Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

já Era!

Maria Araújo, 21.12.20

bananeiro-1.jpg

todos  os anos, no dia de Ceia de Natal, no Centro Histórico desta cidade, há o encontro dos amigos, dos familiares, dos conhecidos, dos estrangeiros, de gerações que se encontram no Centro Histórico para beberem o Moscatel e comerem a banana.

Uma tradição ( a história aqui) que começou há muitos anos, o meu falecido cunhado, e os amigos, foi a segunda geração a dar continuidade a este encontro.

Cada ano que passava levava-se um amigo, e o amigo deste, depois vieram os jovens do Erasmus, os turistas e até aos dias de hoje que geraram uma multidão que passou além fronteiras.

É, também, ao fim-de-semana que os amantes da bicicleta procuram esta casa, ao final da manhã, para recuperarem as energia...porque eu vejo-os quando vou dar a minha volta pelo centro.

Ora, este ano, com o coronavírus a impedir ajuntamentos, festas, celebrações de cariz religioso, até ao passado dia 18, era  de conhecimento que a casa ia estar aberta neste dia.

Com as novas medidas, a autarquia implemementou outras, locais, de modo a evitar ajuntamentos, sobretudo nas esplanadas abertas, cobertas e fechadas em todo o Centro Histórico, acrescentando que  "A tradição do Bananeiro ou tudo o que a ela se assemelhe, este ano, não será admitida”.

Acredito que o estabelecimento estará aberto,como é habitual,no dia 24, até às 13h.

A PSP estará pelo Centro Histórico a controlar quem anda na rua, e a impedir ajuntamentos, mas que não vai faltar quem passe lá e beba o  Moscatel, garanto que vai haver.

Veio a propósito este assunto, uma brincadeira que a Imobiliária Era publicou no Instagram, que consiste em sabermos quem somos nós no Natal.

Uma característica psicológica é associado ao mês em que nascemos, e uma palavra, um acção, um lugar, um objecto, um doce, todos estes relacionados com o Natal, ao dia que nascemos.

Gostei do que vi, tratei de procurar a característica que me definia: "empolgada" .

Pois bem, no dia de nascimento estava lá o Bananeiro.

Desde 2008 que o Natal é em minha casa, uns anos com toda família ( seria este o ano), outros com metade, quando os sobrinhos vão aos sogros, pelo que nem sempre vou ao Bananeiro neste dia,tudo depende do tempo que estou na cozinha a fritar as rabanadas e os bolinhos de jerimum.

Mas é verdade que fico empolgada para ir ao Bananeiro, não pelo Moscatel e pela Banana, mas porque é lá que encontro e vejo pessoas que  há muito anos deixei de ver, pelo ambiente de festa, de risos, de alegria, de brindar  à saúde, à amizade, à família.

Então, este ano, o Bananeiro, já ERA!

casa-das-bananas.jpg

Não há Moscatel, nem banana, na tarde do dia 24, mas todos nós podemos celebrar o dia recordando os anos anteriores. 

E vendo o vídeo, "encontrei" um amigo que não vejo há mais de um ano, a quem vou enviar por e-mail, pois certamente não imagina que em 2018 apareceu aqui.

 

era.jpg

 

Os gatinhos

Maria Araújo, 05.06.18

fizeram dois meses, estão enormes, continuam fechados na cave à espera que os venham buscar( um macho vai para uma família de Lisboa), não param de brincar,  ninguém os apanha junto da mãe, fogem, descobriram que ali  há muito para desfrutar.

Um dia da semana passada, fui buscar a gata para levar à veterinária, não os via.

Procurei-os, chamei-os, nemhum sinal, até que,quando estou para sair com a gata, do lado de fora há uma janela junto às escadas, vejo os três aconchegados a dormir em cima de um roupeiro.

Bati no vidro, levantaram-se assustados, voltei à arrecadação, e apanhei-os assim...

 

IMG_20180602_120633.jpg

 Urge sairem daqui.

Não havendo resposta aos meus e-mails, procuro outras famílias que os.adoptem.

 

 

os nossos animais são como os nossos filhos

Maria Araújo, 20.06.14

não sei o que se passa com a minha gata que me chateia a cabeça todas as noites.

por volta das cinco horas mia, quer que eu lhe dê de comer.

estava muito gorda, a veterinária pediu-me para ter cuidado com a quantidade de comida.

conto as horas das refeições, divido a ração três  vezes ao dia , de 8 em 8 horas.

volto para a cama, ela entra no quarto, quer saltar para a cabeceira da cama, é uma luta de forças entre as duas. digo "não", ela pára, sai do quarto, fecho a porta, ela mia, um miar de mimo, passa as garras na porta, fico desesperada.

passa-se isto durante duas horas, quando me levanto e vou dar-lhe de comer.

a partir deste momento, ninguém a ouve, vai para o seu canto, adormece.

estou rota de cansaço, cheia de sono, apática, sem forças.

esta cena acontece há pelo menos 3 semanas.

se esta brincadeira continuar, vou falar com a veterinária.

os nossos animais são com os nossos filhos. dão-nos muitas preocupações.

na próxima semana vou para a capital. fico tensa por deixá-la aqui, mesmo com a Sofia a cuidar dela.

 

 

 

 

 

 

 

Quando o mar se revolta

Maria Araújo, 07.02.14

Toda a minha infância e adolescência e até aos 24 anos, passei as minha férias em Apúlia.

Famílias completas juntavam-se, lado a lado nas barracas, em pleno convívo.

Foram muitos os momentos de alegria, diversão, brincadeiras, amores de praia, que tivemos. As noites eram de serenatas, cantares e danças/bailes.

Por vezes, e quando as nortadas não nos pregavam partidas e a maré estava vaza, íamos pela praia até Ofir.Um extenso areal ligava estas duas localidades. As única rochas que se viam estavam no mar...

Risotas, jogo de bola, corrida, brincadeira, eram o nosso divertimento,enquanto fazíamo o percurso.

O regresso era feito pelo pinhal.

Belos tempos...

Lembro-me que nos anos 80 já se falava que o mar estava a subir o nível e mais 20/30 anos não teríamos praia.

Os filhos cresceram, formaram-se, fizeram as suas vidas e as famílias habituais deixaram de ir para Apúlia.

Os meus pais passaram a ir para o Algarve com os meus irmãos mais novos.

Eu fazia as minhas visitas à praia, até que comecei a fazer fins-de-semana em Ofir e/ou Esposende.

Nas manhãs de setembro, enquanto as aulas não começavam, levava os meus sobrinhos à praia.

Nessa altura, ainda havia uma extensão razoável de areal.

De há 12 anos a esta data, as rochas eram mais evidentes o areal menor. Em alguns lugares já nem espaço havia para as barracas.

Cada ano que passa é notório que estas praias estão mais pequenas.

E os anos voam,  o mar revolta-se e encarrega-se de nos tirar a praia que tanto gostamos.

Após a tempestade de janeiro, fui vero mar. Calmo, nesse dia, via-se os estragos que ele fez, o lixo que trouxera, o areal mais pequeno.

O tempo continua chuvoso, não voltei lá. Mas vejo as notícias.

Hoje, no FB, no mural de uma jovem que habitualmente pedala até à praia, vi esta foto, com este comentário: "RIP, OFIR".

Fiquei triste.

 

(minha foto de  janeiro)

 

 

 

 foto do FB (fevereiro)

 

Os Franceses

Maria Araújo, 20.08.13

estavam completamente errados quando disseram que a Península Ibérica ia ter o pior verão dos últimos 200 anos.

O verão tem-se portado muito bem, com alguns picos de calor, mas no geral quentinho.

Cá no norte, a praia tem estado com temperaturas agradáveis, o vento não tem sido demais.

Hoje, o dia esteve fabuloso. Uma grande extensão de praia, de Ofir a Apúlia, com muita gente, parecia o Algarve.

O António Pedro, o meu sobrinho neto, delirava com a areia e o mar. Não pára quieto, anda de um lado para outro, atira as pás, a bola e tudo o mais que pode ter na mão, para o chão, ri-se muito, parece querer cantar o que nós cantamos, enfim,está mais menino, menos bebé.

Fomos almoçar a um tasco junto à praia. Já não havia rodovalho nem robalo, decidimos pelo arroz de marisco. Um verdadeiro e delicioso arroz.

E ficaráamos até ao pô-do-sol, não fosse a minha responsabilidade de chegar a horas de registar o euromilhões de 39 pessoas mais 1: eu.

Verão do sol, da praia, da cerveja fresca, dos exageros.

Verão que fez o favor de enganar as previsões e fazer os Portugueses mais felizes, mais positivos.