mês.

Passaram um, dois, três meses e não o recebeste.  

Ela não te procura, não te liga, evita encontrar-se contigo, não te dá uma palavra de satisfação sobre o atraso ou de não poder pagar de momento.

Tu precisas do dinheiro. Foi retirado do teu vencimento, esperavas que ela te devolvesse na data prometida.

Já a contactaste, enviaste o teu NIB...Mas ela não te dá sinal de vida.

Que fazes?

1- telefonas a pedir que pague o que deve

2- deixas o tempo passar porque não te sentes à vontade para lho pedir

3- envias um sms a dar-lhe um prazo

4- esqueces o dinheiro e nunca mais lhe falas

5- é tua amiga, algum dia ela vai pagar

6- a amizade é para sempre, mas nunca mais lhe emprestas dinheiro.

 

 

 

"estou com uma larica!"

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faz hoje seis anos que o meu pai faleceu.

acordei cedo, planeei ir ao mercado comprar legumes e fruta. lembrei-me das flores (são muito mais baratas que nas floristas do cemitério), decidi não vir carregada, fui a pé.

e já que estava na rua, deixei as compras em casa, peguei no carro e segui para o cemitério. na garagem tinha três sacos de roupa para dar a esta mulher, meti-os na mala, e segui caminho.

procurei-a, mas não a encontrei.

fui lavar as campas, pus as flores, saí de lá por volta das 13h.

vi-a, chamei-a, e disse: "já a procurei há pouco."

vinha muito bonita. vestia uma sweat que eu lhe dei  River Woods (marca que já não existe, embora haja uma loja no Porto) de onde saía a gola de uma camisa branca que eu lhe dera numa remessa anterior....e sai-me esta: "que gira que está!".

na verdade, fiquei contente porque vejo que ela veste a roupa que lhe dou.

diz ela: "acabei de chegar. fui à dentista  e estou com uma larica! sabe que eu não tenho dentes e o que como tem de ser coisas moles..."

ela sabe que eu não lhe dou dinheiro, fiz-me desentendida, mas ela volta a repetir:

"não trouxe nada para comer?", perguntei.

abri a mala do carro e mostro o que tenho.

como eram três sacos, um deles grande azul, de praia , ela separou as roupas mais leves, meteu-as no azul.

então diz: "estou com uma larica! não quer dar-me 1,20 €  para comer alguma coisa?"

"não trouxe nada para comer?", perguntei de novo.  "sabe que eu não dou dinheiro".

"eu sei, mas como fui à dentista, não trouxe nada".

dei-lhe o saco com a roupa, ficaram dois para ela não ir carregada e dei-lhe 1,10 €. tinha no porta moedas, 2,21€.

podia ter-lhe dado as moedas todas, até porque ela é muito educada, parece-me ser limpa, mas não quero habituá-la a que me peça dinheiro.

uma próxima vez que o faça, digo-lhe "não".