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cantinho da casa

cantinho da casa

dos meus dias

Há alguns meses que ando meia despassarada com o que faço,mas não com o que é de responsabilidade,.

Não sei se é a idade, embora eu sinto que estou bem da cabeça, conduzo bem, tenho consciência do que faço, mas há pequenas coisas que  percebo que ela funciona mal, ou será cansaço, ou talvez todo este estado da situação do virus, em que tenho tido muito cuidado mas vejo pessoas das minhas relações infectadas e fico preocupada..

Não sei.

Por exemplo, na segunda-feira passada, fui dormir a casa da minha irmã. 

Tinha-a levado a casa. Na rua onde vive, paga-se o estacionamento,  mas atrás do prédio tem um caminho que dá acesso às garagens, quem é de fora e chega primeiro, de manhã cedo, estaciona o carro e vai à sua vida, regressando ao final do dia para voltar para casa.

É uma sorte arranjar estacionamento.Se não consigo, vou depois das 19.00h para casa dela, tiro o bilhete para o dia seguinte, no caso de sair depois das nove.

Então, na segunda-feira, levei a minha irmã a casa, mas ficamos um pouco de tempo a conversar dentro do carrro.

De repente, ela diz que o homem que está a aproximar-se vai tirar o carro que deixa estacionado nas traseiras do prédio, comento de imediato que vou estacionar o meu, ficava  para o dia seguinte, ia a casa e regressaria ao final da tarde, traria a minha mochila. Até porque na terça-feiraa ia de manhã cedo, de comboio, para o Porto e quando regressasse, levaria de carro para casa.

Tudo perfeito.

Leva-me cerca de vinte minutos a fazer o percurso a pé da minha casa à da minha irmã.

Levava dois sacos, que por sinal não estavam muito carregados.

Cheguei a casa dela para cozinharmos, não sei o que de repente precisei que se fez luz no meu cérebro e lembrei-me que não levara a mochila com o pijama, os cremes, a pasta e escova de dentes, enfim, essas coisinhas do nosso dia-a-dia.

A minha irã passou-se. Lamentava, mais que eu, porque ia ter de voltar a casa, porque não levava o carro, eu insistia que ia a pé, que o carro ficava estacionado pois perderia o lugar e no dia seguinte teria de ser ela a pôr a moeda de hora em hora, ou então, levava o carro para a minha garagem e teria ela de fazer o caminho de volta a pé.

E lá fui eu a casa buscar a mochila.

Eu estava de rastos de cansada. Foi um dia cheio. Deitei-me cedo.

Terça-feira,  fui de comboio para o Porto,cheguei à estação de Campanhã e fui levamtar dinheiro, precisava de carregar o bilhete de metro. Fiz a operação e. de repente, saem-me quatro notas de vinte euros e uma de dez. Pensei que a máquina estivesse avariada e me desse mais dinheiro que o que eu queria ( trinta euros).

Eu detesto ter muito dinheiro na carteira, uso o multibanco para quase tudo, guardei o dinheiro e voltei a meter o cartão na máquina para conferir quanto levantara.Vi no écran que de facto estava registado os noventa euros. O que aconteceu?

Em outros levantamentos, em vez de marcar o número três, marquei o nove.

Depois, pensei que em vez de pagar a consulta com o cartão pagaria em dinheiro, mas também lembrei-me que se a consulta de higiene oral pago noventa euros, a de ortodontia certamente seria muito mais, logo, teria  de usar o cartão multibanco porque o dinheiro não chegava. E comentava para mim que ando tola da cabeça, que só faço asneiras, que preciso de sair do meu ambiente e dar um giro e descansar... Mas para surpresa minha, e depois de estar na consulta quse uma hora, a assistente acompanhou-me ao elevador e disse que podia descer ao r/c e ir embora  porque não tinha nada a pagar.Yeah!

 Meti-me no comboio, cheguei a horas de ir buscar o carro e ir ao colégio buscar o sobrinho neto que tem aula de natação. É outra tarde do caraças! Preparo-o para a aula.

45 minutos depois, voo buscá-lo, dou-lhe banho, lá no ginásio, visto-o: " agora vou vestir as calças, levanta a perna, digo eu enquanto bebe o sumo que levo, agora levanta a outra... e por aí fora".Arrumo a roupa no saco, à pressa, pois ele foge para o corredor, vou a correr atrás dele, trago-o para a minha beira.

E levo-o a casa.

Venho para a minha, tomo um banho somente para relaxar.

Se consigo reservar a aula de Pilates, para a quarta-feira, sabe-me tão bem este bocadinho de tempo, é o meu dia grande.

À tarde, vou buscar o miúdo ao colégio.

Ora ontem, não me apetecia fazer jantar, comi um prato de sopa, um pão com queijo e maçã cozida, que adoro nesta época do ano.

Sentei-me no sofá a ver o Ricardo  Araújo Pereira, depois passei para a RTP2 ( dos canais que passa séries e filmes que gosto), passo depois para a SIC para ver a novela Bom Sucesso, apenas por que sou fã de António Fagundes. 

Mas de tão cansada que estava, e há noites que adormeço e quando acordo a novela já era, aconteceu ontem.

Quando acordei, a gata miava, andava atrás de mim.

Óbvio que pensei que ela queria comer. Antes de me deitar ponho um pouco de comida seca no prato.

E foi então que me lembrei que não tinha comida para ela, em casa. Tinha na garagem.

Eram 00:50h e eu tinha de sair de casa e ir à garagem buscar o saco que deixei lá na altura em que comprei duas embalagens, porque estavam em promoção, e para não subir as escadas carregada com as compras, o que não preciso de imediato, deixo-as na garagem.

Desci as escadas, liguei a lanterna do telemóvel, abri a garagem, peguei n embalagem, fechei a garagem, e voltei para casa.

Imaginava o que seria não ter nada e a gata miar a noite inteira.

Hoje,depois do almoço, tinha de sair com o carro, que estava na garagem, e quando vou para meter a chave na fechadura, a porta estava encostada. Significava que, à noite, eu convencera-me que a fechara à chave. Mas não. Abri a porta, a garagem estava intacta. O carro é velho, do mal o menos, mas estão guardados uns electrodomésticos e uma carpete que valem um bom dinheiro. E não são meus.

Uma amigaminha ligara-me a dizer que tinha tangerinas, limões e batatas para me dar , como estava com o  carro, não vinha carregada, passei hoje em casa dela.

Vim para casa, estacionei-o em frente à porta da garagem, amanhã tenho de sair cedo, não tenho de perder tempo a abrir e fechar, fechei o carro e vim para casa.

Quando cheguei casa, mudei de roupa, gosto de andar confortável, e fui lanchar.

Quando me lembrei do saco, não o vi na cozinha.

Procurei pela casa, e nada, "teria ficado fora da porta", pensei, abri-a, e nada.

E  depois de tanta procura, lembrei-me que quando subia as escadas não senti o peso do saco. "Pronto! Deixei-o no carro!", comentei para os meus botões.

E desci as escada e fui ao carro buscá-lo.

Felizmente,dentro de casa, a minha cabeça não tem esquecido de verificar se está tudo bem: as toneiras fechadas, o gás desligado, o ferro, quando o ligo, antes de sair de casa e de me deitar.

 

 

 

 

 

 

coisas desta manhã de 5ª feira

 Hoje de manhã fui esclarecer o que se passou ontem, aqui.

Não havia filas para nada. Quem tinha vacina agendada seguiu um caminho, estavam  apenas duas pessoas nas informações.

Chegou a minha vez, expliquei à jovem o que se passou na 3ª feira, que fui informada que receberia uma chamada para ser vacinada na 4ª, e a chamada não aconteceu.

Viu o meu cartão e disse-me para aparecer às 15horas de hoje, ou até às 16horas, mais tarde que esta hora não,  e seria vacinada.

Perguntei se vou ser vacinada mesmo, pois as informações que tive foram sempre dirferentes, e se ia directamente para o local da vacinação. 

Resposta afirmativa, saí de lá, meti o cartão na mala. 

Estava de carro, pensei passar pelo mercado municipal, mas perdi a vontade,  comprei num mercadinho alguma fruta que estava a precisar.

Cheguei a casa, e como é meu hábito, fui pôr as compras na bancada da cozinha. Fui tirar as sapatilhas, tirei o telemóvel da mala. Convicta de que metera o cartão de vacinação no bolso do forro da carteira, fui espreitar e não o vi.

Fui à  carteira,  vi na divisoria das notas, na da carta de condução, e nada!

Sacudi a mala , revistei nos entre os cartões!

Pensei que ao pagar as compras tivesse caído no balcão, ou que teria caído no carro, mas tinha a certeza de que o metera na mala.

Fui ver no carro, e nada!

Estava a ficar desesperada, teria de ir procurar no imenso parque automóvel do Fórum. Pensei ligar para a ARS e perguntar se podia  explicar no centro de vacinação o que aconteceu, e  se pelo número do cartão de saúde tivessem acesso aos dados e poderia ser vacinada.

Voltei a virar a mala , verifiquei tudo, até a bancada da cozinha onde pusera os sacos com a fruta.

E quando pensei ligar para a  ARS, vou à sala de jantar e vejo-o em cima da mesa.

Como é possível?

Eu não me lembro de ter entrado na sala. Os meus hábitos são os mesmos quando entro em casa,  como  e porque é que eu tirei o cartão da mala e fui pô-lo em cima da mesa?

Respirei de alívio.

Entretanto, tocou o telefone fixo.

Atendi.

Uma voz perguntou se era a dona da casa,  perguntei o que desejava, respondeu-me que estava a ligar de uma empresa de electricidade e que gostaria de saber qual a empresa que fornece a energia, que tem um desconto para mim...Interrompi, ainda com a cabeça "quente" do que acontecera com o cartão de vacinação, respondi que sou cliente EDP e que, por enquanto, não estava com intenção de mudar.

De repente,  diz: " a senhora é que sabe" , e desligou o telefone sem dizer um obrigada, um bom dia.

E é isto.

Hoje vou ter a segunda dose da Astrazeneca.

 

 

 

 

 

 

 

coisas desta sexta-feira

Sexta-feira é o dia de levar o sobrinho neto ao colégio.

Deixei o menino no colégio, fui às compras ao supermercado Froiz, sito, no Retail Center. É um supermercado que não há no centro da cidade, ficam os dois nos arredores. Gosto da limpoeza, do atendimento, dos produtos deste supermercado.

Caíam uns pingos de chuva que deram para molhar  a estrada e o carro, mas nada demais.

Feitas as compras, liguei a ignição, e de repente, vi um fumegar que vinha de cima do capot. Fiquei logo alerta.

Desliguei a ignição. Pensei que se saísse da grelha poderia ser do depósito da água, mas também pensei que seria condensação devido à chuva.

Não cheirava a queimado, a temperatura estava normal, mas o fumegar continuava.

Abri o capot, estava tudo normal, reparei que um tubo canelado tinha um fissura, isto é, estava rompido.

Não pensei mais. Liguei para a oficina, expliquei o que se passava, disseram-me que não podiam ver o carro, estavam com muito trabalho, que chamasse o reboque que levaria o carro para lá.

Quando chegou o reboque, e foi muito rápido, o senhor foi ver o carro e disse que era normal aquele tubo estar rompido, que o problema não era dali, que de certeza que precisava de água. 

Eu respondi que o carro tinha estado na oficina há pouco tempo, que o carro tem muitos anos e nunca fui eu que tratei de pôr água, sempre  deixei que a oficina se encarregasse de tudo.

O carro foi embora, e fiquei ali, sozinha, longe de casa.

A sobrinha queria ir buscar-me, mas eu disse que não viesse, que pediria um táxi.

Entretanto, não tinha o número de táxis, fui a pé, com as compras, até perto do Braga Parque, lá poderia apanhar um táxi.

A cerca de 200m do centro comercial, reparei numa paragem de autocarro, vi o  horário, vi que passa perto de casa...mas era no senttido inverso.

De repente, vem o autocarro, parou, perguntei para onde ia: " avenida central",respondeu o motorista.

Meti-me no autocarro, saí na primeira paragem desta avenida que ficaa cerca de 400m de casa.

Saco das compras( qb pesado) num braço, de x em x minutos passava para o outro, desde a entrada no autocarro até chegar a casa, foram dez minutos. 

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Ouvi na rádio do carro que vem uma vaga de calor para o início da semana,  mas as noites serão frescas ( tinha de ser, ainda é cedo para as noite quentes).

"um tempo excelente para ir até à praia" , comentei.

Se não fosse a gata, que não sai de casa, e o colégio do menino, alugava uma casa e passávamos um mês ou dois por lá ( a casa da sobrinha está  alugada até abril, senão ia de  borla).

Com a proibição de sair do concelho, não arrisco, o que me deixa desanimada. Também pensei ir durante a semana, mas receio que a polícia ande  a jeito.

Eu não desobedeço às regras de emergência e do" fique em casa", mas não falta quem o faça e tem uma sorte do caraças.

E eu tenho saudades da praia, daquele  pinhal, dos almoços na varanda, de ouvir os pássaros,de andar a brincar com o sobrinho neto junto à piscina, no escorrega, pelo meio dos pinheiros,da floresta encantada dos meus sobrinhos netosque estão longe do país.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

coisas do meu dia # manhã

acordei à 5:00h, sentia a bexiga cheia, levantei-me fui à casa de banho,voltei para a cama

às 6:00h, o sono não vinha, levantei-me,fui tomar o comprimido da tiróide

às 6:30, levantei-me de novo, fui buscar discos de algodão embebi-os em água de rosas ( está sempre no frigorífico), voltei para a cama, pus nas olheiras para refrescar e acalmar

às 700h, peguei no telemóvel,que devia despertar-me às 7:40h,  andei pelo Instagram

o despertador tocou, tomei banho,tomei o pequemo-almoço,vesti-me

saí de casa às 8:25h, fui buscar o sobrinho neto, é o dia que o levo à creche,de manhã

às 9:20h chegou o sobrinho neto, tinha de o levar à aula de ténis,a mãe ia a um funeral, o mais novo ficou com o pai

às 10:50h, estava no clube de ténis, fui, entretanto,fazer compras ao supermercado

estava na caixa self-service, a mãe ligou-me, ia buscar o menino, pedi que esperasse por mim, tinha a cadeira dele no meu carro.

às 12:00h, regressei a casa.

estou estourada, vou tentar tirar uma soneca depois do almoço

são as coisas do meu dia

 

 

 

coisas minhas # está calor

rteyery.jpg

estamos em Maio e já me apetece ligar a ventoinha. estou dentro de casa, e farto-me de transpirar.

ouvi dizer que o verão vai ser quente.

espero que os incêndios não sejam os mesmos ( aqueles que o homem provoca) ou em maior número dos anos anteriores.

já basta o coronavírus para matar pessoas e deitar abaixo a economia do país, e do mundo.

haja bom senso de todos.

poupem a floresta, por favor.

amanhã, vou à praia.

 

coisas minhas

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Um final de tarde atribulado, ontem, com a chuva que caía ( e hoje ainda não parou) sem lugares ( a pagar) na rua, estacionei o carro num parque que tem elevador de acesso à rua, não nos molhávamos porque os gabinetes( imobiliárias, cabeleireiros, e outros) ficam debaixo do edíficio. 

Era dia de ir à Maia, às 18:00h costumamos sair de Braga,  eram 17: 20h quando fui buscar o carro. Introduzi o bilhete na máquina para pagar o estacionamento, meti duas moedas de 1 euro. O miúdo estava encostado às minhas pernas, e bem junto à máquina, não fosse ele escarpar-se, o lugar é de garagens, também, poderia vir algum carro. 

Tê-lo no colo não era possível, além de ser pesado também tinha várias coisas nas mãos, estava tudo controlado.

Mas o bilhete não saía da máquina. Ainda me virei para o guichê onde estava o segurança, para pedir ajuda, mas ele não me ouviu, aguardei que a máquina me devolvesse o bilhete, o que aconteceu, assim como o troco.

Cheguei ao carro, atirei com as moedas para o tablier, sentei o menino na cadeira.

Quando me aproximei da máquina para meter o bilhete e a barra subir para eu passar, a máquina não lia o bilhete.

O segurança, que estava na cabine, percebeu que a barra não levantava, veio ter comigo.

Pediu-me o bilhete, perguntou-me se tinha pago. Respondi que sim.

Olhou para mim, viu o menino atrás na cadeira, foi à cabine, voltou e, manualmente,  fez com que a barra subisse.

Agradeci e passei.

Fui à Maia, com esta chuva que não nos larga, regressei a casa, jantei, fui para o sofá. E adormeci.

Quando acordei, pensando eu que seria 00:40h, hora que habitualmente me deito e se não tiver ginásio de manhã cedo, fui deitar-me... Olhei o relógio da cozinha, eram 11:40h ( é mecânico estes 40), mas de tão cansada que estava, fui dormir. E hoje tinha ginásio.

Como é normal, também, quando me levanto do sofá depois de ter passado pelo sono, e vou dormir, nem sempre ele volta logo.

Foi então que se fez luz na minha mente: quando tirei o troco do tablier, reparei que não correspondia ao troco que devia receber, pois a máquina marcava 1,55€ de parque ( devia ter recebido 0,45 €) pensei  que afinal a máquina demorou a devolver o bilhete porque faltava dinheiro. 

E lembrei-me que lera qualquer coisa na máquina de 35 cêntimos, mas como estava preocupada com o menino, não reaciocinei, e como a máquina devolveu o bilhete e o dinheiro, 1,20€, que só à noite tirei do tablier,  para mim estava tudo normal. 

Hoje está um dia muito cinzento e de chuva, vou buscar o menino ao colégio, não passo lá, mas amanhã de manhã, vou falar com o senhor ( se for a mesma pessoa, senão, explico o que aconteceu).

Cheguei a casa, subi as escadas com o menino, já estava a fazer-se tarde, quando fui à carteira para tirar a chave de casa, lembrei-me que a tinha metido na gaveta do tablier ( faço isto sempre que vou ao ginásio, para depois chegar e estacionar na garagem). Com dúvida de que teria deixado no carro, remexi a carteira. Nada!

Que nervos!

Peguei no menino ao colo, desci as escadas, fui buscar a chave.

Toda eu tremia. Transpirava de nervos.

O tempo estava a passar, a sobrinha a chegar.
Quando chegou, eu estava mais calma, mas disse-lhe : "que final de tarde stressante".

Contei a cena da chave.

Faltou a do parque.

 

 

 

 

coisas do meu dia

O telefone tocou, atendi:

Ela - Olá dona Fernanda.

Eu - Desculpe, está a ligar para o número errado. Não sou a dona Fernanda.

Ela - Eu conheço-a, dona Fernanda. Sempre a brincar.

Eu - Desculpe, a senhora não está a falar com a dona Fernanda.

Ela - Vá lá, dona Fernanda. Eu conheço-a.

Eu - Mais uma vez lhe digo que não está a falar com a dona Fernanda. O meu nome é Maria ..., eu não estou a brincar.

Ela ( não convencida) -  Maria ...! Dona Fernanda, vá...

Eu - Já lhe disse que não sou essa pessoa. Estou a falar a sério. Não sou a dona Fernanda. Vou desligar. A senhora está a falar para um número errado.

Ela  - Está bem.

E desligou.

E o telefone não voltou a tocar.

Que teimosia!

 

calling dragons' den GIF by CBC

 

 

os meus cinquenta

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(imagem da internet)

 

Aceitei o convite da Luísa  para participar no desafio que a imsilva lançou no seu blog, sobre os cinquenta ( a meia idade), no século passado era sinal de velhice, a verdade é que, quando  jovem, o conceito que tinha de uma mulher de quarenta anos era de velha, de modo que, quando lá cheguei, decidi que era um disparate, não me via nem sentia a idade, tive sempre uma vida rodeada de amigas e amigos, a maioria mais novas, os anos passaram depressa demais, cheguei aos sessenta com energia, à excepção de algumas mazelas que o raio do tempo se encarrega de me oferecer, e forma de estar, ser e pensar saudáveis.

Tive uma infância a brincar na rua, não gosto de bonecas porque não as tive, os poucos brinquedos que tive eram partilhados com a minha irmã mais velha, fui uma maria rapaz, mas bem comportada...e tímida.

Dediquei parte da minha adolescência aos meus dois irmãos mais novos, uma alegria, uma novidade, foi a fase da minha vida de quase mãe ( mal eu viria a imaginar que na adolescência destes seria eu a "mãe" deles), tinha  férias de um mês na praia, encontros com os amigos, anoiteceres de brincadeira, por isso, uma adolescência saudável.

Vieram os vinte. Ui os vinte! A fase mais louca: o querer e o não querer, a incógnita de saber se iria encontrar o homem da minha vida,  a loucura das noites de Verão nas discotecas, usava tudo o que a moda ditava, o meu 1,50cm não era problema, independente que era, e sou, fazia as férias de Verão com as amigas. 

Os trinta,  trabalhadora estudante que fui, foi a etapa mais difícil e mais crítica da vida, porém, com novas amigas de curso, que me ajudaram a ultrapassar muitas das minhas tristezas, tive momentos de cumplicidade, de desabafos e risos,  acabei o curso, mudei de emprego, deixei a paixão dos vinte, fiz-me uma mulher mais madura, mais sensata, mais feliz e orgulhosa com o que tinha alcançado.

Entrei nos quarenta, novos amigos e amigas de trabalho, alguns namoricos, férias fora do país, amizades mais sólidas, casa própria, carro, maior dedicação à família, mais sobrinhos, as primeiras rugas, os primeiros fios de cabelos brancos, ainda  as noites de discoteca, os dois irmãos mais novos casaram, tiveram filhos. E se a família tinha grande significado para mim, passou a ser o mais importante da minha vida.

Costumava comentar com as amigas que, contrariamente ao estilo de mulher do século passado, os cinquenta são os novos cinquenta:  as mulheres deste século, mais independentes, mais experientes, mais selectivas nas suas escolhas, não dão tanta importância ao que os outros pensam de si, frequentam o ginásio, cuidam de si, são mais sexy.

E foram os cinquenta os melhores da minha vida.

Positiva que sou, mais confiante e segura dos meus actos ( e cometi muitos erros), entrei no mundo da internet, conheci pessoalmente pessoas fantásticas, fiz boas amizades virtuais, fiz viagens que nunca esperei fazer, vivi aventuras que pensava não serem para a minha idade, passei a viver intensamente os encontros, os jantares com os amigos,  dediquei mais tempo à leitura, abri o blog.

Deixei de dar valor a coisas supérfluas, a pessoas negativas, egoístas, mesquinhas,  às conversas e amizades de circunstância.

O meu corpo mudou, ganhei um pneu que me custou aguentá-lo ( já não existe), eu, mulher baixa e elegante, cujos amigos elogiavam o corpo e a idade, não tive a crise de menopausa ( que sortuda, confesso), eis que um dia, depois de uma cirurgia, observava as rugas de expressão que desde jovem me habituei a elas, assustei-me com as que, de repente, faziam-se notar nos cantos da boca. A sensação que tive foi de que os meus olhos não quiseram ver que elas estavam lá há tempos.

Aprendi a aceitar cada faixa etária com gratidão pelo que vivi, já não sou a pessoa que fica obcecada  com as marcas que o tempo se encarrega de dar, quero ter saúde física e mental para viver os momentos mais pequenos e simples, com serenidade, até aos noventa (que duvido) quero ser uma velha gaiteira, se lá chegar, quero ver os sobrinhos netos crescidos e como vai ser o seu futuro. 

Fico grata por acordar de manhã sempre bem disposta, fazer o que gosto, tratar dos meus compromissos, ler, fazer o que me apetece e à noite deitar-me tranquila e feliz porque o dia até correu bem.

 

coisas minhas

Decidi pintar o quarto maior da casa, (foi o quarto dos meus pais) é agora  o que eu chamava de escritório, embora só o usasse quando tinha aquele computador antigo, com  a impressora e o scanner, que o ocupavam uma grande secretária, esta também com pouco uso, pensei pô-lá à venda na OLX, acabei por dá-la.

Os lap top vieram facilitar o trabalho, era na mesa da sala, ou com ele em cima das pernas, sentada no sofá, que trabalhava, ficava a sala sozinha, isto é, tinha por companhia as estantes cheias de livros, questionava-me o que me passava pela cabeça  comprar colecções que não tiveram qualquer uso. Comprava para os sobrinhos e eles não os quiseram.

Nas arrumações de Verão, um a um, costumo limpar os livros, separar os que não interessam para os mandar para a reciclagem, desistia, voltavam às prateleiras. 

Tinha combinado com o meu colega  pintar, ainda este mês, essa sala.

Compradas as tintas, combinara vir uma quarta-feira, o dia mais viável para ele.

Pedi-lhe que me ligasse dois dias antes de vir, precisava de tirar os livros e a tralha que ia pondo lá, inclusive as cadeiras das crianças para os automóveis, dos meus sobrinhos netos estavam nesta sala desde Janeiro, quando regressaram ao Rio, fotografias, peças de decoração, tudo era para ser tirado.

E hoje, ao início da tarde, ele ligou-me a dizer que amanhã vem pintar a sala.

Depois de uma consulta, que foi rápida, vim para casa fazer o serviço.

Novamente me perguntei por que tenho tantos livros que não interessam a ninguém, o que vou fazer deles.

Desta vez, separei-os. Preciso procurar onde os deixar, dar. Não sei!

Até à hora de ir buscar o bebé ao colégio, estive a acarretar tudo , está a sala com um sofá e as estantes vazias.

A mãe do meu sobrinho neto foi à fisioterapia, fui passear com o bebé, às 19:00h voltei à sala, passei a mopa pelo tecto e pelas paredes, convinha limpar o pó antes de pintar.

E com tudo isto, depois de jantar, tratei de arrumar a roupa que passei a ferro de manhã.

Há muito que não me sentia rota de cansaço, adormeci no sofá.

Amanhã de manhã, ele vem cedo pintar a sala e eu tenho de ir a Ofir tratar de um assunto da casa da praia da minha sobrinha.

Se ele não fosse meu colega não deixava a casa entregue, adiava para outro dia.

E se há dias que são de algum relaxe, hoje foi demais.