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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

continuo por casa

Maria Araújo, 21.05.20

saio para ir às compras,ou para ir ver o meu sobrinho neto, que vive a  poucos metros de minha casa, percebo, nestes pequenos percursos, que  muitas pessoas arranjam pretexto para sair de casa,. 

pois hoje, queria ir ao mercado municipal, que ainda funciona provisoriamente perto da Câmara Municipal, estava indecisa, ainda não me sinto à vontade para enfrentar as pessoas. e não fui.

depois, pensei ir ao cemitério, a pé, mas com o vai, não vai ao mercado, já não era muito cedo, e tendo em vista que o horário do cemitério, com esta situação do coronavírus, fecha às 12h30, tinha de me despachar, resolvi ir de carro .

comprei flores, não havia círios, não tinha troco para pagar,  assim como a florista também estava sem moedas, fui  ver o que tinha, faltavam cinquenta cêntimos, deixei as moedas todas, e sendo cliente há anos, " paga para a próxima" disse.

saía do cemitério, em direcção ao meu carro, estava perto deste um homem, que supus ser imigrante de leste,  que mandava umas bocas às mulheres que passavam, tipo" boa mulher!". não dei importância. mas quando me aproximei para pôr as coisas na mala, diz ele:  "há muitas mulheres boas por aqui".

continuei na minha, e quando abri porta, diz ele" dê-me alguma coisa"

respondi que não tinha moedas,insistiu, disse-lhe que não tinha nada, que ficara a dever dinheiro na florista. ele deixou-me em paz.

mas neste entretanto, fui absorvida por uma voz feminina que falava muito alto, dizia palavrões, insultando quem estava com ela.

como é óbvio, a tendência é para olhar para a pessoa. a mulher estava acompanhada de dois homens, saíam do cemitério, os palavrões eram dirigidos ao homem mais novo. este, mais à frente. parecia querer fugir,com vergonha, dos olhares de quem a observava. 

pelo teor da conversa, presumi que algum familiar teria falecido, falariam de interesse/ herança?, porque ela dizia, com palavrões pelo meio, que ele só queria dinheiro, e ele resmungava com ela, que não. e ela dominava a conversa com insultos.

esta gente parecia ser pessoas de classe média baixa ( com um bom carro), mas a linguagem dela deixou muito a desejar, não só porque estava na rua e havia pessoas por perto, mas sobretudo porque estava a sair de um lugar sagrado, de culto, de respeito.

e eu não atino com estas discussões nestes lugares.

no percurso para casa, verifiquei que são muitas, mas muitas, as pessoas que andam na rua como se o coronavírus fosse algo que acontecesse lá longe... algumas com máscaras, outras não.

e eu continuo em casa. mas tenciono ir ver o meu sobrinho neto que esteve com os primos, na praia, chegou hoje de manhã.

 

 

 

 

o que fazes tu, Maria

Maria Araújo, 15.03.20

neste primeiro fim de semana fechada, isto é semi-fechada em casa?

É que desde que te levantaste, já saíste de casa, já foste resolver um pequeno problema, regressaste, fizeste o almoço (tarde), tiraste as gavetas da arca frigorífica, lavaste-as com um pouco de água e vinagre,limpaste-as muito bem, organizaste os teus alimentos ( estavam uma confusão) para os próximos dias,ou semanas, sabe-se lá quanto tempo ficaremos "isolados".

E ainda vais ter de sair para organizar o horário de ama do teu sobrinho neto, uma vez que a mãe, a partir de amanhã, está em Home Office e o menino precisa que cuidem dele.E uma criança ficar 24h em casa não é fácil,logo ela que adora ir ao parque e passear na rua.

Mas com boa vontade e esforço, tudo vai correr bem.

Estás serena, não acreditas nas notícias que te chegam via telemóvel (  evitas o FB ) , segues apenas o que lês nos jornais online ou na televisão.

Hoje,choveu um pouco, amanhã o tempo vai melhorar, o sol está aí, aproveita estes dias dentro de casa, lava as cortinas, arruma os roupeiros, lava a roupa  que usas para o ginásio( eu sei que a lavas depois de a usares) aproveita para aspirar as gavetas, separar o que não usas: carteiras, sapatos, écharpes, tudo, mas tudo... E dá a quem precisa.

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imagem daqui.

 

 

o coronavírus e o desinfectante

Maria Araújo, 12.03.20

 

 

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De manhã, fui com o meu sobrinho neto à clínica.

Os brinquedos que costumavam estar no espaço das crianças foram retirados, tem apenas uma mesa redonda e cadeiras para eles se sentarem.

Junto à porta, uma mesa pequena tem desinfectante para as mãos, e papel.

Um aviso diz que a limpeza da sala é feita de hora a hora.

Na creche, e desde o início da semana, tem um desinfectante para as mãos que os pais devem usar sempre que for preciso, visto que há fichas de entrada e saída para assinar.

Na clínica de fisioterapia que vou  há anos, não tem nada.

Agora que estou no fim dos tratamentos é que me apercebi do quão importante é ter o desinfectante no balcão... até porque os utentes que lá vão são maioritariamente idosos.