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cantinho da casa

cantinho da casa

Dia das Crianças

Vi, de manhã muito cedo, porque acordei e não voltei a adormecer, no telemóvel, o doodle  sobre Almada Negreiros, 

 e perguntei-me o que tinha a ver com Dia das Crianças, que seria normal um doodle sobre elas.

Mas no telemóvel abria-se a página da wikipédia, e tudo o que diz respeito a este grande escritor e pintor, cujas obras vi em exposição em Lisboa e no Porto

Liguei o pc e está aqui  o título:

Google dedica Doodle a celebrar vida e obra de Almada Negreiros

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E porque hoje é o Dia das Crianças, um texto deste autor,  sobre e para elas:

A Flor
Pede-se a uma criança. Desenhe uma flor! Dá-se-lhe papel e lápis.A criança vai sentar-se no outro canto da sala onde não há mais ninguém.
Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direcção, outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis tanta força em certas linhas que o papel quase que não resistiu.
Outras eram tão delicadas que apenas o peso do lápis já era demais.
:Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: Uma flor!
As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de uma flor!
Contudo, a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas, são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!

 

 Almada Negreiros, in "O Regresso ou o Homem Sentado"

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imagem daqui

 

confinamento e as crianças

continuo a bater na mesma tecla de que as crianças são as que mais saem prejudicadas deste confinamento.

O meu sobrinho neto é uma criança de rotinas. Desde bebé.

No colégio, tem actividades de música e ginástica, almoça pelas 11h30, 12h00,  depois tem a sesta.

À tarde terá outras acividades lúdicas, a partir das 16h00  brinca  com os colegas e as auxiliares.

Costumo ir buscá-lo pelas 17h00, damos um passeio pelo centro da cidade, ou trago-o para minha casa, brincamos os dois,  a mãe vem ter connosco depois do teletrabalho ( desde Março de 2020  que assim é).

Se no primeiro confinamento foi complicado gerir o tempo do teletrabalho com a criança, e eu  tive de gerir o meu para dar apoio à mãe, cuidando menino, este confinamente tem sido mais difícil para nós.

Umas vezes,  vou para casa dela, brinco com o miúdo, ora no quarto dele, ora na sala onde a mãe trabalha. E lá estou eu a ouvir a  conversa com os colegas de equipa, as reuniões,  e a criança  ouve a mãe a falar e tenta chamar a atenção para si.Ou pega nos carrinhos e vai brincar com eles na mesa onde a mãe trabalha.

E vou eu buscá-lo, ou chamo-o, para brincarmos, jogarmos à bola ( que ele adora),mas nem sempre está para me aturar.

E ontem foi um dia complicado. O tempo estava de chuva, não deu para sair com ele, andar no triciclo, desviá-lo da atenção que requer da mãe.

Então, fez de tudo o que uma criança faz quando está farta de estar em casa, de brincar com os brinquedos. E ele é criança para estar bastante tempo com os carrinhos, sem incomodar ninguém.

Depois, tem a televisão, que ajuda a entreter, mas cansa, também.

E tem as almofadas do sofá, que as atira para o chão, deita-se em cima delas,  ou então sobe para o sofá  e faz as  piruetas inimagináveis para uma criança de três anos, desafiando-se  e a quem está por perto.Ele é um menino de desafios. Gosta de fazer o mais difícil. Gosta mais disso de que fazer certas actividades, como desenhos.

Mas é uma criança tranquila, e meiga, e tem as suas horas de dormir.

Ontem, fartou-se de fazer corridas no corredor da casa, com o carrinho de brinquedos do Ikea. Primeiro com os brinquedos que lá estavam, depois sem nada. E ria-se, e dava o sinal de partida, emtrei na brincadeira dizendo: um,dois, treês. E advertindo-o para correr com calma.

Quando acaba o teletrabalho, a mãe dedica o tempo que tem até à hora do banho dele, e de jantar, para brincar ou fazer actividades com cartolina, ou desenhos,  ou jogos.

Com aquela brincadeira da criança, que estava excitada de tanto correr, a mãe comentou comigo que à noite com certeza que ia cair na cama de sono com tanta brincadeira.

Por volta das 22h00, a mãe ligou-me , desesperada, porque o miúdo, que vai dormir por volta das 20h30, não adormecia. E que, de cada vez que ia ao quarto, e tentava adormecê-lo ( e ele é uma criança que se deita e adormece logo), e pensando que estava a dormir, ia para a sala porque queria trabalhar um pouco, ele acordava e choramingava, ou aparecia na sala a choramingar.

E isto aconteceu várias vezes, e no preciso momento que ela falava comigo.

E ela desabafava que já estava farta de confinamento, que isto é muito mau para as crianças, que só tem um e é complicado, quanto mais quem tem dois ou mais filhos, está em teletrabalho, e ainda tem de os ajudar nas aulas online.

E eu muito calada. Não sabia o que dizer, sinceramente. E ela sabe que estou do seu lado. 

A minha sobrinha é grata pelo que lhe faço, eu sei. Mas  há horas que são dela, outras que são minhas, e eu também fico cansada disto tudo.

Se todos pensassemos que temos de ser uns para os outros e se cumprissemos, o mínimo, as regras de higiene , a distância de segurança durante esta pandemia, certamente, não estaríamos tanto tempo confinados.

Quero ter esperança de que dentro de um mês estejamos a desconfinar, mesmo que faseado, e que  os primeiros a saírem  deste "buraco" sejam as crianças.

A ML, deixou-me a pensar por muito tempo com o comentário que escreveu neste  post :  "Não percebe e está a perder um ano da sua infância".

 

 

 

 

 

 

 

# fique em casa 4

Tencionava cumprir o " fica em casa" e assim fiz toda a manhã.

Contudo, não estava bem sabendo que a sobrinha poderia estar em tele trabalho ,e com um menino que só quer atenção, provavelmente as coisas poderiam não estar a correr bem.

A criança costuma brincar com os carrinhos  depressa se cansa e prefere brincar,por vezes,com tupperwares, caixas, e tudo o mais que não sejam os brinquedos.

Ora, depois do almoço, e sem ter qualquer contacto dela, saí( mora perto de minha casa) e fui ver como estavam as coisas.

Ainda bem que fui!

Ela interrompia constantemente o trabalho,ele queria atenção.

Arrumei os carrinhos espalhados pelo chão, brinquei um pouco com ele,até que decidi trazer o menino para minha casa.Ela preciava de se concentrar.

Brincámos os dois(minha gata  tem uns ciúmes loucos,miava, dei-lhe comida húmida para a tirar da sala)rimos muito porque lhe pedia que atirasse o urso de peluche ( o boneco que ele adora levar para a cama para adormecer)  que ele o  faz com mestria,o peluche ganha velocidade e cai em qualquer canto da sala,hábito que tem de o fazer onde quer que esteja: casa,carro,comboio.

Passou o dia depressa.

Evito sair de casa mas enquanto for possível ajudar nestas pequenas coisas,fá-lo-ei...Mas com muito cuidado.

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coisas minhas, de hoje

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E como  se não chegasse o que  aconteceu ontem,  4ª feira é o dia que tenho mais livre de compromissos, pelo que vou sempre por volta das 17:30h  buscar o sobrinho neto ao colégio.

Chovia, seria melhor levar o carro. Meti a chave na  ignição, o carro não deu sinal de si (  há cerca de três semanas fui jantar fora, quando fui levar a minha amiga a casa, parámos a conversar dentro do carro, quando pus o carro a trabalhar, tivemos de o empurrar para que ele pegasse e eu pudesse chegar a casa. Como desde então a bateria sempre funcionou, e hoje de manhã ainda fui ao ginásio, não o levei à oficina, teria de acontecer ), agora de tarde, bateria, Zero!

Pensei  levar o carrinho dele, lembrei-me que o plástico ficou no carro do avô, impossível trazer o miúdo ao colo, são cerca de 15 minutos a pé. 

Liguei para a mãe, que não atendeu.

Tomei a decisão de ir a pé até ao colégio, pediria um táxi que nos traria a casa.

E assim foi.

Quando pedi ao taxista para parar o carro em frente ao portão que dá acesso às garagens do prédio, ele não o fez, deixou-se estar na via, depressa dei-lhe o dinheiro para pagar e no mometo que me entregava o troco, ouviram-se os carros atrás de nós a buzinar insistentemente.

O taxista disse: "Não se preocupe, eu não tenho pressa, deixe-os buzinar".

Os condutores insistiam nas buzinas, até que eu saí do carro com o menino, o guarda-chuva ( que estorvava demais) e a carteira.

 O taxista seguiu rua abaixo e quando passei à frente do primeiro carro e pedi calma, que tinha uma criança ( dois anos) ao colo.

O gajo (desculpem, mas é assim que merece ser  tratado) gesticulava para mim, mete a primeira e segue rua abaixo,  eis que no carro atrás daquele, uma mulher ( gaja)  manda uma buzinadela, baixa o vidro, olho para ela que e diz " Tenha calma, não! Há lugares para estacionar, por que é que ele não estacionou lá?"

Virei as costas, não lhe respondi, não valia a pena dar conversa a gente desesperada.

Isto aconteceu no máximo dois minutos.

Eles até tinham razão,não custava nada o taxista estacionar nos lugares vagos,mas quando me viram com a criança ao colo não deviam ter resmungado comigo. Mas também não fiquei muito incomodada, porque foi rápido.

Ora de manhã, a confusão de trânsito aqui na rua é demais. Há uma escola do primeiro ciclo, a rua é estreita, muitas vezes os pais deixam os carros em frente aos portões dos prédios, vão deixar os filhos na entrada da escola e, no meu caso, sou obrigada a esperar que venham tirar o carro para eu sair. E não resmungo.

Quando vou ao ginásio, levanto-me mais cedo para evitar este pára, arranca, na rua.

Estes chicos-espertos que resmungaram comigo, hoje, são pessoas que trabalham aqui na zona ( CTT, Finanças, Registo, Hospital, Escola Secundária) sabem que esta rua tem horas de trânsito lento na entrada e saída das crianças da escola, porque diabo foram protestar comigo.

Oh, gente impaciente!

 

 

conversa de criança

Fico grata por ter cinco sobrinhos netos, e embora dois os veja uma vez por ano, outros dois vêm no Natal e no verõ férias, o mais novo, o bebé, tenho o prazer de estar com ele diariamente.

Hoje, o F, 4 anos, um menino muito malando e meigo, no seu brasileiro bem carioca, que nos faz rir, lavava as mãos, e com a expressão sorridente e meiga que faz, diz-me:

- Não sei si vou suportar ir para o Brasiu, tia L.

—Porquê?— perguntei.

— Porque no Brasiu faz muito calor e eu não vou suportar.

— Gostas mais do frio de Portugal?

— Sim. Gosto mais do frio.

— Mas F, a próxima vez que vieres de férias vai estar calor em Portugal.

— Mas eu não sei se vou suportar,— repetiu.

Estas férias de Natal foram espectaculares para eles ( na próxima semana regressam a casa), o tempo esteve, e está, bom, foram poucos os dias que estiveram cá na cidade, passaram-os no sossego da casa da praia, que eles adoram.

 

 

 

 

coisas das "minhas" crianças

Último dia do ano, os meus sobrinhos netos luso-brasileiros vieram cá para casa, precisava de fazer umas pequenas compras, foram comigo ao Continente aqui da zona.

Já na saída, no parque de estacionamento, pedi ao mais velho que desse a mão ao mais novo, e eu do outro lado dava-lhe a mão, também.

Na passadeira do recinto, os três de mãos dadas, diz o pequenote no seu brasileiro carioca puro ( o mais velho  fala português de Portugal) :

- Nós parecemos A Garota do Ipanema.

- Como assim, F, A Garota do Ipanema?!

Repete a frase ao mesmo tempo que  trauteia um pouco a música.

Acompanhei-o na canção, até que ele diz:

- Você não entendeu, tia L. Não é a canção.

- Como assim, F, não é a canção?!

- Nós parecemos os meninos do teatro A Garota do Ipanema.

O mais velho tenta explicar, e foi então que me lembrei das fotografias que recebera na altura.

Na festa do colégio que frequenta, na  dança de A Garota do Ipanema, duas meninas davam as mãos ao menino, faziam a coreografia e dançavam ao som da canção.

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 E foi assim, que o F nos comparou às meninas que dançavam com ele. 

Contrariamente ao irmão, que não fala brasileiro e não dança, o F é malandro, adora dançar e está sempre a falar em " bunda".

Mais à frente, e já perto de casa, o F trauteia a música de uma canção que eu só tive conhecimento desta quando eles chegarem do Brasil. 

Cantava, então, " Explosão", ao mesmo tempo que erguia as mãos e arrebitava o rabo para trás e saracoteava-o : " olha a explosão, quando ela bate com a bunda no chão".

Volta a trautear, eu e o irmão ríamos com a brincadeira, passa por nós um homem que, quando o F repete: " olha a explosão", ele acaba o verso a cantar, " ela bate com a bunda no chão". O F desata a rir, vira-se para trás, e digo eu: " olha que o senhor é brasileiro".

E ria-se. Mas não repetiu a dose, contra minha vontade pois estava a preparar o telemóvel para gravar o seu espectáculo.

Tão malandro e feliz, este meu sobrinho neto.

 

 

 

 

 

 

o cão da Beatriz

Estava a chegar a casa, desciam a rua a Beatriz, 6 anos, a mãe e o avô, que moram no prédio ao lado.

A Beatriz chorava. Páro e pergunto:

- Que tens Beatriz?

- O meu cão morreu.

Um baque no meu coração, pois  vejo o cão nos braços da mãe da Beatriz,  mais parecia um bebé que dormia tranquilamente. As lágrimas vieram-me aos olhos.

A mãe da Beatriz chorava também, o avô, olhos no chão, não falava.

- O que aconteceu? - perguntei.

- Foi atropoledo quando atravessava a rua.

A mãe da Beatriz é muito cuidadosa. Nunca vi o cão sem a trela, não percebi o porquê de o cão ter sido atropelado, nem fiz perguntas de tão infelizes que estavam os três.

Seguiram para casa.

Lembrei-me que o pai da Susana deixou de ter carro desde que se reformou, há alguns anos, chamei-a e ofereci-me para qualquer apoio que precise.

O cão ( que não me recordo o seu nome), era lindo, lindo. Fora um presente da mãe da Beatriz quando esta fez 4 anos.

 

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(imagem da internet)

eles já foram

Os meus sobrinhos netos cariocas chegaram há três semanas, regressam a casa amanhã.

Desta vez, contrariamente aos anos anteriores, não ficam as seis semanas de férias, sinto que estive tão pouco tempo com eles, que o tempo passa muito rápido.

Estive ontem a tarde toda a brincar com eles.

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O Francisco é muito malandro, não pára, pega-se com o irmão se este brinca com os carrinhos, é preciso arranjar uma estratégia para que brinquem sem se zangarem. É uma criança divertida, alegre, feliz. É repreendido pelas asneiras que faz, mas sabe como agir às repreensões, quase que goza connosco, as suas expressões de que não fez nada de mais leva-nos a esconder o rosto da vontade que temos de rir.

E ele percebe-o, ri-se de si próprio, das asneiras que faz e provoca-nos ainda mais, insistindo na brincadeira, no gesto, nas expressões.

Mas é muito meigo, dá abraços e beijinhos.

O Francisco tem muito bisavô materno. Olho o seu rosto e jeito de ser, vejo o meu pai.

É um aventureiro e, segundo a mãe, nós não vimos nada.

É uma criança feliz, o meu sobrinho neto Francisco.

 

 

 

 

por que se falou de camisas

aqui, costumo encontrar na secção de criança, de algumas marcas, as camisas que gosto.

Nas compras de Natal, procurávamos roupa para um dos sobrinhos, levei a minha irmã mais nova ( prestes a fazer 50 anos) à secção de rapariga.

Vi uma blusa que gostei muito. Ela adorou.

Procuramos tamanho 1,70m.  

Nem a vestiu.

No dia de Natal disse-me ela: " Gostas da camisa que comprei?"

Que bem lhe ficava.

Após o Natal, decidi comprar uma para mim.

Já está lavada e passada para a festa de aniversário da minha mana.

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