Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

Novembro de Primavera

Maria Araújo, 19.11.20

é o tempo que tem feito cá na cidade, há alguns dias. calorenta que sou, não caí na asneira de vestir a parka de penas, vesti uma camisa, a parka de primavera  andou atada à carteira, à excepção no final da tarde, mais fresca, estamos em Novembro não é?, tive de a vestir.

precisava de umas coisinhas da Primark, loja que não ia desde inícios de Fevereiro, pensei que a hora do almoço seria a melhor, mas se tivesse fila, estava fora de questão entrar.

depois de almoçar, fui de carro, a meio do caminho, e com o tempo que fazia, comentei para o meu decote que devia ter ido a pé.

cheguei à loja ainda não eram duas horas, não havia fila, entrei.

pouca pessoas dentro da loja, os expositores têm bastante espaço entre si, não há cruzamento de pessoas, há setas para seguir. foi preciso a pandemia para ficar com melhor apresentação e aspecto de loja, não de feira.

de certa forma,em todas as lojas, e no centro comercial, as setas vieram trazer uma melhor organização ao espaço, que fique para sempre.

comprei as comisolas que gosto de usar por baixo das camisosas de lã, um fato treino do batman para o sobrinho neto ( tem ginástica no colégio)  mais um não é demais, com a chuva a mãe vai muitas vezes secar a roupa à lavandaria self-service, e comprei umas pequenas decorações de Natal.

quando saí da loja,reparei que havia uma fila, não muito grande, mas o suficiente para as pessoas esperarem uns quantos minutos. 

segui para a loja Kiko, comprei uns produtos de maquilhagem ( a pandemia faz-me gastar dinheiro nestas pequenas coisas, já que gastar em roupa, estou a zero, porque não preciso).

pensei passar na Tiger, desisiti, não me apetecia perder mais tempo por lá.

às três horas, estava a tomar café em casa.

acabei de pintar este móvel, ficou um resto de tinta que dá para pintar uma cadeira. ontem, passei a lixa para tirar a cera, hoje, o primário, amanhã, aplico a tinta branca.

fui buscar o menino ao colégio, combinei com a mãe esperarmos por ela no final da aula, no ginásio.

o miúdo ( 3 anos)  conhece o caminho para a Brasileira, fizemos a vontade, tivemos que nos sentar para ele comer um bolo ( os primos cariocas também adoram a Brasileira, quando estão cá, é lugar garantido para lanchar) e neste final de tarde,com a temperatura que estava, foi bom desfrutar da esplanada.

era hora de o menino jantar, tomar banho, e dormir. regressamos a casa,mas ainda quis ver a água que cai da fonte no Largo de Santa Cruz.

ele gosta que eu vá para casa dele, choraminga se não entro no elevador, choraminga se venho embora quando está a comer, arranjo uma estratégia: dar de comer à gata, comprar iogurtes no supermercado, ou o " amanhã vou buscar-te ao colégio".

e fica bem.

 

coisas do meu dia

Maria Araújo, 21.11.17

Clinica_Cauchioli_-_Austismo.jpg

 

Fui as Finanças pagar o Imposto Automóvel, tirei a senha, aguardei a minha vez.

Ao meu lado, sentada, estava uma mulher jovem, com três crianças,  duas delas sentadas a seu lado. Mal reparei nelas. De repente, vejo que as cadeiras estavam vagas, sentei-me numa. 
O rapaz andava para um lado e para o outro, ria-se, não falava. Percebi que fungava muito, que estaria constipado.

Estava demorada a chamada da minha senha, embora só tivesse dois números à minha frente, sentei-me ao lado da jovem mulher.

O rapaz continuava na sua agitação mas não incomodava ninguém.

De quando em vez, ela chamava o miúdo que ora vinha junto dela, ora se afastava e parava em frente à porta. Olhava para fora.

Às tantas, diz-me ela:

" Ele não pára, mas não se incomode. Ele é autista".

Olhei para ela, fiquei entalada de emoção, mas disfarcei, respondendo que a criança não estava a incomodar ninguém, e eu nem reparara nesse pormenor e se ela não o dissesse não dava por nada.

" Ele é muito meigo, mas não pára e não fala. Quer ver?"

Chamava  o miúdo e pedia-lhe um beijo. Ele aproximava-se dela e fugia para junto da porta.

Imigrantes, perguntei se estavam há muito tempo em Braga. Contou que chegaram há um mês do Rio de Janeiro, vieram viver para Braga porque lá está impossível ter uma vida tranquila, sobretudo para as crianças, andam a tratar da documentação, estava difícil encontrar uma escola para as filhas e para o menino...  " São trigémeos", diz.

Comentei que nesta altura do ano é difícil porque as aulas começaram há dois meses, mas com a ajuda da Segurança Social certamente que a encontrará e para o menino também, porque sei que existe em Braga uma instituição que dá apoio a estas crianças.

"Elas são crianças normais. Adoro este meu filho. Eu sou portuguesa,o meu marido é italiano, vivíamos lá no Rio, decidimos vir para Portugal. Está tudo a correr bem, estou feliz por estar aqui, sei que vamos conseguir ..."

As duas raparigas, que estavam junto do pai, que estava a ser atendido, viram-nos a conversar e vieram ter connosco. Muito bonitas e simpáticas, dei-lhes as boas vindas.

Uns minutos depois, o marido aproxima-se, sorridente, cumprimentou-me.

Desejei-lhes muita sorte, comentei que as meninas de certeza que vão ter uma escola que as vai receber.

Perguntei-lhe a idade. 8 anos, estão no 2º ano.

Fiquei com a imagem desta jovem mulher na mente e acho que ainda nos vamos cruzar. Ela vive numa zona da cidade onde passo muitas vezes, acho que vou ter a alegria de saber que as crianças têm escola.

Os brasileiros estão de novo a procurar viver uma vida mais tranquila em Portugal. Há muitos aqui na cidade. Verifico isso nas lojas e no ginásio.

Quem me dera que os meus sobrinhos deixem o Rio e venham para Portugal ou outro país da Europa.

Para o ano, o meu sobrinho neto faz  6 anos entra para a escola. Cá seria o ideal.

Gostaria de tê-los por perto.

 

o Café voltou à cidade

Maria Araújo, 20.07.17

FutbolAppBragaCS1.jpg

Passo diariamente junto ao café Sporting, frequentado maioritariamente por homens, que em dias de futebol europeu enche-se de estrangeiros que bebem a cerveja, deixam lá os seus cachecóis, alguns pendurados nos guarda-sóis  da esplanada.  

FutbolAppBragaCS2.jpg

 

Há cerca de 15 dias  reparei que estava fechado, para obras. Comentei comigo: " Acho que este café estava a precisar de uma remodelação há muito tempo".

Hoje tive de fazer umas compras, vejo o café aberto, renovado. Mas não é mais o Café Sporting.

Este deu lugar ao Café Jeronymo, em tempos no Braga Parque, que desaparecera, para tristeza minha que adorava tomar lá um cafezinho.

Já tinha tomado café em casa, segui o meu caminho. Mas eis que  vejo dois jovens aproximarem-se das pessoas e oferecerem qualquer coisa. Um deles  veio ter comigo e entrega-me um convite para hoje, data da abertura do Café Jeronymo, para um café oferecido pela casa.

Fui tratar das minhas coisas, no regresso, entrei. 

Pedi o café e uma queijadinha ( especial da casa, disse o funcionário).

Paguei o docinho, tomei o café. Observei o ambiente.

Na entrada um grande sofá, convidativo à bica e à cavaqueira Detrás deste, na parede, um grande espelho.

Um espaço amplo, bem apretrechado de mesas rectângulares para quatro pessoas e, perto do balcão, uma ilha rodeada de bancos altos proporciona a escolha de lugares para quem vai só ou acompanhado. Um pormenor, que nunca vi, é o das mesas individuais, para quem vai sozinho e quer estar à vontade a tomar o seu café, ler, ou apreciar o ambiente. Sentei-me numa destas.

As fotografias de Braga antiga, uma moda que pegou bem cá na cidade, espalham-se nas paredes.

Pareceu-me que o serviço é rápido, os funcionários jovens e simpáticos.

O Café Jerónymo voltou à cidade, é, na minha opinião,  uma alternativa à Brasileira.

 

IMG_20170720_155238_1CS-tile.jpg