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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

coisas minhas

Maria Araújo, 29.01.20

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Um final de tarde atribulado, ontem, com a chuva que caía ( e hoje ainda não parou) sem lugares ( a pagar) na rua, estacionei o carro num parque que tem elevador de acesso à rua, não nos molhávamos porque os gabinetes( imobiliárias, cabeleireiros, e outros) ficam debaixo do edíficio. 

Era dia de ir à Maia, às 18:00h costumamos sair de Braga,  eram 17: 20h quando fui buscar o carro. Introduzi o bilhete na máquina para pagar o estacionamento, meti duas moedas de 1 euro. O miúdo estava encostado às minhas pernas, e bem junto à máquina, não fosse ele escarpar-se, o lugar é de garagens, também, poderia vir algum carro. 

Tê-lo no colo não era possível, além de ser pesado também tinha várias coisas nas mãos, estava tudo controlado.

Mas o bilhete não saía da máquina. Ainda me virei para o guichê onde estava o segurança, para pedir ajuda, mas ele não me ouviu, aguardei que a máquina me devolvesse o bilhete, o que aconteceu, assim como o troco.

Cheguei ao carro, atirei com as moedas para o tablier, sentei o menino na cadeira.

Quando me aproximei da máquina para meter o bilhete e a barra subir para eu passar, a máquina não lia o bilhete.

O segurança, que estava na cabine, percebeu que a barra não levantava, veio ter comigo.

Pediu-me o bilhete, perguntou-me se tinha pago. Respondi que sim.

Olhou para mim, viu o menino atrás na cadeira, foi à cabine, voltou e, manualmente,  fez com que a barra subisse.

Agradeci e passei.

Fui à Maia, com esta chuva que não nos larga, regressei a casa, jantei, fui para o sofá. E adormeci.

Quando acordei, pensando eu que seria 00:40h, hora que habitualmente me deito e se não tiver ginásio de manhã cedo, fui deitar-me... Olhei o relógio da cozinha, eram 11:40h ( é mecânico estes 40), mas de tão cansada que estava, fui dormir. E hoje tinha ginásio.

Como é normal, também, quando me levanto do sofá depois de ter passado pelo sono, e vou dormir, nem sempre ele volta logo.

Foi então que se fez luz na minha mente: quando tirei o troco do tablier, reparei que não correspondia ao troco que devia receber, pois a máquina marcava 1,55€ de parque ( devia ter recebido 0,45 €) pensei  que afinal a máquina demorou a devolver o bilhete porque faltava dinheiro. 

E lembrei-me que lera qualquer coisa na máquina de 35 cêntimos, mas como estava preocupada com o menino, não reaciocinei, e como a máquina devolveu o bilhete e o dinheiro, 1,20€, que só à noite tirei do tablier,  para mim estava tudo normal. 

Hoje está um dia muito cinzento e de chuva, vou buscar o menino ao colégio, não passo lá, mas amanhã de manhã, vou falar com o senhor ( se for a mesma pessoa, senão, explico o que aconteceu).

Cheguei a casa, subi as escadas com o menino, já estava a fazer-se tarde, quando fui à carteira para tirar a chave de casa, lembrei-me que a tinha metido na gaveta do tablier ( faço isto sempre que vou ao ginásio, para depois chegar e estacionar na garagem). Com dúvida de que teria deixado no carro, remexi a carteira. Nada!

Que nervos!

Peguei no menino ao colo, desci as escadas, fui buscar a chave.

Toda eu tremia. Transpirava de nervos.

O tempo estava a passar, a sobrinha a chegar.
Quando chegou, eu estava mais calma, mas disse-lhe : "que final de tarde stressante".

Contei a cena da chave.

Faltou a do parque.

 

 

 

 

coisas do meu dia

Maria Araújo, 07.10.19

O telefone tocou, atendi:

Ela - Olá dona Fernanda.

Eu - Desculpe, está a ligar para o número errado. Não sou a dona Fernanda.

Ela - Eu conheço-a, dona Fernanda. Sempre a brincar.

Eu - Desculpe, a senhora não está a falar com a dona Fernanda.

Ela - Vá lá, dona Fernanda. Eu conheço-a.

Eu - Mais uma vez lhe digo que não está a falar com a dona Fernanda. O meu nome é Maria ..., eu não estou a brincar.

Ela ( não convencida) -  Maria ...! Dona Fernanda, vá...

Eu - Já lhe disse que não sou essa pessoa. Estou a falar a sério. Não sou a dona Fernanda. Vou desligar. A senhora está a falar para um número errado.

Ela  - Está bem.

E desligou.

E o telefone não voltou a tocar.

Que teimosia!

 

calling dragons' den GIF by CBC

 

 

os meus cinquenta

Maria Araújo, 06.08.19

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(imagem da internet)

 

Aceitei o convite da Luísa  para participar no desafio que a imsilva lançou no seu blog, sobre os cinquenta ( a meia idade), no século passado era sinal de velhice, a verdade é que, quando  jovem, o conceito que tinha de uma mulher de quarenta anos era de velha, de modo que, quando lá cheguei, decidi que era um disparate, não me via nem sentia a idade, tive sempre uma vida rodeada de amigas e amigos, a maioria mais novas, os anos passaram depressa demais, cheguei aos sessenta com energia, à excepção de algumas mazelas que o raio do tempo se encarrega de me oferecer, e forma de estar, ser e pensar saudáveis.

Tive uma infância a brincar na rua, não gosto de bonecas porque não as tive, os poucos brinquedos que tive eram partilhados com a minha irmã mais velha, fui uma maria rapaz, mas bem comportada...e tímida.

Dediquei parte da minha adolescência aos meus dois irmãos mais novos, uma alegria, uma novidade, foi a fase da minha vida de quase mãe ( mal eu viria a imaginar que na adolescência destes seria eu a "mãe" deles), tinha  férias de um mês na praia, encontros com os amigos, anoiteceres de brincadeira, por isso, uma adolescência saudável.

Vieram os vinte. Ui os vinte! A fase mais louca: o querer e o não querer, a incógnita de saber se iria encontrar o homem da minha vida,  a loucura das noites de Verão nas discotecas, usava tudo o que a moda ditava, o meu 1,50cm não era problema, independente que era, e sou, fazia as férias de Verão com as amigas. 

Os trinta,  trabalhadora estudante que fui, foi a etapa mais difícil e mais crítica da vida, porém, com novas amigas de curso, que me ajudaram a ultrapassar muitas das minhas tristezas, tive momentos de cumplicidade, de desabafos e risos,  acabei o curso, mudei de emprego, deixei a paixão dos vinte, fiz-me uma mulher mais madura, mais sensata, mais feliz e orgulhosa com o que tinha alcançado.

Entrei nos quarenta, novos amigos e amigas de trabalho, alguns namoricos, férias fora do país, amizades mais sólidas, casa própria, carro, maior dedicação à família, mais sobrinhos, as primeiras rugas, os primeiros fios de cabelos brancos, ainda  as noites de discoteca, os dois irmãos mais novos casaram, tiveram filhos. E se a família tinha grande significado para mim, passou a ser o mais importante da minha vida.

Costumava comentar com as amigas que, contrariamente ao estilo de mulher do século passado, os cinquenta são os novos cinquenta:  as mulheres deste século, mais independentes, mais experientes, mais selectivas nas suas escolhas, não dão tanta importância ao que os outros pensam de si, frequentam o ginásio, cuidam de si, são mais sexy.

E foram os cinquenta os melhores da minha vida.

Positiva que sou, mais confiante e segura dos meus actos ( e cometi muitos erros), entrei no mundo da internet, conheci pessoalmente pessoas fantásticas, fiz boas amizades virtuais, fiz viagens que nunca esperei fazer, vivi aventuras que pensava não serem para a minha idade, passei a viver intensamente os encontros, os jantares com os amigos,  dediquei mais tempo à leitura, abri o blog.

Deixei de dar valor a coisas supérfluas, a pessoas negativas, egoístas, mesquinhas,  às conversas e amizades de circunstância.

O meu corpo mudou, ganhei um pneu que me custou aguentá-lo ( já não existe), eu, mulher baixa e elegante, cujos amigos elogiavam o corpo e a idade, não tive a crise de menopausa ( que sortuda, confesso), eis que um dia, depois de uma cirurgia, observava as rugas de expressão que desde jovem me habituei a elas, assustei-me com as que, de repente, faziam-se notar nos cantos da boca. A sensação que tive foi de que os meus olhos não quiseram ver que elas estavam lá há tempos.

Aprendi a aceitar cada faixa etária com gratidão pelo que vivi, já não sou a pessoa que fica obcecada  com as marcas que o tempo se encarrega de dar, quero ter saúde física e mental para viver os momentos mais pequenos e simples, com serenidade, até aos noventa (que duvido) quero ser uma velha gaiteira, se lá chegar, quero ver os sobrinhos netos crescidos e como vai ser o seu futuro. 

Fico grata por acordar de manhã sempre bem disposta, fazer o que gosto, tratar dos meus compromissos, ler, fazer o que me apetece e à noite deitar-me tranquila e feliz porque o dia até correu bem.

 

coisas minhas

Maria Araújo, 21.05.19

Decidi pintar o quarto maior da casa, (foi o quarto dos meus pais) é agora  o que eu chamava de escritório, embora só o usasse quando tinha aquele computador antigo, com  a impressora e o scanner, que o ocupavam uma grande secretária, esta também com pouco uso, pensei pô-lá à venda na OLX, acabei por dá-la.

Os lap top vieram facilitar o trabalho, era na mesa da sala, ou com ele em cima das pernas, sentada no sofá, que trabalhava, ficava a sala sozinha, isto é, tinha por companhia as estantes cheias de livros, questionava-me o que me passava pela cabeça  comprar colecções que não tiveram qualquer uso. Comprava para os sobrinhos e eles não os quiseram.

Nas arrumações de Verão, um a um, costumo limpar os livros, separar os que não interessam para os mandar para a reciclagem, desistia, voltavam às prateleiras. 

Tinha combinado com o meu colega  pintar, ainda este mês, essa sala.

Compradas as tintas, combinara vir uma quarta-feira, o dia mais viável para ele.

Pedi-lhe que me ligasse dois dias antes de vir, precisava de tirar os livros e a tralha que ia pondo lá, inclusive as cadeiras das crianças para os automóveis, dos meus sobrinhos netos estavam nesta sala desde Janeiro, quando regressaram ao Rio, fotografias, peças de decoração, tudo era para ser tirado.

E hoje, ao início da tarde, ele ligou-me a dizer que amanhã vem pintar a sala.

Depois de uma consulta, que foi rápida, vim para casa fazer o serviço.

Novamente me perguntei por que tenho tantos livros que não interessam a ninguém, o que vou fazer deles.

Desta vez, separei-os. Preciso procurar onde os deixar, dar. Não sei!

Até à hora de ir buscar o bebé ao colégio, estive a acarretar tudo , está a sala com um sofá e as estantes vazias.

A mãe do meu sobrinho neto foi à fisioterapia, fui passear com o bebé, às 19:00h voltei à sala, passei a mopa pelo tecto e pelas paredes, convinha limpar o pó antes de pintar.

E com tudo isto, depois de jantar, tratei de arrumar a roupa que passei a ferro de manhã.

Há muito que não me sentia rota de cansaço, adormeci no sofá.

Amanhã de manhã, ele vem cedo pintar a sala e eu tenho de ir a Ofir tratar de um assunto da casa da praia da minha sobrinha.

Se ele não fosse meu colega não deixava a casa entregue, adiava para outro dia.

E se há dias que são de algum relaxe, hoje foi demais.

coisas do meu dia

Maria Araújo, 20.08.18

Dizem que "o que não é roubado aparece, escrevi neste post que perdera os óculos de sol, fora comprar outros, que, entretanto, na praia, também os perdera uma semana depois de os ter comprado. Não havia iguais, mandaram vir de outra loja e de outra cidade.

Ora ontem, separava a roupa para as minhas férias ( vou amanhã), peguei num saco preto de viagem para pôr as toalhas de praia, ao acomodá-las senti algo estranho.

A minha mão vai lá e que traz? A carteira com os óculos que eu pensara ter perdido na praia.

Fiquei completamente estática a olhá-los, ao mesmo tempo que o meu pensamento sorria e comentava " fico com dois iguais" e não reagia a mais nada, até que fui buscar a carteira dos últimos que comprei, desatei a rir.

" Dou-os a uma das minhas sobrinhas" , comentei.

O que é facto é que não me lembro, de todo, de os ter guardado naquele saco que vinha cheio de roupa, tirara-a e guardara-o no roupeiro.

Hoje, dei-os à Sofia.

De tarde, liguei para o hospital a pedir uma consulta de medicina geral, para hoje, ( ando com tosse e expectoração devidoa isto) a minha médica está de férias, pedi outra médica que tivesse uma hora disponível.

Às 17h deixei o bebé com a minha irmã, fui à consulta.

Os minutos pasaavam, ora levantava-me e dava uma volta pela grande sala de espera, ora espreitava as janelas e via a azáfama da rua, até que 50 minutos de tanto esperar, fui ter com uma funcionária e expliquei que estava à espera da consulta das 17h  e diz-me ela:

- A doutora x foi para as urgências.

- Como?! Então estou aqui para a consulta das 17h, se não viesse perguntar-lhe, ficava o resto da tarde sentada à espera! Olhe, então desisto dela. Tento amanhã de manhã com outra médica - respondi.

- Ah, mas a senhora quer a consulta? Eu posso mandá-la à urgência. 

- Se a médica atender, claro que quero - comentei.

LIgou para a urgência, explicou o que se passava, desligou o telefone e diz:

- Venha comigo, por favor.

Na urgência, fui para a sala de espera, a médica chamou-me uns minutos depois.

Peguntou-me se alguma funcionária tinha dito para lá ir, mas quando respondi que não, que nada me foi dito, eu é que fui perguntar o que se passava, comentou que avisara a funcionária  que todos os utentes que tivessem consulta com ela deviam ser encaminhados para a urgência.

Incrível, não é?

Não levara telemóvel, quando cheguei a casa, preocupadas que estavam comentei: "Só a mim acontecem as coisas!"

E contei-lhes.

Amanhã vou 11 dias para a praia. Tenho wifi  lá na casa, mas como não levo pc, o que publicar no blog será fotografias e pouco mais, pelo telemóvel.

Estamos todas a precisar de descanso.

Se as noites estiverem como a da fotografia,  vão ser momentos bem passados.

 

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