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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

Woodstock, 50 anos depois

Maria Araújo, 18.08.19

A vida traz-nos surpresas lindas sobretudo quando alguém quer alguma coisa que faz parte do seu passado.

Vi a reportagem do 50° aniversário do Festival Woodstock, o louco ano de 1969  (era eu adolescente) em que tudo aconteceu.

Li aqui que dois jovens que se conheceram na estrada, a caminho do local do festival, desde esse dia nunca mais se separaram: casaram, tiveram filhos.

Contavam aos filhos e netos como se conheceram, nesse dia de muita chuva, estavam eles abraçados, partilhavam o  cobertor (toda a história aqui), quando foram fotografados. 

50 anos depois, contactados por alguém que sabia da reportagem sobre Woodstock que passaria no canal norte americano PBS, que vira a foto dos dois, daquele belo momento, o casal viu a reportagem, lá estava ela, a prova.

A revista People deu a conhecer a histótia e homenageou o casal  recriando a fotografia de 1969 e na actualidade.

Duas fotografias que se distanciam 50 anos, mas belíssimas as  suas expressões neste "reencontro".

Há sempre uma oportunidade na nossa vida de rever ou encontrar o que mais nos fez e faz feliz.

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bateram no meu carro

Maria Araújo, 30.12.18

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Nem ao fim de semana o trânsito desta cidade deixa de ser caótico na zona que vem da A11 para a  variante do Braga Parque.

Também não imaginava que as pessoas vão para o Lidl passear e ver as novidades, arrependi-me logo de ter entrado para umas compras. Carro estacionado, vamos aproveitar, tentamos ser rápidas.

Feitas estas, tinha de deixar a minha amiga em casa, mas fui na direcção que sempre tomo, preferia dar uma volta maior a ter de me meter nas rotundas congestionadas de trânsito.

Mas ela achou que seria mais  rápido ir à rotunda. Quando chegamos, estava um caos. A alternativa seria seguir pela direita e apanhar a rotunda do Instituto de Nanotecnologia, voltar para trás, subíamos a ponte aérea e estavamos em casa.

Fiz-lhe a vontade.

Já na rotunda alternativa, ocupei a faixa da esquerda, entrei, fiz parte da mesma, dei o pisca para a direita para entrar na minha faixa.  Os carros à minha frente pararam para dar prioridade aos peões que atravessavam a passadeira. Parei e, de repente, um estrondo no meu carro.
Que susto! Toda eu tremia.

E a minha amiga só dizia que a culpa era de quem bateu.

Saímos do carro, o trânsito ficou mais congestionadao, vesti o colete.

De um Smart saiu um jovem casal. Ela conduzia o carro, super à vontade, disse logo que tinha a culpa, que bateu por trás, mas que eu não devia ter parado, que seria melhor sairmos dali e falarmos sobre o assunto. Sugeriu o parque de estacionamento do McDonald's. Metemo-nos nos carros, comentei com a minha amiga: " e se ela foge?". O carro surgiu atrás do meu. 

Munida da declaração amigável, tratamos de preenchê-la e embora ela insistisse que tinha a culpa, que batera por trás, tinha de assumir a responsabilidade, de quando em vez deixava escapar que eu não devia ter parado na rotunda. Ele, o companheiro, reafirmou que eu estava ali parada, que eles iam contornar a rotunda, que bateu no meu carro porque não estavam à espera de encontrar um obstáculo.

A  minha amiga  pede ao jovem rapaz que vá com ela e veja como nós fizemos, que há uma faixa que se estreita e onde existe uma passadeira, e que obriga que só um carro entre na via, reenforçando o motivo que nos levou a parar.

Esclarecido os destalhes, feito o  esquema do choque, e com uma simpatia que me agradou, despediram-se de nós com beijinhos.

Nunca a atitude do casal foi de arrogância e/ou má educação.

Com o carro amolgado: farolim de trás partido, pára-choques levantado, alguns pequenos arranhões, termino o ano de 2018 com este pequeno incidente que me deixou abalada dos nervos quando  o choque se deu.

 

coisas do meu dia... no Porto

Maria Araújo, 17.03.18

Depois de almoçar com a Sofia, naquele pequeno centro comercial em frente ao IPO, parca de lojas, mas um bom supermercado e as lojas de restauração fast food são de mais para satisfazem os estômagos dos muitos estudantes da FEUP, ( a Sofia cozinha em casa, leva a marmita para a Faculdade), dos utentes do Hospital  de São João e do IPO, a Sofia regressou à Faculdade, eu dirigi-me à máquina automática para carregar o cartão do Metro, procedo à operação, vou para pagar não estava disponível o pagamento com moedas, um aviso alertava para fazer o pagamento por multibanco.

As pessoas atrás de mim estavam com pressa de carregarem os seus cartões, estava a sentir-me incomodada ao mesmo tempo que pensava estar no meu direito de fazer a operação, quando marco o meu código pessoal, um novo aviso me diz que a operação multibanco está indisponível.

Perguntei a mim mesma, alto: "que faço agora?!"

O comboio a chegar, diz-me um senhor idoso que me ouviu: " Arrisque. Quem sabe safa-se. E se aparecer o fiscal, eu sou testemunha".

E insistia para que me sentasse na cadeira ao lado da filha, eu dizia que não, que se sentasse ele, que queria sair na paragem seguinte  e carregar o cartão,  com tanta insistência do senhor, sentei-me.

E saí na paragem Pólo Universitário, carreguei o cartão, entrei no comboio  seguinte. 

Comentava com o meu decote: " Isto está a correr bem, de facto. O jovem do comboio não tinha dinheiro para pagar bilhete, eu não tenho cartão carregado porque o pagamento está indisponível."

Já a caminho do Museu Soares dos Reis, e porque confundi a rua, estava na entrada de um pequeno café uma adolescente que olhava o telemóvel  enquanto esperava as amigas que tinham entrado no café, pergunto se me pode dizer se era aquela a rua onde fica o Museu.

A miúda olha para mim com ar assustada, não me responde e atravessa a rua a correr. 

"Caramba! Parece que viu um monstro", pensei.

Entrei no café, o senhor ao balcão orientou-me, não era ali, tinha de voltar para trás ( e eu já tinha passado junto ao Museu no ano passado, não sei o que me falhou).

Visita feita ao Museu, descia a rua dos Clérigos, com o telemóvel clica aqui e ali, aqueles belos edifícios da cidade, muitos turistas, eis que, junto aos semáforos, sinal vermelho para os peões, um casal subia a rua acompanhado do seu cão.

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(foto do telemóvel)

 

De repente, o cão pára e faz aquele movimento de baixar o rabo para fazer as suas necessidades.

Segui o meu caminho, mas olhando para trás com a certeza de que o que pensara iria verificar-se: o casal não apanharia os dejectos do animal.

O sinal abre para os peões, volto a olhar para trás, vejo a senhora passar a trela ao companheiro, dar uns passos à frente.

O cão acaba de fazer o serviço, seguem ao encontro da senhora, deixando lá escarrapachado o poio do cão.

Ora que pensei foi o que todas as pessoas que viram teriam pensado, presumo.  Olhavam o cão e o casal, à espera de ver o que os dois fariam. Ela, certamente para não passar pela vergonha, entrega a trela ao companheiro, disfarça e segue  caminho.

Provavelmente, sendo ele mais descontraído e pensar que é apenas um poio de merda, se alguém reparasse não diria nada, esperou que o cão se aliviasse. Feito este, virou costas ao presente deixado no passeio e foi ao encontro dela.

Eu segui o meu desiludida com o que vi, com os devidos comentários para o meu decote de que quem não quer ou não tem estômago para limpar/ apanhar os dejectos do cão, então que fiquem e/ou deixem o animal em casa.

Nojento!

 

 

 

 

 

 

 

o pito

Maria Araújo, 12.01.18

Eu não costumo escrever posts jocosos, mas este anda-me entalado de me rir sempre que me lembro dele,  desde o fim de semana passado : "escrevo, não escrevo... é hoje!", pensei.

Meados do passado que uma amiga dizia-me que um dia que a mãe tivesse um pito bom convidava-nos ( eu e amigas) para um jantar.

Ria-me sempre que falava do pito, ela ria-se, também, eu não dava grande importância nem contava às outras amigas que ela tencionava fazer um jantar em sua casa.

Ora, em Setembro transacto, passei pelo trabalho dela, precisava que me esclarecesse um assunto, falou-me, de novo, no pito: "Ah, a minha mãe diz que o pito dela ainda não está crescido suficiente para fazer o arroz..."

Eu ri-me  e respondi que não tinha de se preocupar com isso, que o  jantar seria quando ela entendesse. 

Finais de Novembro, um sábado final de tarde, encontramos o casal com a família dele que também se cruzaram e por ali ficaram a conversar.

Fala-se de filhos, dos tempos que íamos para a night, os namorados que tivémos, do casamentos das amigas, o da minha irmã, os namoros dos filhos, enfim. O marido desliga-se da nossa conversa, virou-se para outro lado da conversa que decorria entre os outros familiares.

Cerca de uma hora depois de tanta treta, e quando estavamos a despedir-nos, diz ela: " A minha mãe diz que o pito dela está quase a atingir o peso ideal para fazermos o nosso jantar. Estai atentas que lá para Janeiro temos pito!"

Fartámo-nos de rir.

Nos 50 anos da nossa amiga Xana, confirmou que seria já este mês o nosso jantar.

Como em tempos fiquei sem o número dela e nunca tive o dele, Domingo, 10h, todas recebemos uma SMS. Não reconheci o número mas pelo texto, desatei a rir: " Bom dia. Jantar do pito sexta-feira, 12.  Beijinhos,  C e M"

Óbvio que respondi de imediato " Bom dia. Ahahaha! Se não se identificassem, não sabia de quem era o pito. Levo vinho. Beijinhos".

E amanhã quatro mulheres vão  sentar-se à roda da mesa, com o casal, mais as duas filhas,  para o jantar de arroz de pito.

E eu adoro demais arroz de pito. Mais do arroz que do pito.

 

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feriado cinzento

Maria Araújo, 01.11.17

o normal no dia 1 de Novembro, saí de tarde para tratar de dois pedidos que me fizeram: tirar fotografias e ver molduras.

Entrei na loja, que estava quase às moscas, as molduras da nova colecção não correspondem ao pedido, tirei fotografias para enviar por e-mail.

Segui para o centro histórico da cidade. Algumas lojas abertas, outras não, a minha expectativa era que houvesse muita gente na rua. Mas não.  As vendedoras de castanhas não estavam, a Brasileira não tinha a esplanada cheia. 

O meu pensamento disse-me que estavam todos para o cemitério, mas às 16h, não acredito que este tivesse muita gente.

Passei na Sé. Há algum tempo que me parecera que os porteiros questionam as pessoas sobre o que lá vão fazer.Hoje dei como certo o meu pensamento.

Queria ir ao interior da catedral, à minha frente estava um casal jovem que após a pergunta do porteiro sobre o que queria, e este respondeu que gostaria de sair pela porta principal, explicou-lhe que tem a porta lateral mas, que sim, também podia sair pela principal. Deu-lhes passagem e fechou a porta.

De seguida perguntou-me o que queria, respondi que queria ir ali, apontando com o dedo.

Após a minha resposta "sim" à pergunta imediata que  me fez, se eu sou de Braga, abriu a porta e deixou-me entrar.

Também havia (não confirmei se ainda existe) uma placa de proibição de tirar fotografias e/ou filmar, e estavam pessoas a fazê-lo, mesmo ali à frente dos seus olhos.

Não entendo.

Saí da Sé, o Rossio tinha alguns bares abertos, as ruas  daquela zona estavam quase desertas.

Caramba, estava à espera de ver o centro cheio de pessoas neste dia cinzento mas com uma temperatura agradável. 

Onde se meteu o pessoal?

Já sei! Com dinheiro fresquinho, estariam no Braga Parque, no Leroy Merlin, no Aki, no Media Markt.