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agora, é a voz

por Maria Araújo, em 07.11.16

A semana passada  fui às Finanças acompanhada de uma jovem que, além de simpática, é uma boa profissional a tratar de documentos. A funcionária que nos atendeu parecia que estava a fazer um favor, mas foi respondendo a tudo o que a jovem perguntava. Eu olhava-a e  associava o rosto a um caso que aconteceu comigo, há um ano e meio, sobre o que devia fazer para conseguir um documento.

Lembro-me que saí de lá frustrada, não por que o assunto não ficasse resolvido, mas pelo tratamento arrogante que me fez passar por uma imbeci. Também porque quem estava próximo ouviu tudo ( não devia ser permitido as pessoas que esperam a sua vez ficarem perto do balcão de atendimento. Ninguém precisa de saber o que cada um vai tratar). Contudo, não tinha a certeza se seria ela.

Hoje voltei às finanças. Esperei 45 minutos ( e porque muitas pessoas tiraram o ticket mas puseram-se a milhas com tantos números à sua frente), fui atendida pela mesma funcionária.

Antes de preencher a requisição, perguntei se podia ser eu a pedir o documento, visto que sou cabeça de casal da família. E expliquei o motivo do pedido. Respondeu que não podia se eu a fazê-lo.  Insisti na minha explicação, ela insistiu, também, até que acabei por dizer que o meu familar iria lá resolver o assunto.

E foi pela voz que lá cheguei. Foi ela, sim, que me atendeu  há um ano e me fez passar por um momento constrangedor e humilhante.

Hoje, de novo, a sua arrogância  fez-me corar. Corei, porque não consegui responder-lhe com a mesma "delicada" arrogância e porque me senti envergonhada  pela minha ignorância e o facto de, mais uma vez, estar um senhor encostado ao balcão e ouvir a conversa.

As Finanças estavam a fechar, fui à caixa de pagamentos, perguntei ao simpático funcionário ( já o conheço de outros pagamentos que fiz) que já contava o dinheiro para fechar a caixa, se podia aproveitar  para fazer o pagamento do imposto de circulação automóvel.

"Claro que sim", respondeu.

Perguntou-me o NIF, deu-me a máquina de pagamento automático e com um sorriso, respondeu-me: " Fez bem aproveitar. Está feito."

Agradeci, como sempre faço a quem me presta um serviço.

Se os funcionários devem ser tratados com educação, eu nunca fui mal educada para ninguém, também deviam ser mais simpáticos para quem precisa do seus serviços. E ser simpático não é rir e sorrir a todo o momento e para toda a gente. É explicar as coisas com alguma delicadeza.

A porta já estava fechada. Abri-a, e saí mais satisfeita.

Não volto lá tão cedo. 

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O Mudo

por Maria Araújo, em 06.09.16

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A semana passada fomos almoçar a um restaurante na praia, muito conhecido cá no norte. 

A história desta casa, que tem muitos anos, era eu uma criança, vem de os seus donos, um casal, serem mudos.

O espaço era uma cabana de pescadores sito no lugar conhecido por Pedrinhas e que fica a 1 km de Apúlia, com o nome de "Os Mudos".

O casal fazia umas excelentes sardinhas assadas, passou para a confecção de outros peixes e mariscos. Restaurante sempre cheio, fazia-se e faz-se fila para almoçar.

O tempo passou, deixamos de passar férias nesta praia.

O restaurante continuava a servir os clientes que vinham de todos os cantos do país. 

Quando a semana passada decidimos comer umas sardinhas assadas, fomos lá. Deparei com um espaço completamente remodelado, apresentável, comparado com "Os Mudos" de há longos anos.

Entramos. Ao balcão, do lado esquerdo da porta, estava um homem nos seus 47 anos, alto, que controlava os lugares e as mesas,  que perguntou o que queríamos.

"Almoçar" respondemos os três, " e se possível, na esplanada".

A minha irmã dirige-se à esplanada, e diz o homem com voz arrogante: " A senhora não pode ir para aí".

Parvas olhámos para ele, diz a minha irmã: " Mas eu só vou espreitar a esplanada, não vou ocupar nada".

Volta a repetir ele: " Não pode ir para aí".

Se não fosse pelo nosso amigo, juro que me vinha embora.

Fui à casa de banho, quando regressei, eles estavam sentados à mesa. "Não gostei nada da arrogância do homem", comentei.

Os funcionários, muito simpáticos, andavam de um lado para o outro  sempre atentos aos pedidos dos clientes

No final do almoço, a jovem funcionária perguntou-nos se estavamos bem, ao que aproveitei para fazer a pergunta sobre os mudos, os donos do restaurante.

E foi então que soube da história. Os mudos morreram há anos, o filho ficou com o restaurante que por sua vez passou o negócio para o filho ( o homem que estava ao balcão).

O pagamento é feito num outro balcão. Estava ele, de novo, a controlar tudo,  dirigimo-nos lá, a minha irmã pega no cartão multibanco marca o código, mas não dá. Repara que o código é de outro cartão que também o levava consigo, faz a troca. O homem olhava-a, eu olhava-o, ele não articulava uma palavra.

A minha irmã marca  código e diz-lhe: "Quero a factura, se faz favor".

Ele dá-lhe o cartão, o talão e a factura, ainda sem articular uma palavra. Não saiu um obrigado daquela boca.

Saímos do restaurante e comentei; " Homem antipático e arrogante, não sei como o restaurante tem tantos clientes. Por mim, não ponho cá os pés, nunca mais!"

Hoje, fui cedo para a praia. Decidi tomar café no lugar do costume.

Quando cheguei a porta estava fechada. Achei estranho, vira um casal na esplanada de cima.  O café mais próximo era em Apúlia, aproveitei para fazer a minha caminhada. 

Passando à porta de " O Mudo" (é o nome actual) vi uma senhora sentada no banco, cá fora. A porta estava aberta, entrei para perguntar se serviam café.

Ao mesmo tempo que entro, sai uma senhora de porta-moedas na mão, deduzi que tomara lá café, ou não. 

Na grande máquina de café, vi ele, o dono e perguntei: " dá para tomar um café?"

Da mesma maneira que falara para a minha irmã, o mesmo tom de voz arrogante respondeu-me: " Não, não sirvo café".

Saí. Não fiquei surpresa porque esperava esta resposta quando vi quem ele era. Mas estou certa que nunca mais entro naquele lugar e se depender de mim, se alguém me perguntar como é o restaurante, respondo que não conheço.

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coisas de pessoas

por Maria Araújo, em 21.03.16

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Tinha planeado ir ao ginásio de manhã, seguia depois para a nova loja Ikea com intuito de perder umas horas a ver, com calma, o que gosto: as cozinhas, as salas, os quartos,  as decorações.

Cheguei ao ginásio em cima da hora para ter a senha para a aula (se não for quarenta e cinco minutos antes da aula, às nove horas já não há senhas), convicta que não ia conseguir, saio, do elevador e, "surpresa!" , vejo uma fila pequena.  Uma das senhoras com quem, por vezes, tomo café, comentou :"hoje está pouca gente porque a professora D está de férias".

Já escrevi algures num post que deixei de ir às aulas de hidroginástica (passei a ir ao sábado, com um ambiente mais agradável) durante a semana, porque o ambiente, tenho que dizer isto, é reles.

Fala-se de de tudo, corta-se na casaca das pessoas, falam alto demais, não estão com atenção à aula, enfim, não faz o meu feitio conviver com este tipo de pessoas.

Adiante. Antes da aula, dirigi-me à casa de banho, estava uma senhora em fato de banho a lavar as mãos, sai outra da casa de banho e diz a primeira: "ó mulher, estás aqui?"

"Sim. Olha já fui mijar, vamos para a hidro?"

Depois da aula, a mesma senhora com quem tomo café, comentava que num dia da semana passada o ambiente estava tão foleiro, que o professor só não deu uma chapada a um senhor porque ele tinha idade para ser seu avô.

De facto, quem frequenta estas aulas são pessoas que andarão pelo setenta anos. Não têm a noção do que é estar numa aula, ou têm, mas por que são terceira idade devem pensar que merecem respeito dos mais novos, logo, que tudo lhes é permitido.

É, sim, uma falta de respeito para quem dá a aula que por vezes tem de elevar a voz para que eles o ouçam e estejam com atenção (escrevi sobre o assunto aqui )

Se eu fosse o professor parava a aula até que se calassem e quando o silêncio fosse pesado, sem proferir uma palavra, retomaria a aula como se nada tivesse passado. Garanto que eles percebiam e surtia efeito.

Fui ao Ikea, a loja que me dá imenso prazer ver tudo, tudo, comprei uns artigos, fui à máquina de pagamento self-service, entretanto, uma funcionária ofereceu-se para me ajudar, paguei. Eram duas e meia da tarde, estava cheia de fome, fui pôr as compras no carro, regressei para almoçar no restaurante Ikea. Comi um arroz de pato, bem cozinhado viam-se bons pedaços de pato semi esfiado, nada gorduroso (já comi pior em restaurantes).

Decidi dar uma volta pelo centro comercial, com bastantes lojas, todas mais do mesmo, à exceção de duas ou três novas marcas, subi à restauração para tomar café.

Aproximo-me do caixa para pedir um café, estava à minha frente um senhor acompanhado de uma criança. Do lado de dentro do balcão, duas funcionárias conversavam.

O funcionário da caixa pediu que tirassem o café para o senhor, chega a minha vez, pago, pede outro café... Uma das funcionárias tirava o primeiro café, continuava a conversar com a outra.  Pôs a chávena no balcão, quando, com a maior arrogância, o senhor diz:

- Isto é café que se tire! Eu pedi um café curto. Em vez de estar na conversa devia olhar para o que está a fazer!"

A funcionária ficou parva a olhar, pegou na chávena, deitou o café fora, foi à máquina e tirou outro café.

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Quando o entregou, diz ele: "um café bem tirado deve estar um dedo abaixo da superfície da chávena. Antigamente as chávenas eram grandes e o café saía mais cheio, era o tipo café americano, mas agora que as chávenas são pequenas, o café, (repetia), deve estar um dedo abaixo da chávena. Não sei se me está a entender."

A funcionária olhou para a chávena e percebendo que o café estava curto demais, perguntou-lhe se queria que enchesse um pouco mais, ao que ele respondeu: "deixe estar, se põe mais café perde o sabor". E voltou a explicar "antigamente...", bláblá.

Entretanto, saiu do balcão, a outra funcionária dá-me o meu café. Quando olho para trás, estava uma longa fila de pessoas à espera que o senhor explicasse à funcionária como se tira um café.

Eu já estava a ficar pelo cabelos com a conversa e a arrogância dele. Quando se desviou do balcão, a funcionária diz-me com a maior descontração, própria de uma pessoa que está habituada a atender todo o tipo de clientes: "uma pessoa está sempre a aprender!" E eu sorri.

Na minha opinão, o senhor até podia ter razão pelo facto de as funcionárias estarem na conversa, mas foi servido, e se o café não estava a seu gosto, o que devia ter dito era: "desculpe, este café não está bem tirado, por favor tire outro", e ficava por aqui.

Quem está atrás do balcão atura cada uma!

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acaba-se a tarde à beira de um ataque de choro

por Maria Araújo, em 24.06.15

a tarde estava a correr muito bem, os meninos já estavam a dar sinal de sono e o mais pequeno precisava de comer, quando fomos buscar o carro ao parque perto de minha casa, a minha sobrinha não precisava de me trazer, atravessava a rua e mais 150 metros estava em casa.

Fui pagar. A minha sobrinha guardava na mala os carrinhos dos miúdos. Como tinha o bilhete para passar na máquina, entrei no carro para sair na rampa que dava acesso à rua que teria de atravessar.

Estava a preparar-me para pôr o cinto quando, de repente, vejo uns faróis do lado direito e surgir um carro. O condutor, para não ter de dar a volta para a saída, decidiu cortar num espaço livre de carros.

E eu só disse: "cuidado!" e a minha sobrinha travou e eu bati com a testa no parabrisas, que partiu.

Saí do carro descontrolada, a minha sobrinha também, o senhor sai, a esposa deixa-se estar dentro, os meninos choramingavam.

A minha sobrinha só me perguntava "estás bem?" e eu resmungava "e agora?", o senhor não sabia o que dizer, eu voltava a sair de mim e dizia à minha sobrinha "isto não pode ficar assim" ela dizia que não sabia o que fazer e voltava a perguntar-me "estás bem?", eu respondia, "estou" , os carros atrás buzinavam porque queriam passar, a esposa sai do carro e começa, com ar arrogante, a meter-se e a querer deitar a culpa para a minha sobrinha.

Eu continuava a dizer que tinhamos de resolver isto, a minha sobrinha dizia que ia encostar o carro e precisava de resolver as coisas rapidamente porque os meninos choravam e queria ir para casa.

De repente, sem nunca nenhum deles perguntar se eu precisava de alguma coisa, ou se estava bem, diz ela, a esposa: "a senhora não trazia cinto".

Se é verdade que eu não estava com o cinto porque acabaramos de arrancar e eu estava com ele para o prender, fiquei tão fora de mim com o jeito com que ela se dirige a mim, que entrei no carro e disse: "ela disse que não tinha o cinto, não vamos resolver isto de modo algum, vamos embora, eu pago o vidro".

A minha sobrinha arranca, protestando comigo porque achou, e com razão, que eu tinha perdido a razão ao entrar no carro e as coisas estavam para ser resolvidas e o senhor parecia estar disposto a assumir alguma culpa.

E eu dizia que ficara possessa com a atitude da senhora, porque ela percebera a minha fragilidade e mandou aquela boca.

Eu tentei manter a calma mas a minha cabeça explodiu quando bati com a testa no vidro que partira, não quisera saber de mim, não estava mal disposta, doía-me um pouco essa parte, somente. Não fui, em qualquer momento, mal educada ou arrogante, que não sou.

Se há situações que me tiram do sério são as pessoas não assumirem o que fazem e quando a fulana me diz aquilo, com alguma razão, eu prefiro arcar com as consequências.

Fomos prejudicados, é certo, o senhor tinha consciência de que não devia ter feito aquilo e que vinha depressa demais para parar e ver se vinha alguém, mas eu, estúpida que sou, tenho a mania da dar sinal antes do tempo, avisei a minha sobrinha e acabamos por nos lixar.

Se ele tivesse batido a coisa ia ser pior porque não resolveríamos aquilo na hora e eu só pensava nos meninos e na hora de eles estarem em casa tranquilos.

Estou em casa, estou bem, quase à beira de um ataque de choro quando a minha sobrinha, já em casa, me ligou a perguntar se estou bem e para lá ir jantar.

Jantar não, quero é descanso e chorar porque eu não devia ter-me precipitado e deixar perder a razão que tínhamos.

Quero pagar o vidro, a minha sobrinha diz que não, que o seguro paga, quer que eu esteja bem.

E a minha cabeça não imagina qual o valor de um vidro de um Mercedes.

Mas estou bem, acho que não há mazelas, só a sensação do impacto quando bati no vidro, nada mais.

 

 

 

 

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