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conversa de criança

por Maria Araújo, em 10.01.19

Fico grata por ter cinco sobrinhos netos, e embora dois os veja uma vez por ano, outros dois vêm no Natal e no verõ férias, o mais novo, o bebé, tenho o prazer de estar com ele diariamente.

Hoje, o F, 4 anos, um menino muito malando e meigo, no seu brasileiro bem carioca, que nos faz rir, lavava as mãos, e com a expressão sorridente e meiga que faz, diz-me:

- Não sei si vou suportar ir para o Brasiu, tia L.

—Porquê?— perguntei.

— Porque no Brasiu faz muito calor e eu não vou suportar.

— Gostas mais do frio de Portugal?

— Sim. Gosto mais do frio.

— Mas F, a próxima vez que vieres de férias vai estar calor em Portugal.

— Mas eu não sei se vou suportar,— repetiu.

Estas férias de Natal foram espectaculares para eles ( na próxima semana regressam a casa), o tempo esteve, e está, bom, foram poucos os dias que estiveram cá na cidade, passaram-os no sossego da casa da praia, que eles adoram.

 

 

 

 

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a avaria e a informação repetem-se

por Maria Araújo, em 29.10.18

 

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Quinta-feira passada, fui jantar fora.

Saí de casa, a rua estava às escuras, valeu-me a luz do telemóvel quando cheguei a casa.

Sexta-feira, fim de semana, liguei para a EDP, repetiu-se tudo o que escrevi neste post de 2014.

 

Dois anos depois, voltou a acontecer o mesmo (parece-me que vivo sozinha nesta rua) nunca ninguém se lembra de ligar para a EDP, liguei eu, repete-se a gravação e a conversa com a colaboradora:

 

 Se é avaria em casa, marque x; se é avaria na rua, marque y ( e eu marquei).

- Se a avaria na rua é só de um candeeiro marque x, se for metade da rua, y, se for a rua inteira, marque z (marquei z).

- A chamada vai ser atendida por um colaborador.

...

" ficou registada a sua informação, já foi enviada para os técnicos, pode levar dez dias".

 

Expectável que foi na conversa que tive ao telefone e depois me pedir a localização da rua, o meu nome e contacto telefónico, acrescentou isto:

"... não sei se o piquete anda na zona, mas informo que a espera pode levar dez dias para reparar a avaria ".

À noite, cheguei do Porto por volta das 21h30, a rua continuava às escuras.

Hoje continua assim. Só os faróis dos carros que passam a iluminam.

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esgotam tudo

por Maria Araújo, em 02.11.17

2017 foi o ano que menos vezes fui ao cinema e espectáculos. Nem sequer actualizei o cartão que me dá descontos.

Vira a publicidade à peça " Os Guardas do Taj" mas não dera a devida atenção.

Quando ontem Reynaldo Gianechinni foi ao Jornal da Noite da SIC, recebo uma chamada a dizer: "quero ver esta peça".

Apesar da peça ficar por cá quatro dias, e porque quem vai vê-la comigo, uns não podem nuns dias, outros noutros, comprei os bilhetes para o dia 12 de Novembro, à tarde. Desta forma, estamos todos disponíveis.

Foi pretexto, também, para actualizar os cartões.

Na página online vi a programação até ao final do ano, já tenho vários espectáculos em vista 

 

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Eu queria ver este senhor, mas os bilhetes esgotaram no dia da venda e online.

A minha pergunta, lá no Theatro Circo, e por que por vezes consigo, é: " Um lugar perdido, não há?"

Mas não, desta vez, nada!

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Esgotam tudo!

 

 

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as carpideiras

por Maria Araújo, em 07.06.17

Balneário do ginásio, três senhoras já prontas para sair, falavam das carpideiras.

Uma delas contava  que estas mulheres iam às igrejas chorar o morto, que não conheciam.

Ora numa altura, foram a um velório sem que fossem "contratadas" , chorar o homem da aldeia.

A esposa, sentada a um canto, não falava, não chorava.

Aproximaram-se, iniciaram a choradeira do costume:
"Ai coitadinho, tão boa pessoa, ai, ai".

A viúva, não dizia nada, até que uma delas perguntou-lhe porque não chorava, ao que respondeu: " Já devia ter morrido há muito tempo".

A choradeira, o pranto das outras continuava. A viúva, no seu canto, não mostrava sinal de dor, de desgosto pela morte do marido.

Voltou a ser interrogada até que diz: " Este homem já devia ter ido embora há muito tempo. Batia-me, maltratava-me, como posso eu chorar um homem que me fazia tão mal?"

Ora esta conversa trouxe-me à recordação as idas, algumas obrigatórias, aos funerais de pessoas amigas dos meus pais.

Na altura, não sabia que essas mulheres  não pertenciam à família do morto nem sequer que eram pagas para esse teatro. Destestava ouvir berros e choros disfarçados. Sempre me incomodaram. Como nunca gostei de ir a funerais. Dispenso. E se puder, fujo deles. 

Felizmente nunca mais presenciei estas cenas. E se alguma vez, num velório, me lembrei delas, com certeza que pensei que já não existiam.

Fui à procura de informação, encontrei este precioso site com documentários, filmes e livros do etnomusicólogo, que os mais velhos devem lembrar-se, ( não me lembrava de nada) era um programa da RTP, "O Povo que Canta" de  MICHEL GIACOMETTI.

 

«Choram-se» os seus próprios mortos ou manda-se «chorar» uma carpideira, que fará o serviço em troca de um alqueire de trigo ou coisa parecida.

 

"Choraste mulher, choraste...e recebeste o salário das tuas lágrimas...
Agora foges por entre os Espigueiros que guardam o pouco daqueles que tão pouco tem..."

O vídeo do youtube, no programa "Povo que canta" o choro de uma carpideira..

 

 

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promessa cumprida

por Maria Araújo, em 29.12.16

Prometera a mim mesma que iria ver a Alice, hoje.

Fui comprar uma caixa de chocolates para lhe oferecer.

Quando a vi, estava acompanhada da Joana, a prima grávida.

A Alice sorriu quando me viu.  Reconheceu-me, mas não conseguia dizer o meu nome.

Dei-lhe um abraço.

Sentamo-nos no banco do jardim.

Conversámos muito, mas ela não acabava as palavras.

Trazia um blusão com uma gola de pelo que o grande amigo Fernando, a pessoa que mais a visita, lhe ofereceu.

À medida que eu falava das nossas amigas, dos jantares que fazíamos, as palavras dela saíam com alguma fluidez.

Perguntei se a amiga Cândida a visitara.

Sim, e de vez em quando vai buscá-la para almoçar.

Falei na Cândida, o nome não mais lhe saiu da boca.

Ria-se de tudo e de nada.

Às tantas, ao longe, vejo alguém que procurava alguém.

Ninguém se reconheceu.

Esse alguém volta a aparecer no meu campo visual. Aproxima-se.

Era outra amiga nossa.

Rimo-nos da situação.

Conversámos, rimos, recordamos.

O telemóvel desta amiga toca, é outra que vem ter connosco.

Mais um abraço.

Arrefecera, fomos ao bar. 

Às 17 h o bar fechou, era a hora de Alice regressar "à sua casa".

Foi a útima a entrar na sala. Despedimo-nos dela.

Veio à janela espreitar. Sorria.

Atiramos-lhe beijos.

Vai passar o ano com a família.

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dar umas quantas voltas

por Maria Araújo, em 08.12.16

pela cidade, ver a iluminação de Natal, pôr a conversa em dia, dos filhos, dos irmãos, dos amigos, de tudo e nada,faz bem à alma. 

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coisas do meu dia

por Maria Araújo, em 30.09.16

Sem que desse por nada, a Kat dormiu toda a noite no roupeiro ( as portas são de correr) fechei-as antes de dormir.  6:30h da manhã, hora que a Kat faz o favor de me acordar porque quer comer, sinto as garras dela arranharem a porta.

Convicta que estava do lado de fora do quarto, não me levantei para a abrir.

Às tantas, percebi que ruído vinha de dentro do quarto e: " Ela está dentro do roupeiro!"  Levantei-me, abri a porta, a do quarto também, pu-la fora ( não quero habituá-la ao meu quarto).

Meia hora depois levantei-me para lhe dar de comer. Ela sossega e eu volto para a cama. E adormeci ( às vezes desperto, o sono não vem mais).

Às 8:30h, o despertador dá sinal, hora de levantar para ir ao ginásio.

Depois da primeira aula, e já no balneário a mudar a t-shirt, a conversa entre duas senhoras preparadas para a aula de hidro, era esta:

Senhora X - Era o que faltava mandar calar. Eu faço os exercícios na mesma.  Que quer ela?

Senhora Y - Ela ( a professora) diz que enquanto dá a aula temos de estar calados. Ela não gosta que se fale.

Senhora X - Mas se eu faço os exercícios e estiver calada, pouco me incomoda que os outros estejam a falar. Ela não tem nada que mandar calar. 

E continuou a conversa com o silêncio da outra que me pareceu não gostar do que esta dizia.

Foram este tipo de senhoras e a conversa que tinham durante as aulas de hidro que deixei de ir à semana. Passei a ir ao fim de semana. É  um sossego.

 

Hora de almoço, liguei o rádio na RC, estava bem disposta. Se passa uma música que gosto e que dá para dançar, danço ou dançamos...

Vejo a Kat em pontaria para pegar nela e dançar comigo ( mas com cuidado porque ela não gosta muito que a pegue e, por vezes , arranha-me. É tão doida!)

Yes! Ahahahaha! Dançou comigo, dei-lhe um beijo no pêlo e pousei-a.

Após o almoço, decidi ir aos CTT enviar os livros de  " Vamos Alimentar uma Bibiloteca?" ,  que a Magda divulgou no blog. Estava com tempo para os despachar, seria já hoje, não fosse segunda-feira ter outras coisas e esquecer-me.

Nos CTT, peguei num envelope almofadado, grande, para três livros, preenchi o endereço, esperei a minha vez.

Dirijo-me ao balcão e dá-se esta conversa:

Eu - Quero enviar estes livros para a Madeira, não os meti no envelope para o senhor passá-lo no código.

Ele (funcionário) - Os livros estão escritos?

Eu - Não, a não ser este que tem uma dedicatória.

Ele - Muito bem. Olhe, não quer comprar um livro do Mia Couto e enviar junto com estes? ( apontou para um livro que estava em cima do balcão).

Eu - Não. Vou enviar estes três, não me interessa. 

Ele - Mas o Mia Couto vai estar na Universidade do Minho. Não quer comprar? Ele tem uma trilogia, vem fazer a apresentação.

Eu - Não. Se comprar é para mim, mas vou decidir em casa.

Ele - E não quer comprar uma lotaria? ( no balcão, à vista).

Eu - Não. Eu só compro uma vez por ano...a de Natal. 

Ele - Mas nós já temos lotaria de Natal.

Eu - Obrigada, mas ainda é cedo. Para meados de Outubro, compro. 

E é isto. Sempre que vou aos CTT gostam de tentar impingir coisas. 
Não dá. Não gosto disso.

E hoje que até estou bem disposta ( aliás, estou sempre, mas hoje mais um pouco). 

E agora os romances que enviei, com muito gosto, para alimentar a Biblioteca  de Faja da Ovelha, concelho da Calheta, na Madeira.

Boas leituras, amigos.

 

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a propósito

por Maria Araújo, em 01.09.15

 

 

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deste post, lembrei-me que no domingo passado fui à praia e como não levara nada para almoçar, decidi ir à lanchonete do costume, onde fazem umas sandes de presunto com queijo, tomate e alface, que eu gosto.

nas duas mesas ao meu lado, estava um grupo de cinco mulheres entre os 20 e os 25 anos, acompanhadas de um único homem de nacionalidade brasileira.

falavam muito alto, quem estava na esplanada ouvia a conversa.

o tom baixo da voz masculina raramente se ouvia.

a conversa andou à volta de homens com dinheiro (uma delas afirmou que não se importava de casar com um velho de 70 anos, rico, pois aguentaria a velhice dele pelo dinheiro que este lhe deixasse por herança),  travestis, gays, homens italianos, casamentos, saídas à noite, casas de strips de homens (especificando o pormenor de como encobririam eles os seus orgãos de modo a que não se percebesse na roupa justa que vestiam, o que elas fizeram). toda a conversa ao foi ao pormenor.

percebi que o homem que as acompanhava não aguentava a pedalada delas. interveio muito pouco.

riam-se alto, não se preocuparam com quem estava nas mesas ao lado: casais com filhos menores.

foram cerca de 50 minutos, o  tempo de eu almoçar, tomar o café, esperar pela conta e pagar.

levantei-me e fui para a paria.

elas nunca baixaram o tom de voz. riam-se e falavam de tudo o que lhes dizia respeito... mas ninguém precisava de ouvir.

há pessoas que gostam de se ouvir e ser ouvidas.

 

 

 

 

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homens que fazem as mulheres sonhar

por Maria Araújo, em 06.08.15

 

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ontem à noite,  ao telefone com a minha amiga N e enquanto via a SIC Notícias, passou a notícia do mercado de compra/venda/transferências de jogadores de futebol e digo eu: "já reparaste que o Rui não ganhou um único jogo e o Jesus ganhou tudo?"

E passamos para a conversa de futebol, que não domino a 100%,  sobretudo no que se refere aos nomes dos jogadores.

De repente passa a notícia da vinda de Pablo Daniel Osvaldo para o FCP e diz ela, que entretanto sintonizara a SIC Notícias: "este jogador é lindo, todo bom, repara!"

"Apareceu-me um homem com ar abandalhado, uma barba que não gostei, ar sisudo".

"Ele aqui não parece o mesmo, mas se fores ao google, escreves o nome dele e vê o quão bom ele é.", comenta a minha amiga N.

Agora, nas leituras do Sapo, vejo um título que me chamou a atenção,  no blog destas três simpáticas mulheres, clico, leio, e vejo as fotos.

Já vira esta beldade por aí. É, de facto, um homem lindo, que faz as mulheres sonhar ...e muito parecido com Jonnhy Depp (pormenor que passou despercebido à minha amiga, mas não é costume).

 

 

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no parquinho

por Maria Araújo, em 16.07.15

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Ao final da tarde, fui levar o meu sobrinho neto ao parque infantil que fica nas traseiras da casa da minha sobrinha.

O miúdo tem conversa qb e às páginas tantas, depois de muita brincadeira no escorrega, disse-lhe que tinha de ir para casa tomar um banho e eu também queria  tomar banho em minha casa.

Diz-me ele "você está porca, precisa de tomar banho!"

"Eu?!" perguntei apontando para mim. "Eu não estou porca. O António é que está sujo."

"Sim, você, L" (e ria-se). "Quando meu pai chegar eu vou dizer qui você está pelada".

"Eu estou pelada? Não estou pelada, António. Eu estou vestida." (ele sabe que nós adoramos seu jeito carioca de dizer pelado(a) e então gozava comigo.

No regresso a casa, ia a correr pelo passeio e quase pisava cocó de cão, que ele detesta ver na rua, pois o avô ensinou que se deve apanhar e pô-lo no lixo.

Digo-lhe eu: "António, tu ias pisar o cocó!".

Pára, volta para trás, olha para o cocó, depois para mim e responde-me: "Não, tia L. Eu desviei-me. Eu vim por esti lado", apontando para umas plantas rasteiras do jardim do parque.

 

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