Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

cantinho da casa

cantinho da casa

uma amiga de coração

Tinha uma mensagem whatsapp da minha amiga Lia.

A Lia não dava notícias desde Abril passado.

Em seis anos, a Lia passou por três cancros.

Teve melhoras nos dois. 

E estava feliz  porque , dizia, " estou liberada".

Há cerca de um ano,  voltou de novo à sala de operacões e a tratamentos.

Ia publicando fotografias no Instagram.

Com o apoio da filha, a recuperação estava a correr bem. Dizia-me que ia vencer mais este.

E lutou com muita determinação. 

Em Fevereiro foi para casa, recompunha-se da vida, estava feliz por voltar ao seu cantinho.

Umas semanas depois, o desânimo voltou. 

Um maldito tumor na cabeça.

Deu-me notícias:

" Ainda vou estar consigo em Portugal. Vou vencer", escreveu ela um dia.

A partir de Abril deixei de ter notícias.

Mas ela "aparecia" no whatsapp.

Não escrevia nada.

O tempo passava.

Eu ia espreitando.

A última vez que esteve online ( ou seria o filho?, ou a filha?) foi em Setembro.

Enviava-lhe um  e.

Sábado, viajava  na A1, com a minha famíla.

Peguei no telemóvel.

Tinha uma mensagem:

"É a filha da Lia/Emília.

Gostaria de avisar que a minha mãe está em estado de terminalidade"

(...)

Respondi à mensagem

Desde esse dia não soube mais nada.

IMG_20251010_181357.jpg

A Lia está em paz. 

Em três meses fiquei sem duas grandes amigas

 

 

 

 

O Melhor de Ti

Conheci-te há mais de 40 anos no melhor cabeleireiro desta cidade, um formador de muitos futuros profissionais que foram e são.

Abriste o teu salão no centro histórico. 

Sempre deste tudo pela camisola que vestias.

E tinhas uma equipa sempre disposta a seguir-te.

Naquela altura, ninguém se tratava por tu. A não ser as amigas.

Comecei a ir ao teu salão de cabeleireiro no início dos anos 90. 

A nossa amizade não começou no teu espaço.

Em 1994, quando a tua amiga, minha colega de trabalho, perguntou-me, a meio do ano escolar, se ajudava a tua filha numa disciplina, era ela que trazia a miúda cá a casa no final do dia.

Nessa altura, não sabia que a minha colega era tua amiga.

Nunca nos cruzamos no salão.

Uma noite, combinaste com a tua amiga passar em minha casa.

Querias falar comigo.

A surpresa foi grande quando vi quem era a mãe da miúda.

A partir dessa altura, começou a nossa amizade: tu, a tua amiga, e eu.

Mas foi no início deste século que fomos de férias de verão para fora do país: eu, tu, a tua amiga, a tua filha.

Desde então, e porque havia cumplicidade entre nós, tratavas-me por tu.

E fazias questão que eu fizesse o mesmo.

Mas nunca tive a coragem de te tratar por tu. 

E porquê?

Porque eras a minha cabeleireira, não conseguia mudar a minha forma de tratar.

Poucos anos depois, a tua amiga, e minha ex-colega, afastou-se. 

Entretanto, um novo projecto levou-te a passar o cabeleireiro.

Continuamos as duas com a nossa amizade cúmplice.

Saíamos muitas vezes para jantar.

A tua filha cresceu.

Tinha namorado, não se juntava a nós.

Nem tu querias.

Nas tardes de verão, ao domingo, convidavas-me para ir à tua casa "de campo".

Que belos momentos passamos!

Eu, tu, a tua filha e o namorado, agora marido.

As brincadeiras na piscina, os lanches, os simples jantares que tivemos no alpendre da casa, com o sol, lá longe no horizonte, a pôr-se por trás das montanhas.

Regressávamos às nossas casas, já noite, felizes com muita  brincadeira na piscina da tua casa.

E com a alma cheia de momentos tranquilos de final de dia.

Não quero eternizar aqui  o que vivemos.

Fica tudo guardado no meu coração.

Uma mulher empreendedora como tu, foste mais longe .

Novos desafios que te deram muito trabalho. 

E tiveste sempre as melhores funcionárias que vestiram a tua camisola e que te ajudaram no sucesso do teu negócio que é de uma sensibilidade única 

Continuamos com as nossas saídas, sempre que era possível, e porque tinhas muitas amigas, tinhas de gerir o convívio, e também a tua vida familiar.

Há mais de quatro anos que não saíamos para jantar.

Passava  no teu gabinete, dava-te um beijo, dizíamos " temos de combinar um jantar".

E o tempo passava e o jantar não acontecia.

Nasceram as netinhas.

Quanto felicidade por teres uma filha única que te deu duas netas!

Percebeste que o teu negócio estava em boas mãos, passaste  a trabalhar em part-time.

Ajudaste a tua filha.

Nas férias do ano passado, enviei-te uma mensagem para combinarmos, finalmente, jantar.

Regressavas, no dia seguinte, de uma semana que passaste com a tua família.

O tempo passava, não combinavamos nada.

Até que enviei nova mensagem.

Estavas internada no hospital.

Soube que não querias ver ninguém

Daqui para a frente, ia tendo algumas notícias, boas, de ti.

Em janeiro enviei mensagem.

Ligaste-me.

Fiquei muito feliz quando te ouvi.

E combinamos tomar um café.

Contaste-me como aconteceu o grave problema da maldita doença.

Sabíamos que não viverias muito tempo.

Não te caiu uma lágrima.

Foi uma conversa de esperança .

No finald da tarde, fomos buscar a tua neta ao colégio.

E fizeste questão que  não vos  levasse a casa.

Querias ir a pé com a menina.

Tinhas necessidade de andar.

Os dias passavam.

Viajaste com a tua família, no Carnaval.

Passaste o teu aniversário fora do país, sempre com a tua família.

Regressaste, e foste viajar com umas amigas.

Quando nos encontramos, no início de junho, estavas com bom ar.

Comemos um gelado no Bom Jesus.

Veio o calor insuportável.

Enviei-te uma mensagem a dizer que logo que o tempo ficasse mais fresco, voltaríamos ao Bom Jesus para comermos o gelado.

Respondeste-me que gostarias, mas estavas internada.

Perguntei se querias que fosse visitar-te.

Não respondeste.

Na sexta-feira, dia 11, no final do dia, o telemóvel tocou.

Vi o teu nome.

Atendi de imediato.

Mas não ouvi a tua voz.

Poucos segundos passaram, escuto a voz da tua Cris: " a minha mãe apagou-se".

Sei que gostas (vas) da Mariza.

Escolhi a música "O Melhor de Mim" para deixar aqui registado o Melhor de Ti.

Como excelente profissional que foste, só mesmo as queridas pessoas que cuidaste com muito carinho para deixarem os seus testemunhos da pessoa humana que "és".

Hoje, vou estar presente no teu funeral.

Não para me despedir de ti.

Mas para te dizer que foste muito importante na minha vida.

E sei que também fui na tua.

Encontrar-nos-emos um dia. 
Até sempre, Amiga.

post.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

que tarde de sábado!

Hoje, às 06:30h, a minha gata decidiu acordar-me.

Miava, miava, eu perguntava " o que queres?", ou "shiu! cala-te!" (o meu receio é que os mios dela acordem os vizinhos).

Entrou no quarto e senti o nariz perto da minha cabeça.

Disse-lhe, batendo com a minha mão no edredão: "deita-te ali!"

Ela adora deitar-se aos pés da cama, mas há algum tempo que não vem para o quarto.

Pasado uns quantos minutos, calou-se.
Tentei voltar a adormecer.

E acordei com o despertador.

Tinha aula de Pilates às 10:00h no ginásio. E foi muito puxada. Mas é para isso que lá estou.

Depois da aula, tomei banho, lá, e quando já estava pronta para vir, decidi sentar-me no sofá, o bar estava cheio e eu também já tinha tomado café) deixei-me estar com o telemóvel a ver as notícias, ler alguns blogues. Foram 30 minutos de sossego.

Vim para casa.

Tinha o almoço adiantado, pus a roupa a lavar.

Enquanto almoço, o sol entra pela janela da sala, é um consolo olhar através dos vidros, ver sempre a mesma paisagem, e deixar-me levar pelos pensamentos.

Ora, quando o sol entra pela janela, vê-se bem a sujidade dos vidros.

Há muito que quero lavá-los,mas com a chuva era impossível, ou se estava sol, nesse dia não dava, tinha outras coisas para fazer, ou não me apetecia fazer este serviço que a empregada há muitos anos não faz. Ela pega num pano, nem sei se é seco, se húmido, passa-o nos vidros até onde os braços chegam. E ficam pior.

Eu sei que nunca usa o limpa vidros porque fui eu que o usei quando comprei,em tempos, e o nível é sempre o mesmo. E eu não lhe digo nada. Ela está muito limitada nos movimentos. Eu entendo, e deixo passar. É uma boa pessoa, confio nela, faço eu o serviço pior quando posso ou me apetece.

Então, decidi limpar os vidros.

Eu tenho cinco janelas com dois caixilhos, logo cada uma tem quatro vidros, logo são 20 vidros.

Limpei 4 janelas. Ficou uma por limpar. Os vidros da varanda são mais fáceis. 

Estive hora a limpá-los.

Depois, aspirei o colchão e o quarto.

Fiz a cama.

Passei para as outras divisões. Aspirei tudo.

Passo a mopa de móveis nas portas e nos roupeiros.

Limpei a casa de banho.

Foram mais 3 horas que levei a fazer isto.

Tomei um chá por volta das 18:15h.

Liguei o pc.

Quando me sentei para escrever qualquer coisa, acabei por escrever sobre este dia, percebi que estava mesmo cansada.

Que tarde de sábado!

Ainda não liguei o televisor. Está sempre desligado durante o dia.

Hoje, dá o jogo Braga-Estoril. Vou ver.

A minha amiga Mafalda não foi a Leiria, porque não tinha companhia.

Eu disse-lhe que eu até ia,mas não nos autocarros que o Braga disponibilizou para os adeptos.

Se fosse, ia por minha conta.

Mas só hoje soube que não ia, porque ,demanhã,no sofá do ginásio, perguntei-lhe se já estava a caminho.

Ganhe quem ganhar, que seja um bom jogo.

Bom fim-de-semana.

clave.jpg

 

Já agora, e porque há algum tempo que não tenho  publicado a música de sábado, fui ao Porto ver Candlelight Queen e Coldplay, os músicos são portugueses, de Aveiro, mas não encontrei no youtuve nenhuma gravação.

Fica esta:

 

 

quando a hesitação nos leva a voltar para trás

Combinara, para ontem, depois do almoço, tomar café com uma amiga que vive em Esposende.

Este ano só tive um dia de praia, em Junho, fui de manhã tomar um pouco de sol para Ofir, para o lugar habitual, longe das torres e da multidão, onde são poucos os banhistas que frequentam esse pedaço de praia não vigiada, mas extensa e com dunas, para o caso haver vento e não levar o corta-vento.

Já na auto-estrada, lembrei-me, de repente, que ligara o ferro para passar os calções e uma t-shirt,  e não  me recordava de o ter desligado.

Um gestomecâmico na minha cabeça, desligo-o pouco antes de acabar de passar a peça, mas desta vez, não me lembrava nada.

Hesitei se o teria desligado, não me sentia segura ir para a praia e pensar que me esquecera,que poderia provocar um incêndio, saí na portagem de Barcelos, dei a volta na rotunda da EN e voltei para trás para entrar de novo na auto-estrada.

E quando entrei em casa e fui espreitar o ferro, foi um alívio: estava desligado.

E voltei, auto-estrada afora, cheguei à praia, tentei arranjar estacionamento na estrada do pinhal  perto da casa da minha sobrinha ( quando a casa está alugada, não gosto de pedir na recepção que me deixem estacionar o carro, não gosto de ser chica-esperta, seria oportunismo da minha parte) encontrei o lugar ideal, que costuma estar ocupado, não tinha nenhum carro, ali ficou ele tão bem estacionado que cabiam mais dois atrás, e fui para a praia.

Estava vento NW, não era forte, mas por volta das 13h00, como sempre, fica mais forte, fui para a duna mais próxima. E que bem que ali se estava.

Saí da praia por volta das 14h30, queria almoçar e seguir para Esposende.

Habitualmente, há anos, costumo almoçar num bar das torres, mas tendo nesta época muita gente, o serviço é demorado.

Quando fizemos praia em junho, tentamos saber se o bar do Hotel Axis tem serviço de esplanada ( no caso jardim) também para quem não é hóspede do hotel.

Já nos conhecem de tomar café, responderam-nos que sim.

E ficamos fãs e clientes.

Então, ontem, voltei lá.

A esplanada estava cheia, mas consegui uma mesa.

O serviço demorou um pouco, mas com um ambiente tão agradável, não custou esperar.

O pessoal é muito simpático e prestativo.

Escolhi um bife com fiambre no pão de sementes, e para beber, o panachê do costume. E tomei café ( passava da hora de o tomar, não esperei para tomar em casa da minha amiga)

Paguei nove euros.

IMG_20210810_153437.jpg

O facto de ser um hotel, que poderia ter preços mais altos,  são semelhantes aos dos cafés e,como referi, fiquei cliente.

Fui a Esposende, deixamo-nos estar no jardim a conversar. De repente, o vento traz nuvens cinzentas, de nevoeiro, as pessoas vazaram da praia.  Mas foi momentâneo, porque o sol voltou.

Era hora de regressar a casa.

Decidi vir pela EN103. O que me arrependi! Parte da estrada interdita, tive que fazer um desvio e apanhá-la mais à frente, mas o pior  foi o trânsito intenso e lento entre Esposende e Barcelos.

Quando passei a ponte, acalmou. Conhecendo eu a EN e o tempo que demoraria a chegar a casa, meti na auto-estrada Barcelos -Braga, a que fizera de manhã quando vim a casa confirmar se o ferro estava (des)ligado. O trânsito era intenso, também, na auto-estrada, havia filas na portagem. Tenho via verde, cheguei rápido a casa.

O mês de agosto é o mês das férias, mas o regresso a casa é insuportável e o trânsito na cidade insuportável é.

Acho que até à próxima quarta-feira, que vou de férias, não volto à praia.

Se à semana há muito trânsito, ao fim de semana, nem vale a pena tentar.

 

a Alice

Com a chegado do inesperado, o Coronavírus, nunca mais soube nada da minha amiga.

2020 foi um ano terrível, não podíamos visitá-la.

A minha amiga M,com quem fora visitá-la há um ano, também não tinha notícias de ninguém.

Tendo esta os contactos da família, pedi que tentasse saber como estava a Alice.

Não conseguiu falar com a família, mas com uma amiga "irmã", a única pessoa que tinha permissão de levar a Alice para um almoço, ou passeio, na altura em que esta ainda tinha lapsos de memória e se lembrava de uma ou outra amiga.

Então, soube que, no Verão passado, a Alice teve covid, esteve internada algum tempo, voltou para a Casa de Saúde, está muito, muito doente, não fala, e é com o amparo de um enfermeiro que vai dando uns passos.

Provavelmente, nunca mais vou vê-la.

Há um ano, escrevi este post sobre a minha amiga Alice.

.   

 

a Noite já passou

 

IMG_20180901_201852.jpg

mas deixo as poucas fotografias do que foi a minha noite branca de sábado passado.

Tive o prazer de abraçar uma colega e amiga da minha amiga de coração, a M, e com quem passamos férias em Palma de Maiorca,  há cerca de  25 anos, desde então nunca mais nos vimos.

Foi muito bom rever esta jovem mãe de gémeos, um rapaz e uma rapariga, que têm agora 19 anos. 

Foi uma noite quente, uma noite com música, luz, dança, convívio. Deitei-me às 4h.

IMG_20180901_230140.jpg

IMG_20180903_141849.jpg

IMG_20180901_235848.jpg

IMG_20180902_012634.jpg

IMG_20180902_014138.jpg

 

IMG_20180902_033809.jpg

 

foi um dia e tanto

Quinta-feira, depois da cena do jovem  "o ruivo",  já na descida da rua 31 de Janeiro, o telemóvel tocou.

Era a minha amiga M a responder-me  à SMS que enviara (em conversa, no café, no dia anterior, dissera-me  que tinha intenção de ir ao Bom Jesus do Monte, no dia seguinte, supus que iria sozinha).

Estava um dia muito agradável, depois desta caminhada, e porque há muito tempo que não vou ao Bom Jesus a pé, far-lhe-ia companhia se ela assim o entendesse.

Os filhos fora de casa, era o dia ideal. Ia, sim, sozinha. Eu sentia-me com forças para mais uns quilómetros, ofereci-me para fazer companhia, combinamos  sair por volta do meio-dia.

Pés a caminho, rodovia fora, subimos por Tenões. Eram inúmeros os jovens que desciam aquela estrada.

Chegamos aos escadórios lá estavam os autocarros que aguardavam os turistas que subiam o monte pelo velhinho ascensor movido a água, e desciam pelos escadórios.

IMG_4142.JPG

Subimos, e parámos no belo largo para as fotografias, continuámos a subida.

IMG_4137.JPG

IMG_4139.JPG

Corpo quente da caminhada e da subida, não convinha entrar no frio Santuário, fizemos uma pequena paragem no miradouro para vermos a cidade.

IMG_4147.JPG

IMG_4149.JPG

Após uns minutos de reflexão, e como adoro fotografar tectos e nunca me lembrara deste, chegou a sua vez.

IMG_4153.JPG

IMG_4152.JPG

Orações cumpridas, fomos comprar gelados, ouço a minha amiga dizer "one hundred and forty", virei-me,  traduzia para  um estrangeiro o valor que a senhora lhe dissera em português. Uns segundos depois vejo-a  falar com outro senhor, a quem pediu desculpa pensando ser estrangeiro, que era, mas brasileiro.

Encetou-se uma conversa sobre o ascensor que queria saber onde era, a explicação de como funcionava a subida e a descida, que o Santuário é dos mais bonitos da Europa, nem o de Notre Dame é tão belo, que temos uma paisagem lindíssima...

Eu pouco falava, e nem precisei, limitei-me a observar o senhor. Uma simpatia de homem, cabelos grisalhos a tender para o branco, olhos castanhos, barba de 2/3 dias, vestuário desportivo mas elegante, fazia perguntas sobre Braga e comentava se há casas para alugar, que somos um povo tranquilo, que a polícia trata bem as pessoas, que no Brasil as balas perdidas matam muita gente, que é impossível lá viver, que é do Recife, que tem intenção de viver em Portugal, que pensou viver em Cascais ou Oeiras..

Chamou a esposa que, mais à frente, observava a vista da cidade, para ouvir a nossa conversa.

Ela aproximou-se e cumprimentou-nos.

Os óculos escuros não deixavam ver o seu rosto moreno, mas pareceu-me ser uma bela mulher.

À minha pergunta se estavam de carro, e  à resposta afirmativa, reparando  no calçado prático que traziam, aconselhei-os a descer os escadórios, "a descer todos os santos ajudam", disse, e fazer a subida de ascensor;  que o parque era grande, havia o lago na parte superior, muito para ver neste espaço.

Despediram-se de nós, dirigiram-se à loja de recordações.

Subimos ao lago, vimo-los caminhar na direcção da gruta, cá em baixo.

IMG_4154.JPG

Gosto de tirar fotografias dos mesmos locais, e este, em particular, onde se vê a cidade ao fundo. 

IMG_4157.JPG

Pais e filhos passeavam de barco. Do outro lado do parque  as crianças divertiam-se no renovado "parquinho" infantil.

E as numerosas árvores carregadas de camélias dão vida e cor ao espaço.

IMG_4159.JPG

IMG-20180405-WA0014.jpg

 IMG_4163.JPG

Muitos eram os turistas que tiravam a fotografia da praxe, consegui um pequeno espaço para fotografar a minha amiga.

Decidimos fazer o regresso a casa a pé, passamos pela antiga bracalândia que deu lugar ao Instituto de Nano Tecnologia, lembrei-me da "anedota" com imagem  que alguém me enviara e que diz mais ou menos isto: 

Bracarense que é bracarense dirá sempre que foi ao Feira Nova (Braga Parque), que estacionou o carro na Bracalândia ( Instituto de Nano Tecnologia)  e meteu gasolina na Mobil ( BP).

5 km de manhã, mais estes 9,5 km, comentei com a minha amiga que as pernas estavam a dar os mesmos sinais de cansaço da nossa longa caminhada em Barcelona, naquele domingo de Março de 2015.

E por falar em Barcelona, comentei, também,  que "conheço" um blogger que viveu nesta bela cidade, que escreve belos textos dos lugares menos frequentados pelos turistas, e que, quem os lê, apetece meter-se no avião e conhecer o que passa ao lado.

Metemos pelos campos de jogos da Rodovia, em reconstrução, vê-se algum betão (espero que não deja demais), um parque radical já pronto, barras paralelas para os atletas de rua,  novas vias pedonais a alcatroar.

IMG_4165.JPG

IMG_4167.JPG

IMG_4170.JPG 

A M é uma boa companhia ( ela diz que sou a sua mana) tem o tempo muito ocupado com a família e o trabalho, já nem os nossos passeios à noite, pelas ruas da cidade, fazemos.

Gostaria de repetir as nossas caminhadas, as conversas, os desabafos, as gargalhadas.

Foi um dia e tanto, esta quinta-feira.

 

 

que friooo!

 

 

Manhã em casa a tratar das minhas tarefas pessoais, à quinta-feira não costumo ir ao ginásio, fazer compras no mercado ficará para quinta-feira de Páscoa, depois do almoço fui dar uma volta pelo centro, há algum tempo que não passava por lá. 

Tirava umas fotografias às decorações da Semana Santa, alguém mete-se comigo, não dei conversa, até que me pergunta se não o conheço. E foi então que reparei quem era o senhor.

Era o pai da minha amiga M.  E ficamos uns bons minutos na praça em frente às duas grandes e belas igrejas, a conversar sobre as casas abandonadas, o centro comercial, uma construção dos anos 80, uma aberração do ex-presidente da Câmara, e muitos outros edifícios ao abandono dos quais já muito se falou, nos projectos,  alguns pendentes porque são propriedade da igreja, ficam assim "chutados" para canto. 

É que "o velho hospital de Braga está em obras,  será um hotel de luxo",  diz o pai da minha amiga e "a Câmara devia obrigar os donos destas casas da Rua de São Bentinho a arranjarem as fachadas nem que por dentro estivessem a cair, mas o exterior devia ser preservado, quiçá a Irmandade de Santa Cruz as comprar e aumentar ao lar de idosos.

E nesta treta toda, ele, o pai da M, que tem tido alguns  problemas de saúde, diz-me: "está muito frio, é hora de regressar a casa".

E com este frio bem gelado, com vontade de tomar o meu chá quentinho e as cookies que a minha amiga ofereceu, ainda fui comprar umas coisas giras para fazer umas decorações de Páscoa.

 

"Ai, que mãos tão geladas!"

Fui visitar a minha amiga Alice.

Durante o Verão, prometera a mim mesma visitá-la, mas o calor, com o qual não me dou, fazia-me ficar em casa, adiava constantemente.

Quando abriram a porta surge ela,  rosto sorridente. Estava, hoje, nos dias normais.

Uma das nossas amigas dissera-me que um dos dias que a visitou ela estava muito abatida, nem parecia a Alice que estamos costumadas ver.

Abracei-a e dei-lhe um beijo. Perguntei-lhe quem era eu. Nenhuma das vezes que o fiz ela disse o meu nome. Hoje, era o da minha irmã que ela tinha na mente.

Descemos os corredores daquela Casa de Saúde. A minha intenção era darmos um passeio pelos jardins, apesar do frio que fazia, mas agasalhadas que estavamos, superaríamos, pensei... e mal.

Há um café  na Casa de Saúde. É hábito os familiares levarem os "doentes" para um lanche. Havia-o feito com a Alice a primeira vez que lá fui, e porque apareceram mais duas amigas juntamo-nos e lanchamos com ela.

Das outras vezes, ela dissera-me que tinha lanchado, não queria nada ( sempre que lá vou, ofereço uns chocolates ou biscoitos).  Descíamos, então, os corredores até que junto à porta do café, ela a meu lado , mete-se à minha frente para entrarmos.

Percebi que queria comer. Escolhemos uma mesa, perguntei-lhe se queria lanchar.

Nunca disse que sim. O sim dela era encolher os ombros, emitir algumas palavras inacabadas.

Eu dizia leite, sumo, bolo, ao mesmo tempo que apontava para o balcão onde se viam os sumos.

Um prato com um bolo de laranja, caseiro, em cima do balcão, destacava-se dos bolos de pastelaria menos apetitosos e convidativos.

Ela quis uma fatia de bolo e um sumo.

Enquanto a funcionária preparava o lanche, eu, de pé, tentava que ela falasse alguma coisa, até que  afago-lhe o rosto e : " Ai, que mãos tão geladas!". Foi a única frase completa que saiu da sua boca.

Veio o lanche. Ia comendo de uma forma que me pareceu inquieta. Partia pedaços grandes da fatia de bolo, mãos um pouco trémulas,  metia-o à boca, comia sem proferir uma palavra. Deixei-a comer sossegada.

Pegava no pacote de sumo, que segurava mal, percebi que tinha alguma dificuldade em levar a palheta à boca. Perguntei-lhe se queira um copo, dizia que não. De repente, ela agita o pacote e percebe que ainda tem sumo, mas não consegue sorvê-lo. Delicadamente, tirei-o da mão e reparei que com as trémulas mãos tirara a palheta e metera-a ao contrário: a parte mais comprida fora do pacote. Pus direita. Bebeu o sumo todo.

Pensei para os meus botões " Será que também tem Parkinson?"

De quando em vez, perguntava quais as actividades que fazia. Se pintava,  se desenhava.  Vendo as suas unhas pintadas, perguntei se fora ela que as pintara. Ou dizia que não, ou não conseguia completar as frases.

Às tantas, aponta para a minha camisola, com um tira em malha na gola, perguntei se gostava dela e se era bonita.

Respondeu que sim.  E comento eu de imediato: " Eu também sou bonita".

Em uníssono, saiu-nos uma gargalhada. Fez-me bem esta sua gargalhada.

Decide levantar-se. Estava a parecer-me de novo inquieta.

Fomos até ao jardim. O vento era muito frio. Subimos os fechos dos nossos casacos.

Ela não estava a aguená-lo, tosse um pouco e diz " Tenho tosse!" Está frio".

Fomos  para o corredor onde fica a sala dela, sentámo-nos a ver e ouvir as senhoras  que por lá andam, também.

A funcionária veio ter connosco, entreguei-lho os biscoitos . E soube que a Alice lanchara antes de eu chegar.
"Lanchou duas vezes", comenta a funcionária. E pergunta-lhe: 

" Esta senhora é irmã?"

A Alice olhou para mim. Não soube responder.

Respondi que era  uma amiga. 

Ela repetiu a palavra "amiga" e quando a funcionária lhe perguntou o meu nome, voltou a olhar-me e disse o nome da minha irmã.

Ela vai dizendo alguns nomes das amigas ou família que se lembra no momento, nada mais que isto.

A funcionária comentou que a minha amiga é muito educada, limpa, boa pessoa. Por vezes anda deprimida, vai-se abaixo, não consegue comunicar com as outras pessoas. Assusta-se com tudo e tem medo.

A grande amiga da Alice, mais que uma irmã de sangue, telefonou para a Casa de Saúde a pedir que, amanhã, a vistam bem porque vai buscá-la para sair.

Além da família, esta amiga é a única pessoa que tem autorização para levar a Alice a almoçar ou passear.

17horas, despedi-me. Ela ria-se.

E prometi voltar dentro de 15 dias.