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cantinho da casa

cantinho da casa

foi um dia

de surpresas.

Uma amiga cá da cidade, que vive para a família e o trabalho, e com quem me encontrava muitas vezes para tomarmos café, de repente, deixou de dar sinal de vida.

Foram muitas as vezes que passei de carro à porta de casa dela mas estava na escola, com certeza, nem valia a pena tocar a campainha.

Ligava para casa, ninguém atendia, ligava para o telemóvel, o número não estava atribuído. 

Em 2014, no dia de aniversário, 1 de outrubro, liguei.  Não consegui falar com ela.

Este ano, liguei várias vezes. Nada!

Hoje, 15:13h, entram duas sms. Vejo o telemóvel e "Alex!!!!!", exclamei.

Ela ligara pelas 14h, mas o meu telemóvel estava a carregar a bateria... E respondi-lhe de imediato.

Obtive resposta no final do dia. Estava a sair da escola, tinha um compromisso, mas "amanhã ou no fim-de-semana, telefono-te", dizia.

E agora que tenho o novo número dela, não me escapa!

 

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Lembranças

A manhã estava com sol, embora fraco, mas parecia que pela tarde iria brilhar com mais intensidade.

Levantei-me cedo. Tinha a missa de 7º dia de uma amiga, de coração.

Eramos uma família.

Ela e irmãos viveram até à idade de entrarem para a universidade e de casar, com os tios, sendo estes padrinhos do meu irmão mais novo.

Em julho e agosto, alugavamos casa na praia. A minha mãe cozinhava para todos, e à noite, vinham de trabalhar, o meu pai e os tios deles.

Dias de praia fantásticos, serenatas à noite, pão quente, brincadeiras que eles, os rapazes, faziam a elas,as raparigas,  enquanto dormíamos, e não só.

E quando nós, raparigas, queriamos ir para a noite, diziam eles :" hoje há noite de King".

Belos tempos de praia que, quer estivesse uma nortada fortíssima, quer estivesse nevoeiro, chuva ou sol, quase sempre o regresso a casa para jantar era depois do sol posto. Por vezes, alguém tinha de nos chamar.

A amiga faleceu há uma semana e soube na 6ª feira.

Ela deixara escrito que queria um funeral discreto, só para a família.

E hoje, o final desta missa foi de emoção. O marido leu algumas palavras que  a esposa deixara escritas, e um poema que um dos meus primos lhe dedicou.

Quando me aproximei para cumprimentar a família, como sempre, chorona que sou, as lágrimas caíam-me rosto abaixo.

Ele, o marido, estava emocionado.
Com três filhos casados, um neto , e a caminho do 2º,  o casal dava-se muito bem , viviam bem a vida,viajavam muito.

Ela tinha a doença há muitos anos. Desde início que estava controlado.

O que mais admirava nela era a força psicológica, o modo de ela ver a vida.

Os anos passaram e estava curada.

Mas, infelizmente, estas doenças voltam a dar sinal. Há cerca de 4 anos, manifestou-se.

E ela recomeçou os tratamentos, sempre com a mesma força e determinação.

Entretanto, os meus irmãos mais velhos foram embora. Ela resistia.

A última vez que a vi, há cerca de 6 meses,contara-me que tinha viajado pela China.

Estava muito bem. Tinha-a visto um ano antes, mais combalida.

Mas como estas doenças vão minando o corpo, sucumbiu domingo passado.

E porque estamos a chegar ao natal e lembrei-me dos muitos natais e passagens de ano que vivemos todos juntos em casa dos tios,  decidi dedicar a minha tarde de hoje, em sua memória, à procura das poucas fotos que tenho guardadas e (re)lembrar os tempos da nossa juventude.

Porque a vida passa, porque estamos absorvidos pelo trabalho;quando alguém se lembra de reunir as belas e saudáveis amizades , encontramos sempre um motivo para que seja para amanhã e então adiamos por mais algum tempo, porque  não sabemos por anda A, o B está longe, o C é capaz de não querer vir,  toda uma séria de pensamente sem sentido que, quando nos apercebemos, essas pessoas que muito queremos vão embora para sempre.

Isto faz-me pensar que não compensa passarmos o tempo a adiar encontros, a "esquecer" que estamos todos bem, não vermos há anos as pessoas que fizeram parte das nossas vidas, até daquelas que  estão aqui tão perto, dando mais valor ao trabalho e ao tempo, que escasseia.

E hoje pediram-me para eu organizar um almoço e juntar estas velhas amizades para/e recordar a minha amiga, os meus irmãos, os meus pais, os tios...

Quando morre alguém das nossas relações, e à medida que amadurecemos,  tomamos consciência de que há laços que nos unem e que a distância e o tempo não podem separar.

Depois do natal, vou contatar quem não vejo há muitos anos.Onde estão? Não sei. Mas hei-de conseguir. Em memória dos meus irmãos Xico e Mena, da nossa amiga Marimé, do noso amigo Tino, dos nossos pais e dos nossos tios.

Algumas fotos das três famílias mais unidas, dos piqueniques e do verão na bela praia de Apúlia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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