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no hospital público

por Maria Araújo, em 06.06.19

Uma pessoa recebe uma carta do hospital público para uma consulta, que não esperava, da especialidade de pediatria e marcada para uma hora  em que a obriga a sair do seu emprego, e depois de mais de uma hora de espera, entra com o filho no gabinete e a primeira coisa que a médica faz é perguntar porque está naquela consulta, a resposta foi, e muito bem:

" Não sei, senhora doutora. A senhora é a médica, não sou eu".

Houve mais...

A pessoa questiona a si própria o que é que foi lá fazer, concluiu que não trouxe nada de útil e perdeu uma tarde de trabalho. 

 

 

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coisas do dia

por Maria Araújo, em 01.06.19

A médica é jovem.

Acho que simpatiza comigo.

Digo o que sinto, peço os exames de rotina que penso ser a altura certa para os fazer, sobretudo as análises ao sangue.

Fui à consulta.

Mal me viu, exclamou:

- Que gira!  Que bem que lhe fica o vestido!

Fiquei sem saber o que dizer, repetiu.

"Logo hoje que não me apeteceu fazer o traço nos olhos e aplicar a máscara de pestanas. Estou deslavada."

Fomos ver o peso, 44,4kg ( com as sandálias, o vestido é leve quase não conta), e digo eu:

- Eu não queria ter este peso.

Convicta que eu queria ser mais magra, olhou para mim e perguntou-me porquê.

- Gostaria de pesar os 46kg, o que peso agora é o peso dos  meus 20 anos.

- Nao diga nada, - comentou, ao mesmo tempo que sorria.

- Está muito bem.

- É o que me dizem- , respondi. 

Feita a auscultação, provavelmente a dor no braço será de algum esforço que fiz, na próxima semana vou fazer exames.

Na despedida, aproximou-se, cumprimentou-me com  dois beijos e disse: "está muito bem assim"

Há elogios inesperados que fazem bem à alma.

Este foi um.

Vamos ver o que vão dizer os resultados dos exames.

A idade avança, as forças são outras e, por vezes, abuso delas.

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calor de Maio

por Maria Araújo, em 31.05.19

2019-05-31 (2).png

 

Sabia que ontem e hoje o tempo estaria bom para a praia pois o vento é de Este. 
Pensei ir de manhã cedo, fazer três horas de praia. 

A noite de quarta-feira para quinta, dormi apenas 3h, ontem adormeci no sofá, não vi nada do  5 Para a Meia-Noite, ia acordando mas os meus olhos não queriam nada com a TV, às 23h30 fui para a cama.

Felizmente dormi tudo o que precisava, decidi não ir ao ginásio nem à praia., deixei-me ficar por casa. 

Também não fui à praia porque tenho uma consulta de clínica geral. Há dias que me dói o braço esquerdo, não sei se fiz algum esforço  extra que me apanhou a omoplata e o ombro, estando agora fixa no braço... Pensamos que tudo está bem, mas os ossos fazem-nos lembrar que o tempo dá os seus sinais, temos de estar alerta.

Se estamos a entrar no mês de Junho e a 20 dias do Verão, se agora está calor e me queixo, que será do Verão que vier que, dizem, será muito quente?

Gosto do Verão, mas não me dou com o calor.

 

 

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apontamentos

por Maria Araújo, em 03.05.19

É inadmissível que se tenha uma consulta para uma hora x,  vai-se com antecedência, entra-se na sala de espera a horas, os minutos passam, passam, pergunta-se o porquê da demora, visto ser a primeira do dia, a resposta é que a médica costuma chamar à hora certa...

Quarenta minutos depois, sai do consultório um delegado de informação médica.

A consulta era de pediatria.

E a questão é que já aconteceu isto várias vezes, inclusive em Lisboa.

Considero uma falta de ética para com os pais, que faltam ao trabalho, e para a criança, que desespera de sono e fome, porque as suas rotinas não estão a ser cumpridas.

 

 

 

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o que é normal num dia pode não ser no outro

por Maria Araújo, em 24.01.19

Tinha uma consulta para as 15:40h, em Vila Verde, fui cedo, precisava de estar em casa por volta das 16:30h , ia buscar o bebé ao colégio, seguia com ele para uma consulta, a mãe encontrar-se-ia comigo no consultório.

A consulta é rápida, faz-se  as picadas, calça-se as meias, vem-se embora. Nunca demora mais de quinze minutos.

Com ideia chegar por volta das 15:15 h, e sair de lá de molde a chegar a casa à hora que previra, a cerca de 4 km do hospital, deparei-me com uma longa fila de carros. 
"Ou são obras, ou um acidente" pensei. Os minutos passavam, não chegaria à hora que previra.

Quase trinta minutos depois, à medida que meia dúzia de carros seguiam o seu caminho e do outro lado o trânsito fluía com regularidade, eis que vejo o que era: uma nova rotunda está a nascer ali, um pouco antes de uma mais antiga que fica a cerca de 1 km daquela.

Passada a obra, estacionei o carro num grande parque onde se faz a feira, percorri os escassos metros a pé, entrei pelo parque de estacionamento do hospital.

Tirei a senha de consulta, tinha sete pessoas à minha frente, esperei, esperei, esperei.

Às tantas, um homem alto meteu-se à minha frente, não conseguia ver o écran com os números de chamada, até que chegou a minha vez... vinte minutos depois de tirar a senha.

Aproximo-me do balcão, mostrei a senha à senhora, diz-me que não era para o balcão A, que devia ir para C.

Quando reparei na senha, fiquei possessa comigo mesma.

Observava sistematicamente a minha senha,  C, via os números passarem, mas os  meus olhos diziam-me que era o A,  o meu número tinha sido chamado há algum tempo e eu nada.

Aproximei-me da funcionária, que atendia o homem que se metera à minha frente, expliquei o que se passara, pediu que esperasse um pouco.

Outra funcionária tentava ajudar esta a resolver o assunto dele, a especialidade que ele queria não tem acordo com o seguro que possui, eu fervia pela espera, a funcionária dizia que tinha de acabar o que estava a fazer para atender-me de seguida.

A hora da consulta passara há muito, até que chamou-me. Mas não resolveu nada, havia um problema qualquer no sistema, perguntou-me se já tinha ido à consulta. Expliquei-lhe o que aconteceu, ela pedeiu-me que fosse para a consulta que passasse lá no fim para pagar.

No corredor estariam cerca de dez pessoas, tinha a certeza que a maioria não ia para a consulta de esclerose. E não iam mesmo. A porta  do gabinete estava entreaberta, percebi que não estava nenhum utente, e bati.

A médica mandou-me entrar. E foi num instante que foi feito o tratamento.

Saí na direcção ao balcão, com uma senha nova, ainda esperei pelo menos dez minutos.

Saí do hospital.

Pensei na fila que me esperava, pensei seguir na direcção de Amares, arrisquei o mesmo caminho. A fila era comprida, decidi meter por uma estrada secundária, certamente que " avançaria" pelo menos uns oitocentos metros.

Na mouche!

Quando voltei à estrada, estava a pouco mais de cem metros da obra.

Consegui meter-me na fila, passei a obra, estava a 10 km de casa, não apanhei mais trânsito, fiz o resto do percurso num instante.

Entretanto, teria de ligar à minha sobrinha a dizer que não chegava a tempo de ir buscar o bebé.

Ligou-me, eu conduzia, não atendi o telemóvel.

Quando cheguei, liguei-lhe, já estava no consultório.

Eu garantira à minha sobrinha que chegava a tempo. Cheguei dez minutos atrasada.

 

 

 

 

 

 

 

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frio glacial?!

por Maria Araújo, em 27.10.18

Fui à consulta anual de oftalmologia, no Hospital da Luz.

Numa mensagem que recebera, o utente não precisa de ir ao balcão principal, vai directaente à especialidade onde, no pequeno balcão da sala de espera, duas funcionárias fazem o serviço.

Pensei que seria rápido, mas não é. Além de a sala estar completamente cheia de utentes, forma-se uma razoável fila de espera, juntam-se os médicos que vêm ao balcão dar alguma instrução às funcionárias e/ou chamar o utente para a consulta.

Fui chamada com uma hora de atraso ( o normal, neste serviço). Azar meu esqueci-me de levar o livro  que leio actualmente.

Vale a simpatia do médico, que me trata por tu, que comentou que continuo elegante, que fui operada há nove anos,  já me conhece desde então, que o tempo passa depressa ( se passa!).

Examinou os olhos, estão bem, mas apesar de há um ano ter feito exames completos, achou que devia fazer novo exame às células, voltei para a sala de espera, estive mais trinta minutos à espera. Feitos estes, seria chamada para o médico comunicar-me o resultado, passaram outros trinta minutos. 

Entrei de novo, nada há que se tivesse alterado, despediu-se com um beijinho e: "vemo-nos dentro de um ano"

À saída, e verificando que as funcionárias do serviço também fazem a cobrança das consultas, não me apeteceu esperar, agora na fila mais pequena, desci e fui ao balcão  principal, que não tinha ninguém.

Hora de almoçar, o bar da praia estava fechado, o céu ora estava azul, ora as nuvens escondiam o sol, o vento norte era muito forte e frio. Desci à praia, por minutos.

IMG_20181027_132643.jpg

 

Antes de regressar a casa, ainda passei por Apúlia para comprar legumes frescos e flores.

No rádio do carro as notícias informavam que uma massa de ar frio e o vento forte faziam descer a temperatura aos 0º, prevendo-se queda de neve para Bragança. "Ou oito, ou oitenta", murmurei.

À medida que me aproximava da cidade, as nuvens escuras ameaçavam chuva e o vento continuava muito forte. Passei no horto, comprei amores e avenca.

No regresso a casa, uma carga de água fez-me o favor de tirar o pó do carro, que muito precisa de uma boa lavagem.

Em casa, calcei  umas meias quentes, que comprei recentemente, o frio chegou e parece que é para ficar.

 

 

 

 

 

 

 

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telefonema inesperado

por Maria Araújo, em 10.10.18

Dentro de 6 horas, vou no comboio urbano para o Porto  e apanhar o comboio Alfa das 9:40h com destino a Lisboa.

Da clínica, é habitual ligarem a confirmar a minha presença na(s) consulta(s).

A consulta está marcada desde Abril, ainda não tinha recebido a chamada, antecipei-me, liguei ontem.

Tudo confirmado.

Estava a preparar as coisas para a viagem, às 22:25h toca o telemóvel.

O número era da clínica. Achei estranho, nunca me ligaram à noite.

A primeira consulta não era possível tê-la, a segunda mantém-se, perguntava a senhora se era possível marcar outra data ou aceitava que outro médico fizesse o tratamento.

Óbvio que não iria noutra data, para isso vou ao Porto, aceitei a segunda proposta.

Mas havia um senão. A única hora disponível era às 12h30, hora que chego a Lisboa.

Tentei que ela percebesse que já tinha bilhete comprado há dias, que não posso perder dinheiro da viagem ( e a consulta é cara) pelo que pedi que avisasse a médica que esperasse 15 minutos (a maioria das vezes entro para a consulta cerca de 20/30 minutos depois da hora marcada) logo que desembarcar, apanho um táxi.

Ficou combinado.

Depois terei de esperar pela consulta das 15h (vou arriscar na recepção que contatem a assistente e que veja a hipótese de o médico antecipar a consulta...esta é apenas para confirmar se tudo está bem, e eu sei que sim.São cinco minutos).

Desde 2007 que ando por lá, nunca tal coisa aconteceu.

 

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consulta demorada

por Maria Araújo, em 27.07.18

Há precisamente uma semana, fui à consulta de Medicina Geral pedir à minha médica receitas de medicação que habitualmente tomo : colesterol, tiroide, cálcio.

Em casa, conferi a medicação prescrita, reparei que faltava um, que ela diz ser importante tomar pelo menos durante dois anos.

Nova consulta marcada, para as 10h de hoje,  são 10:55h estou na sala de espera, vou lendo alguns blogs.

Combinei com uma das sobrinhas fazermos uma visita aos nossos sobrinhos/ sobrinhos netos,  que estão na praia, já me ligou a saber como  estão as coiss, convicta que eu estava em casa.

Tudo isto para dizer que a minha médica  dá muita atenção aos seus pacientes, é muito solicitada, e meiga.

 

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querias sol e praia?

por Maria Araújo, em 17.04.18

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Estavas toda feliz porque ias pôr o corpinho ao sol, por que deixaste para agora o que devias ter feito antes?

Pois é, estavas constantemente a comentar que tinhas de marcar a consulta de dermatologia para tirar umas verrugas, era hoje, depois amanhã, quando decidiste pegar no telefone foi-te dito que a tua médica  já não trabalha no hospital.

Procuraste outros nomes, leste currículo, " vou tentar esta" comentaste, consulta marcada e lá foste tu, hoje.

Simpática, a médica, diz que não estranhes porque o teu corpo vai parecer que um gato te arranhou, «amanhã está melhor, passe betadine, não apanhe sol».

Foram verrugas e sinais, só um foi para analisar, dentro de 2 /3 semanas voltas lá para tirar mais alguns. 

E tu que és cuidadosa, que devias ter ido mais cedo.Pensaste que eram apenas três verrugas, toma!

«Dou prejuízo ao hospital com a quantidade de adesivo que gasto » comentou a enfermeira que cobria o teu corpo de adesivos.

E agora? Querias sol e praia, Maria? 

Vai, mas contenta-te com um passeio pela beira-mar, que tanto gostas.

 

 

 

 

 

 

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o médico

por Maria Araújo, em 12.12.17

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Há 4 anos que não ia à consulta de otorrinolaringologia no hospital onde fui operada há 15 anos.

O médico esteve ausente, por doença, cerca de 2 anos, procurei um especialista aqui na cidade para as consultas de rotina.

Soube, no ano passado, que o médico recuperara, que regressara ao trabalho.

Há dias, lembrei-me de marcar consulta para ele, visto que me acompanhou ao longo destes anos todos e sempre tive confiança nele, estava na hora de voltar.

Fui hoje. Quando lhe disse que não ia à consulta há 4 anos, ele dizia 2, até que foi ver a minha ficha e confirmou que sim, 2013 foi o último ano que lá estive. 

Óbvio que não referi que o motivo da minha ausência fora o seu estado de saúde. Não me competia tocar no assunto. Disse-lhe que neste período de tempo tinha consultado um médico cá da cidade quando tivera um zumbido no ouvido esquerdo; que fizera audiograma, que estava normal, que ultimamente não tenho tido zumbidos nem dores.

Depois de examiná-los, comentou que não tenho pólipos no nariz, a garganta está bem. 

Ora, ao longo deste 16 anos de consultas, este médico sempre mostrou ser uma pessoa serena e pouco faladora. Por vezes sentia-me pouco à vontade com o silêncio que se gerava no consultório, dava-me a sensação que estava de mal com a vida.

Colegas minhas mudaram de médico, achavam-no antipático. Eu sempre afirmara que gostava dele, era feitio seu falar pouco com o paciente, que apesar de ser um homem de poucas falas, confiava nele.

Na estrada, pensava como iria encontrá-lo. Mais frágil? Mais calado?

Uma hora de espera, como sempre, para esta consulta, mal entrei, sorri. Contrariamente ao que pensara, está com bom ar, um pouco mais velho, como é natural, mas com uma postura dinâmica, simpática, comunicativa.Teria sido uma grande luta, com certeza.  

E na despedida, comentou que gostou muito de me ver.

E eu fiquei muito  contente de ver que ele está bem.

Para o ano, volto.

 

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