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Vinho branco fresquinho

por Maria Araújo, em 29.05.11

Ontem, fui jantar a Ponte do Lima. Três mulheres maduras, com experiências de vida diferentes, mas com algo em comun: os desabafos.

O jantar foi no restaurante "Açude" no Centro Náutico. um espaço muito verde, junto ao rio.

Como chovera antes de sairmos e podendo mudar de planos e ficarmos por cá, nenhuma de nós levou a máquina fotográfica,lamentavelmente.

Ficámos junto à janela, onde se via o rio.

Um tabuleiro com taças que continham uma grande variedade de entradas, tudo a ver com os pratos típicos portugueses, foi-nos trazida à mesa. Escolhemos os mini-pimentos, cogumelos e as fritas de bacalhau, que não constavam deste tabuleiro porque ainda estavam a fritar.

Disse de imediato que gostaria das fritas.

Uma garrafa de vinho maduro branco a acompanhar e para o jantar pedimos polvo grelhado com batatas a murro e verduras (bróculos).

O vinho "escorregava" bem. Quem mais bebeu, fui eu.

Como chegámos cedo, fomos petiscando e conversando.

O jantar acabou e a conversa continuou.

Outros casais e familias chegaram, jantaram e saíram. Nós continuavamos a nossa conversa.

E os desabafos surgiram. Nada que ninguém não pudesse saber, (conheci a amiga da minha amiga ontem). Penso que todas tivémos necessidade de contar as nossas preocupações familiares. Penso que somente eu, reservei-me um pouco mais.

Um princípio de noite bem passado.

Gosto de momentos relaxados, uma conversa interessante...acompanhada de um bom vinho, como acontceu ontem, e acontece quando vamos para um jantar com o intuito do convívio, seja ela para rir, para chorar, para desabafar. O vinho é um óptimo terapeuta.

Há momentos, recebendo um e-mail de uma amiga de coração, li isto (sublinho as frases que, de alguma forma, têm a ver comigo e com muitas mulheres e homens ).

 

 

 Quem é amigo, desopila


Há uma altura na vida em que passamos a apreciar as coisas de outra forma. Se calhar a idade, tirando poderes num sítio, às vezes dá noutro. Deve ser por isso que há tantos gourmets e o Viagra se vende tanto...Eu, usando cinta de castidade (o cinto já não se usa), passei a centrar-me muito mais nos amigos e é por eles (ou por mim?) que me arranjo, maquilho e saio gira para a rua - temos de lembrar uma das máximas mais importantes, «Cavalo amarrado também pasta.»O fim-de-semana passado fui jantar com amigos, arranjei-me para eles e para as garrafas que nos acompanharam em cima da mesa. Parece que de repente todos estamos a viver épocas mais ou menos conturbadas, influenciados pela crise - ninguém está acima dela (já da lei...)No meio dos amigos, contei coisas sobre as quais antes manteria segredo - não falo dos segredos dos outros, mas das nossas pequenas fraquezas e vulnerabilidades.Este mundo da intimidade, quando se abre, é fascinante, todos têm coisas para contar - além disso, o que um bom branco fresquinho (embora eu seja mais do tinto) não potencia!?A intimidade é um lugar quadrado e restrito onde nos movimentamos e às vezes damos com a cabeça nas paredes à procura de soluções, ou pelos menos de algum eco.Falar com os amigos sobre o que nos angustia pode evitar tantos estrangulamentos internos...Reparem, não sabendo qual é a verdade do caso (até à data não sei factos, só especulações), o ex-director do FMI levou a que outras mulheres alegadamente abusadas por ele viessem a público levantar o dedo, como que dizendo - a mim também me aconteceu.Estas coisas, imagino que se guardem a sete chaves, até que um dia se faz luz. Para as mulheres que possam ter sido abusadas por um qualquer predador, há um dia em que a sua intimidade deixa de estar encerrada num espaço restrito e quadrado - as consequências disto são, no entanto, imprevisíveis. Mas imagino-lhes o alívio, como no meu jantar vi a vontade - minha e dos meus amigos - de confessarmos o que nos ia na alma. Perante os bons amigos já ninguém quer parecer perfeito. Vocês ainda querem?Reparem, a triagem dos bons e dos maus faz-se no meio de erros. Não deixa de me acontecer e, sim, é uma chatice. Às vezes acreditámos nas pessoas, partilhámos pequenas vergonhas e, depois, vem a desilusão - como se elas, ao revelarem-se mais mesquinhas do que supúnhamos, não fossem dignas de saber que temos uma verruga na virilha ou que ao atingir um orgasmo, o amigo X canta.Na posse destas informações, o que farão as pessoas menos boas? Nada com impacte suficiente para nos abalar a integridade. A verruga ficará contente por finalmente sair da clandestinidade, e o amigo que canta durante o orgasmo pode merecer um documentário da BBC.Estamos em tempo de contenção mas não poupem nos desabafos - não havendo dinheiro para a terapia, mandem vir as garrafas e os amigos a sério .Durante o meu último jantar, olhei com admiração para os meus amigos que confessavam os seus bloqueios, as suas angústias. Eu também não os poupei às minhas. Saímos do restaurante com aquela vontade de verbalizar o amor que temos uns pelos outros e como, em tempo de crise, estamos unidos.É verdade que uma paixão, um fascínio, fazem milagres pela nossa pele, o nosso olhar, a nossa auto-estima, mas acreditem que os bons amigos podem fazer-nos acreditar naquela coisa do mundo melhor (não, eu nunca pensei escrever isto).Se estão encanitados com alguma coisa mais ou menos grave (pode ser só um pêlo encravado num sítio chato), juntem os bons, peçam as garrafas (qualquer dia, as minhas crónicas passam a ter de ser lidas só no horário da noite) e desopilem - sei que a palavra parece querer dizer mais alguma coisa, mas não caiam nessa tentação.Oh God, make me good, but not yet!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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