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as minhas confissões

por Maria Araújo, em 03.02.19

Há anos, escrevi este post, e outros ( # tag batom) sobre a vizinha do R/C fumar e deitar as pontas dos cigarros para a entrada da minha garagem.

Continuou por mais uns tempos, mas reparei que há uns largos meses que não vejo as pontas de cigarro espalhadas pelo piso.

Agora, têm sido os cocós dos gatos que são depositados, também, ( pega lá Maria, falaste demais, implicaste com a madame do batom vermelho, as pontas de cigarros desapareceram), junto à garagem, que remédio tenho eu senão pegar na vassoura e varrê-los para um canto para não ter a surpesa de os pisar e levar a sujidade colada às solas dos sapatos, que muito custa tirar, e empestar a casa com este "perfumado" cheiro.

Adiante. Vem este post a propósito de a madame do batom vermelho ser uma "simpatia" de mulher.

Funcionária numa loja comercial, deve ter a mania que é importante, talvez porque tenha um marido, e eu não tenho, é uma parva (desculpem-me, mas é verdade).

São muitas as vezes que, quando passa por mim sozinha, deita os olhos ao chão e não me cumprimenta. A não ser que se cruze comigo nas escadas, mas é um cumprimento estilo "por favor", como se fosse a dona do prédio ( ninguém aqui simpatiza com ela). Quando está acompanhada do marido, por vezes cumprimenta e olha-me de frente, outras vezes, faz de conta.

Ao domingo, terá folga, é costume sair com o marido pela hora do almoço.

Hoje, chegava eu do supermercado, quando me aproximei da porta do prédio, saem os dois. Ela à frente, ele atrás.

Sempre vestida de calças metidas nas botas de cano alto, ar empinado, batom vermelho em destaque, desviei-me para passarem, olhei para ela (vi que mastigava chiquelete) deitou os olhos ao chão. Ele segurou a porta para eu entrar e cumprimentou-me tão baixo que mal  o ouvi, ao mesmo tempo que eu o cumprimentava e agradecia o gesto.

A porta fechou-se, comentei eu para o meu decote, e porque às vezes também sou mazinha: " Parva! Tens a mania que és uma grande senhora, dizias à minha irmã que és minha vizinha e que eu sou muito simpática, passas por mim e baixas os olhos e não cumprimentas?  Quem pensas que  tu que és?"

Mas eu sei porque o faz.  

O pai costumava ir de cadeira de rodas para o lar de dia (agora ficou interno) o marido dela ia levá-lo e buscá-lo.

Há um lance largo de escadas para o r/c e como o homem tinha de subir e descer o carro de rodas, com o sogro, um dia lembrou-se de pedir autorização a todos os inquilinos para fazer uma rampa que facilitasse a descida/subida do carro.

Ninguém se opôs, mas eu adverti-o que deveria ver onde a colocar, respondera-me que seria junto às caixas do correio, visto que do lado oposto tem as escadas para os outros andares.

Ora, passado uns largos dias, ouvi um barulho ensurdecedor  nas escadas, lembrei-me que alguém estaria a tratar da rampa.

À noite, fui pôr o lixo na rua, vi que a rampa ocupava muito espaço, tinha uma inclinação bastante acentuada, e da forma como estava colocada, na descida o carro de rodas e o senhor facilmente seriam projectados contra a parede.

No dia seguinte, volta o ruído ao prédio, não me meti em nada, deixei-os fazer o serviço como entendessem.

Por azar, ou sorte, o meu irmão vinha cá a casa e não sei porquê precisou que eu descesse as escadas, quando chegou deu o toque para o telemóvel, desci.

A rampa tinha mudado de lugar, estava mesmo em frente às escadas de acesso aos andares, quem viesse da rua, habituado a entrar e subir as escadas desse lado, tropeçava na rampa, e quem descesse  deparar-se-ia com o mesmo problema.

Nervosa com o aparato, tive de falar.  

O vizinho do primeiro andar, um louco, entrou uns minutos depois do meu irmão, que entretanto subiu as escadas e não se meteu no assunto, e porque não era nada consigo, também não disse nada, fechou-se em casa.

Tremia quando expus a situação, aconselhei-os a tirar a rampa dali, iria causar danos a todos, pensassem noutra forma de facilitar a subida e descida do carro e do senhor.

Quando entrei em casa, o meu irmão comentou comigo no perigo que a rampa causaria a todos os inquilinos além de que tinha de ser uma rampa adequada, não em madeira, e com menor inclinação.

Os homens tiraram a rampa. Desde então nunca mais a madame foi a mesma ( e eu agradeço, não quero confusões com ninguém), o marido é uma simpatia quando  está sozinho e se cruza comigo, com ela cumprimenta o mais baixo possível.

Mas há mais.

Como sou eu que estou encarregue de receber o pagamento da energia eléctrica do prédio, a casa dela é alugada, quem paga a luz é o senhorio. 

Quando há alguma obra a fazer, o inquilino do terceiro andar toma a iniciativa de falar com os outros. Contudo, há um deles que me pediu que apresentasse uma queixa e de comum acordo com os outros, ao senhorio, porque a madame do batom vermelho, sempre que põe a máquina da roupa a lavar, a água infiltra-se na cozinha dele, e cá fora forma-se um riacho em frente às escadas dele e à minha garagem.

Sempre vira aquela água, pensei que seria água com detergente que ela usasse para limpar a cozinha e a casa de banho e que a deitasse escadas das traseiras abaixo, soube, há cerca de um ano, embora isto dure há anos, que o tubo da máquina de lavar não está direccionado para a canalização interna, mas para o exterior, isto é, para as escadas.

Para além de ela não poder fazer isto, a água, com seus produtos poluentes, que se acumula junto das escadas e da minha garagem forma uma película esbranquiçada e de lama, que porporciona o aparecimento de bicharada nos dias mais quentes.

E pediram-me para resolver o assunto.

Mas eu não vou resolvê-lo sozinha. Vou saber os pormenores, vou fazer uma carta que vai assinada por todos os inquilinos.

E a madame do batom vermelho vai culpar-me disto. E vai odiar-me.

 

 

 

 

 

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A Madame do batom vermelho, take 2

por Maria Araújo, em 08.04.14

 

 

 

As pontas de cigarro continuavam, e continuam,  a "acumular-se" junto à porta da minha garagem e, um belo dia, peguei na vassoura. Uma a uma, varri-as para o apanhador e guardei-as num saco de plástico, que ficou junto ao caixote do lixo que tenho na garagem. (devem cheirar mal, mas não as pus no lixo até...)

Por vezes, e se a madame do batom vermelho está por casa e vê a "cena" que propositadamente faço quando abro a garagem para tirar o carro, qual jogador de futebol, chuto as que estão ali ao meu alcance para o lado da escadas dela.

Sou paciente, mais dia menos dia eu descobria quem as lança para o chão.

O marido da madame do baton vermelho trabalha na Agere, não se me punha a hipótese de o casal poluir o ambiente (se bem que ouço coisas que não agradam ao ambiente, nem ao vizinho que vive na cave).

E já lá estão umas quantas, recentes, fresquinhas,  porque eu vou todos os dias tirar o carro.

"Quem será?", perguntava-me, olhando para os andares do outro lado do prédio onde, no 3º andar vive um moço cinquentão, fumador, que raramente está em casa.

Ora há minutos atrás, depois de lavar a loiça, fui à janela das traseiras. Com uma temperatura tão agradável, deixei-me ficar. Subitamente, olho para baixo e vejo alguém sentado(a) nas escadas com o telemóvel na mão esquerda e o cigarro na mão direita.

Rapidamente desliguei a luz da cozinha e fui para a janela. O braço era de mulher, não se via a cabeça.

Uns minutos depois,  pessoa levanta-se e vejo a madame do batom vermelho. Entrou em casa.

Como estava às escura, ela também, não vislumbrei o lançamento da ponta acesa.

E pensei: "será que apaga o cigarro dentro de casa e lança-o para o exterior?"

Os vizinhos são pessoas serenas, boa gente.

Falar com a madame do batom vermelho, não quero. Falar com o marido, nem pensar (parece-me ser controlado pela esposa)!.

Pôr um letreiro na porta da garagem, como pensara aqui: " parece-me que neste prédio não há cinzeiros dentro de casa", não tenho como afixar/prender.

Então, vou repetir o que fiz antes, mas num dia que eu pressinta que ela está em casa.

Vassoura na mão, vou juntar as pontas todas que estão prostradas em frente à garagem, junto as que tenho dentro do saco e vou depositá-las nas escadas dela.

E que não me chateie a beleza. 

Não sou mulher para discutir com os vizinhos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A madame do batom vermelho

por Maria Araújo, em 10.12.13

A minha garagem fica no cantinho das três que existem nas traseiras do prédio, pelo que, quando não tenha pachorra para a abrir, o carro, que não incomoda ninguém (penso eu), fica estacionado em frente. Deixo espaço  suficiente para os vizinhos do r/c entrarem em casa pela portas das traseira (como é hábito do casal e do pai dela).

Ora há cerca de três meses, reparei que na entrada da minha garagem, jaziam, com prazer de poluir o ambiente, umas quantas pontas de cigarro.

Fiquei indignada. Nunca vira tal coisa. Por vezes, o vento traz algum lixo, mas pontas de cigarro, não.

Peguei na vassoura, juntei-as e deixei-as num canto. Não coloquei no caixote do lixo que tenho na garagem porque queria ter a certeza de que o vento não as espalharia.

Elas ficaram por lá, com a agravante de, dia a dia, aumentarem as pontas fresquinhas a provocarem a minha ira.

Num dos dias que estacionei o carro na garagem, vi o vizinho da cave (senhor de 85 anos), não fumador, que também entra em casa pelas traseiras e comentei o caso.

Diz ele: "é o vento que traz".

"O vento? E como é que elas ficam todas aqui junto à minha garagem?"

Ao que prontamente acrescenta: "são os vizinhos daqui de cima!"

"Como? Mas eu nunca os vi fumar!", respondi com admiração.

"Fumam, fumam. Só podem ser eles!" retrocou.

Sempre que abro a garagem e as vejo por ali, dou-lhes pontapés com o propósito de chamar a atenção, caso a madame do batom vermelho esteja por casa, observe os meus gestos e perceba que não gosto nada do que vejo.

Ora hoje, com o carro em frente à entrada (não tinha a chave comigo, não o guardei), fui buscar a caixa onde guardo a Sagrada Família para fazer o meu mini presépio.

Os meus olhos detectaram lá, na entrada, uma ponta de cigarro com marca de batom vermelho.

Fiquei possessa. Dei um pontapé na dita cuja e resmunguei um " que nojo !" (odeio ver as marcas de baton nos copos, nas chávenas, nas pontas de cigarros, nos guardanapos. Odeio!).

Como com esta família, excepto o pai, um senhor humilde que muitas vezes me fez queixa da mazinha e egoísta que a filha é,  a minha confiança não passa de bom dia, boa tarde e boa noite, tomei uma decisão para testar a madame do batom vermelho.

Logo que tiver oportunidade, vou pegar na vassoura, junto todas as pontas no canto que dá acesso às escadas da casa da madame do batom vermelho e vou afixar um letreiro na minha garagem com " parece-me que neste prédio não há cinzeiros dentro de casa".

 

 

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