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Pascoela em Terras de Bouro

por Maria Araújo, em 03.04.16

Há dois anos estive lá, hoje regresso a casa da minha amiga MJ, para a Pascoela em Terras de Bouro.

Gosto das festas de aldeia.

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Tradição popular da visita de Pascoela
 
 
Em várias localidades minhotas, manteve-se a tradição da visita pascal em Domingo de Pascoela. É uma manifestação popular que as comunidades teimam em manter, apesar dos incentivos da Igreja Católica para que a data dos festejos seja alterada para o Domingo de Páscoa.
"A nossa Páscoa é diferente: há mais alegria e muito povo, porque se juntam os familiares todos, assim como amigos e conhecidos", argumentam os moradores de loicalidades como, Terras de Bouso, S. Vicente do Bico (Amares) e Vilarinho (Vila Verde). "Assim, comemorámos duas vezes a Ressurreição de Cristo", argumentam, recusando a ideia de qualquer desvalorização do dia de Páscoa, em que a comunidade assinala a data através da solenização da Eucaristia.
Como a grande maioria das paróquias realiza a visita pascal no dia de Páscoa, as pessoas estão mais livres no domingo de Pascoela para marcarem presença nas casas de amigos onde o compasso leva a Cruz a beijar a todas as habitações da freguesia.

 

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de Xertelo às Sete Lagoas

por Maria Araújo, em 09.09.15

o irresistível convite de uma amiga para irmos de fim de semana até Covelo, Peneda, e com o objetivo de passarmos o dia de sábado nas Sete Lagoas do Gerês, não podia ser esquecido.

chegamos a Xertelo, na margem direita do Cávado, deixamos os carros estacionados, faríamos o percurso pela serra, 1:30h de caminhada pelo trilho "orientado" dos mariolas.

Xertelo, aldeia pequena, com poucos habitantes e idosos, mas muito recetivos a quem por lá passa.

verdes campos de cultivo, onde pastavam cavalos.

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o  cruzeiro de Xertelo

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 na entrada para o trilho aparece-nos o Fojo do Lobo, o único que vi, mas há muitos mais perto das aldeias

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zonas íngremes (evitava olhar para baixo e ver a inclinação da serra, eu que tenho vertigens) o cuidado com as pedras e os rochedos que barravam o caminho e obrigavam-nos a passar de lado.

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todo o percurso correu bem, ninguém tropeçou ou caiu, éramos guias de nós próprios. uns caminhavam mais apressados, outros, como eu, com as nossas máquinas fotográficas, ficavamos para trás para captar a paisagem.

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quando chegamos ao destino fiquei impressionada com a beleza do lugar. lá do alto, via umas a cor branca das rochas aqueles buracos escuros...as lagoas.

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mas à medida que descíamos, apercebia-me dos tons mais nítidos das lagoas.

belo! indescritível!

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 viam-se algumas pessoas com as toalhas estendidas nas rochas a desfrutarem da límpida água das lagoas.

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descer foi um problema, muitas rochas, todo o cuidado era pouco. um caminho de terra e rocha por onde todas as pessoas desciam, foi o mais seguro para nós.

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a água caía em cascata, uma hormonias de cores, o castanho das rochas, o azul e o verde transparentes, de rara beleza.

as nossas meninas, as primeiras a saltarem, divertiam-se à brava, enquanto os pais pediam cuidado

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eu e a minha amigas deixamo-nos ficar por aqui. o grupo foi conhecer algumas das lagoas, que eu adoraria ter visto mas...

é impossível sair do banho pelos nossos pés. a pedra é excessivamente escorregadia, só de gatas, arrastando o corpo nas rochas e com muito cuidado.

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tive receio de ir mais longe e ver mais, fotografar as outras lagoas.

no início da tarde o número de veraneantes era demais, preferi não correr riscos, captei as que a minha máquina alcançava.

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 e as nuvens pareciam algodão doce

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a água é bastante fria mas não impediu que os mais novos saltassem lá de cima e viessem de imediato enrolarem-se nas toalhas e sentarem-se ao sol, do choque térmico que sofriam.

o filho da minha amiga muito indeciso se havia de saltar ou não andava de um lado para o outro, lá no cimo da lagoa... mas  saltou.

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 algumas pessoas facilitavam...

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grupos de rapazes e famílias chegavam, o ambiente começou a ficar um pouco "chunga", tinhamos de voltar aos carros, mais 1.30h de caminhada pelos trilhos da Peneda, decidimos deixar as lagoas por volta das 16h

e tirei fotos das lagoas, agora na subida para o trilho

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no sentido inverso, as rochas que não vira, eram agora visíveis e algumas delas com formas interessantes: embora pouco nítida,  esta fez-me recuar aos descobrimentos. quem seriam? o Infante D. Henrique e um dos seus navegadores.

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a vegetação verde, pinheiros que desciam a serra, um aqui,  outros mais alé, ( e vimos pedaços de terra queimada, que assassinos!)

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tranquilos, chegamos a Xertelo.

dentro de um carro, parado no meio da pequena estrada, um casal de meia idade e três adolescentes falava com um dos nossos homens. percebi que estavam a querer saber como chegar às lagoas."

 às 17:30h queriam fazer os trilhos para as lagoas com três crianças?" , pensei.

mas o nosso homem aconselhou-os a não arriscar. eles não conheciam nada, chegariam tarde e o tempo era pouco para usufruirem das lagoas, fazia-se noite para o regresso, era muito arriscado. (foi o que ele nos contou mais tarde, já em casa).

a chegada a Xerdelo, abastecemos as garrafas com água pura da fonte

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não há estrada que ligue Xerdelo a Covelas, nós fomos por onde viemos e fizemos mais 10 a 15 km até casa.

situada no sopé de uma montanha, a aldeia de Covelas é pequena, como todas as da serra, distantes do Gerês e ou Montalegre, onde habitam 4 , 5  famílias.

dois dos nossos homens (um deles o filho da minha amiga)  decidiram, então, fazer mais 1.30h até casa, percuso este a pé e pela serra.

não valeu de nada evitarmos que desistissem de mais uma caminhada.... e nós seguimos viagem, de carro.

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chegamos a casa,uns para o banho, outros para a cozinha tratar do jantar para 15 pessoas.

e a noite foi de convívio.

domingo de manhã cedo, já se ouviam os chocalhos do gado que ia para os pastos.

uma passeio pelos campos e uma visita aos cães de caça.

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DSC08821.JPGe o cansaço das meninas era demais...

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almoço no terraço da casa, em grande convívio.

arrumamos as coisas. quando estavamos para sair de casa, os homens e os jovens decidiram ir ao rio, a 1 km de casa (tive pena de não ter ido, mas não me disseram nada) tivemos de esperar que chegassem e meter o carro à estrada.

pelo caminho, a linda paisagem do rio Cávado e do Gerês convidavam-me para a fotografia mas não foi possível com o carro em andamento.

depois do Maciço da Calcedónia, este foi o meu segundo desafio. acho que conseguirei ir um pouco mais longe, quem sabe, para o ano, na primavera, visitarmos as Minas dos Carris, mas com a ajuda de um guia.

 

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algures

por Maria Araújo, em 05.09.15

numa aldeia, com direito ao banho numa das muitas lagoas do Gerês, é omeu destino deste fim de semana e com certeza, sem acesso a wifi

 

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O miúdo do sino

por Maria Araújo, em 27.04.14

A minha amiga MJ convidou-me e à D, para passarmos a Páscoa na aldeia.

O domingo estava bom, metemo-nos à estrada.

E ainda bem que fomos.

Os amigos do casal já lá estavam.

Enquanto não chegava o compasso, fomos colher flores.

Sentei-me num muro a conversar com a sogra da MJ (gosto de ouvir estas pessoas, têm muito para contar).

Ouviam-se os sinos.

O simpático padre benzeu a casa, beijamos o Senhor.

Todos os elementos do compasso cumprimentam-nos, até que surge o penúltimo elemento da comitiva, o miúdo do sino,  que não teria mais de 6 anos, com altura de 4, vestido com um fato, boina na cabeça, uma fita da comunhão pregada na manga do casaco.

Pedi-lhe para tocar o sino.

Senhor do seu nariz, não tocou, estendeu-me a mão, como um adulto, para eu o cumprimentar.

Percebi que não tocaria o sino, cedi, estendendo a minha mão, apertou-a e passou ao convidado que estava a meu lado.

Depois de cumprimentar todas as pessoas, encostou-se à parede..

A MJ ofereceu-lhe amêndoas, pegando no prato. O puto estendeu a mão para levar o prato.

Rimo-nos.

Pediram-lhe que tocasse o sino, mas o puto mantinha a sua postura de homem importante, vestido de fato...e calado.

A minha amiga, dona da casa, inclinou-se,  agarrou-lhe a mão e tocou. E o puto não deu confiança a ninguém.

O compasso saiu.

Hora do lanche. Comi tudo o que não devo (também não abuso): rissóis, chouriço, queijo, tremoços, azeitonas, broa, um copo de vinho branco, não mais que um (se conduzir não beba), que bem me soube.

Cá fora a temperatura convidava à preguiça.

Ao longe, os altifalantes soltavam a melodia da habitual música pimba.

Gosto destes momentos de fim de semana no campo.

Como sempre, tiro fotos.
Tenho de comprar uma máquina nova (esta já deu o que tinha a dar).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Fernando Pessoa

por Maria Araújo, em 01.12.08

 

 

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