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Cantinho da Casa

Cantinho da Casa

o ruivo

Maria Araújo, 05.04.18

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Manhã serena, precisava ir a esta loja (em frente  às caixas do Hipermercado Continente) com descontos de 23%, todos os dias da semana,  à 5ª feira é o dia da L'Óreal e Wella, precisava urgentemente de champô e condicionador, decidi ir a pé ( 2,5km), e  fazer o meu exercício, já que nem sempre vou ao ginásio neste dia.

No regresso a casa, a cerca de 200 metros do Hipermercado, ouvia o ruído de um soprador de folhas de rua.

Presumo que  tenho andado com mais atenção ao que se passa à minha volta, no que ao sexo masculino diz respeito, e se no sábado foi o Pappillon, hoje, um homem, jovem,  alto, vestido com umas calças cor camel e uma malha polar ?? verde que me parece ser uma das fardas que os funcionários da Câmara usam, de costas para mim, movimentava a máquina  que soprava as folhas juntos aos prédios que ficam numa rua abaixo e paralela à avenida que eu percorria, chamou-me a atenção pela cor do cabelo, que muito raramente se vê por cá: ruivo.

À medida que caminhava, os meus olhos curiosos não se desviavam deste homem de cabelo ruivo. Ele vira-se e uma  vejo uma interessante e comprida barba ruiva.

Percebeu que alguém o observava, levantou os olhos, baixou-os, continuou a sua tarefa.

À medida que me afastava deste homem ruivo, pensava nela.

E se há uns meses foi um jovem que me chamara a atenção, também funcionário da Câmara, pela sua barba e coque, hoje o ruivo, parece-me que a Câmara está a apostar num quadro de funcionários jovens,dinâmicos e modernos.

Gostei! E vou estar mais atenta.

 

 

 

 

a barba do trolha

Maria Araújo, 06.03.18

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Finalmente, quase um ano depois de acordar com o trolha patrão para fazer a obra na garagem, chegou, ontem, o dia, mas depois de muitos telefonemas ao longo de 2017, com interrupção entre Novembro e Fevereio, porque  já não adiantava insistir, a resposta  era sempre a mesma " tenha paciência, espere mais um mês, tenho serviços fora."

Há uma semana, liguei, foi a última tentativa: "ou pega na obra, ou entrego a outra pessoa".

Garantiu-me que vinha esta semana, e por cá andam.

Ontem, vieram dois homens, jovens, na casa do 20,30 anos.

À tarde, só estava um.

Quando desci, a meio da tarde para ver o andamento das coisas, reparei no que me chamara a atenção de manhã.

Um homem alto, elegantérrimo, trazia umas calças de ganga, uma sweat, coberto de pó, claro, o trabalho não perdoa.

Tinha tirado o colete azul escuro acolchoado ( o trabalho aquece, pois).

Uma pequena conversa sobre a obra, o trabalho que agora abunda, mas que há anos tivera de ir para Espanha, onde "as obras metiam medo", dizia, porque havia todo o tipo de pessoas: marroquinos, paquistaneses, romenos, ucranianos.

Agora, está bem por cá, "trabalho não falta, embora a vida esteja cara", dizia, "mas vive-se".

Não fiz perguntas de nada, não sei se é solterio, casado, divorciado. 

E porque escrevo sobre o trolha? 

Porque tem um rosto bonito, um olhos pequenos de um castanho claro que combinam com a cor do cabelo, também claro, porém de branco do pó da parede, e uma barba perfeita, bem escanhoada, muito bem tratada.

Não entendo nada de barbas, embora cá em casa os sobrinhos a usem, uns mais curta, outros menos, cuidam bem dela, senão a tia azucrina-lhes a cabeça, a do trolha  não fica nada a dever à dos meus queridos.

Um homem apresentável, ágil na forma  como coloca a massa na parede, pergunto-me como é possível uma coisa destas não ter a oportunidade de muitos outros e lançar o charme nas passerelles da moda. Mas não duvido nada que o lance ao fim de semana nas discotecas e bares da cidade.

Este jovem, com idade para ser meu filho, foi das melhores "coisinhas" que vi nos últimos tempos.

E foi a barba que me chamou a atenção.